Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas.
Mário Quintana.

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Eu moro em mim mesmo. Não faz mal que o quarto seja pequeno. É bom, assim tenho menos lugares para perder as minhas coisas.
Mário Quintana.
a gente muda sim pra pior ou pra melhor e uns pedaços acabam ficando com quem vai ou com quem fica porque a gente pode ir embora também e tudo bem
Paulo tinha fama de mentiroso. Um dia chegou em casa dizendo que vira no campo dois dragões da independência cuspindo fogo e lendo fotonovelas. A mãe botou-o de castigo, mas na semana seguinte ele veio contando que caíra no pátio da escola um pedaço de lua, todo cheio de buraquinhos, feito queijo, e ele provou e tinha gosto de queijo. Desta vez Paulo não só ficou sem sobremesa como foi proibido de jogar futebol durante quinze dias. Quando o menino voltou falando que todas as borboletas da Terra passaram pela chácara de Siá Elpídia e queriam formar um tapete voador para transportá-lo ao sétimo céu, a mãe decidiu levá-lo ao médico. Após o exame, o Dr. Epaminondas abanou a cabeça: Não há nada a fazer, Dona Coló. Este menino é mesmo um caso de poesia.
Afinal, morrer é perder a vida ou se livrar dela?
E na plenitude de toda a barbaridade, pude notar que nos confins haveria uma esperança. Ludibriados, os encapuzados me aconselharam fugir o quanto antes, e assim o fiz. As gotas gélidas da chuva me mantinham firme. Eu já não ouvia os gritos de socorro, nem as mães desesperadas à procura de seus filhos tão inocentes. Quando retornei, os corpos já haviam se tornado cinzas em suas devidas fogueiras enormes. Os guardas permaneciam em posição. Eu estava livre da morte, mas a culpa me pesava horrores, enquanto eu caminhava por entre as cinzas. Afinal, eu era uma bruxa, como todas elas.
KM.