But something happened... @Mivoux
É engraçado como um simples fato pode mudar seu dia. Ou sua visão a respeito de alguém. Foi um dia cansativo para Devoux, pela manhã fez duas sessões de fotos, e ao entardecer tinha participado de um desfile. Considerou que sua imagem já tinha sido abusada o suficiente naquele dia, e que passaria o restante da tarde descansando. Seria fácil, alguns filmes de comédia romântica, pipoca e talvez um pote de sorvete. Naquele dia em especifico, a solidão parecia tão convidativa, não acolhedora que Anthony começara a gostar da ideia. Escolhera Sexo sem compromisso para por no DVD, pipoca no micro-ondas e sorvete de morango no refrigerador. Estava tudo tão amarrado e perfeitamente programado, só faltava desligar o celular para não ser incomodado, mas ao pegar o aparelho o loiro parou. O nome e a foto de Maya brilhavam em sua tela, “perfect time”, pensou ironicamente enquanto atendia a ligação de Skype da morena. O sorriso magicamente brotou em seus lábios ao vê-la. Nem em seu momento mais deprimente, Devoux conseguia evitar ou interromper um riso para ela. A conversa foi curta, algo sobre encontro de velhos amigos de faculdade e como Maya não queria parecer encalhada. Era engraçado vê-la dizer aquilo, tamanha beleza, não deveria se preocupar com coisas levianas. Mas ele aceitou ser seu acompanhante.
Os planos cortados. O DVD poderia esperar, claro. Perderia a pipoca, mas não era como se não pudesse comprar outras depois. A ducha rápida, a roupa separada, nada de terno desta vez. Apenas uma bela calça e uma bela camisa. Sem gravata. Ele esperava uma noite típica de bebedeira, não correria o risco de alguém vomitar em suas melhores roupas. O loiro estava devidamente pronto, apenas deu a velha olhada no espelho, como sempre. Se deixasse era capaz de passar a noite inteira ali, penteando o cabelo de um lado para o outro, desamarrotando a camisa que já havia passado duas vezes, tirando pelos imagináveis que tinham prendido no tecido. Quando se tratava de imagem e publico, Anthony conseguia ser mais critico do que as outras pessoas. Talvez fosse a vaidade falando mais alto, talvez fosse a mera lembrança de que estaria na presença de Midori, e com ela vinha Astaroth. Ou talvez fosse o simples costume. Fosse como fosse, o loiro se prendia a pequenos detalhes que a maioria poderia ignorar facilmente.
Não se deu ao trabalho de tomar as chaves do carro, parecia estúpido sair com o veiculo quando sabia que não poderia voltar com o mesmo. Desceu de elevador até o térreo, onde o táxi já o estava esperando. Adorava a eficiência de seu porteiro. Falou ao motorista o endereço de Maya, seria mais adequado que fossem juntos, afinal tinha que ser convincente. Não demorou muito para que chegasse ao prédio da morena, e fez questão de pedir para que o táxi esperasse. Não apertou o interfone, o porteiro já estava tão acostumado com ele que lhe deixou entrar. Anthony tomou o elevador até o ultimo andar. Adorava o fato da morena morar na cobertura, principalmente pela magnífica vista. Não tocou a campainha, não bateu na porta. Apenas pegou a chave em baixo do capacho e entrou. – Querida, cheguei.
Astaroth não costumava se envolver em assuntos do escritório. Principalmente quando não tinha nenhuma entidade por perto para o dar motivo para tal. Então Maya era conhecida na empresa por ser uma profissional dedicada, já que a paixão pelo trabalho e por fazê-lo bem feito era algo que não tinha sido roubado de si. Suspirou pesadamente, não se importando com o barulho que seu scarpin fazia ao tocar o piso. Ela tinha pressa em ir ao tribunal, tanta que a morena sequer direcionou o olhar ao segurança que estendia a porta que passasse ou ao motorista que fazia o mesmo com a porta do carro. Qualquer um que olhasse a cena de fora, podia dizer que era falta de educação da morena. Mas na sua mente deturpada era apenas o normal. Tempo sempre significou dinheiro, e não pode ser gastado com coisas irrelevantes. Em cinco minutos estava no local e o seu humor já havia melhorado consideravelmente. O suficiente para que considerasse convidar Anthony para lhe fazer companhia em uma festa de reencontro da faculdade. Sabia que a festa acabaria sendo um saco, mas precisava um pouco do bom humor e do carinho do outro. Era no fim do dia quando tudo que queria era apenas tirar os sapatos de salto que seus sentimentos mais humanos afloravam.
Ele tinha aceitado, e ela correu pra se arrumar. O banho demorou mais que o normal, Maya tinha um cuidado com o próprio corpo que ultrapassava a barreira do exagero. Foi apenas de toalha escolher a roupa pra ocasião. Não podia escolher algo arrumado demais, porém nunca que aceitaria passar por desleixada. Não queria ser comparada as bolsistas que persistiram em aparecer no seu curso. Considerava isso a sua morte social, inadmissível. Por fim decidiu por um vestido curto e tomara que caia vermelho que foi acompanhado das sandálias gladiadoras que eram suas preferidas e os olhos esfumaçados com o delineador preto. Parou em frente ao espelho que tomava toda uma parede de seu quarto e sorriu. O reflexo no espelho era deslumbrante. Os lábios nudes faziam com que o olhar da garota se tornasse mais penetrante ainda do que era. Estava nesse momento de contemplação por alguns minutos apenas quando ouviu o barulho. A voz de Anthony fez com que Maya bufasse pela frustração de ser interrompida e risse logo depois por ele estar ali.
Saiu do quarto em passos largos até o encontro do outro da sala, parando apenas para pegar sua bolsa de mão. Maya era vaidosa, nunca rejeitaria que Anthony pagasse as coisas por ela. Na verdade, era o que queria e sentia que precisava. Que ele cuidasse dela. Mas de estúpida não tinha nada, ser surpreendida não era algo que apreciava. – Meu amor. – O sorriso pequeno se alargou, enquanto a garota estendia a mão em direção ao rosto dele para tocá-lo. Não queria correr o risco de amarrotar nenhuma das roupas. Mas com Anthony não sentia o medo de demonstrar seus sentimentos como quando estava com Benjamin. Pelo menos não tanto. – Como estou? – Ela piscou pra ele, de um jeito maroto e rodou em volta de si para dar visão completa do look que tinha escolhido. – O táxi já está aí? Não vou ficar esperando lá em baixo. – Ela concluiu, como algo normal. E para eles realmente era.














