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@lonelypyo-blog
“As pessoas dessa cidade começam a falar umas coisas estranhas do nada, aish...”
“Que? Não! Nada disso, você não precisa pagar esse daqui. É por conta da casa…”
“Sério mesmo, cara? Você é bem legal, mas eu posso pagar... sério mesmo.”
“Ei, você…”
“Tem comida pra me dar?”
“Eu... tá falando comigo?”
“Eu tenho um pacote de salgadinhos aqui, se quiser...”
— Sim eu estou experimentando todos os sabores de refrigerante daqui. — Disse levando os copos para o balcão da loja de conveniência onde trabalhava. — E sim estou no meio do meu expediente, por isso pergunto, posso ajudar em algo ou dar atenção ao que realmente importa? Esse refrigerante de maçã verde.
“Opa, eu realmente não quero te atrapalhar, só gostaria de saber se aqui vende biscoitinhos de pimenta... já dei duas voltar na loja e não encontrei.”
Mordiscar aquele restante de carne do osso era de vital concentração e prioridade, tanto é que enquanto desviava das pessoas por quem passava, o susto da voz quase em seu pé do ouvido o fez assustar-se; não só o osso caiu, como instintivamente protegeu o rosto ao erguer as mãos, enquanto o corpo pendia para o lado contrário ao outro. “OMO!” Gritou, após recuperar a postura. Fez até uma careta triste, enquanto massageava o peito, atritando com a camada de roupa que evitava o contato direto. Depois de engolir em seco e visualizar o osso no chão, pressionou os lábios enquanto o olhar subiu para o céu, como se estivesse impedindo de lágrimas caírem; mas isso não passava de drama da parte dele, principalmente quando se tratava de comida. Ainda que uma pontada de raiva borbulhasse no âmago em relação ao outro, Hongbin suspirou e nem precisou gesticular tanto para que se fizesse entendível. “Esse daí não serve? É o único que tem por aqui…” Direcionou com a cabeça apontando para a placa, logo em seguida virando o olhar para o mesmo. “E você me deve um terço do quinto de carne, que eu estava quase terminando.”
{ flashback }
O tremelique que passou por seu corpo com o grito foi tão visível quanto o susto do outro com o seu próprio, coisa que deixou Kihyun com ainda mais vergonha, fazendo-o abaixar a cabeça para esconder as prováveis bochechas rosadas. Entortou a boca, olhando para a placa que indicava os banheiros, nem estava com vontade de ir ali, afinal, aquele fora apenas o único jeito - desastroso - que achou de puxar algum assunto com algum estranho. Olhou para a comida que o outro deixara cair com tristeza, realmente sentindo muito pelo mais alto. ━ Eu... me perdoe, por favor. Tudo bem, eu te pago a quantidade de carne que você quiser. ━ O homem falou, cheio de culpa.
springinjune:
Como de costume, não tinha sequer dado tempo de oferecer ajuda para o outro levantar. Não sabia se era lerdeza de sua parte ou as pessoas que tinham reflexos bem rápidos mesmo (provavelmente ambos), mas ao menos ele parecia bem e… Oh, ele estava corado também? Foi meio inevitável a simpatia quase automática por outro membro do clube dos bolinhos tímidos e envergonhados, e isso até fez June se sentir um pouquinho mais confortável em responder sem hesitar tanto quanto costumava. ━ Bem, eu também não estava olhando direito por onde andava, então… Eu… Acho que temos ambos um pouquinho de culpa? ━ Respondeu com um sorrisinho meio sem graça, uma das mãos mexendo na própria franja, como num tique. ━ Não, não me machuquei! Tá tudo bem, obrigada por perguntar. ━ Apressou-se em responder, assentindo algumas vezes com a cabeça pra reafirmar-se. Então, veio um leve silêncio constrangedor. Queria falar alguma coisa - tinha simpatizado mesmo com o moço - mas não sabia o quê. E acabou saindo a primeira coisa que pareceu aceitável, mesmo. ━ Então… Faz tempo que chegou aqui no festival? Eu ainda estou meio desorientada no meio de tanta gente…
{ flashback }
Sorriu, em reflexo da ação daquela que estava na sua frente. ━ Bem, isso é justo, mas ainda acho que a maior parcela de culpa é minha. Não se deve parar do nada num lugar tão cheio como esse, devia ter previsto que algo assim aconteceria. Perdão por isso. E que bom que não se machucou. ━ Sorriu novamente, antes de levar a mão para a própria nuca, em um ato que denunciava sua falta de tato para com situações onde socializar era necessário. ━ Oh, na verdade não, acabei de chegar. Bem, está melhor que eu, provavelmente irá encontrar alguém conhecido em breve no meio da multidão e não estará mais desorientada. Já eu devo conhecer umas três pessoas na cidade, e duas delas são meus professores da faculdade. ━ riu de leve da própria desgraça, abaixando a cabeça e se perguntando de onde saíra coragem para falar tanto, normalmente saia correndo depois de trocar duas palavras com qualquer pessoa.
vampxshin:
Por um breve momento, MiKyung não pudera deixar de achar aquilo adorável. Aquele humano havia despertado certa curiosidade em si, talvez pelo modo distinto de comportamento? Bem, ela não podia dizer ao certo, uma vez que apenas se aproximava de seus lanchinhos. Aquele festival era a exceção, tal como seus negócios. — Depende exatamente de que tipo de comida você quer. Mas posso te levar até lá, caso queira. — Ofereceu-se, um pouco curiosa para ver um pouco mais daquele humano.
O Pyo já estava certo de que sua tentativa de conversar com estranhos não dera muito certo - quem iniciava uma conversa falando sobre banheiros, por Deus? Tinha que aceitar que realmente não nascera uma pessoa extrovertida, e quando tentava agira como tal, só passava vergonha. Tinha em mente de que a mulher provavelmente sairia andando sem lhe responder - ou pior, faria alguma piada antes disso - mas quando a outra ofereceu-se para acompanha-lo, Kihyun não conseguiu conter a surpresa, balançando a cabeça positivamente algumas vezes. — Você faria isso? Eu adoraria, muito obrigado. — respondeu, antes de abaixar o tronco de maneira afobada algumas vezes, em agradecimento.
Ainda que gostasse - ou tentasse - ser sociável, June não costumava frequentar lugares tão movimentados quanto aquele festival; o que, é claro, só aumentava a animação e ansiedade quase infantil para que o dia chegasse logo. Tinha até passado maquiagem e se arrumado bem mais que o normal - nunca tinha paciência suficiente para usar algo além de moletons largos com a primeira saia que encontrasse. Gostava de saias; elas ajudavam a disfarçar, hã, volumes que mocinhas não deveriam ter entre as pernas. Não que fosse exatamente uma mocinha, mas… “Sem crise existencial agora, June” - advertiu-se, prendendo o final da segunda trança feita nos cabelos castanhos e ajeitando a franja. Com mais uma repuxada na saia rosa pastel, vestiu o ‘casaco’ branco por cima de outra blusa justa, quentinha e de manga comprida - e 'casaco’ entre aspas porque aquela coisa não esquentava nada; por ter sido feito de crochê por June em um padrão aberto e simulando flores, só tinha fins estéticos mesmo. É claro que, como era aberto e com mangas compridas demais, vivia enroscando os dedos ou passando-os pelos espaços errados - mas adorava aquela coisa, fazer o quê. Finalmente saiu de casa, com um atraso significativo na hora que tinha combinado de encontrar Miyeon na praia, mas a outra já estava mais que acostumada com aquele mal costume de June; e quando chegou, estava tudo bem mais cheio do que esperava. Se arrependeu instantaneamente de não ter combinado de ir logo junto com a amiga, enquanto vagava entre as pessoas em busca da mesma; justamente por procurá-la à sua volta, não estava realmente olhando pra frente, até que deu um belo encontrão com as costas de alguém. — Oh! — A exclamação de susto foi instantânea, precisando de um segundo e duas piscadas de olho pra processar o que tinha acontecido, as mãos se unindo próximo ao queixo. É claro que, sendo o desastre em pessoa, tinha que esbarrar em alguém, e é claro que corou de imediato enquanto fazia uma reverência apologética. — Me desculpe, me desculpe mesmo! Eu-eu estava distraída procurando uma amiga e… — Tentou se explicar, a timidez atacando tão forte que não conseguiu concluir a frase ou olhar para o rosto da pessoa por mais de um instante. Precisava de certa preparação psicológica e emocional pra falar com pessoas, por isso odiava encontros repentinos - a confusão em sua cabeça era demais. — Não machucou nem nada, né?
Kihyun não sabia a razão de ter ido ali. Certo, era um festival aparentemente importante para a cidade de Busan, e agora que ele morava na cidade era educado participar de suas festividades, mas o moreno não conhecia ninguém e agora sentia-se extremamente sozinho. Só queria voltar para o seu apartamento e dormir, mas forçou-se a andar por entre as pessoas, a procura de algo interessante para fazer. Seus pés afundavam na areia fofa, fazendo os grãos entrarem no seu tênis, deixando-o desconfortável. Já revoltado com a sensação, levantou um dos pés, com o fim de que a areia escorresse de dentro do sapato, mas o esbarrão que levara o fizera tombar para a frente devido a falta de equilíbrio. Apoiou-se na areia com as mãos para não cair de cara nesta, levantando se rápido, com as bochechas rubras, envergonhado pela cena que protagonizara. — Está tudo bem, eu que não devia ter parado do nada. — falou, depois de virar-se ao ouvir a voz da menina, batendo a areia das mãos no jeans da calça. — Não, não, estou bem, e você? Machucou-se?
unattainablegaeul:
— É meio que um… apelido de família — uma risada soprada passou pelos lábios da garota. Primeiro, era raro que ela passasse muito tempo conversando com um humano e segundo, ela os achava interessante. — Ele é grande e meio gorducho, eu também, alguns tios meus também, então…
— Oh, sim, entendi! Muito legal ter ursos, então. — o Pyo comentou, genuinamente animado por estar mantendo um dialogo, um grande avanço no projeto “Kihyun sociável”. — Sempre quis aprender a andar de skate, mas sempre caia de cara no chão, acabei desistindo.
— Vem, você não vai conseguir me pegar, mas pode tentar! Imaginou que não deveria ter usado sua poção especial na bebida de ambxs, mas quem ligava? Estavam felizes e correndo pela praia. Apesar de o lula estar um pouco mais longe, e Miyeon já ter molhado ambxs chutando água e brincando com seus poderes, para dobrar a água obrigando-a a obedecê-la, tudo parecia certo. A loira corria o mais rápido que podia, torto devido a alteração causada pela bebida, e mesmo que seus pulmões pegassem fogo esforço, ela supôs que brincar de pega-pega nunca havia sido tão legal. Não queria pensar em todos os problemas, apenas queria se divertir. Já havia comido a ponto de se sentir inchada, e bebido tanto quanto. Não fazia ideia de quem era a pessoa que brincava consigo, tão pouco ligava momentaneamente, mas quando foi pega, fez as mãos pararem em sua cintura, e suas mãos, pararam nos ombros alheios. — Você é a minha namorada? Eu quero a minha namorada. — Resmungou de forma tão arrastada quanto qualquer outro bêbado falaria. — Já sei! Eu deveria ficar nua e entrar na água, talvez aí ela me desse atenção na única noite que eu tive de folga essa semana. Não queria ter soado tão ressentida, mas não conseguia impedir. Nem sabia se podia falar aos quatro cantos que HongNan era sua namorada, mas estava tão alterada pela bebida, que nem lembraria no dia seguinte. Miyeon tropeçou na areia, quase caindo, mas isso não impediu que começasse a cantar e dançar uma música qualquer, mas logo lembrou-se dx acompanhante, virou-se para x mesmo, com o vento movendo seu cabelo de forma que causava arrepios à loira. — Você é legal, devíamos ser amigxs. Eu conheço você? Seu rosto está meio… — Tentou focar a vista, entretanto nada mudou, tudo continuou turvo. — Distorcido.
KiHyun não entendia o que estava acontecendo. O humano parecia não ter controle de suas ações, o que era extremamente desconfortável e libertador ao mesmo tempo. Seus pais sempre lhe disseram para não aceitar bebidas de estranhos, mas o humano acabara de mudar de cidade e a última coisa que ele pensava era em acatar as ordens dos progenitores. — Estou livre! — O Pyo gritou para o mar, rindo alto em seguida, antes de começar a correr atrás da que lhe dera a bebida - e devia ter muito álcool nesta para ele sequer estar conseguindo correr em linha reta, as vezes tropeçando para os lados. Kihyun raramente bebia coisas alcoólicas, tinha uma resistência baixíssima, então aquela era a unica explicação coerente que seu cérebro conseguia chegar. Ao alcançar a loira, levou as mãos a cintura alheia, arregalando os olhos em seguida. Queria tirar as próprias mãos dali, temeroso de estar sendo desrespeitoso, mas por algum motivo não conseguia - o pensamento logo deixou sua mente e ele chegou a esquecer-se do que pensava, olhando de maneira boba para o mar. — Eu- eu não sou sua namorada. Ou será que eu sou? — Arqueou as sobrancelhas em duvida, não conseguindo pensar com clareza. — Oh, acho que eu não sou. Nunca te vi antes e bem, eu sou um homem então acho que não posso ser a namorada de alguém. — Falava meio bobo, rindo a toa. — Não deveria fazer isso, moça. Vai acabar ficando doente, está frio. — Falou, enfiando as mãos geladas nos bolsos da jaqueta e cambaleando para trás, tentando recuperar seu equilíbrio. — Eu acho que não nos conhecemos. Meu nome é KiHyun, eu acho... — Falou confuso, sentando-se na areia e levando as mãos as bochechas, rindo alto. — Sério? Distorcido como?
unattainablegaeul:
— Ainda bem, eu sou um pouco atrapalhada de vez em quando — segurou o skate nas mãos e fez em uma reverência agradecendo pelo gesto do outro. — Ah, meu appa que me deu. Por isso que o desenho de vários ursos.
— Tudo bem, eu também sou bastante atrapalhado as vezes, te entendo. — O homem comentou, sorrindo leve. — Seu appa gosta de ursos?
vampxshin:
Caminhava com os braços cruzados rente ao corpo, sua atenção estava tão dispersa que MiKyung apenas seguia o fluxo da multidão. Verdade fosse dita, já não tinha mais propósito algum em estar ali, então apenas esperava o término de uma das realizações principais do festival para que assim pudesse voltar em paz a sua propriedade. A vampira apenas estava cansada de toda aquela baboseira e a paciência estava, talvez, chegando ao fim. Embora sempre houvesse sido sozinha, preferia estar ali com uma pessoa em especial. Uma pessoa com quem nunca mais poderia estar, claro, e talvez a irritação dela viesse a ser maior. O susto da Shin foi evidente ao escutar um sonoro “Hey!”, fazendo-a olhar na direção automaticamente. Ao dar a devida atenção à continuidade, a vampira teve de segurar um pouco o riso, acabou por ser inevitável. — Sim.. Hm, você só precisa… dar meia volta. — Comentou, apontando para a placa próximo a eles.
O homem levou a mão a nuca, num claro sinal de constrangimento. Estava ciente de que fizera papel de idiota, e a risadinha da moça só confirmara isso. Riu leve de ser próprio deslize, abaixando a cabeça antes de continuar. — Err.. obrigado. E comida, você sabe onde tem? — Perguntou, sendo aquela a unica forma que o humano pensara de manter seu projeto “KiHyun sociável”.
Acertou você? Desculpa, eu não joguei o meu skate em você, juro, ele só… escorregou da minha mão. Foi sem querer.
— Não acertou não, olha. Caiu aqui na areia. — Abaixou-se para pegar, analisando o objeto antes de devolver para a menina. — Skate legal!
— Aigoo, você tem um casaco para me emprestar? Está muito frio aqui, mesmo com as minhas mangas! — Eunbi não estava tão acostumada assim à ficar exposta as correntes geladas de uma praia e, por não ter escolhido as peças certas para proteger-se, encontrava-se com todos os pelinhos do corpo arrepiados. — Posso fazer aegyo como um tipo de moeda de troca, sabe. Aceito até abraços, ou alguma outra solução ‘pra me esquentar. Huuuuh? Por favoooor?!
Kihyun sempre saia muito bem agasalhado de casa, sentia frio facilmente então preferia se prevenir do que se arrepender de não ter o feito, por isso sorriu quando Eunbi lhe pediu o agasalho. Estava com a camisa, um moletom, e por cima sua jaqueta, tirou esta entregando para a menina segurar enquanto retirava seu moletom. — Toma esse, vai te esquentar melhor, pequena. — sorriu para a mais nova, pegando sua jaqueta de volta e entregando-lhe o agasalho mais quente. — Seu aegyo me convenceu.
O desconforto do moreno era visível de longe. O homem nunca soubera como socializar, nem mesmo na escola quando convivia com todos os seus colegas diariamente, imagine num festival em sua nova cidade, onde não conhecia ninguém? O humano só queria voltar para o seu apartamento, mas tinha consciência de que precisava forçar-se a conhecer pessoas novas. — Hey! — Kihyun falou alto demais para o primeiro estranho que ali passava, provando sua total falta de tato para com relações interpessoais. Abaixou seu tronco, pedindo desculpas pelo quase grito, antes de continuar. — Err, bem... sabe onde fica o banheiro? — Entrara em panico ao ter a atenção alheia voltada para si, só então notando que estava quase debaixo da placa com os dizeres “banheiros” em letras garrafais.