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"Danse macabre" (2023), acrylic painting created by the Iranian artist Bahman Pezeshkzad.
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how many followers do you have?
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if you had to choose one POSITIVE word to describe yourself, what would it be?
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if you go to therapy, do you like your therapist?
what’s one thing you want to buy, but don’t have the money or resources to get?
Who’s the first person you can think of?
how old were you when you found out santa wasn’t real?
If you could revive one tv show that has been cancelled, what show would it be?
do you consider yourself a part of any alternative subculture? if so, which one(s)?
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if you could change your hair however you want, how would you change it?
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what’s an uncommon/specific /obscure topic you’re interested in?
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would you rather go on a date at a museum or a concert?
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The Elder Scrolls V: Skyrim
A Phoenix Aurora over Iceland
Credits: Hallgrimur P. Helgason, Judy Schmidt
Dirty Little Bitch
“We're running with the shadows of the night So baby take my hand, you'll be all right Surrender all your dreams to me tonight They'll come true in the end” – Pat Benatar
“Come on now try and understand
The way I feel when I’m in your hands
Take me now as the sun descends” – Bruce Springsteen
A lua já ia alta, redonda como um tamanco. Porque é que ela não botava a escada pra baixo, se as pessoas não chegam lá de banco? Se viver fosse tão fácil como sonhar e imaginar, a vida teria um sabor muito mais doce… mas a piada estava nisso tudo, na amargura que sentia e nas dores da tristeza, viver cada segundo ao máximo e ao rubro como um shot de Sangue do Diabo, picante e cheio de pecado, vermelho como os seus lábios carnudos e prontos para arrasar e quebrar corações em mais uma noite de conquistas, copos e rockadas. Oh meninos, nem sabem o que vos espera esta noite… assim como ela não sabia a surpresa que estaria para apanhar.
O chão tremia debaixo dos seus pés a cada passo que dava, nas suas botas altas de cabedal para dominar as ruas com o seu estilo de rockeira selvagem, com as suas pernas protegidas pelas meias de malha provocante, mas que não deixavam ninguém tocar, apenas olhar e desejar o que nunca seria deles. Vestia os seus típicos calções shorts mais curtos que tinha, dando uma visão bem adocicada do seu avantajado e abençoado rabo que fazia até os mais santos dos anjos implorar por um ligeiro abanão para se deliciarem com tamanha visão. Usava o seu top preferido da banda Guns N’ Roses, com a cruz de caveiras do álbum “Appetite for Destruction”, protegendo-se do frio com o seu casaco de cabedal com espigões, dando a ideia do quão badass era, porque os emblemas de bandas que tinha ao longo do casaco, onde se podiam ler nomes como Motorhead, Def Leppard, AC/DC, Scorpions ou Aerosmith, mas nada chegava aos calcanhares do grande emblema que tinha no fundo das costas, onde se podia ler “Dirty Little Bitch”, de onde uma cauda de diabo saía do final do H e percorria pelo meio da letra para fazer o traço, assim como dois chifres diabólicos nasciam das pontas do Y, mostrando que a menina não andava para brincadeiras.
O seu andar era determinado e confiante, assim como era todo o seu ser. Era mais uma noite para reinar e mostrar quem mandava, era a rainha da noite e o rock era o seu poder para governar, o seu corpo os seus instrumentos de maleficia, mas não pensem coisas porque não precisava de descer baixo como as pitas que por aí andam, soltando cá pra fora os mamilos acabados de nascer a troco de meia dúzia de shots. Podia saber vestir-se para provocar, mas a sua melhor arma era o seu olhar e a sua lábia perversa e dominadora. Bastava saber para onde o bartender estava a olhar, dar uso as suas pestanas longas e aos seus olhos de um castanho cor de carvalho maduro, assim como aos seus lábios sensuais e a sua língua louca, uma simples passagem pelos lábios com o olhar de quem pedia muito alguma coisa que queria, e a garrafa de Jack Daniel’s conseguia ser sua com a facilidade que se tira um doce a um bebé.
Entrou no seu bar preferido, “Johnny Red’s”, onde a fragrância do fumo do tabaco se misturava com o hard-blues que servia como pano de fundo de um ambiente descontraidamente selvagem. As paredes estavam desleixadamente preenchidas com os mais variados posters de bandas, alguns já com marcas de gasto dos fumos dos tempos de glória que passaram, não passando de meras memórias agora, memórias de outrora que poucos recordavam e que as novas gerações que admiravam esses mesmos tempos apenas podem recordar por vídeos no Youtube e pelos DVDs que surripiavam das lojas de antiguidades enquanto fugiam para não comerem com sal de chumbo no lombo. A máquina do tabaco como sempre avariada proporcionava os maços gratuitos a quem sabia como a pôr a falar, não que fosse muito difícil: inclinar uns vinte graus para a frente, um pontapé certeiro na lateral esquerda, e voila, três ou quatro maços de cigarros Chesterfield vermelho cuspidos cá pra fora. O mesmo velho de bigode à Hitler servia as bebidas por detrás de um balcão de madeira de mogno escura e gasta, onde várias marcas feitas por rebeldes com as suas facas de bolso era legíveis: promessas de amor eterno, nomes e alcunhas de rua, mais nomes de bandas, um símbolo satânico ou nazista aqui e acolá, os balcões de bares contam histórias aos mais atentos e curiosos, histórias escritas na madeira com pontas afiadas, cinzas de cigarros e bebidas entornadas. Por detrás do balcão as prateleiras em decoradas com as verdadeiras joias do bar: Jack Daniel’s, Johnny Walker, J&B, Tequillas, Vodkas e Absintos variados, decoradas com uma lingerie ou outra abandonada pela cliente atrevida que decidira deixar um presentinho ao dono Daniel pela sua hospitalidade e bondade no serviço do bar. Teria pelo menos três soutiens seus ali, assim como umas cuecas que se deixara a troco de duas garrafas de absinto ao novato há cerca de dois anos atrás; lembrava-se como se fosse ontem: o pobre coitado parecia acabadinho de sair da escola secundária, com os óculos de nerd com um pedaço de fita-cola que unia as duas metades quebradas por um possível murro de algum otário no recreio, a camisa branquinha dentro das calças imaculadamente passadas a ferro, com o crachá onde se podia ler “Treino de conas” a indicar a sua fase de estágio neste bar. Não era mau no que fazia, mas notava-se facilmente que se sentia extremamente deslocado da sua zona de conforto, pouco dialogava a não ser para perguntar o que desejavam e para tratar das contas, até ao momento que os seus olhos se petrificaram no par de maravilhas que ela deixara propositadamente salientes para ver a reação que teria. Não se mexeu um bom espaço de tempo, podia ter passado meia hora a vontade a olhar se o chefe não o tivesse acordado do transe por ter um grupo de metaleiros a pedir finos fresquinhos.
- O gato comeu-te a língua betinho? – dissera a gata selvagem após ter percebido que o seu feitiço fizera efeito.
- Peço imensa desculpa, não te queria desrespeitar…
- Desrespeitar? Oh bebecas, é essa a tua maneira de me dizeres que tenho mamas boas? Ahahahahah acabaste de sair da escolinha pra seres assim? Não tens nada melhor para dizer?
- Desculpa, não sei mesmo o que dizer… - o seu nervosismo escapava-lhe por todos os poros do seu corpo, quase que parecia que ia desmaiar com os tremeliques que deitava pelo corpo inteiro.
- Pronto, pronto jeitoso, não precisas de ficar assim, só estou a reinar contigo. E aqui entre nós, pelo menos não te desataste a ensalivar como os restantes cães que me olham a noite inteira, meu querido. Por isso, agradeço a tua tentativa de elogio. Mas indo direta ao assunto, está a fazer-se tarde e por muito que eu adore este meu bar lindo, eu e as minhas amigas temos que ir andando antes que o portão da discoteca feche, mas como não queremos queimar todos os nossos cêntimos em bebidas lá dentro, proponho-te uma troca…
O pobre nerd olhou perplexo para a rapariga esperando pela proposta. Sem grandes hesitações, e certificando-se que ninguém olhava, tirou rapidamente as cuequinhas de fio dental pelo meio da saia, e atirou-as ao empregado abismado, ficando a olhar enquanto mordia o lábio e com o leve levantar de sobrancelhas segredava “anda, despacha-te e são tuas”. Duas garrafas de absinto puro foram colocadas em cima do balcão, escondendo-as dentro do casaco num abrir e fechar d’olhos, despedindo-se logo de seguida do bartender com um “Obrigado fofusco” e lançando um beijo para o ar ao mesmo tempo que lambia o lábio e mantinha o contacto ocular enquanto saía porta fora, seguindo o seu caminho e, num olhar rápido pela janela, apercebeu-se que o rapazito olhava fascinado para as cuequinhas de azul de céu que lhe deixara de recordação, cheirando-as de seguida e guardando-as dentro das suas, na zona proibida e sagrada do homem, onde era visível já uma certa elevação anterior ao segredo que guardava. Uma visão estranha que faria muitas raparigas chama-lo de nojento e pervertido, mas que a deixara a escorrer água pelo meio das pernas num espaço de segundos, o que tornava tudo mais interessante ainda: era uma mulher com um grande autocontrolo, não era fácil e poucas coisas a conseguiam deixar com vontade num ápice, mas fora uma revelação saber que nerds pervertidos pelas suas cuecas era uma delas. A ideia de que ele se poderia masturbar essa noite enquanto as cheirava deixava-a mais excitada ainda, o que a obrigou a parar numa esquina e usar o gargalo de uma das garrafas para satisfazer a sua vontade repentina. Aquela garrafa seria só sua naquela noite, e só tornara o absinto mais saboroso ao preencher o gargalo com o seu próprio sabor.
Nunca se esquecera dessa noite, e muitas vezes a imagem lhe regressou a cabeça como um dos seus maiores pecados e desejos masturbatórios, mas o tempo passava e as pessoas mudavam, assim como as suas vontades e os seus desejos. Agora estava ainda mais fria do que era antes, a vida dura e malvada tinha sido a arquiteta desta mulher de coração de inverno e determinação de inferno, onde críticas não a rebaixavam e boatos não a definiam. Que importava se a chamavam de puta ou vadia pela maneira como se vestiam? Se os seus homens eram demasiado fracos para se deixarem levar por um mero rabo, a culpa era delas que os escolhiam, não atirem fogo para o meio da água, é só estúpido meninas. Nunca estivera envolvida com um homem que soubesse que estava num relacionamento, deplorava criaturas dessas, mas isso não impedia as críticas das ciumentas que desconheciam a sua fibra e sua personalidade, preferindo atacar pelo que os seus olhos e ouvidos absorviam em vez de mudarem-se a si mesmas. Já dizia a quenga da Taylor Swift: haters gonna hate hate hate. Sofrera por amores incontáveis vezes, amara e perdera, perdoara em vão e deixara-se enganar mais vezes a que permitia a força humana. Mas tudo isso era passado agora, e ventos passados não movem moinhos. Agora, era ela mesma, com o seu estilo de rockeira e o seu cabelo negro e selvagem de madeixas púrpuras, pronta para quebrar mais corações, encher o seu sistema de uma boa dose etanol e fumos para envenenar os males que viviam dentro dela enquanto abanava o capacete e as suas ancas ao som da voz de Lemmy Kilmister, Ozzy Osbourne ou James Hetfield, e quem sabe, talvez sacar um gatão solteiro que soubesse dar uso a cabeça de cima da mesma maneira que soubesse dar a de baixo. Por mais que fosse só sexo, tinha três regras sagradas: nunca foder com gajos que namoram; nunca foder um ex de uma amiga; nem nunca foder um gajo burro. Se sabia usar a língua para lhe dar prazer lá em baixo, teria de a saber usar para falar também, ou não valia a pena sequer.
Tocava “Pride and Joy” do Stevie Ray Vaughan quando chegou ao balcão e pediu um fino com um terço de absinto para aquecer a garganta, acendendo um cigarro logo de seguida para abrir os pulmões para a noite selvagem que se avizinhava. Olhou de um lado para o outro para tirar as medidas ao bar e ao que o seu reino lhe oferecia de bandeja dada esta noite. Viu uns quantos a micarem-na de cima a baixo, mas davam muito nas vistas com a aliança de comprometidos, já estavam fora da lista. Um grupo de punks jogavam as cartas no fundo do bar perto da jukebox, mas era mais um não, nunca fora adepta das filosofias anarquistas, apesar de gostar de umas quantas bandas de punk-rock pela sua sonoridade; o resto era puro caos de pensamento, e para caos já bastava a sua mente. Na ala este ouvia-se um barulho de bolas a bater umas nas outras, os motoqueiros já tinham tomado o seu canto do bar e divertiam-se a jogar bilhar, emborcar cerveja e berrar como se fossem os maiores da aldeia de onde vinham, enquanto gabavam as conquistas da noite e faziam o favor de mostrar o quão machões eram por lamberem a cerveja que deitavam pelas mamas abaixo das raparigas que traziam consigo. Decidiu ir dar uma espreitadela, e quem sabe, dar umas tacadas.
Percorreu o bar de uma ponta a outra, ao som de uma nova música, onde se podia ouvir os versos “I been livin like a star 'cause it's gettin' me high, forget the hearse, 'cause I never die”. Sem dúvida, ela estava de volta “in black”. Chegou junto de um motoqueiro brutamontes com um casaco de cabedal com as mangas rasgas de onde despontavam os seus braços grossos e marcados com tatuagens; nas costas do casaco tinha uma grande caveira de bode com um olhar sinistro, onde também de podia ler “Cop Killer” no topo das costas, seguido de “Hell’s Lord MTC” mais abaixo quase na entrada do seu rego do cu gordo e feio. De todo nada o tipo de gaja que sacaria, mas nada a faria mais feliz do que gozar com a cara de um tipo suficientemente atrasado para andar com o letreiro de assassino de polícias escrito nas costas.
- E nós sempre a pontapearmos o carro do miúdo da escola da condução havias de ver a cara de pânico dele, de certeza que se mijou pelas pernas abaixo! Espetou-se uns metros mais a frente, nem o instrutor se lembrou de ir aos travões com o medo que tinha. Cambada de coninhas adoro gozar com essas meninas.
- Muita lábia e orgulho em gozar com um pobre coitado que ainda estava a aprender a conduzir. Deves adorar meteres-te com gente do teu tamanho pelo que vejo.
Virou-se com uma cara de surpresa para perceber quem se metia na conversa, e ao ver que se tratava de apenas uma gaja como tantas outras, num tom de piada doentia:
- Muita moral para uma gaja que quase as tem cá de fora. O papá pagou-te os implantes ou juntaste o dinheiro a sacar bicos?
- Não meu querido, estas são todas naturais. O mesmo não se pode dizer da tua inteligência, não é verdade?
Pousou a cerveja e olhou mais sério para a mulher que se atrevera a insultar o seu cérebro do tamanho de um amendoim.
- Muita coragem para uma minorca… Gosto disso ahahahahah
- E quê? Vamos ficar a noite toda a conversar e trocar insultos? Não tens um jogo apra acabar ou já sabes que perdeste?
- Eu? Perder? Não perco um jogo há mais de vinte anos chavala.
- Aposto que perdes esta noite.
- Ai sim? E que aposta é essa?
- 50€ em como te ganho.
- E se eu ganhar?
- 50€ e bato-te uma.
- Bates com a boca.
- Deal
- Já ganhei a noite minhas putas! Ouviram isto? A chavala vai-me sacar um bico no final do jogo vão ver!
Qualquer pessoa que ouvira o que se passara acreditava que a mulher tinha que ser louca para concordar com uma aposta daquelas, ou que então que tinha um prazer gigantesco por chupar pirocas de gordos com a puta da mania. Pegou no seu taco, passou giz na ponta e abriu o jogo. Uma bola entrou logo num dos buracos.
- Fico com as cheias grandalhão.
Fez pontaria com a branca a mais uma bola, e tumba, mais uma lá dentro. Preparou-se para chutar a terceira, mas o roçar de um taco a subir a sua perna fez com que se desconcentrasse e acertasse mal na bola, colocando-a demasiado longe do buraco que pretendia.
- É a minha vez algodão-doce.
Algodão-doce? Ficou na dúvida se pretendia elogiá-la ou rebaixa-la ao nível das meretrizes que apanhava na berma da estrada para levar para um motel, a mesma classe de gajas que tinha ao seu redor naquele preciso momento. Conseguira meter três bolas seguidas, tendo apenas feito jogo com quarta para colocar numa posição mais favorável para a próxima tentativa de jogo. Era agora a sua vez e tinha de se manter concentrada e remediar o erro da jogada anterior. Sabia que as probabilidades de perder eram literalmente negativas, dominava aquele jogo ainda antes de saber andar, perdera tardes e tardes a jogar com o seu pai e o seu melhor amigo, ambos jogadores do clube de bilhar da sua aldeia natal, nos tempos antes de ter fugido de casa. Bateu na branca e, jogada perfeita, acertou em cheio no meio das duas bolas que estavam juntas, conseguindo meter as duas em buracos diferentes ao mesmo tempo. Ouviu assobios e aplausos de quem a observava, nem toda a gente estava contra ela aparentemente, o que só lhe dava mais gozo ainda por perceber que não era a única a querer dar uma lição aquele brutamontes atrasado. O jogo dificultara agora por ter umas bolas do seu adversário a sua frente que dificultavam jogar a bola que pretendia. Tinha de arriscar uma jogada muito ousada. Fez pontaria e numa pancada seca, tás, bateu na berma da mesa, realizando uma tabela que acertou de raspão na bola que pretendia, um raspão com força o suficiente para fazer a bola rolar para dentro do buraco. Mais aplausos enquanto a bola parava relativamente longe da bola seguinte, mas que com pontaria certeira, era capaz de meter lá dentro. Podia ter corrido bem, não fosse sentir uma mão a descer-lhe costas abaixo para lhe espetar uma sapatada no rabo, ao som de “Dirty Little Bitch ah? Quero ver isso daqui a pouco minha vadia!”, falhando redondamente o alvo. As regras ditavam que tinha que retirar uma bola, pelo que a colocou precisamente no local que pretendia. O anormal gostava de provocar e estava a querer distraí-la com assédios, e infelizmente estava a conseguir, nada a tirava mais do sério do que um desconhecido tocar no seu corpo sem a sua permissão, e ele estava a conseguir atingi-la. Se não se concentrasse, perdia a aposta, e ela não perdia apostas, por piores que fossem as hipóteses, sempre dera a volta por cima. Esta noite não seria exceção.
Fez a jogada e conseguiu meter mais três bolas. Falhou a quarta, mas deixou-a bem perto da porta do buraco, arruinado a jogada que tinha planeado na sua cabeça. Não só estava a jogar bem ao ataque como sabia defender bem as balizas, tinha de pensar numa estratégia nova. Observou-o a mexer a língua para dentro e para fora enquanto apertava o seu chumaço para a afetar ainda mais, para lhe fazer entrar na cabeça aquela imagem nojenta tirada diretamente dos pesadelos mais obscuros que o inferno poderia proporcionar. Ela respirava fundo para se concentrar, bebendo o resto da sua cerveja com absinto de tacada. O efeito foi mais forte do que esperava, a cerveja gelada a escolher-lhe pela garganta abaixo aliada ao calor proporcionado pelo absinto deixaram-na meia zonza por uns micro-segundos, recompondo-se rapidamente. Fitava o campo e pensava como sair daquela embrulhada, lembrando-se das palavras sábias do pai logo de seguida “por vezes é tudo uma mera questão de perspetiva pozinho de estrela”. Mudou-se para outro lado do campo, e sabia o que fazer. O ambiente era tenso, a atmosfera era inundada pelos acordes e solos de guitarra do Syn Gates e pela voz arranhada do Matt Shadows, lembrando-a que estava no inferno, e que os demónios só se combatiam de frente. Não admirava que amasse tanto aquela vida. Jogou. O taco tocou a bola numa investida seca. Não se ouvia mais nada senão a música que gritava “it’s your fucking nightmare!”. A bola branca investiu e passou secamente pela primeira bola, que entrou no buraco sem dificuldade, embatendo de seguida na margem e mudando a sua trajetória, tocando outra vez de forma seca na bola seguinte, que também entrou sem dificuldades no buraco, ao mesmo tempo que conseguiu desviar a bola do seu adversário; mas ainda não acabara, batendo a bola branca certeirinha na última bola, já quase sem forças que foi lentamente até perto do buraco, perdendo cada vez mais a força, mais e mais e mais… perdendo-as completamente dentro do buraco. A multidão aplaudia de pé, acreditando que estava no papo a vitória.
- Muito bem jogado, mas agora quero ver-te a sair dessa.
Realmente estava metida numa grande embrulhada: a bola branca parara mesmo em frente da bola do seu adversário, que a separava da preta bem perto de uma baliza e da sua vitória. Sussurravam-se ideias e jogadas ousadas, mas a sua decisão já estava tomada.
- Já que és tão corajoso, 100€ se acertar.
Após um leve silêncio, um riso rompeu bar adentro como um trovão. O resto dos motoqueiros que estavam ali a apoiar o seu amigo desataram a rir também da figura idiota que viam a sua frente.
- Oh minorca, até te dou 200€ se conseguires, mas o meu Malaquias já sabe que não tarda estás a ordenha-lo. – continuou a rir feito perdido, chegando a virar costas para a mesa enquanto se ria. Era a sua oportunidade e não a ia desperdiçar. Passou giz na ponta do taco e bateu a bola no fundo desta, fazendo que desse um salto ousado e longo. A bola bateu no centro ada bola preta que, qual cãozinho obediente, entrou na casota.
Aplausos por todo o lado, era a heroína da noite. O motoqueiro voltou-se confuso e ao perceber o que acontecera, vermelhou de raiva e incrédulo pela derrota.
- 200€ se bem me recordo?
Cego de ódio, deitou a mão ao bolso e tirou de lá dez notas de vinte euros, entregando-as sem uma única palavra a vencedora. Como se por obra do destino, ou do punk junto da jukebox, podia-se ouvir a tocar “We Are The Champions”, o que não melhorou o humor do derrotado amargurado.
Foi até ao bar para celebrar, pedindo um Jack Daniel’s e uma rodada de finos para a mesa dos punks como forma de agradecimento pela cereja no topo do bolo. A noite começara bem, tendo escrito o seu nome no canto do balcão correspondente aos líderes do bilhar, não antes de riscar a madeira onde se lia “Cop Killer” para limpar quaisquer registos daquela imundice.
- Vê lá se o Daniel não te apanha. Ele gosta muito de ti mas vai sempre odiar que lhe risquem o balcão.
Olhou para de onde vinha a voz, cruzando o seu olhar com um rosto oval de barba rasa e nariz ligeiro, uns olhos castanhos leves e doces que acreditava já ter visto antes, e uns lábios leves e perfeitinhos. Penteara o cabelo para cima numa espécie de pseudo-crista que descaía para um lado como se fosse uma pista de descolagem de um avião, mas que lhe dava uma boa pinta e combinava bem com o ambiente rockeiro em que se inserira. Vestia um casaco de cabedal limpo e sem emblemas, mas já com marcas de gastos do tempo, umas calças de ganga negras com um lenço a sair de um dos bolsos traseiros, uma corrente prendia das presilhas e descia até perto do joelho e voltava para cima, e calçava umas All-Stars já marcadas pelo uso, que se uniam com um rebordo rasgado das calças. Um ar de rockeiro desleixado que não lhe ficava nada mal. Era notável uma pulseira grossa de cabedal no pulso da mão esquerda que segurava a garrafa da cerveja, assim como um anel de caveira no dedo anelar esquerdo.
- Como sabes que o Daniel gosta de mim?
- O Daniel gosta de todos os clientes, especialmente dos da casa que ensinam uma lição a tipos com a mania como aquele ali atrás.
- Ah estavas atento ao jogo cusco?
- Se calhar, quem sabe. Sempre foi mais interessante que os jogos da nossa seleção no último Europeu se queres que te diga.
- Ahah e foi o Éder que os fodeu. – ergueu o copo.
- E foi o Éder que os fodeu. – ergueu a sua cerveja, brindaram e beberam.
- Eu já te vi em algum lado? Não sei porquê mas és-me familiar.
O ruído de fundo do bar misturava-se agora com uma balada batida dos Scorpions, quase como que perfeita para o ambiente de conversa que se avizinhava:
- Bom, admito que estou surpreendido que ainda te recordes de qualquer traço da minha cara, especialmente quando eu não disse uma única palavra da primeira vez que nos cruzamos.
- Eu juro que me estou a tentar lembrar, especialmente esses teus olhos… eu juro que já os vi em algum lado…
- Também não me esqueci dos teus, apesar de ter estado a olhar para outro sítio nesse dia – e soltou uma risada forçada, mas leve e doce.
E como um choque que se sente quando se toca num fio desprotegido, a memória voltou-se-lhe: - Oh meu deus, tu eras o nerdzinho daquele dia, o que me deu as garrafas em troca de…. Oh meu deus que vergonha….
- Vergonha porquê? Parecias muito decidida naquela noite – e voltou a rir-se.
- Oh sim estava, mas não te estava a reconhecer. Credo estás mesmo diferente! – e estava. Não tinham sido os óculos que haviam desaparecido ou o penteado que mudara; estava também mais alto, mais largo e bem constituído, notava-se que andara a puxar algum ferro e trabalhara o corpo. Provavelmente já tinha sacado umas quantas, se é que não estava permanentemente ligado a alguma…
- Mudei umas coisas em mim admito, mas já era hora. Os meses que trabalhei aqui foram o suficiente para guardar algum dinheiro para a faculdade e juntamente com uns amigos decidimos fazer alguns treinos para deixarmos de ser trinca-espinhas. Também foi da maneira que ganhei outra confiança comigo mesmo e com o mundo a minha volta.
- Foi tudo por ti ou pelas damas também?
- Bom… estaria a mentir se dissesse que as raparigas não tiveram o seu impacto, a vontade de conhecer miúdas e sair com elas, mas a maior parte da razão foi porque odiava o que viva a minha frente ao espelho. Os Apocalyptica cantavam “I’m not strong enough to stay away”. Muito tempo acreditei nisso, até ao dia em que decidi mudar.
- Stay away from what sweety?
Os seus olhares cruzaram-se: - Tens a certeza que queres ouvir?
- Se não quisesse não perguntava fofo, mas deixa-me ir só despejar águas que já me contas tudo. Não fujas daqui.
- Não fujas tu também – ouviu enquanto virava costas para ir para a casa de banho, olhando de relance por cima do ombro para sorrir para aquele rosto lindo e mudado, um rosto que nunca esperara voltar a ver, ou que pudesse voltar a mexer com ela. O sorriso que via desejado nos seus lábios levou-a de volta aquela noite e aquela memória perversa, as cuecas na ponta do nariz dele enquanto snifava todo o seu perfume vaginal, fazendo-a sentir-se quente e alterada de uma maneira que não se sentia há bastante tempo. Sentira atrações sexuais diversas ao longo da vida, mas nada assim tão louco e repentino… estava metida numa bela de uma alhada selvagem. O seu corpo gritava de desespero e desejo pelo corpo do bonzão que deixara ao balcão, mas a sua cabeça implorava que saísse pelas traseiras e fugisse antes que cometesse um erro grande, que sexo com aquele moço seria um erro tremendo. Correu para a casa de banho antes que fosse tarde demais, trancou-se e urinou enquanto tentava controlar-se. “Cérebro meu, tem calma! Vamos lá ver como ele é e depois decidimos. E tu minha cona, vê se te controlas! Enfiei o vibrador aí dentro antes de sair de casa por alguma razão! Agora sossegas as hormonas antes que me metas em sarilhos!”. Estava a perder a sua compostura, e não podia. Nunca perdia a sua compostura, a sua calma, a sua garra, o seu ser, fosse com quem fosse. Era muito mais forte do que aquilo e o resto que se fodesse. Limpou-se e mal abriu a porta, uma mão gorda agarrou-a pelo pescoço, empurrando-a de volta para dentro do cubículo feminino. O “Cop Killer” não estava muito feliz.
- Fizeste batota minha puta.
- Ao contrário de certas pessoas, eu não preciso de fazer batota. E puta é a tua mãe para ter dado a luz um monte de esterco como tu – e dito isto, cuspiu-lhe na cara.
- Tu vais pagar pelo que fizeste, aqui e agora minha vadia. – dizia isto enquanto desapertava a braguilha e o cinto das calças. Ao aperceber-se do que estava para acontecer, sentiu um chuto de adrenalina dentro de si e, sem pensar duas vezes, deitou a mão ao bolso de onde tirou a navalha de ponta e mola que roubara de um ex há bastante tempo, abrindo a lâmina e encostando-a a virilha do brutamontes que se preparava para a violar. Parou num espaço de nano-segundos e ficou perplexo a olhar para ele nos olhos, como o horror estampado no rosto.
- Vocês homens preocupam-se tanto em enfiar esse pequeno pedaço que têm no meio das pernas em tudo que é buraco que por vezes se esquecem do quão frágil ele é, além de que se trata da vossa zona mais vascularizada. – encostou mais a lâmina junto a pele, percebendo-se que este se arrepiara com o frio da lâmina – Um pequeno movimento nesta zona e puff: adeus malaquias, adeus tarecos, e muita sorte terás em sobreviver se os paramédicos chegarem a tempo de pararem a hemorragia – sentiu o aperto no pescoço a afrouxar-se e que este recuava para fora do cubículo – Para a próxima, posso-te garantir que não terás tanta sorte. – Guardou a lâmina e saiu da casa de banho, perturbada, assustada, mas mantendo a fibra que conseguia juntar dentro de si.
- Estás bem? – perguntou o rapaz assim que alcançou o balcão.
- Sim, nada de grave. Daniel! – chamou pelo dono do bar, chegando este junto do balcão logo se seguida – Acho que os teus amigos motoqueiros precisam de ir apanhar ar, isto se é que não querem ter a polícia à perna. – Percebeu a mensagem e pegando na sua caçadeira de canos serrados, foi até ao canto onde os motoqueiros se encontravam para lhes dar umas palavrinhas à moda americana antiga.
- O gajo tentou fazer-te alguma coisa? – perguntou o rapaz preocupado.
- Tentou, mas eu pu-lo no seu lugar logo se seguida, não te preocupes fofo. Mas voltemos a nossa conversa, conta-me sobre o que precisavas de estar longe. O que aconteceu para sentires que não tinhas forças?
Ouviu-se um tumulto enquanto os motoqueiros saíam porta fora com as suas fodas da noite, lançando pragas ao dono e ao estabelecimento, ameaçando nunca mais voltarem e que não ficava assim, até ao momento em que um tiro foi lançado ao teto e fugiram com o rabo entre as pernas. Poucos foram os que não se mexeram, pois sabiam que o Daniel usava cartuchos vazios e que a arma era só para intimidar, tendo tido um efeito imediato com um bando de deficientes mentais que se puseram na alheta nas suas motas decoradas com caveiras e prostitutas estrangeiras baratas de promoção do Pingo Doce.
- Bom, é uma história embaraçosa. Basicamente nunca gostei do meu corpo e sempre fui grande nerd: era daqueles que passava os dias a jogar e a ler livros de fantasia e fazia maratonas de Lord of the Rings com mais frequência que o Trump manda postas de bacalhau no Twitter. Mas sorte das sortes, conheci uma rapariga, uma rapariga muito bonita, muito querida e simpática. Foi com ela que soube o que era estar com uma mulher se sentir alguma paixão, mas tudo mudou porque um nerd romântico não era propriamente o que ela procurava. Conheceu um DJ de uma discoteca qualquer, e pronto foi atrás dele. Sentia que não iria ser forte o suficiente para seguir em frente, mudar e ficar longe dela, queria acreditar que a culpa não era minha, mas não tinha forças suficientes…
- O que mudou lindo?
Olhou-a nos olhos, deitou a mão ao bolso, e de lá tirou umas cuequinhas de fio dental azul – Tu. Naquela noite deste-me uma confiança que nunca pensei ter, porque se uma rapariga linda como tu me tinha dado isto, então a culpa não podia ter sido minha.
Vermelha como um tomate questionou-o – Guardaste-as este tempo todo?
- Claro.
- Essa é capaz de ser das coisas mais creepy, nasty, mas ao mesmo tempo queridas que fizeram por mim…
- Oh não digas isso, aposto que já tiveste rapazes bem melhores na tua vida.
- Acredita que não fofo. Tive um apenas, mas era sempre um para e anda constante. Eu queria estar com ele e ele dizia que queria estar comigo, mas na hora da verdade e de estarmos mesmo juntos, desculpas para aqui, desculpas para acolá, foi assim muito tempo até que ele me conseguiu saltar em cima. Mas aí estragou tudo, deixou de responder as mensagens, desapareceu do mapa…
- Sounds like a real asshole to me.
- He was… and that girl of your was a real bitch. Hope your new girlfriend ain’t like that.
Com uma voz de surpresa brincalhona, respondeu: - New girlfriend? What kind of Pokémon is that?
Ambos riram às gargalhadas da sua estupidez, e uma ponta de felicidade nascia dentro dela ao perceber que o seu desejado ainda estava disponível. Ou pelo menos dizia que estava, já perder a conta aos que lhe haviam tentado cegar numa mentira de solteirice para tentarem entrar na gruta do tesouro que escondia no meio das suas pernas. Mas ele era diferente, sentia-o. Não era um pressentimento racional e tinha noção disso, mas algo no seu olhar, na maneira como sorria, na genuinidade dos seus discursos e de todo o seu ser não a deixavam com margem de dúvida de que ele era uma pessoa pura e verdadeira, mas longe de ser o nerd inocente que fora outrora, uma certeza incerta que deixava fluir lentamente o início da cascata.
- Well – ergueu a cerveja – to our ruined lives by assholes and bitches. And to no strange Pokémons!
Ergueu o copo – to our ruined lives - e brindaram e beberam.
- Estás com azar que esta noite não me vais conseguir cravar duas garrafas de absinto para ti e para as tuas amigas.
- Eu hoje estou sozinha, vim para a selva por conta própria.
- Ai sim? Decidiste vir caçar sozinha?
- Sim, quem sabe fofusco – piscou-lhe o olho.
- E como está a correr essa caça.
- Por agora, bastante bem – e beijou-o levemente nos lábios, sorrindo os dois logo de seguida.
- E o que te parece continuarmos esta caça na máquina de karaoke lá em cima?
- Não me desafies jeitoso.
- Foste tu quem começou gatinha.
- You are on.
Subiram as escadas nas calmas como se quisessem provocar-se mutuamente. Ela ia na frente a tentar dominá-lo com o seu movimento de ancas para o provocar mais ainda, mas ele mostrava-se difícil de dominar, assim como ele tentava seduzi-la sempre que mexia no cabelo no momento em que os seus olhares se cruzavam. Chegados a máquina de karaoke, percorreram o programa e a lista das músicas, mas a escolha não foi muito difícil. Ela pegou no microfone e começou a entoar os versos iniciais: “Love is like a bomb, baby c’mon get it on, livin like a lover with a radar phone”, passando logo de seguida para o moço já de microfone em punho “lookin’ like a tramp, like a video vamp, demolition woman can I be your man?”. As cartas estavam lançadas, e as suas vozes encaixavam na perfeição, como a da Whitney Houston com o Ray Charles. Agarrou-a pela cintura e continuaram a cantar, virando-a de costas para si no momento do refrão, onde ela aproveitou a oportunidade para o agarrar pelo pescoço, descendo a mão lentamente enquanto ambos entoavam “C’mon pour some sugar on me, in the name of love”, enquanto se moviam lenta e sensualmente, a mão dele na cinta dela que por vezes percorria a barriga dela, empurrando-a para mais junto de si, que esta aproveitava de bom grado para roçar lá em baixo e tentar provocar qualquer reação. Pareciam mais um casal de strip do que outra coisa qualquer, mas o objetivo foi atingido quando no final da canção pareceu-lhe sentir algo duro a tocar-lhe no rabo, algo que provinha do meio das calças dele.
- Alguém está a querer vir-se juntar a banda.
- A culpa é da menina que canta bem.
- Só quando tenho um bom microfone – e com isto, apertou-o lá em baixo.
- Cuidado que isso é sensível – sussurrou-lhe ao ouvido.
- Estou bem a par disso meu lindo – sussurrou também, mordendo-lhe a orelha logo de seguida.
- E que me dizes de irmos para outro sítio mais calmo?
- Tens carro?
- Não, mas espero que não tenhas ficado traumatizada com as motas.
Levou algum tempo para perceber o que lhe estava a dizer, até que juntou as peças do puzzle: andar de mota? Nem precisava de pedir duas vezes! Odiava motoqueiros armados ao pingaréu, mas amava motas, amava velocidade, amava a adrenalina! – Se prometeres que não és como os outros de há bocado…
- Meu anjo isso vais ter de ser tu a descobrir. Tens medo de arriscar?
- Oh baby, medo perdi-o com a minha virgindade aos 14 anos. – e mordeu-lhe a orelha outra vez
Desceram, pagaram a conta e saíram, tendo tido um deslumbre da moto mal saíram. Era um Harley Davidson 883 das clássicas como as que se viam nos filmes e nas séries de televisão, num estado imaculado como se os próprios anjos cuidassem dela, o assento de couro limpo e tratado da melhor maneira possível, de tal forma que brilhava com as luzes da rua, o metal polido num estado impecável reluzia como se fosse diamante, mas o melhor foi quando o motor foi ligado e se ouviu o rugido da besta, selvagem e indomável, pronta para os levar numa experiência de alta velocidade inesquecível e de adrenalina viciante. Estendeu-lhe um capacete, perguntou – Pronta?
Agarrou no capacete, sentou-se na parte de trás do banco, bem agarrada ao seu peito musculado. – Agarra-te. – E dando gás, partiram rumo ao domínio dos filhos da noite, a correr com as sombras da noites, mas acompanhados pelos seus desejos nos braços um do outro, sem medos nem receios.
O vento batia-lhe na cara e misturava-se com o rugir da mota a uma velocidade estonteante, fazendo com que se perdesse nas asas da adrenalina e no peito da sua conquista. Sentia-se nas nuvens e viva, livre e aconchegada, como nunca se sentira antes, como se estivesse a viver um perigo seguro, daqueles que sentimos que podemos viver sem o medo de nos magoarmos, que deve ser o que sentem as pessoas que fazem bundgie jumping, que saltam de paraquedas ou jogam airsoft. Esse pensamento trazia-lhe as memórias e as saudades de jogar airsoft no passado, quando tudo era perfeito e o pai não bebia, quando sentia apenas gozo em pegar numa arma e não uma mistura deste com receio por se recordar da noite em que o seu progenitor, com a mente enevoada com o whisky que bebera, disparara as balas que tiraram a vida à sua mão e irmão que tanto amava, antes que apontar o cano para si e falhar o alvo. Fora tudo numa fração de segundos, mas recordava-se ao pormenor: a bala passar rentinha a sua orelha e cortar-lhe um pedaço de carne, o pânico fundido com a ânsia de viver que a empurraram em direção a porta do escritório onde estava o armário das armas, agarrar na caçadeira carregada e disparar contra a porta sem pensar no que estava a fazer. Fora puro instinto de sobrevivência, mas o arrependimento ainda a perseguia como a própria sombra. Num espaço de segundos, a sua vida desmoronara, perdera a família que tanto amara às mãos de um diabo que nunca pensou que pudesse habitar as suas quatro paredes de conforto. Foi ilibada de qualquer crime, mas as memórias levaram a que vendesse a casa e fugisse da sua terra natal. Foram tempos difíceis, de depressão, dor e drogas, onde procurava a mais pequena escapadela nos cantos mais remotos do mundo sombrio das ruas e do rock, do sexo sem compromissos e dos jogos que fizeram com os seus sentimentos quando só procurava um porto de abrigo para ancorar o barco da sua alma perdida... A tatuagem em forma de pistola que a tinha no seu corpo, que outrora fora um símbolo de amor pelas armas, era agora uma recordação de um passado distante, até se tornar uma razão de força e de determinação. Era o passado, morto e enterrado. Não deixaria que a voltassem a magoar, não deixaria que voltassem a jogar com a sua alma ou os seus sentimentos, que seria ela mesma a sua própria arma e a determinação que sentia seriam as suas balas. Cuidado meninos, uma mulher brilhante como um diamante, mas esqueceis-vos que os diamantes são dos elementos mais duros do planeta. Não brinquem com o fogo, correm o risco de se queimarem.
Chegaram a um miradouro com um grande carvalho e o chão coberto de erva verde e fresca, flores que brilhavam com a luz do luar e algumas bolotas já caídas que anunciavam a chegada do verão em poucas semanas. Desceram da mota e contemplaram a vista da cidade, viva com as suas luzes cor amarelo alaranjado de pirilampos desajeitados, mas de onde não se ouvia um único ruído. Nada, a não ser o próprio vento e os grilos que cantavam para chamar as fêmeas para o acasalamento, não se ouvia um único ruído; estavam completamente sozinhos, a noite era sua. Sentiu a mão dele a agarrar na sua, os dedos a entrelaçar num gesto de carinho e simpatia, encostando a cabeça no ombro como quem pedia para ficar para sempre.
- Gosto de vir para aqui de vez em quando, olhar as vistas e ver o quão pequenos somos deste ponto de vista. Parecemos tão grandes e tão poderosos, mas visto daqui não somos mais do que meras formigas… somos insignificantes, mas ao mesmo tempo maravilhosos construtores de conforto e conhecimento… e otários sem sentimentos…
- Nem todos são assim. Tu não me pareces ser assim.
Fitou-a na escuridão, mas tinha a certeza que os seus olhares se cruzavam – Num mundo onde tanta coisa já está má, talvez sejam pequenos gestos de bondade e amor que possam fazer a diferença…
Continuaram a olhar-se na escuridão até a lua reaparecer por detrás das nuvens. Diz-se que quando se olha alguém nos olhos por mais de dez segundos, ou se quer assassinar essa pessoa ou quer-se sentir os genitais dela. Era óbvio aquilo que ambos queriam, e quando a lua reapareceu, as suas bocas tocaram-se num beijo longo e apaixonado. Há quanto tempo quereriam isto? Segundos? Horas? Meses? Anos? Nada disso interessava agora, tinham o seu desejo concretizado. Beijaram-se lenta, apaixonada e loucamente, nunca sentira uns lábios assim a transbordar de paixão, de um sabor que nunca sentira antes, mas que viciava mais que cocaína. Sentiu a boca dele a percorrer o seu pescoço com beijos longos e molhados, a língua a querer marcar território e a sentir o perfume natural do seu corpo. Parou para ir a mota de onde retirou uma manta de umas das alforjas laterais, estendendo-a no chão para terem mais conforto. Chegou ao pé dela, agarrando-a pelas pernas e pegando-a ao colo, encavalitando-a em cima de si com as pernas dela a abraçarem o seu corpo. Deitou-a na manta e continuou a beijar a sua menina das cuequinhas azuis, ao mesmo tempo que a sua mão abria o casaco para o abrir e ter acesso a camisola que tapava o seu corpo, metendo uma mão pela camisola a dentro, sendo surpreendido por esta estar sem soutien. Olhou-a nos olhos com um olhar de pura safadeza – Não olhes assim, gosto de as sentir a solta bebé – beijando-o logo de seguida.
A camisola foi rapidamente tirada e a sua boca atacou os peitos macios de mamilos duros de vontade que ansiavam pela sua língua e dentes. Mordeu um dos mamilos lentamente para não a magoar nem deixar marca, deixando o corpo dela ser percorrido pelo efeito da dor prazerosa que sentia naquilo, amava que lhe mexessem no peito e que acima de tudo, soubessem como lhe mexer. Amava quando a mordiscavam, beliscavam, lambiam e apalpavam, mas de forma correta, carinhosamente selvagem e com vontade, que soubesse provocar nela uma mistura de sentimentos que a fizessem querer sempre mais e mais, que a molhassem mais ainda, que era exatamente o que estava a acontecer. A cascata corria com a força de um rio selvagem, molhando as suas cuequinhas e parte dos seus shorts. Empurrou-o para se afastar, atirando-o contra o chão, sentou-se em cima dele para lhe arrancar o casaco e a camisola rápida e eficazmente, enquanto simulava os movimentos sexuais de já estar a ser penetrada enquanto o beijava e o agarrava pelos cabelos, percorrendo lentamente com a outra mão as suas costas de baixo acima com as suas unhas afiadas e malvadas, começando a deixar a sua marca de domínio de território. Amava arranhar, amava sentir a pele abrir-se debaixo das suas unhas, amava estar no controlo da coisa, assim como gostava que a dominassem por trás e de a prenderem como uma cadela vadia, gostava de coisas limpas e sujas também, gostava de paixão e safadeza, para ela nem o céu era o limite, nada era melhor que o poder de um sexo bem dado. Desceu e começou a desapertar o cinto para lhe abrir as calças que prendiam o monstro que queria comer à força toda, descendo-as num ápice e deparando-se com uma elevação bem formada nos boxers brancos e com marca do líquido pré-ejaculatório que abrira caminho para fora do pénis. Baixou-os e foi de boca ao mangalho, saboreando-o como se fosse o melhor gelado que alguma vez comera, lambendo-o louca e apaixonadamente, querendo sempre mais, a sua sede de prazer não tinha limites, o som que a sua boca fazia em contacto com o pénis era música para os seus ouvidos, o sabor era o melhor que já havia passado pelas suas papilas gustativas, a dureza era perfeita e encaixava perfeitamente dentro da sua boca, enchendo-a do líquido doce e saboroso quando atingiu o clímax, olhando-o nos olhos logo de seguida, e engolindo tudo até a última gota.
Deitou-se logo de seguida e uma troca de olhares fora o suficiente para se perceber qual seria o ato seguinte da peça erótica que se desenrolava debaixo daquele teto de estrelas, onde a erva era o palco e os fluidos que saíam dos seus corpos os adereços mais simples e perfeitos para o desenrolar da ação. Beijou-a novamente no pescoço enquanto passava a mão por cima dos shorts na zona perigosamente encharcada, descendo o corpo com a sua boca, apaixonadamente, enquanto abria as portas do reino proibido; se havia uma senha, a dona das cuequinhas azuis já a havia engolido momentos atrás. Tirou os shorts e contemplou a tanga cor de rosa cheia de água no fundo, denunciando a sua vontade e safadeza que sentia na presença dele. Continuou a acariciar por cima das cuecas, fazendo movimentos leves mas bruscos, fingindo penetrar por cima do tecido para provocar uma maior reação de estase na zona, que era possível de se ouvir pelos sons produzidos nas cordas vocais dela, fugindo como prisioneiros pela boca numa melodia sinfónica que destronaria Bach ou Chopin, deixando os grilos com inveja face a música que o os dedos dele produziam mexendo-se dentro dela, para dentro e para fora, misturados com os seus gemidos leves de prazer, que ecoavam noite fora numa harmonia musical perfeita. Foi de boca lá abaixo para dar trabalho a língua e sentir o sabor que ela escondia lá em baixo, uma mistura de todos os sabores que mais amava na vida: baunilha, chocolate, cigarros e cerveja, com uma pitada de morango e chantilly num perfume de rosas num campo de relva cortada, era tudo uma salgalhada louca e uma panóplia de odores divinal que faziam a sua língua dançar ao som da música prazerosa que saía da boca dela. Foi então que algo inesperado aconteceu: um rio de água correu para fora, salpicando-lhe a cara, os dedos, ombros e parte do cobertor onde estavam deitados. Nunca pensara viver para testemunhar algo assim: era a primeira vez que via um squirt sem ser nos típicos vídeos do PornHub ou dos gifs do Tumblr. Lambeu o líquido que tinha na cara, colheu algum que lhe ficara na testa, chegando os dedos junto da boca dela que os lambeu fervorosamente. Não valia a pena esperar mais, estavam prontos para o clímax do momento: deitada no cobertor, embalada pelas ervas e pelo orgasmo que sentira, foi penetrada ao som da sua voz alta e louca.
Nunca sentira algo assim dentro de si, era como se fossem feitos um para o outro, como peças do mesmo puzzle, pó da mesma estrela, gotas da mesma água, cinzas do mesmo cigarro. A mistura do som dos fluidos vaginais com o chocalhar dos seus genitais misturava-se com os sons de prazer de ambos, numa panóplia escura de prazer e dor que era deixado em linhas nas costas do rapaz que estava em cima dela. Num movimento rápido, ela ficou por cima a cavalgá-lo como um cavalo num rodeo Texano, cada vez mais rápido com as suas mamas aos saltos ao ritmo de trampolins olímpicos, até abrir os olhos e perceber que não estavam inteiramente sozinhos. Havia um carro a uns 10 metros de distância dela, um carro que abanava ao ritmo no amor. Aparentemente o seu rockeiro não era o único que conhecia aquele spot, mas o mais interessante foi quando se apercebeu que era observada. O seu olhar cruzara-se com o dono do carro que era também cavalgado no banco da frente; mesmo estando a uma distância grande, conseguia sentir o olhar dele posto em si, o que a deixou ainda mais louca e a saltar com mais vontade ainda. Já tinha sido apanhada a foder uma vez, recordara-se da noite em que estava a ser martelada por trás num parque de estacionamento a céu aberto e viu que alguém a observava da casa de banho da clínica do prédio da frente, com um movimento peculiar do braço; a ideia de alguém se masturbar enquanto a via a ser fodida deixara-a mais louca ainda, era um prazer selvagem, sujo e perigoso, algo que amava acima de tudo. Continuava a saltar como se a sua vida dependesse disso, até ao momento em que saiu, colocou-se de quatro com cuidado para manter o contacto visual com o dono do carro, e foi apanhada por trás como uma vadia que se sentia. Estava a adorar todo o perigo e barbaridade daquele momento, a ideia de excitar alguém assim deixava-a ainda mais molhada, mas a cereja no topo do bolo foi atingida quando o seu rockeiro maravilhoso lhe agarrou os dois braços, uniu as suas mãos atrás das suas costas, prendeu-as com força, ao mesmo tempo que lhe agarrava o cabelo para uma penetração mais forçada e brava! A dor e a submissão foram abraçadas em orgasmos seguidos, uns a seguir aos outros, cada vez maiores e mais fortes. Alguns levavam uma questão de segundos a aparecer, mas nada a conseguia saciar, porque naquele momento, por mais que estivesse a amar o que estava a acontecer, nada, mas nada lhe tirava da cabeça a ideia de uma segunda piroca ali com ela. As paredes da sua vagina foram pintadas de branco com o líquido dele, aquecendo-a mais ainda naquela noite fresca, o seu corpo arrepiado pela mistura das duas temperaturas e molhado de suor e fluidos sexuais, mas ainda queria mais e mais e mais.
Deitados lado a lado, respirando fortemente para tentarem recuperar o fôlego – Posso confessar-te uma coisa fofusco?
- Diz minha linda.
- Na noite em que nos conhecemos – respirava num ritmo quase a arfar – eu vi-te a cheirar as minhas cuequinhas e a escondê-las nos teus boxers. A imagem excitou-me tanto que enfiei uma das garrafas na minha cona pra me satisfazer.
Silêncio – That was savage girl. I like that. Pena não ter visto.
- Acabaste de ver e sentir algo bem melhor admite.
- Ok tens razão – e beijou-a.
- Não te incomoda que te tenha visto.
- Não, pelo contrário, acho que o estás a acordar outra vez.
- Sendo assim, tenho de te avisar que fomos vistos a foder.
Olhou estupefacto para ela – O quê?
- Estás a ver aquele carro a uns 10 metros de nós? Alguém estava a foder lá dentro e provavelmente viram-nos.
Levantou-se de um ápice e vestiu as calças, correndo para a alforja lateral da mota de onde retirou uma Colt 1911, puxando a culatra atrás para armar a pistola e apontou-a para o veículo – Quem quer que aí esteja, que se ponha a andar imediatamente! Não estou a brincar!!!
A porta do carro abriu-se, saindo de lá um indivíduo magro de cabelo curto e blazer branco, calças bejes e sapatos a combinar com o blazer, assim como a camisa que vestia. Nem parecia que tinha acabado de dar uma foda no banco da frente de tão impecável que se apresentava – É assim que que recebes um amigo meu caro?
-FODA-SE HUGO!!! TINHAS QUE VIR TU TAMBÉM MEU ANIMAL? – desarmou a pistola e guardou-a atrás das calças. Como um miúdo que recuperava de um susto, mais calmo, mas zangado por toda a situação, aproximou-se do já não desconhecido pervertido par ao cumprimentar com um abraço e um murro leve no ombro deste num tom de o castigar por estar onde não devia. – Não me vais apresentar a tua amiga?
Levantou-se e vestiu o seu casaco, pouco preocupada com a sua nudez, tinha acabada de ser vista a pecar no meio da mata e isso agradava-lhe; que diferença fazia se via mais um bocado do seu corpo? – Olá muito prazer jeitoso – cumprimentando-se com dois beijinhos nas faces de cada um.
- Bonita e atrevida, sacaste bem esta noite bro! Pensei que ias atrás da rapariga das cuecas.
- Sou eu fofinho.
Num olhar escandaloso, olhou-a de cima abaixo antes de se virar pro amigo – Meu, disseste que ela era mesmo linda, mas nunca pensei que fosse como a descrevias! Juro que achava que estavas bêbado quando me falaste nela!
- Pois, mas como podes ver, tinha razão. Fodeste-te puta!
- E… não partilhas?
- Oh Hugo!
- Tem calma, tem calma! Não quero desrespeitar ninguém! Mas acho que a menina também tem direito a opinião.
Olhou-o de cima a baixo, olhando logo de seguida para o seu bebé preferido – Posso dar-te uma palavrinha amor?
Afastaram-se um bocado para falarem mais a vontade – Bebé, acredita que adoro estar contigo, mas a verdade é que só estamos a ter sexo e mais nada… ainda… e um dos meus maiores fetiches é fazer com mais de um rapaz… sei que te posso estar a pedir muito, mas não sei se terei uma oportunidade destas…
Fez-se silêncio por uns instantes, o rockeiro olhou para o amigo e de volta para ela, de novo para o amigo, e de novo para ela, suspirando logo de seguida - Bom, vou-te ser honesto: não é que a ideia me desagrade, mas também não queria muito, a verdade é que já fiz isso uma vez com ele. Não correu mal, mas percebes a cena, e ainda por cima ela queria ver-nos aos dois a foder, e sinto-me mal por dizer que gostei. Ele é o meu melhor amigo e acredita que não nos sentimos atraídos por homens, mas uma cena daquelas teve a sua graça, mas não era algo que gostasse de repetir…
- Entendo bebé… - a sua boca foi calada pela mão dele a sua frente.
- No entanto, por ti abro uma excessão. Mas só esta noite!
Aos pulos de alegria, abraçou-o apertado no pescoço enquanto o beijava com paixão. Aproximaram-se novamente e discutiram a ideia, notando alguma relutância na cara dele, seguida de uma aceitação. Aproximou-se do carro onde deixou o blazer para não se sujar, voltando logo de seguida para junto deles.
- Vamos começar? – disse enquanto agarrava-a pela cintura e a beijava. Tirou-lhe logo o casaco para sentir os seus peitos duros e perfeitos, enquanto o rabo dela era mordido e lambido pelo rockeiro tesudo. Ela tirou-lhe a camisa para admirar o seu corpo magro e definido, começando a desapertar-lhe as calças logo de seguida. Ajoelhou-se e chupou-o barbaricamente, não da mesma maneira que ao seu rockeiro pois alguns segredos só se revelavam a algumas pessoas. Ao mesmo tempo, o seu rockeiro chupava-a por trás, fazendo com que o seu broche fosse misturado com os gemidos que ia soltando. Chupar e ser chupada, duas bocas diferentes para um mesmo corpo, com certeza que até o Keith Richards teria inveja se visse o que estava a acontecer ali naquele momento. Atingiu o seu orgasmo de minete no preciso momento em que a sua boca voltou a encher-se de líquido peniano, mas a ereção permanecia e pedia por uma cona bem molhadinha. Pôs-se de quatro para ele e foi penetrada por trás, enquanto agora brochava o seu rockeiro e punha em prática os seus verdadeiros segredos de sexo oral. Apesar de ser como antes, este tinha um efeito mais potente face à mistura dos gemidos que a sua garganta soltava, e gritou de dor e prazer no preciso momento em que lhe entrou no seu ânus. Poucas eram as vezes que lhe haviam feito sexo anal, mas aquele foi repentino e inesperado, o que tornou tudo mais louco e perfeito. Parou de fazer o broche para se sentar em cima do amigo dele em posição de cowgirl invertida, onde o seu rabo era estoirado lentamente com uma piroca bem grossa e avantajada. O seu rockeiro olhava safado para ela enquanto se masturbava de pé para ela, e essa imagem deixava-a louca de prazer, enfiando três dedos dentro da sua cona. Os gemidos de prazer dos dois enchiam os céus, e foi aí que algo ainda mais inesperado aconteceu: o seu rockeiro penetrou a sua cona. Nunca tivera uma dupla penetração, cona e rabo juntos, duas pilas assim dentro de si era o pináculo da perfeição, sentia-os a roçarem dentro de si como dois ímanes de polos diferentes, separados apenas por uma parede de tecido, levando-a a três orgasmos seguidos e acabando com os dois buracos pintados de branco outra vez. Saíram de dentro dela, cansados – Agora vocês os dois enquanto vejo.
O amigo nem hesitou e começou a chupar o rockeiro, ao mesmo tempo que lhe enfiava um dedo no cu. A miúda masturbava-se ao ver aquilo, acariciava os seus seios, o amigo voltou para junto dela e penetrou-a na vagina, sendo este penetrado analmente logo de seguida, num cenário tipo sandwish. Gemiam todos de prazer e loucura, era uma noite para recordar eternamente, uma experiência única que levariam para a cova como segredo eterno, porque sexo assim só se vê em filmes pornográficos, até serem interrompidos por um grito de fúria:
- OH MEU FILHO DA PUTA QUE MERDA É ESTA?
Voltaram-se todos na direção do carro para verem uma loira com um top branco e saia vermelha, vermelha de cólera pelo que estava a ver. – Oh Joana por favor….
- Oh Joana nada! Pões-te a foder em conjunto e nem me chamas?
Ficaram todos especados a olhar para ela enquanto se aproximava enquanto tirava o top, revelando os peitos grandes e descaídos, até chegar ao lado da rapariga e enfiar a cabeça dela dentro da saía. – Come-me vadia!
Odiava que tivessem essas confianças, mas pouco importava agora. Ela estava sem cuecas e molhada, o que indicava que teria estado a observar o que se passara e cansara-se apenas de esfregar a franca. Foi de língua lá dentro, mordeu o clitoris para mostrar quem mandava e comeu aquela cona como bem lhe pedia. Era a primeira vez que o fazia, mas uma mulher sabe o que uma mulher gosta, não precisava de ter feito um minete antes para saber como fazer um. Enfiou dois dedos enquanto chupava o clitoris como se de um tremoço se de um caramelo de tratasse, ouvindo os gemidos grossos, mas leves dela a soltarem-se aos poucos ao mesmo tempo que beijava e dava chapadas ao seu rapaz. Veio-se na sua cara – Tu, jeitoso aí atrás, quero-te pra mim anda cá.
Levantou-se e foi ter com o rockeiro. A rapariga olhava para ele com cara de quem dizia “Força, agora quero ver-te enquanto me vês”. Mensagem recebia, assim o fez: deitou a mulher chamada Joana de quatro e enfiou-lhe bem fundo, saltando esta um gemido de prazer bem alto. Mordia o seu lábio enquanto era penetrada e tinha os olhos fechados tal era a agressividade com que era martelada. O olhar do rockeiro mantinha-se fixo nos olhos da sua beleza rockeira também, nunca deixaram de olhar um para o outro enquanto eram fodidos por outro parceiro, o que tornava aquele pecado tão excitante; não era natural excitarem-se com algo assim, mas a verdade é que a ideia de se verem a serem comidos por outra pessoa dava uma excitação gigante; era como foder a ver um filme pornográfico, dava um ar mais safado, mas algo assim ao vivo e a cores, era outro nível de loucura. Era uma mistura de culpa com prazer e de paixão com arrependimento, eram sentimentos que se contrariavam tanto que levava a que dessem tudo o que tinham com a outra pessoa se isso significasse que o ato acabava para voltarem para os braços um do outro. Seria nisso em que consistia o swing? Se sim, a ideia que tinha era um paradoxo, uma mistura de adoração com ódio, arrependimento com vontade que querer outra vez, e sem saber se teriam outra oportunidade, só fazia com que aproveitassem cada penetração ao máximo. Orgasmos tidos, voltou cada um para o seu parceiro, saltando cada uma para o colo de cada um deles, sendo penetradas de seguida. Eram fodidos lado a lado, como dois casais num quarto universitário onde estavam na mesma cama; entre trocas de parceiros à mistura dos fluidos entre si, provocações uns aos outros, apalpões e puxões de cabelo que davam uma a outra, era tudo uma mixórdia louca de prazeres e pecados divinais. Agora percebia o que os Scorpions queriam dizer com “Here I am, rock you like a Hurricane!”, porque era num tornado onde se sentia naquele preciso momento, um tornado de prazer e loucura, de sexo bárbaro, selvagem e proibidos aos olhos dos meros mortais. Mas eles não eram como os meros mortais; nessa noite, eles ascendiam acima dos deuses, eles tinham sido tocados por Ísis, a deusa egípcia do sexo e das mulheres. Esta noite, era deles, e especialmente dela que concretizara desejos que jamais imaginara ver realizados.
Perderam a noção as horas e as vezes que orgasmaram, às vezes que trocaram de parceiros e repetiram atos homossexuais e lésbicos, fora tudo mais selvagem do que a orgia mais louca que se podia encontrar na internet. A aurora já dava sinais de querer aparecer quando decidiram dar a noite por terminada, sucumbindo ao cansaço e à exaustão, assim como à assadura que os seus genitais já estavam a sentir.
- Não me vou levantar durante uma semana depois desta noite – disse o rapaz chamado Hugo, queixando-se tento do seu pénis usado como do seu rabo aberto.
- Da última vez andaste dois dias de pernas abertas pela faculdade, aquilo foi de risos.
- Cala-te que agora também vais!
Levantou-se com a sua companhia, trocaram-se números e ideias para uma possível nova vez na semana a seguir, uma ideia a pensar de ambas as partes. Despediram-se, entraram no carro e seguiram em direção ao sol nascente no horizonte. O rockeiro e a sua princesa ficaram deitados no cobertor, a observar o sol que nascia e a apreciar a mudança da cor do sol de negro para azul, um azul que mudava de tons com a chegada de mais raios de sol, revelando um novo dia que estava a nascer. Com essa visão, a pequena rebelde apercebera-se de uma coisa: a vida era negra sim, má e escura como a noite, mas o sol vai sempre nascer para aquecer as almas de cada um com o nascer de um novo dia, uma nova oportunidade de começar de novo, uma nova página para continuar a escrever o seu livro da vida; e que melhor caneta para se usar do que os fluidos que saíam da sua vagina, o esperma que faria sair do pénis do seu rockeiro, as lágrimas que derramariam juntos, os sons dos risos que partilhariam, e os carinhos que teriam para dar um ao outro? Com ou sem namoro, pouco importava, só queria a companhia dele para o resto da vida; apercebera-se disso na noite em que o vira a cheirar as suas cuecas e se masturbara com essa ideia, apenas levara muito tempo a perceber isso.
- Sê sincero: porque levaste as minhas cuequinhas contigo?
Olhou para ela, e com um leve sorriso nos lábios disse – O que achas que costumo vir pr’aqui fazer sozinho minha tona? – e com estas palavras, sorriram, beijaram-se e foram beijados pelos primeiros raios de sol de uma nova esperança que acabara de nascer.
Nineteenth-century American and continental landscape paintings produce an air of tranquility in the Master Bedroom. The group of sculptures includes a Gaston Lachaise bronze. A delicate Art Deco stained glass door insert and a leaded-glass lampshade serve to diversify the mood.
Contemporary Apartments (The Worlds of Architectural Digest), 1982
Alpine azaleas on Mount Emei, Sichuan, China, are in full bloom amid misty drizzle.