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POP ART
1. Contexto histórico no mundo
O movimento artístico da Pop Art surgiu na década de 50 e ficou muito conhecido como o marco de passagem da modernidade para a pós-modernidade na cultura ocidental. Este movimento ficou popular nos Estados Unidos em um contexto de pós-guerra, onde o país estava muito bem economicamente. Isto significa que a cultura tornou-se mais acessível; e mais casas tinham televisão; nas bancas tinham mais revistas chamativas e a publicidade chegou a seu ápice: sempre contando com muitas cores e frases atraentes.
Richard Hamilton foi um artista britânico que fez a primeiro obra a ser considerada arte pop (na visão do crítico britânico Lawrence Alloway) chamada: “O que Exatamente Torna os Lares de Hoje Tão Diferentes, Tão Atraentes?”, que foi finalizada em 1956. Esta colagem feita com anúncio de revistas de grande circulação, conta com um casal que chega a ser igualado aos objetos de consumo.
O norte americano Andy Warhol foi outro artista que foi muito reconhecido nesse cenário da arte. Ele explorava séries de conjuntos fabricados em massa e objetos idênticos, criando uma arte para ser olhada de relance, inspirando a indiferença e o tédio. Muito das suas obras era sobre celebridades, mostrando como as pessoas acabaram virando “produtos de vendas” para a massa.
As próprias obras de arte deixaram de ser objetos de contemplação para se tornarem produtos, e o conceito de Indústria Cultural surge em 1940, questionando a padronização; uma vez que ela anularia a individualidade.
Analisando todo o contexto histórico é importante saber que a Pop Art está relacionado com a ascensão do consumismo e da publicidade para massa.
2. Contexto histórico no Brasil
Em 1964 houve o golpe do regime militar no Brasil, e durante o período da ditadura, a arte agiu como resistência politica. Então, apesar de também estar no contexto de alto consumo e influências do padrão de vida americano, a Pop Arte no Brasil tem outro foco: criticar a violência da ditadura e refletir sobre os problemas sociais que o país enfrentava.
Os artistas pegaram características da cultura popular brasileira e incorporaram com engajamento politico, tentando ao máximo desviar-se das censuras do Estado. A tropicália, que foi um movimento que mudou a música popular brasileira, também usufruiu de muitos traços da Pop Arte.
3. Artistas brasileiros
Wesley Duke Lee foi um artista plástico brasileiro muito influenciado pelo dadaísmo e pelo Pop Art americano, uma vez que foi para Nova Iorque para estudar e entrou em contato com artistas desse movimento, como Robert Rauschenberg.
Ele criou o movimento do realismo mágico com outros alunos e usa do aspecto figurativo como uma alternativa ao formalismo do abstracionismo no Brasil.
Claudio Tozzi também foi muito reconhecido como artista plástico da Pop Arte brasileira; ele estudou no Colégio da Aplicação na Universidade de São Paulo e foi incentivado pela sua professora de artes a criar cartazes, colagens e composições abstratas. Porém, na década de 70 já começou outro tipo de trabalho com suas obras estudando cor, pigmentação e luz.
“Antonio Dias condensa sua pesquisa estética nos anos 1960, quando explora novos meios e suportes para atingir a corporeidade anunciada em seus primeiros trabalhos. Conjugando abstração construtiva e figuração, seus quadros negam a homogeneidade por meio de texturas, relevos e rupturas.”
Rubens Gerchman foi um artista plástico carioca que, primeiramente em suas obras, retratava cenas urbanas bucólicas e as multidões dentro da cultura de massa. Quando mudou-se para Nova Iorque começou a trabalhar com tridimensionalidade e a partir de 1972, o artista obteve muito sucesso comercial com suas esculturas e obras.
Outros artistas brasileiros do movimento:
José Roberto Aguilar
Antonio Henrique Amaral
Luiz Paulo Baravelli
Romero Britto (Influenciado pelo Pop Art e pelo cubismo)
4. Conclusão
Apesar do movimento Pop Arte no Brasil ser muitas vezes visto como mais precário do que nos Estados Unidos ou Inglaterra, é muito interessante pensar pelo lado de que aqui, os artistas conseguiram se adaptar para o contexto histórico da época. O milagre econômico, aumento do consumo e influências do padrão de vida americano não foram o suficiente para desviar a atenção dos artistas para onde estava realmente o problema.
Aqui os materiais eram reciclados, inventados e tinha a junção do expressionismo e outros movimentos modernos, sem contar com a participação do tropicalismo; então foi muito interessante ver como que a influência artística externa afetou nossa arte e cultura popular e afeta até hoje, como podemos ver nas obras de Romero Britto (um artista plástico brasileiro atual).
5. Referências
http://www.ch.ufcg.edu.br/arius/01_revistas/v20n2/10_arius_v20_n2_2014_o_que_exatamente_torna_os_lares_de_hoje_tao_diferentes.pdf
http://www.art-bonobo.com/claudiotozzi/tozzi.html
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa4002/jose-roberto-aguilar
http://blog.moldurapop.com/pop-art-no-brasil-movimento/
http://agendapesquisa.com.br/pop-art-brasileira/
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa2104/rubens-gerchman
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa45/antonio-dias
http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa3154/wesley-duke-lee
http://popartebiblio.blogspot.com.br/p/artistas-destaques.html
http://tropicalia.com.br/identifisignificados/movimento
http://www.hypeness.com.br/2015/05/como-artistas-usaram-a-criatividade-para-driblar-a-censura-da-ditadura-militar-brasileira-nos-anos-70/
Katia Canton: TEMPO E MEMÓRIA; Do Moderno ao Contemporâneo.
No texto, a questão do tempo é citada de acordo com as evoluções tecnológicas e o desenvolvimento da comunicação, dizendo que o tempo acabou encolhendo o “espaço” e o presente ficou eterno. As relações tornaram-se mais rasas e achatadas por causa do mundo globalizado e a autora cita artistas que demonstraram isso de alguma forma na sua arte; seja pela sobreposição, justaposição ou repetição.
Alguns artistas contemporâneos, no entanto, pensaram ao contrário disso e ao invés de seguir a ideia de “mais informação em menos tempo”, fazem exatamente o contrário, como a artista Bill Violas que desde quando a videoarte tornava-se mais presente, pensou em criar seu próprio tempo na arte, um tempo que gerasse contemplação e reflexão. Seus vídeos eram em slow motion, fazendo também com que o espectador assistisse todos os detalhes das cenas e suas contradições.
Com essa modificação do tempo-espaço, as memórias também foram atingidas e a partir dos anos 90, as obras tinham características de semi amnésia. No mundo artístico, a tecnologia virtual e a comunicação a distância acabaram se contrapondo com as memórias pessoas do artista e por fim, acabou dificultando as trocas de ideias reais.
Então, há o questionamento sobre a memória: será que ela é sobre o tempo ou o lugar? E a literatura fala sobre a memória, apesar de ser tratada de diferentes formas pelo seu criador, ela é como um “tempo perdido, mas que nunca acaba” como cita a autora.
Cao Guimarães, artista apresentado no texto, tem uma resposta para esse encurtamento das experiências: Nas suas obras ele retrata pequenas coisas delicadas do cotidiano, como uma mosca percorrendo o céu. Ao fazer isso, ele ajuda a expandir o tempo no meio artístico e não achatá-lo.
José Rufino, outro artista mencionado, também trabalha com a memória por meio de símbolos. Seu próprio nome artístico é o nome do avô paterno e muitas das suas obras remetem à memória familiar, construindo instalações sobre uma sociedade agrária tradicional. Suas instalações têm nomes de verbos que seria o “acervo de sensações”, encontrado nas lembranças de quando era criança. Desde 2000, o artista saiu da proposta de memória familiar e estudou sobre histórias locais e como a memória funciona.
Numa entrevista com Sandra Cinto, a artista fala sobre como pensou na sua instalação e suas dificuldades, já que era sobre algo muito subjetivo: memórias inventadas. Ela fala sobre como parece que o tempo encolheu ainda mais depois de tantos instrumentos criados e sobre suas obras que fazem com que o espectador pare, sente e comece a perceber o trabalho. Sempre utilizando muitos símbolos como as camas e os livros, a artista procura resgatar uma memória ou um tempo perdido.
Albano Afonso foi outro artista entrevistado no texto, já trabalha sobre a memória do espaço, a que fica entre o objeto e observador. Fala sobre seu conjunto de autorretrato por pintura (representando o passado) e pela foto (o presente), misturando os dois tempos criando um terceiro tempo. Apesar de considerar seu trabalho abstrato também é o retrato dele como artista, “que é a passagem do tempo ou o tempo de passagem.”
OBSERVAÇÕES
A autora traz diversos artistas e escritores no percorrer do texto, exemplificando o seu ponto e criando uma linguagem mais dinâmica e mais “fácil” de ser compreendida. Ao trazer entrevistas com alguns artistas plásticos, mostra para os leitores os dois lados: o do criador e o do espectador. Como que aquilo foi criado e como chega até a pessoa que observa.
A questão principal do livro é mostrar ao leitor como que os artistas contemporâneos estão fazendo para contrapor o tempo corrido e criar um “tempo fora do tempo”, utilizando os instrumentos criados com a tecnologia e fazendo instalações em que o espectador espere o trabalho acontecer e que não passe apenas olhando.
O texto traz muito da evolução da tecnologia e como isso afetou o mundo artístico e as relações entre as pessoas, mencionando até uma nova forma de “poluição”. A dificuldade encarada pelos artistas para retratarem suas memórias seja pelo tempo ou espaço é trabalhada de forma que a globalização é sempre colocada em pauta, trazendo o questionamento de que forma este processo está nos atingindo.
Carolina Caycedo
Carolina Caycedo é uma artista plástica colombiana da 32º Bienal de São Paulo e seu projeto chama Be Dammed (Jogo com a palavra Dam que significa Represa em inglês e Damn que significa maldição). Ao ser convidada para o Brasil, investigou quatro territórios: A hidrelétrica de Itaipu; Rio Ribeira (que não foi represada pelas resistências indígenas), Bacia Alto do Rio Doce e Rio Xingu (Usina de Belo Monte).
Na sua apresentação fez um vídeo, e levou uma imagem de satélite e grande escala. Além disso, fez uma instalação com redes de pesca e com outros elementos de trabalho artesanal, levando também desenhos que falam sobre conhecimentos mitológicos sobre as bacias e um espaço para debate do modelo energético.
ANGÚSTIA "Eu passava muito tempo deitada no meu quarto. Ficava ali com meus pensamentos que eram intensificados à noite. As luzes lá fora começavam a surgir, e a imagem da janela aparecia num movimento vertical quando a noite ficava mais escura. O quarto ficava cada vez maior, mais solitário e mais agonizante. As sombras das grades apareciam na parede. Sentia-me aprisionada. Demorei alguns anos para entender que as grades que serviam para impedir as pessoas de entrar, eram as mesmas que não me deixavam sair. Quando finalmente mudei de ambiente, percebi que sentia as mesmas coisas. Era como uma adaptação, não havia mudado muito: as grades (finalmente) sumiram e tive acesso a liberdade que sempre quis. Mas, continuo à ficar muito tempo deitada. Enquanto penso muito, o tempo soa agonizante e vejo pela janela o que estou perdendo. As coisas me parecem melhor no escuro. Sinto menos medo, mas anseio mais pelo fim. A morte parece sugar toda minha atenção. São tempos estranhos." (?)
“Teatro Grego” feito com papel panamá, tinta acrílica e papel celofane.
“O que é ser mulher?”, pintado com acrílica. Pintura tridimensional para a aula de PINTURA B.
Classicismo, Maneirismo e Barroco
1) Defina os pares de comparação estabelecidos por Wölfflin, especificando as características principais do estilo clássico e do estilo barroco a partir de duas obras que representariam bem cada um dos estilos.
O estilo clássico traz a questão do linear de forma que, o observador acompanha com o olhar a linha que contorna o corpo nas obras, com mais neutralidade e induzindo a achar a beleza do objeto primeiramente nas linhas, já no Barroco a intensidade da luz e das sombras cria uma ideia de “massa” e/ou “manchas” aos objetos. A diferença é claramente visível nas obras de Rafael Sanzio e Rubens Paul, ambos retratando A Pesca Milagrosa.
No estudo da profundidade e do plano por Wollflin, o barroco tem um princípio nítido: evitar qualquer impressão de algo plano. Isso era feito com a distribuição das luzes e a representação da perspectiva e há uma relação interna entre os objetos da frente com os do fundo. Já no clássico, era possível ver camadas horizontais que chamam atenção do observador para o plano, é possível ver isso na pintura de Rafael, enquanto Rubens já dá a profundidade pelo intenso movimento espiral.
Na “A Pesca Milagrosa”, por Sanzio, dá para ver que é a representação de forma fechada; seu organismo deve ser mantido como ele é nada pode ser alterado ou removido; com uma realidade limitada em si mesma. Na versão de Rubens, a forma já é mais aberta e há uma negação a simetria, ao equilíbrio, além do predomínio de diagonais.
Fazendo a análise do quadro de Sanzio, cada cabeça constitui um todo formal e tem uma vida autônoma, e como o autor diz, “cada forma isolada remete imediatamente ao conjunto”. A horizontalidade dos olhos e da boca e a verticalidade do nariz confirma uma composição subordinada, já que a obra é vista como uma unidade. Por outro lado, na obra de Rubens, o efeito da imagem não depende de como os elementos isolados se equilibram; há uma fusão de figuras em uma massa homogênea, e na sua versão, não é preciso destacar figuras isoladas e uma das partes deixou de ser independente: a obra conta com sua unidade absoluta.
No tema sobre clareza e obscuridade, o quadro barroco da Pesca Milagrosa se encaixa perfeitamente no que se refere obscuridade. O quadro capta aquilo que os olhos conseguem ver, capta aparência e o movimento e não a essência do momento bíblico. A imagem é mais ilimitada e dinâmica que a do estilo clássico e o grau máximo de nitidez é rejeitado. Na pintura de Rafael, a imagem é clara e inteligível, em todos os seus pontos. A luz funciona como um organizador da realidade e em todo momento as cores estão em serviço da forma.
2) Caracterize o Maneirismo, a partir do excerto do texto sobre Maneirismo de autoria de Arnold Hauser presente no livro História da Arte Italiana, Vol. III, de autoria de Giulio Carlo Argan (p. 227-240). É necessário refletir sobre o momento em que surge o conceito e a sua definição no campo da História da Arte, já no século XX.
O Maneirismo é a transição do estilo clássico para o estilo barroco e é muito mencionado como “a crise do Renascimento”. O estilo clássico grego foi breve, e o Renascimento foi um episódio fugaz que “termina tão logo quanto começa”, como citado no texto. Este era um estilo que não mostrava a realidade da época e sim uma beleza inalcançável e uma racionalidade e disciplina interior que o homem não consegue se submeter por muito tempo.
Então, o Maneirismo foi um momento de questionar a falta do naturalismo que havia no Renascimento: aquele equilíbrio, ordem e tranquilidade que já não existia com o contexto histórico da Contra Reforma. Então, as artes dessa transição eram atormentadas e impregnadas de crises; já não se separava mais o corpo do espírito e tinha uma visão mais anti-humanista.
A fé volta a ser retratada e é possível ver um conflito na conciliação entre fé e moral e as exigências físicas e espirituais. As obras tendem a enrijecer a própria originalidade em uma formula, parecendo assim rebuscados, extravagantes, obscuros, retratando sempre uma tensão entre o clássico e o anticlássico; natural e formal e, o racional e irracional.
O humano para de ficar no centro das pinturas e as sombras são inadmissíveis, com uma perspectiva achatada e contrastes cromáticos.
O maneirismo não foi muito valorizado durante muito tempo, várias pessoas viam esse momento na história da arte como Walter Friedlander viu: o exemplar e o bonito era apenas o clássico; sem muitos pontos positivos para o Maneirismo ou uma declaração completa sobre como a arte do Renascimento era uma ilusão.
O interessante deste estilo é sua singular ausência de unidade estilística e como é possível apelar para o exemplar e ao mesmo tempo, afastar-se dele. “Não se encontra artista importante ou progressista que não tenha sofrido influência do movimento” (pág.234) e mesmo assim, o Maneirismo só foi valorizado quando na Arte Moderna, surgiram artes semelhantes que preparou e trabalhou o terreno para que isso acontecesse.