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Quem precisa, não precisa de algo. Não precisa de alguém. Quem precisa, precisa. Simplesmente precisa. Só precisa. E como isso pode ser desesperador.
Pedaço de um texto meu qualquer.
Quem precisa, não precisa de algo. Não precisa de alguém. Quem precisa, precisa. Simplesmente precisa. Só precisa. E como isso pode ser desesperador.
Pedaço de um texto meu qualquer.
Meu bem, pensava que nem todos eram merecedores de um primeiro amor, pois até mesmo eu não tive a sorte de ter um. Você lembra, a Letícia não pode ser chamada de primeiro amor nem aqui, nem na Cochinchina. Meu carro que o diga, coitado, quantos riscados que teve no dia que terminamos. Acho que metade do “V” de veado que ela riscou nele nunca saiu. Mas, a vida melhorou, meus carros mudaram, e os amores também. Ela foi minha primeira namorada, com quem eu perdi o ar, o coração, uma parte do fígado e um rim, de tantos porres que eu tomei para aguenta-la. Eu não achava que ela fosse minha alma gêmea, no fundo nunca achei, mas a ilusão de ter alguém que queria ser alguém para mim, me dopou, é estranho pensar assim, e pensei, pensei que fosse um meio amor, não um primeiro amor, mas talvez um início para o bendito. Aí veio a Natália, a Geandra, e nada desse amor por completo que eu poderia falar que consegui sentir. Até chegar você, meu bem. Ah, meu bem, você foi a criptonita que colocaram no meu café da manhã, porque de uma hora para outra, assim mesmo, de uma hora para outra, eu estava completamente de quatro para você, dando a pata e tudo. Mas, meu bem, as flores de outono também tem sua beleza. Até uns dias para trás, achava que você fora o mais próximo de um amor que eu senti, e desacreditava que pudesse ter um primeiro amor, sem uma experiência de vida. Tantos jovens por aí que se dizem cegos por amor. Pois então, estão cegos mesmo, mal saíram das fraldas e acham que vão encontrar o amor de suas vidas do lado da cantina. Eu pensava que você fosse o amor da minha vida, alguém que eu poderia morrer, que morreria feliz, por talvez ajudar você respirar mais um segundo que seja. A vida não seria tão boa assim sem a sua presença. Mas é. Meu bem, eu consegui viver mais do que nunca tivera vivido sem você no meu pé. Seu eu no seu pé, tentando entender porque você terminou comigo três vezes, traiu-me duas, e mesmo com meus trinta e poucos anos, chorava como um bebe, agarrado no meu amigo, Jack Daniel’s, na porta do seu prédio. Velhos tempos. Belos outonos. Mas, meu bem, as flores de outono também tem sua beleza, pois até a morte deve ser louvada, admirada. E olhe, descobri que sim, existe um primeiro amor para todo mundo nesse mundo tão imundo, mas ele não precisa necessariamente estar nessa ordem. Meu primeiro amor aconteceu, quando eu pude perceber que a pessoa faria o mesmo que um dia eu quis fazer por você, meu bem. Queria ter tido uma história com você, mas ando preferindo escrever ela com a Rosana, pelo menos ela sabe fazer panquecas melhores que as suas. Devolva minha caneca da sorte, pois, ao contrário dos amores, não se encontra uma caneca do Capitão América em qualquer esquina.
Meu bem, eu sei que você odeia ser chamada de meu bem, e eu amo isso.
Libélula, linda e bela, faz da vida eterna, e do sofrimento, apenas um pouso.
Aos poucos.
-Por que eu não te escuto? Eu tinha que ter aprendido na primeira vez que você disse isso, para te ouvir, te entender, ver que isso nunca daria certo. Deu certo? Me diz, diga se isso realmente te levou à algum lugar, porque eu ainda estou naquela estaca zero, e essa estaca perfura meu peito, cada vez mais fundo, cada vez mais forte. Eu lembro quando me disse que não iria aguentar mais um leão em sua vida, eu nunca acreditei em horóscopo. Mas eu ando ficando louco, tão louco a ponto de procurar uma explicação para o meu fracasso, ou nosso fracasso. Andei lendo a parte de horóscopo nos jornais, pesquisei sobre meu mapa astral, não entendi metade das coisas de lá, mas, olha, talvez em alguma daquelas partes deve existir essa explicação. Leões não podem se apaixonar por escorpiões. Escorpiões são mortais, leões são perigosos. Os dois lutam pela sobrevivência, e não precisam de outro para proteção. Ambos brigam por espaço, e agora, eu brigo por um minuto de ar puro, um suspiro leve, que não me lembre de que meu mundo acabou à alguns dias atrás. Agora, vendo você, sentado no canto esquerdo do sofá, com um copo de alguma bebida cara que eu coloquei de enfeite na minha estante só para agradar sua visão, não consigo imaginar algum motivo para que eu pense no fim. Acho que alguma força maior forçou o desfecho dessa história meia boca. Alguma ação divina me fez abrir os olhos, ser realista, e perceber os fatos como eles são de verdade. Devíamos ter certeza antes de começar algo, para não acontecer isso. Mas esse foi o problema, eu tinha tanta certeza, que esqueci qual era essa certeza, qual o motivo. Pare de me olhar assim, eu sei o que você está pensando, que eu não devia fazer tanto circo em uma coisa tão simples, que você não queria nada disso e disse exatamente a mesma coisa umas mil vezes. Mas eu nunca acreditei, nunca escutei, mas agora sofro. Sofro por ver o meu sentimento que tinha por você morrendo, como se uma doença tivesse infectado e agora a única coisa que eu posso fazer é ver, velar, segurar a mão desse amor e esperar por sua morte. Mas não vou, viu? Não vou ficar assistindo essa cena de drama de quinta, para que eu pare em um bar qualquer por aí, chorando por você, e correndo o risco de cair no ridículo. Já estou no ridículo, não quero piorar. Não quero te odiar. Eu devia ter te escutado, mas agora, nem sei mais o que ouvir. Só me resta dizer que você tinha razão esse tempo todo, todo esse tempo. -Acabou? -Acabamos.
Quando escorpião entra na casa de leão.
Talvez nos esquecemos de todas as coisas que somos quando estamos juntos.
Ellie Goulding.
-Por que eu não te escuto? Eu tinha que ter aprendido na primeira vez que você disse isso, para te ouvir, te entender, ver que isso nunca daria certo. Deu certo? Me diz, diga se isso realmente te levou à algum lugar, porque eu ainda estou naquela estaca zero, e essa estaca perfura meu peito, cada vez mais fundo, cada vez mais forte. Eu lembro quando me disse que não iria aguentar mais um leão em sua vida, eu nunca acreditei em horóscopo. Mas eu ando ficando louco, tão louco a ponto de procurar uma explicação para o meu fracasso, ou nosso fracasso. Andei lendo a parte de horóscopo nos jornais, pesquisei sobre meu mapa astral, não entendi metade das coisas de lá, mas, olha, talvez em alguma daquelas partes deve existir essa explicação. Leões não podem se apaixonar por escorpiões. Escorpiões são mortais, leões são perigosos. Os dois lutam pela sobrevivência, e não precisam de outro para proteção. Ambos brigam por espaço, e agora, eu brigo por um minuto de ar puro, um suspiro leve, que não me lembre de que meu mundo acabou à alguns dias atrás. Agora, vendo você, sentado no canto esquerdo do sofá, com um copo de alguma bebida cara que eu coloquei de enfeite na minha estante só para agradar sua visão, não consigo imaginar algum motivo para que eu pense no fim. Acho que alguma força maior forçou o desfecho dessa história meia boca. Alguma ação divina me fez abrir os olhos, ser realista, e perceber os fatos como eles são de verdade. Devíamos ter certeza antes de começar algo, para não acontecer isso. Mas esse foi o problema, eu tinha tanta certeza, que esqueci qual era essa certeza, qual o motivo. Pare de me olhar assim, eu sei o que você está pensando, que eu não devia fazer tanto circo em uma coisa tão simples, que você não queria nada disso e disse exatamente a mesma coisa umas mil vezes. Mas eu nunca acreditei, nunca escutei, mas agora sofro. Sofro por ver o meu sentimento que tinha por você morrendo, como se uma doença tivesse infectado e agora a única coisa que eu posso fazer é ver, velar, segurar a mão desse amor e esperar por sua morte. Mas não vou, viu? Não vou ficar assistindo essa cena de drama de quinta, para que eu pare em um bar qualquer por aí, chorando por você, e correndo o risco de cair no ridículo. Já estou no ridículo, não quero piorar. Não quero te odiar. Eu devia ter te escutado, mas agora, nem sei mais o que ouvir. Só me resta dizer que você tinha razão esse tempo todo, todo esse tempo. -Acabou? -Acabamos.
Quando escorpião entra na casa de leão.
Meu bem, pensava que nem todos eram merecedores de um primeiro amor, pois até mesmo eu não tive a sorte de ter um. Você lembra, a Letícia não pode ser chamada de primeiro amor nem aqui, nem na Cochinchina. Meu carro que o diga, coitado, quantos riscados que teve no dia que terminamos. Acho que metade do “V” de veado que ela riscou nele nunca saiu. Mas, a vida melhorou, meus carros mudaram, e os amores também. Ela foi minha primeira namorada, com quem eu perdi o ar, o coração, uma parte do fígado e um rim, de tantos porres que eu tomei para aguenta-la. Eu não achava que ela fosse minha alma gêmea, no fundo nunca achei, mas a ilusão de ter alguém que queria ser alguém para mim, me dopou, é estranho pensar assim, e pensei, pensei que fosse um meio amor, não um primeiro amor, mas talvez um início para o bendito. Aí veio a Natália, a Geandra, e nada desse amor por completo que eu poderia falar que consegui sentir. Até chegar você, meu bem. Ah, meu bem, você foi a criptonita que colocaram no meu café da manhã, porque de uma hora para outra, assim mesmo, de uma hora para outra, eu estava completamente de quatro para você, dando a pata e tudo. Mas, meu bem, as flores de outono também tem sua beleza. Até uns dias para trás, achava que você fora o mais próximo de um amor que eu senti, e desacreditava que pudesse ter um primeiro amor, sem uma experiência de vida. Tantos jovens por aí que se dizem cegos por amor. Pois então, estão cegos mesmo, mal saíram das fraldas e acham que vão encontrar o amor de suas vidas do lado da cantina. Eu pensava que você fosse o amor da minha vida, alguém que eu poderia morrer, que morreria feliz, por talvez ajudar você respirar mais um segundo que seja. A vida não seria tão boa assim sem a sua presença. Mas é. Meu bem, eu consegui viver mais do que nunca tivera vivido sem você no meu pé. Seu eu no seu pé, tentando entender porque você terminou comigo três vezes, traiu-me duas, e mesmo com meus trinta e poucos anos, chorava como um bebe, agarrado no meu amigo, Jack Daniel’s, na porta do seu prédio. Velhos tempos. Belos outonos. Mas, meu bem, as flores de outono também tem sua beleza, pois até a morte deve ser louvada, admirada. E olhe, descobri que sim, existe um primeiro amor para todo mundo nesse mundo tão imundo, mas ele não precisa necessariamente estar nessa ordem. Meu primeiro amor aconteceu, quando eu pude perceber que a pessoa faria o mesmo que um dia eu quis fazer por você, meu bem. Queria ter tido uma história com você, mas ando preferindo escrever ela com a Rosana, pelo menos ela sabe fazer panquecas melhores que as suas. Devolva minha caneca da sorte, pois, ao contrário dos amores, não se encontra uma caneca do Capitão América em qualquer esquina.
Meu bem, eu sei que você odeia ser chamada de meu bem, e eu amo isso.
Libélula, linda e bela, faz da vida eterna, e do sofrimento, apenas um pouso.
Aos poucos.
Libélula, linda e bela, faz da vida eterna, e do sofrimento, apenas um pouso.
Aos poucos.