“Alô? Liguei pra oferecer os meus excessos. Você aceita? Não serei vai-e-vem. Posso garantir que fico no verão, na primavera e te acompanho no inferno astral. Pense bem. Nunca aceitei muitas bem as coisas, mas por você eu aceito, com exceção da tua mania de colorir os cabelos. Podemos fazer esse acordo? Afinal ele é bonito, do jeito que é. Você quem nunca está satisfeita. É esse meu outro medo, de não ser suficiente. Mas deixa eu te contar? Sinto que não me sinto mais. Sabe como é? Essa história de que amor tem sintomas é verdade. Só não quero chegar na parte dos hematomas. Então por isso, eu aceito, aceito te ver perambulando torto na rua Amalfi, te ver estalando o pé, o pescoço e as costas. Aceito ouvir você reclamar do jeito que entorto a boca pra falar. Ouvir seus aborrecimentos com seu pai, vizinho e do trabalho que nunca é leve. Você pega pesado demais, sua exagerada. Por que não cria um vínculo de amizade com os vendedores de mercadinhos mais próximos de casa, hein?! Só. Uhhh… Tudo bem. Podemos comprar o pão da padaria mais distante, quer ir batendo um papo sobre filhos? Mas olha só, não toca nesse seu cabelo, tá? Fica, por favor. Não desliga.”