Little Criminals | Sophie & Ludwig
Sophie fitou o rapaz que atendia por Ludwig por alguns segundos, não demorando muito para ele encontrar seu olhar e, em um período curtíssimo de tempo, acenar com a cabeça para que ela se aproximasse. Por mais aleatório que aquilo tudo fosse, a morena não hesitou em colocar de volta no lugar o CD que antes analisava com cuidado e começar a caminhar na direção do louro. Era de conhecimento popular que conversar com estranhos quase sempre acabava em problemas, porém esse pensamento não incomodava Peverelli nem um pouco. A bailarina tinha um péssimo hábito de - muitas vezes involuntariamente - procurar o perigo, já que ocasionalmente sentia-se profundamente entediada e não via nenhuma alternativa para livrar-se de tamanho tédio. Obviamente já havia entrado em inúmeras encrencas por ter agido imprudentemente, mas sua imprudência jamais foi amenizada.
Quando ficou próxima o suficiente para ser ouvida pelo jovem, ergueu ambas sobrancelhas e encostou-se na parede ao lado dele, o fitando com seus olhos claríssimos. — Oi. — Cumprimentou o desconhecido em um tom de voz indiferente. Suas amigas estavam demorando muito para chegarem ao shopping, portanto Sophie imaginou que elas iriam se atrasar mais ainda, e não estava com nenhuma vontade de as esperar naquela loja de discos que já conhecia como a palma da própria mão. Uma das desvantagens em ser amigas de outras garotas do Upper East Side era que elas geralmente eram enroladas para escolher roupas, sapatos, acessórios, etc. Podia-se dizer que, em certas coisas, a estudante era realmente diferente de suas amigas - não que odiasse se arrumar, muito pelo contrário: a morena achava muito divertido elaborar produções e usá-las pela rua, mas ela geralmente já tinha seus visuais prontos em mente -.
O tom rouco e até mesmo meio pretensioso chegou ao seu ouvido segundos depois de tê-la convidado para se aproximar. Não podia afirmar muito sobre sua conduta ou o que se passava pela sua mente, mas se tinha uma coisa que ele tinha certeza no momento em que a viu é que ela era uma amiga em potencial. Pode parecer difícil de acreditar, mas aquele que atendia pelo nome de Ludwig tinha um escasso numero de colegas a qual podia conversar abertamente. Já tentara algumas vezes, mas aparentemente falar sobre o seu pequenino e desimportante desvio de personalidade acabava assustando eles. Não podia imaginar o por que. A vida que tinha agora era apenas um reflexo do que havia se passado. Não que tal coisa importasse, é claro. Nunca ligara para opiniões alheias antes e não começaria agora. Porém ele se encontrava em um terreno absolutamente novo. E até um tanto perigoso, se assim pode-se dizer – Eu sou Ludwig Lancaster. – deu de ombros, pensando nas palavras certas que a fariam acompanha-lo em sua estranha e nova empreitada – Você é... Sophie, né? – preferia fingir a ignorância do que demonstrar que a conhecia cem por cento. Se ela o achasse bizarro, talvez sua primeira chance de convivência com alguém além de Nathan iria por água abaixo.
– Prazer. – adiantou-se. Não havia motivos para prolongar essas apresentações tolas que sempre aconteciam em interações sociais. Claro que isso implicava na primeira impressão que ela teria dele, mas pouco se importava. Parte de ser um Lancaster significa quebrar paradigmas, aquele em especial que o diga – Então, você está a aqui a passeio ou para comprar alguma coisa? – sorriu maliciosamente, sentindo o peso do celular e do pequeno pacote que se encontrava debaixo dele em seu bolso aumentar. Era estranho como a necessidade de consumir tais substancias haviam ficado tão intensas em tão pouco tempo. Nada com que devesse se preocupar, é claro – Porque sabe, se você quiser eu tenho como conseguir qualquer coisa com um... – ponderou, sentindo a tensão sobrecair sobre os dois – Desconto especial. – não sabia se havia deixado todos os termos certos, nem se ela aceitaria tal coisa. A atitude era radical até demais, principalmente quando o menor nunca havia se dado ao trabalho de fazer isso antes. Mas roubar não deve ser tão difícil assim, né? Quer dizer as pessoas fazem isso o tempo todo e nunca são pegas. Robert, seu falecido pai, era gerente de um shopping e as reclamações de furto sem culpado eram constantes em sua casa. Aquilo era uma regra, e Ludwig não seria a exceção. Ou pelo menos ele esperava que não fosse.







