A ambiguidade
Vou-lhes contar uma história breve e direta, que só os sussurros do vento do vale do norte sabem, mas que nunca esqueceram.
Num dia distante, numa sombra escura, escondida na montanha do vale fria e sombria, teve uma impura sorte quando uma nítida e tímida luz se atreveu e ousou cruzá-la. E ele ligeiramente se foi, como um raio do pôr do Sol que já há de ir embora...
A sombra, no princípio, se sentiu muito ofendida pelo acontecido: "Como uma luz se atreveu a tanto, a cruzar uma sombra de força oposta?" E continuou reclamando, mas quando se deu por si, já não era mais uma sombra, e sim uma sombra que dançava com a luz, fazendo a montanha do vale se encher de flores e corvos, representando luz e sombra e suas reais ambiguidades.
Depois disso, a sombra, pela primeira vez, não se sentiu fria, e escura sim, mas uma sombra completa… completa por uma parte que nem sabia que necessitava.















