Éramos impossíveis. Um tigre domesticado. Um oásis no meio do asfalto. Carnaval em dia de finados. Um elefante na gaiola de passarinho. Mas, você sabe. Os sonhos. Ah, os sonhos.


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Éramos impossíveis. Um tigre domesticado. Um oásis no meio do asfalto. Carnaval em dia de finados. Um elefante na gaiola de passarinho. Mas, você sabe. Os sonhos. Ah, os sonhos.
Era diferente de todos que conhecia. Falava de outra forma, gostava de outras coisas, se vestia como quem não pertence a lugar nenhum — quase excêntrica. Era apontada como complicada. Sofreu na escola, sofreu na família, sofreu com homens, sofreu no trabalho. Sofreu no simples ato de existir.
Cansada de tudo, certa noite, chorando na cama, olhou pela janela. O céu noturno se estendia numa escuridão profunda e viva. A noite a encarou de volta. Sussurrou algo que ela não ouviu… mas aceitou.
Na manhã seguinte, seu reflexo estava desbotado.
Quando saiu para trabalhar, percebeu: havia algo diferente. O caminho parecia novo, como se tivesse sido redesenhado durante a madrugada. As pessoas não a olhavam mais como antes. Na verdade, não a olhavam. Era invisível na medida exata para ser livre.
No serviço ninguém virou a cara para rir dela. O dia correu como um dia deveria correr — simples, direto, neutro. Pela primeira vez, normalidade.
Empolgada com aquela nova ordem do mundo, decidiu ir ao shopping fazer um lanche. Tudo aconteceu dentro daquela mecânica educada e impessoal que ela sempre invejou nos outros. Ninguém a mediu de cima a baixo, ninguém a analisou, ninguém a julgou. Foi apenas mais uma entre milhares. E isso lhe pareceu um alívio divino. Sorriu.
Sua cabeça fervilhava. As certezas chegavam feitas, prontas, encaixadas, como se alguém ali dentro girasse engrenagens secretas. Agora ela sabia como o mundo funcionava — o visível e o que vive atrás dele. Isso não tinha preço. Isso era soberania. Os sussurros se tornaram constantes. Ela os acolhia, arquivava, classificava. Sabia tudo. Sabia muito. Só não sabia ainda o que faria com aquilo.
E sabia também que não era a única com acesso.
Esperaria.
Voltou para casa leve, quase feliz, e decidiu que adotaria um gato. Alguém com quem pudesse conversar — de verdade.
Chamou, de dentro dela mesma, como quem faz um pedido ao escuro. Sentiu a resposta. Ele estava vindo. E já tinha nome:
Tutella.
A ambiguidade
Vou-lhes contar uma história breve e direta, que só os sussurros do vento do vale do norte sabem, mas que nunca esqueceram.
Num dia distante, numa sombra escura, escondida na montanha do vale fria e sombria, teve uma impura sorte quando uma nítida e tímida luz se atreveu e ousou cruzá-la. E ele ligeiramente se foi, como um raio do pôr do Sol que já há de ir embora...
A sombra, no princípio, se sentiu muito ofendida pelo acontecido: "Como uma luz se atreveu a tanto, a cruzar uma sombra de força oposta?" E continuou reclamando, mas quando se deu por si, já não era mais uma sombra, e sim uma sombra que dançava com a luz, fazendo a montanha do vale se encher de flores e corvos, representando luz e sombra e suas reais ambiguidades.
Depois disso, a sombra, pela primeira vez, não se sentiu fria, e escura sim, mas uma sombra completa… completa por uma parte que nem sabia que necessitava.
Não é nova, mas é a primeira vez que a escrevo . Tive que consultar.
Frase em um contexto:
A recepcionista do postinho espezinhava todos e qualquer um que iam até ela por informações, até o dia em que ela fez uma namorada de bandido chorar. Não havia motivos, bastava se aproximar da senhora e lhe dizer "bom dia".
Bandidos armados até os dentes invadiram o posto e fizeram da velha senhora concursada pela prefeitura, com fama de ignorante e rabugenta de peneira. Só deram na cabeça.
Osso, miolo, sangue "lavaram" todo o posto.
Nesta noite, o pobre do brasileiro que dependia do seu atendimento brindaram a morte da D. "Espezinha".
Ainda assim, ouvia-se rumores de pessoas que duvidavam da sua morte.
"Não me surpreenderei se a bruxa reaparecer no postinho e fazer aquilo que mais amava: espezinhar à aqueles os quais pagavam seu salário com o seus impostos."
Sombra
Era diferente de todos que conhecia. Falava de forma diferente, gostava de coisas diferentes, vestia-se de forma única, quase excêntrica, era apontada como complicada. Sofreu na escola, sofreu na família, sofreu com homens e também no trabalho.
Cansada de tudo, um dia chorando na cama, olhou pela janela, para o céu noturno, toda aquela escuridão também olhou para ela. A noite sussurrou algo que ela não ouviu, mas aceitou.
Na manhã seguinte, seu reflexo no espelho estava desbotado.
Quando saiu para trabalhar, estava diferente, o caminho parecia novo e as pessoas não olhavam mais para ela como antes. Nem sequer a notavam. No serviço virou a cara para sorrir dela, o dia correu normal como sempre deveria ter sido.
Empolgada com toda a mudança que estava vendo, resolveu ir ao shopping fazer um lanche. Tudo aconteceu de forma normal, todos com aquela educação mecânica sem a medir de cima a baixo. Sentiu que pela primeira vez era uma igual, era somente uma garota como todas. Sorriu satisfeita.
Foi para casa e feliz resolveu que ia adotar um gato. Ele seria o único a saber quem ela era. Precisava dele.
O sapo parou perto da janela e começou a cantar com uma voz estridente que parecia conter um grito de dor.
A música do sapo cresceu em volume e intensidade até que finalmente parou abruptamente. O sapo desapareceu tão rapidamente quanto havia aparecido, deixando a noite cheia com o seu terror.
Diários de Ila: O Velho Bob
Há muito não encontro o velho Bob por aí. Soube que aquele bichano foi para longe e nunca mais foi vísto mas redondezas. É uma pena, é claro pois nossas conversas costumavam render boas memórias e longas reflexões. Poucos sabiam sobre sua capacidade de assumir a forma de um gato preto e sumir na noite quando lhe convinha. Aqueles que tiveram o prazer de desfrutar de sua companhia sentem sua falta tanto quanto eu.
As vezes tenho notícias de sua vida em forma humanóide. Parece que agora ele vive em companhia de um velho bruxo que abandonou as práticas para se tornar um homem das armas.
Me recordo ainda de muitos conselhos do velho Bob. Sua experiência e visão de mundo fizeram com que ele se tornasse aquela pessoa que sempre parece saber o que dizer. E é sempre uma honra quando ele se interessa pelos acontecimentos mundanos na vida de uma ex monarca e seu castelo em ruínas.
[ORIGINAL - ONESHOT] O fim de semana
[ORIGINAL – ONESHOT] O fim de semana
Este aqui é um bem antigo. Mais ou menos de 2008. Então está tudo diferente. Acredito que tenha sido escrito quando fui pra casa que meu avô tem em um distrito de uma cidade aqui perto. Classificação: 12 anos Gênero: Adolescente, viagem, yuri. Sinopse: Jovem vai passar o final de semana na casa da avó, e tem um encontro inesperado. Continue reading
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