- Merlin! Que isso, Lils? –se vira para a amiga que a encarava com os braços cruzados-
- Estou a séculos falando aqui e você nem deve estar me ouvindo –puxa o livro das mão da menina e a olha cética- Vá falar com ele, Doe. Convide-o para ir a Hogsmeade no próximo fim de semana.
- Ele? Hum, não sei do que está falando –a loira finge-se de desentendida mas as bochechas coradas a entregam-
- Ah não? Então vai negar para sua melhor amiga que estava olhando Remus Lu-a menina sente a boca ser tampada pela mão da loira a interrompendo de falar-
- Lily! Ele pode te escutar –diz exasperada e fazendo sinal de silêncio-
- Chame-o para sair, ele é nosso amigo à anos, Doe. Você sabe que Remus não recusaria –diz a ruiva rindo-
- Ele não recusaria justamente por ser nosso amigo e gentil demais para isso –passa o olhar para o menino algumas mesas de distância- Não porque se interessa.
- Não seja boba, Dorcas! Eu acho que se ele não fosse tão envergonhado já teria te convidado –diz Lily mexendo as sobrancelhas-
- Acho que não – a menina deita a cabeça nos braços apoiados na mesa mas antes de terminar de falar James e Sirius se sentam na mesa delas-
- Oi Doe, oi Pimenta –diz Sirius animado e meio alto, tendo como resposta um olhar feio dos alunos da mesa ao lado-
- Olá meu lírio –James diz passando um braço pelos ombros de Lily, que o empurra bruscamente-
- Sai Potter –resmunga e se vira para a amiga- Nos falamos depois, hun? Não pense que vai fugir de mim –pega o rolo de pergaminho que estava na mesa e segue para fora da biblioteca-
- Lá vamos nós –diz James no tom de riso- E nem você vai fugir de mim, ruiva -se levanta e vai atrás dela-
- Esses dois ainda se casam, realmente –Sirius diz entre risadas mas franze a testa ao ver Dorcas tão desanimada- Que foi, loirinha? O que te chateia?
- Sou a pessoa menos excitante e atraente do planeta –diz monotonamente mexendo nas penas em seu estojo-
- Quem disse isso? Fala quem foi o otário e eu dou um jeito –diz o menino-
- Não preciso que me digam, Sirius –resmunga olhando rapidamente para umas mesas a frente- Em seis anos quando foi que um de vocês olhou para mim com desejo?
- Ah Doe, você é nossa irmãzinha –estica o braço pela mesa e aperta o nariz dela- Você é adorável e linda, sabe disso.
- É, adorável e linda. Bem melhor que uma…vadia oferecida –murmura antes de pegar todos seus pertences e se levantar bruscamente pisando duro até fora da biblioteca, deixando Sirius confuso. Mas a confusão passa quando ele se vira e vê, em uma mesa próxima, o amigo Remus e Emeline Vance, que se inclinava sobre os livros dele mexendo em sua gravata-
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- Que isso? Alguma reunião que esqueceram de me avisar? –franze a testa colocando os livros no malão-
- Vance, hun? –pergunta Sirius mexendo as sobrancelhas- Já pegou?
- Você sabe o que dizem, não é? Armários de vassouras são os lugares favoritos dela –James completa-
- Se eu…espera o que? – pergunta confuso olhando para os amigos-
- Ele não pegou –conclui James decepcionado-
- Ele é um tapado mesmo –diz Sirius negando com a cabeça-
- Ei! “Ele” ainda está aqui, ok? –resmunga o loiro também se sentando na cama- Emeline é uma garota muito bonita, mas não vai acontecer. Não dá para imaginar a gente.
- Ok, vamos ás correções: primeiro, Remus, ela não é “uma garota bonita” ela é gostosa -diz Sirius, frisando a última palavra-
- E segundo, ela praticamente saliva toda vez que te vê, Moony. –James da um tapinha no ombro do amigo-
- Achei que ela fosse gentil assim com todo mundo –dá de ombros- De qualquer forma, ela não procura um relacionamentos. E sendo sincero, nem eu. Vocês sabem…eu não posso.
-Ninguém falou em relacionamento –o de óculos exclama- Estamos só falando de amassos em algum dos armários do terceiro andar.
- Seu probleminha peludo não é um problema, já dissemos isso. Mas se procura alguém gentil para relacionamentos essa é a Dorcas – Sirius diz cutucando as costelas do amigo com o cotovelo-
-Dorcas? Você enlouqueceu, Padfoot? –exclama o loiro como se fosse algo absurdo- Você sabe que eu nunca me envolveria com ela.
- Ah, Remus! Nem vem, nós sabemos que você é caidinho pela loira –James diz no tom de riso-
- É. Mas eu nunca tentaria algo –ele passa uma mão pelo rosto impacientemente- Vocês não entenderiam…Dorcas espera um príncipe encantado, e eu definitivamente estou longe disso.
- Não se diminua desse jeito, dude –Sirius bagunça os cabelos do amigo- Se não estivesse ocupado tendo pena de si mesmo você veria o quanto ela gosta de você, acho que você devia arriscar.
- Acho que devia contar a verdade a ela… –sugere James-
- Ah é? O que acham que eu devia fazer? Falar “Oi Doe, como vai? Então, eu sou um lobisomem que posso te matar na lua cheia, mas eai? Quer sair comigo esse fim de semana?” -diz sarcasticamente-
- É, isso mesmo que eu acho que deveria fazer –uma voz feminina se faz presente no quarto atraindo todos os olhares arregalados para a porta-
- Merlin! Que susto Lily! –exclama Sirius se jogando de costas na cama, suspirando-
- Realmente, por um segundo achei que fosse a Dorcas –depois de se recuperar do susto, James ri-
- Lily, você não pode estar falando sério. Você é amiga dela, tem que querer o melhor para Doe, e sabendo minhas condições sabe que posso machuca-la –Remus murmura, recuperando a cor do rosto depois do susto-
- Você já está machucando –Lily o encara séria, cruzando os braços- Ela está no comunal quase se afogando em lágrimas agora porque ouviu algo como “Dorcas? Eu nunca me envolveria com ela” –força uma voz para ficar parecida com a dele-
- Merda, acho que a gente tem que começar a usar feitiços para impedir as pessoas de nos ouvir quando formos conversar coisas importantes –murmura James para Sirius baixinho-
- O que? Não, não, ela entendeu errado! Não foi o que eu quis dizer…Merlin, ela não podia ter ouvido isso –diz andando de um lado para o outro meio exasperado-
- Mas ouviu –retruca o amigo voltando a se sentar na cama- E ao invés de estar aqui falando isso para nós, você devia estar lá embaixo se explicando para ela.
- Vá logo e garanta seus amassos no armário de vassoura –brinca James mas logo é acertado por uma almofada-
- Remus Lupin, vá logo –a ruiva aponta para porta- ou eu nunca vou te perdoar por fazer minha melhor amiga chorar.
Sem mais esperar, o rapaz se dirige para fora do quarto indo até as escadas. Descendo cada degrau mais devagar que o último sentindo a coragem se esvaindo e temendo a rejeição. Foi quando chegou no penúltimo degrau que ouviu…
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- Não sei porque esperava algo diferente. Era óbvio que ele nunca se interessaria por mim – murmura Doe entre lágrimas-
- Ah, você deve ter entendido errado. Qualquer um adoraria sair com você –Marlene faz carinho nas madeixas loiras da amiga- Quem resiste a esses olhos azuis? Se eu não tivesse certeza da minha sexualidade eu me apaixonaria por você, sério.
- Lene, brincadeiras à parte…seja sincera, é claro que ele nunca sentiria algo além de carinho de amigos por mim –mesmo sem querer ela ri das palavras da morena-
- Jura? Por que tem tanta certeza? –arqueia as sobrancelhas para ela-
-Não sou inteligente como a Lily, não sou bonita como você, nem tão legal como a Alice e muito menos engraçada como a Mary –a menina se senta e enumera nos dedos-
- Ahn…Doe? –Marlene morde o lábio desviando o olhar para algo além da menina-
- Não! Me deixe terminar –a pequena prossegue secando umas lágrimas teimosas que ainda teimavam em cair- Eu sou a pessoa mais desastrada do universo! Minha vó fala que eu sou o desastre em pessoa, Marlene.
- Dorcas? –ela tenta fazer a menina parar de falar mas em vão porque a loira a ignora-
- Remus nunca olharia para mim como Sirius olha para você porquê…porque não sou Emeline Vance –sente o rosto esquentar pela raiva- Ela quase tira a roupa quando o vê! Marlene! Eu não conseguiria ser sensual daquele jeito nem se minha vida dependesse disso. Eu já perdi a conta das vezes que vi garotos virando as cadeiras para vê-la passar, isso é concorrência desleal, sabia? –exclama exageradamente e fica de pé, apontando para o próprio joelho- Ta vendo isso? Eu tô usando um curativo da Branca de Neve! Marlene, da Branca de Neve! E o pior ainda nem contei, eu tô usando isso porque eu tropecei nos meus próprio cadarços essa manhã. Eu sou…
- Maravilhosa –uma voz firme vinda das escadas a interrompe-
- Não! Uma piada, eu sou uma piada –ela rebate se virando para ele, mas estava tão brava que não percebe de primeira. Mas depois de ver Marlene segurando a risada a loira arregala os olhos e se vira para Remus, agora sim notando sua presença- Ah Merlin…
- Eu tentei te avisar, mas você não calava a boca, Doe –a amiga se levanta rindo e vai até o rapaz- Essa é minha deixa, manda a ver Lupin – sobe as escadas correndo os deixando sozinhos-
- Vo-você está ai a muito tempo? –gagueja ainda o encarando com as bochechas coradas- Porque se está, olha, a gente ignora tudo isso e você finge que nunca ouviu o que eu disse.
- Dorcas, eu falo sério, você é maravilhosa –diz o menino se sentando no sofá- Nunca ouvi tanta besteira como as que disse agora
- Ah Remus, por favor. Eu não preciso de um picolé –murmura e se senta no sofá também, ainda que afastada dele-
- Doe, eu…-ele se interrompe e franze a testa, a olhando confuso- De um o que?
- Um picolé –Dorcas repete como se isso explicasse tudo, mas ao ver a expressão confusa no rosto dele ela suspira e volta a falar- Algo doce que se dá para alguém quando estamos com pena, mas que acaba rápido. Quero dizer que não precisa me dizer coisas bonitas só pelo que ouviu.
- Isso não é um…picolé –ri brevemente da explicação dela e de si mesmo por estar usando a expressão- E não estou com pena, estou sendo sincero. Mas quero te explicar tudo, tudo mesmo. Você entendeu errado quando me ouviu dizer aquilo…
- Ah, por favor não se preocupe –ela de ombros- não precisa me explicar nada.
- Preciso sim, já adiei isso por tempo demais –morde o interior das bochechas nervosamente- Tem um motivo para eu passar noites sem dormir, tendo pesadelos. Ou noites com insônia, sem o motivo ser ansiedade. E também um motivo pra eu sumir certas noites do mês -faz uma pausa, tentando conseguir coragem- É que eu… eu tenho licantropia, Doe, eu… todo mês eu tenho que tomar uma poção que me faz me acalmar, que me faz não sair atacando todo mundo –cobre o rosto com as mão- Por isso não tentaria nada, eu não quero correr o risco de te machucar.
- Hum…ok –a menina diz simplesmente-
- Ok? –levanta o rosto a encarando exasperado- Dorcas, você ouviu o que eu disse?
- Eu amo Remus Lupin, do jeito que ele é –diz envergonhada, olhando para os próprios pés- E se ser um lobisomem faz você ser o que é, eu te amo do mesmo jeito.
- Você não pode ser real, Dorcas –ele murmurra e escorrega no sofá até estar sentado perto o suficiente para puxar o rosto dela delicadamente pelo queixo e juntar seus lábios-