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Dicotomia
Um grito silencioso de socorro escorrendo pelos meus olhos. Olhos que me seguem sem entender os rios que escorrem de mim. Lágrimas de desespero, dor e cansaço. Viver em um mundo que não te aceita é ter uma sensação constante de solidão. E mesmo que tantos outros estejam na mesma situação, nós nunca nos enxergaremos. Temos medo demais para nos aventurar de novo. Foram muitos amores que nos desapontaram. Foram muitos aqueles que levaram uma parte do nosso coração.
Hoje eu me cansei e nessa noite eu vou me deitar. Vou deixar meu coração ecoar a dor de tantos momentos. Vou deixar meu amor ressoar a dor de tantos cansaços antigos. Vou deixar meu grito se unir ao de tantos outros cansados como eu.
Unidos, gritamos. Unidos, choramos. Unidos, dormimos.
Unidos, sozinhos.
Turbilhão no peito. Coração forte. Pesado. Desespero vem. Uma pontada de ansiedade.
Respiro. De onde veio tudo issO?
Sei que estou aliviada em ter te conhecido. Passei por tanto nesses últimos 6 meses e travei tantas lutas, foquei tanto em redescobrir quem eu era. Acabei te (re)descobrindo. Me dei conta de como o amor realmente é bonito e percebo o quanto, antigamente, ele era tenebroso para mim.
Eu tinha pânico de amar. Eu não entendia o que o amor era. Até, há um ano, me dissolver em cinzas e renascer. Saí das cinzas e redescobri minhas penas. Vejo-as crescendo, vermelhas e brilhantes. Testei ela algumas vezes e me sinto feliz de ver como funcionam.
Uma alegria imensa me inunda quando percebo que aprendi com o que me tornou cinza. Mas acima de tudo, estou mais feliz com o que tem me dado cor. Olhar para o lado e ter outros pássaros piando, dizendo que você é capaz de voar. Sim, hesito em testar as asas. Titubeio em me lançar no ar e me entregar ao amor.
Não quero dar-me completamente antes de saber que consigo amar sozinha. Não quero que aconteça a mesma coisa da última vez: pular do galho e perceber que as asas ainda não estavam fortes, que as penas ainda não tinham se formado e - pior - que haveria um lobo embaixo querendo me abocanhar.
Hoje estou mais certa: sei que minha hora de voar chega. E o coração acelera e pesa a ansiedade. Sinto um leve desespero, por que lembro do lobo.
Respiro.
Não preciso mais disso: sei o meu valor. Vou voar. Vou me lançar no ar e mergulhar no amor. E dessa vez saberei o limite, por que já me conheço. Melhor: já me amo.
Perdida
Às vezes queria que fosse mais fácil existir. Na verdade, queria que fosse mais fácil de sentir. Melhor ainda: que lidar com os próprios sentimentos fosse algo menos doloroso. Sentir ansiedade e medo constantemente não deveria ser normal. Dói sentir tanto medo e ter tanta ansiedade e não saber lidar bem com elas. Tudo ao seu redor, mesmo que leve, se torna um fardo. Ter a mais simples conversa torna-se uma discussão. Uma discussão que seria fácil de se sair, torna-se uma briga. A briga se sustenta.
A vontade de falar com os outros, dar a própria. Medo da rejeição. Medo de ser grosso. Medo de ser excessivamente impaciente. Medo de fazer as coisas errado. Ansiedade. Medir cada palavra e ainda assim dizer as piores coisas que poderiam ser ditas. E você passa a sentir ódio de si por achar que não está fazendo o seu melhor. Mas você percebe a quantidade de energia que gasta se esforçando. Só você sabe como algumas coisas te consomem e ainda assim, você se convence que nada é suficiente.
Você se esforça cada vez mais. O prêmio, a aceitação, o alívio estão logo ali. Tão perto. Por um triz você erra uma palavra. Voltamos à estaca zero. Tudo errado. Tudo ruim. Não sei como terminar esse texto talvez por que essa sensação nunca tem fim pra mim.
Quem sabe, eu consiga dar um encerramento melhor pra esse tipo de coisa que eu passo. Mas até lá, bem... Há um longo caminho.
Me irl
you make the rules
Gratidão
Bem, acho que tenho que parar de vir aqui tão tarde. Mas fazer o que? Acho que essa é a única hora na qual eu tenho mais calma para sentar aqui e escrever.
Hoje me sinto grata pela vida que tenho. Meus parentes próximos estão vivos e me acertei da briga. Às vezes é preciso saber ser austero e impor-se. Em outras, é preciso saber ceder.
Também me sinto grata por ter tido a oportunidade de estudar. De ter acesso a um sistema de saúde, ter luz, água tratada, uma cama para dormir e um teto para me cobrir.
Sei que tudo isso é clichê. E talvez seja mesmo. Mas vivo em um país em a desigualdade é imensa e ter acesso a tudo isso que eu falei é privilégio. Ter uma família que você ama (e te ama de volta) e com a qual você se relaciona bem, apesar dos altos e baixos, é raridade.
Reclamo que tenho amigos mas admito que não tenho sido a melhor amiga nesses últimos meses. Especialmente por que tenho sido ingrata e incoerente com muito do que penso. Acho que fico esperando as pessoas virem até mim e nunca as procuro. É uma coisa que tenho pensado muito sobre e tentado mudar.
De qualquer maneira, não quero me alongar muito no meu pensamento. Acho que nunca vou quero me expor tanto assim (apesar de já estar me expondo bastante).
Tente achar uma razão para ser grato hoje. Apesar de não parecer, sempre há um motivo para gratidão. Uma razão simples que seja, você vai achar um motivo que te faz querer continuar.
Vai ficar tudo certo.
Crédito: https://br.pinterest.com/pin/65443000820364397/
Invisível
Hoje eu precisava escrever. Em tese eu precisaria todo dia mas tenho me perdido no turbilhão de pensamentos passam por mim. Quando me dou conta, já é noite e tenho que ir dormir. Nem em meus sonhos os pensamentos param. Eles sempre me perseguem. A única maneira de organiza-los é parando um pouco e escrevendo por que preciso coloca-los em ordem no texto.
Às vezes tenho tantas ideias de como organizar esse texto. Ideias vem e vão. Passam mais rápido que um foguete. Me perco. Já me perdi. E não sei mais por que estou escrevendo. Volto no início e lembrei! Queria apenas desabafar e dizer como os dias tem sido difíceis.
Paro.
Respiro.
Penso.
Talvez nem tudo esteja tão complicado assim. Sim, briguei com alguém família. É, ainda tenho medo do meu ex abusivo. Acho que sou invisível para os meus amigos. Acabei a faculdade e ainda não consegui emprego. Estou entediada, sem saber mais o que fazer. E levo tudo isso comigo.
E me pergunto: será que essas angústias são normais? Será que é normal achar-se tão incapaz nesse mundo imenso? Por que, né, somos tão pequenos..
E eu não tenho resposta. E eu não sei com quem conversar por que o mundo não para para pessoas como eu. E sei que somos muitos. Sei que existem pessoas cheias de angústias. Mas ficamos tão bons em discarça-las e em ignora-las que a nossa vida finda:
Eternamente agonizando. Um aperto sem fim no peito. Precisando de um abraço, lágrimas escorrendo e passando pelo sorriso triste no rosto.Todos nos olham (não nos olhos) e apenas a ignorância nos enxerga.
A eternidade de uma tristeza invisível.
Créditos da imagem: https://weheartit.com/entry/315756214
Olá! Como vai?
Não sei bem como você chegou ao meu novo blog mas seja bem vindx :)
Meu nome é Luana.
Há muito tive um tumblr (http://dragaocidental.tumblr.com) mas acabei perdendo a senha dele (pois é #facepalm) e migrei para o blogger. Eu já estava insatisfeita com essa última plataforma há um tempo (e, somado ao fato de que gosto MUITO mais do Tumblr), decidi voltar!
De qualquer forma, não quero me alongar muito. Creio que contar histórias é algo importante. Mas, além disso, ser capaz de apoderar-se da própria história e conta-la é algo magnífico. Melhor que isso é quando pessoas com histórias semelhantes se encontram e têm a possibilidade de trocar experiências.
Vou deixar algumas histórias minhas aqui. Algumas vezes elas virão em forma de prosa, poesia, foto ou vídeo (lembre-se que há muitas maneiras de se narrar um conto). Espero que elas possam enriquecer todos aqueles que passam por aqui, pois a minha própria vida mudou depois que passei a entender a história dos outros. Mas isso é um post para outro dia.
Bem vindx! Sinta-se à vontade e apague a luz quando sair...