I need another second to myself / letter to Antonin Dolohov
Você deve estar estranhando o fato dessa carta está voltando no mesmo dia e pela mesma coruja, principalmente o fato de que ela vai chegar em suas mãos ainda hoje, isso claro se essa sua coruja velha der conta do serviço duas vezes.
Preciso dizer que estou por perto, na verdade, nunca estive longe de fato. No primeiro momento aparatei para longe, mas a fuga foi algo completamente impulsivo. Eu não tinha planejado aquilo, Antonin. Eu só não queria levar aquele casamento adiante, não queria nos prender naquele laço que é tão importante para tantas pessoas, mas que nunca significou nada para mim. Sei que meu avô deve ter ficado extremamente bravo comigo, assim como meu pai que deve ter ficado decepcionado e minha mãe...Sinceramente não sei o que ela deve ter sentido naquele momento, provavelmente vergonha pela filha ter feito o mesmo que a tia, só que ainda pior.
Eu não podia fazer aquilo, nunca pude. Desde o inicio do nosso noivado eu me arrependi de ter me colocado nessa situação, mas você sabe que fazer as coisas para agradar nossas famílias sempre foi algo que nós colocamos em primeiro lugar e parecia tão melhor me ver noiva de você do que de qualquer outro, até porque só você entenderia caso eu te abandonasse no altar e nem moveria um dedo para ir atrás de mim. O que de fato você fez.
Mas a decisão de fugir foi tomada alguns minutos antes de entrar, quando já estava vestida de noiva e pude me encarar no espelho com aquele longo vestido que não combinava em nada comigo. Foi quando finalmente caiu a ficha de que se eu seguisse aquilo, seria pra sempre como a minha mãe. Alguém que segue todas as tradições, alguém que se casou apenas por obrigação, ainda que agora ela talvez nutra sentimentos pelo pai. Mas a questão nem é a de se casar com alguém que não se ama, você sabe que nunca foi dessas que acredita no amor. É só que não nasci para andar conforme as regras são ditadas, eu preciso da minha liberdade, tomar minhas próprias decisões, ainda que sejam todas erradas. E eu conseguia isso quando estava em Hogwarts, quando vivia uma vida dupla. Só que com a formatura e o casamento, eu viveria presa em uma mansão tomando chá com as outras esposas enquanto te esperava voltar do serviço ou de alguma missão. Você consegue me imaginar fazendo algo do tipo?
Eu fico feliz que você consiga me entender e que acreditava que eu nunca levaria esse casamento a adiante. E bom, eu acabei retornando ao Reino Unido no mesmo dia. Não posso correr o risco de te passar o endereço, mas acredito poderíamos nos encontrar qualquer dia desses para conversar. Sinto sua falta e tenho ficado bem solitária nesse tempo, quer dizer, eu não estou de fato sozinha, mas é que não é a mesma coisa. É tudo muito diferente.
Entendo que você tenha começado sua iniciação e eu fico orgulhosa por você ainda continuar nessa de seguir os passos de seus pais. Eu queria poder ser assim, queria conseguir me ver no futuro que eles planejaram pra mim. Confesso que odeio a ideia de estar afastada deles, a loucura daquela família sempre foi algo que me agradou mesmo que eu tivesse que agir de uma forma diferente de como eu realmente era. Quanto a Harriet, infelizmente não havia outro jeito de acabar essa história. As coisas são muito mais perigosas quando você decide decepcionar seus pais, mas no meu caso sou apenas eu, não tenho que me preocupar com a vida de outra pessoa. Já você, sei que não se perdoaria caso acontecesse algo com ela por sua culpa. Espero que você se saía bem nessa sua decisão meio torta de seguir alguém tão influente e poderoso. Quanto a mim, estou usando esse tempo para pensar no que fazer da minha vida daqui pra frente. Refletindo sobre algumas decisões que precisam ser tomadas e principalmente deixando que a vida me leve.
PS: A lista de feitiços foi realmente muito útil, obrigada. E espero que possamos nos encontrar em breve, sinto sua falta.
M.F. D. (Deustch, never Dolohov)