Depois de passar mais tempo na Ilha do que em sua cidade natal, Hope era mais acostumada aos costumes de Hécate do que aos de Chicago. Juntando isso, ao fato de que ela sempre fora naturalmente atraída por qualquer possibilidade de fugir da rotina de treinos e dietas rígidas -não a leve a mal, ela ama os treinos e tudo que o Instituto oferece, mas ela ama ainda mais uma boa festa-, Hope era uma das pessoas mais animadas para qualquer dos festivais de estações.
O de Perséfone não era exceção. Do jeito que estava vestida, sentia-se uma deusa. Depois de dois ou três copos de ponche de frutas, Hope tinha uma leveza no corpo que nunca teria em dias normais, apesar de ainda estar perfeitamente sóbria. Seu festival só não estava perfeito porque ainda não conseguira encontrar Mads. Considerando que moravam no mesmo dormitório, normalmente iam juntos para os eventos. Naquele dia, porém, Hope saíra na frente e depois se arrependera de não esperar que Mads terminasse seja lá o que estivesse fazendo.
Como diabos ela passou 13 anos fingindo que não estava apaixonada por ele era um mistério, nesse ponto. Estava a pouco tempo no festival sozinha e já estava pensando em como seria ainda mais divertido se Mads estivesse lá. Olhando para trás agora, mesmo quando ambos estavam namorando pessoas diferentes, Hope e Mads eram uma dupla impossível de se desfazer.
Já estava acostumada com as viagens nas sombras de Mads, mas se assustou mesmo assim quando o viu aparecer a seu lado. “Estava me perguntando quando diabos você ia aparecer.” respondeu em um tom divertido e esticou-se para dar-lhe um selinho rápido. “Hm… Ok, péssimas palavras para dizer a uma pessoa ansiosa então espero que não me deixe esperando.” reclamou, mas ainda tinha o tom leve e sorriu para ele, segurando sua mão para que ele os levasse para onde quer que fosse.
Talvez, dizer que ele estava nervoso fosse um eufemismo. E esse tipo de pensamento ocorria com frequência para Matthias. Mas era óbvio que ele estava nervoso, naquele momento ele nem mesmo tinha a segurança da convenção tradicional para o assegurá-lo que ele estava certo. Ele só tinha o que ele queria fazer naquele momento e o que ele achava que era o mais certo. Afinal, a situação dos dois apesar de aparentar convencional, não era o suficiente para deixá-lo seguro no que faria. Seguro que a resposta que teria era a resposta que desejava com todas as suas forças.
O sorriso apareceu facilmente em seus lábios com o cumprimento de Hope, mas ele não podia se distrair demais ou acabaria fazendo o mesmo de alguns dias atrás e simplesmente deixaria o momento escapar entre seus dedos facilmente assim. Deu um passo para trás assim que estava com a mão de Hope na sua. Um passo para entrar nas sombras, um passo para passar por elas, um passo para sair. Sempre dessa forma. E somente com os três passos conseguiria ir de um ponto a outro de uma forma tão parecida com as descrições de teletransporte.
Levou-os para outra parte do jardim, ainda que não isolada, mais fechada, onde ele de fato poderia enxergar direito por lá ao invés de ter que assumir mais do que já fazia no momento. Ele respirou fundo para tentar acalmar os ânimos com o que ele estava fazendo. Ele entendia que a lógica gritava que essa não era a ordem certa para fazer as coisas, mas ele acreditava que naquele momento em específico a lógica podia se esquecer dos dois.
"Isso pode ser algo que pareça estar pulando muitos passos, ou colocando os bois na frente do carro, mas..." pausou, tirou do bolso da calça a caixa com o anel "É a única coisa que realmente parece certa depois de tantos anos, depois de tudo que passamos... Depois do fim do ano passado? Eu não ousaria perder mais um segundo sequer depois daquelas semanas, foi honestamente os piores momentos da minha vida e eu acho que você não entendeu o quanto apenas saber que você estava viva havia me tornado mais feliz, mesmo que ainda não estivesse completamente de volta para casa. Então talvez seja loucura nem mesmo querer gastar nosso tempo futuro com um namoro, mas loucura para mim é passar qualquer segundo a mais sem admitir que eu estou completamente compromissado a você, e sou cem por cento sério sobre nós dois. E eu quero isso como prova." Colocou a caixa nas mãos de Hope e as segurou por uns segundos comprimindo os lábios para se dar um momento para conseguir, finalmente, fazer a pergunta: "Hope Esmeralda Arcet Bertinelli, você me faria a pessoa mais feliz do mundo e aceitaria se casar comigo?"