mael. 30 anos. ex-ginasta profissional. medalhista olímpico. pai. atual — e recem contratado — treinador da equipe de ginástica artística.
Sua paixão pela ginástica artística vem desde a infância, seus pais não aprovavam sua escolha de hobbie, tentaram chamar sua atenção para outros esportes como futebol e vôlei, mas Mael tinha aulas escondido, a babá achava adorável o pequeno ruivinho ter escolhido algo para amar tão cedo. Quando ganhou a primeira competição, seus pais notaram que Mael tinha realmente um talento para o esporte. Passou a ter aulas oficiais e um treinamento mais acirrado; seus pais são figuras públicas então cada vez que o filho representava a escola que estudava — e ganhava o primeiro lugar — era um impulso a mais na carreira dos adultos.
Mael notou cedo que os pais não estavam interessados em seu esporte, mas sim no retorno que isso dava para eles; o ruivo não se importava, desde que não impedissem seu sonho, estava tranquilo. Sua vida girava em torno da ginástica artística, competir nas olimpíadas era o seu foco. As competições locais, Mael tornou-se um nome recorrente e que todos temiam; não foi uma surpresa quando passou a competir profissionalmente e em seguida, classificou-se para as olimpíadas. Mael voltou com algumas medalhas de ouro e de prata, mais sedento por competição do que nunca.
As competições continuaram a fazer parte de sua vida mesmo quando percebeu que quase todos que conheciam formavam famílias... e ele não. A ginástica era sua vida, apenas isso. No fundo, lhe incomodava, mas também não fazia nada para mudar. Bem, exceto quando envolveu-se com uma colega de trabalho. Não deveria ter acontecido, o romance não existia, deveria ser apenas uma conexão de uma noite. Mas a consequência disso gerou uma criança. A mulher não queria desistir da carreira, nem mesmo dar uma pausa para cuidar do bebê, então, assim que a menininha nasceu, Mael conseguiu por completo a guarda da criança. E os olhinhos verdes lhe conquistaram, as competições já não tinham mais o mesmo sentido.
O primeiro ano com Seline foi árduo, foi também o primeiro que passava longe das competições. A filha era o ponto mais importante em sua vida agora, mesmo que não tivesse sido algo planejado. Notando o quão acomodado Mael ficava, sua irmã lhe forçou a arrumar um emprego na mesma universidade que ela mencionava como professora de Antropologia. Mael, por sua vez, tornava-se, pela primeira vez, um treinador. Estava de volta a fazer o que amava, mesmo que fosse apenas na parte técnica. Não tinha mais intenções de voltar a competir, um ano parado lhe mostrou que não estava aproveitando a vida da maneira que deveria; só trabalhar não rendia mais a mesma felicidade. Na universidade, porém, espera que ao menos consiga encontrar a alegria no esporte que tanto ama.














