mmcknnon:
“O problema é que eu estava tentando não ser insensível. E eu sou, está tudo bem por mim quanto a isso. Mas a situação toda já não me deixava mais parcial. E você, Mahalia, transformou tudo pessoal para eu não conseguir trazer a normalidade de volta. Eu não consigo não me importar.” Marlus falou frustrado e nem se reconhecendo direito por estar se abrindo daquela maneira para a garota. Porém, a medida que ela também baixava as suas guardas, ele também vacilava. Porque ele estava mexido demais com a situação para continuar se restringindo. E Marlus Mckinnon estava quase perdendo a cabeça por se importar demais com ela.
O rapaz escutava cada palavra atentamente. A situação lhe parecia tão estranha, Mahalia estar se revelando daquele jeito. Embora seus impulsos tentassem lhe afastar de qualquer envolvimento pessoal demais, ele não tinha forças para ir para longe. Marlus parecia grudado ao chão e tudo que fazia era olhar da forma mais intensa possível para morena. Ele mesmo estava pisando num terreno desconhecido e assustador para si. Havia tantas outras dificuldades quando se tratava dela devido a família da qual fazia parte e seu papel forçado na sociedade. E mesmo ele sabendo onde estava se metendo, nem um momento quis voltar atrás.
“Você não é…” Começou tentando desembaralhar seus pensamentos. Seu jeito lhe instigava para se manter longe, mas aquela ardência no peito desconhecido era mais forte e puxava para perto da garota fortemente. “…a única que está passando por um território tortuoso e desconhecido. Eu não tinha ideia de como alguém fosse capaz de tomar minha mente e me fazer ser empenhado a encontrar qualquer motivo para conseguir estar perto. Mas sua família, seu noivo ou qualquer outro fator que te aterrorize, não me espanta. Eu pouco me importo com eles. A única coisa que me assusta, realmente,…” Marlus não conseguia ir muito além das palavras ditas. Ele puxou ar e passou as mãos frustadamente pelos seus cabelos castanhos.
Murmurou algum palavrão antes de puxar a garota pela mão e a empurrar para dentro da sala mais perto que tinha. O corredor estava pouco movimento e ninguém havia visto sua atitude. Ele também pouco se importava. Marlus a encostou na parede e atacou seus lábios com ferocidade. Suas mãos estavam em sua nuca enroscando-se com os cabelos escuros dela. “Eu quero você.” Falou numa voz rouca. “Mas eu não posso oferecer mais do que isso. Porque eu bem conheço você e percebi que não é de passar por cima de sua família. O que eu posso te oferecer é: enquanto você continuar a me querer perto, eu não vou me importar a gastar esforços para permanecer.” Essa declaração, possivelmente, iria lhe preocupar no futuro, de estar pela primeira vez se comprometendo e poderia até se justificar pelo calor do momento. Porém, tudo que estava dizendo era verdadeiro.
“Eu entendo. No entanto, a sua tentativa de não ser insensível foi pior do que se... Eu poderia ter aguentado suas piadas, mas seu silêncio foi sufocante. Então se importe! Simplesmente se importe. Eu mesma estou me importando mais do que gostaria, isso me assusta, mas não consigo controlar.” Seu tom de voz se elevou um pouco. Não porque estava irritada ou apenas querendo chamar a atenção em um de seus momentos de birra, mas porque estava totalmente frustrada e se sentindo desprotegida naquele momento. Estava se expondo de uma forma que nunca fizera, e sabia que não poderia voltar atrás. “Bem, não tenho certeza se saber que não estou sozinha nessa história seja reconfortante, afinal, isso demonstra o quanto deixamos isso tudo ultrapassar qualquer controle.” Ela suspirou de forma pesada, uma onda pesada recaindo sobre suas costas, ameaçando lhe engolir enquanto se lembrava de quantas coisas estavam sendo tiradas de seu alcance pelo simples fato de ela ter nascido em uma família purista e tradicional. Nunca sentira tanto ódio por aquilo tudo como naquele momento.
“O que te assusta, Marlus?” Questionou, então, porque o silêncio dele despertara sua curiosidade. Queria que ele continuasse falando, queria que as palavras dele afastassem os pensamentos que a assombravam.
Entretanto, antes que pudesse obter uma resposta, sentiu seu corpo ser puxado e então guiado para dentro de uma das salas vazias perto de onde eles estiveram parados no corredor. Em qualquer outro dia, teria se importado com a possibilidade de alguém tê-los visto, mas agora não, ela só tinha sua atenção voltada para Marlus e para o beijo intenso que estavam trocando enquanto seu corpo se apoiava contra a parede de pedra fria e as mãos do garoto se enroscavam nos fios de seu cabelo.
Quando se afastaram, apenas por poucos centímetros, apenas para conseguirem recuperar o fôlego que escapara completamente de seus pulmões, seus olhos se focaram aos dele, e então ela retrucou, com a determinação pela qual era conhecida: “Não faça isso, não me coloque nessa posição delicada. Eu estou perdida sobre o que fazer a partir de agora, e não há uma forma de decidir sem que eu acabe me magoando ou então prejudicando a minha família. Só tenho duas opções, e uma delas é para a qual eu estou inclinada quase que totalmente a escolher, mas quando você fala dessa maneira, eu me pergunto se vale a pena arriscar tudo, se vale a pena jogar os planos dos meus pais para o alto e simplesmente... Você me quer. E eu quero você tanto quanto. Não acha que está na hora de deixar certas convicções de lado e ir atrás do que queremos?”











