Parei de escrever quando começamos a namorar, parece que tudo voava, o tempo era pouco, não poderia gastá-lo com fantasias. E agora, cinco anos depois, eu perdi o rumo, não sei mais nem ortografia, sintaxe ou onde foi parar minha razão. Eu fui sugado pelo furacão que você se tornou, sou só destroços: um bêbado trêmulo que precisa de ajuda para achar a própria dignidade perdida entre o passado e o presente. Piedade, por favor. Já faz um tempo que só sei implorar por humilhações. Piedade, eu juro. A dor de finalmente entender os escritores que só falam de amor, a mágoa de não ter percebido os sinais que se aproximavam e se distanciam numa mesma tangente, as lembranças de um sexo que poderia ter durado mais. Se eu soubesse, ah, se eu falasse mais, eu só escutei o nosso choro ser parido e já nasceu morto. É só um corpo. Alma mesmo, bem, não resta mais.
manietado









