Torcedores do Fortaleza torcendo na Série A, torcedores do Ceará na Série C. Tudo isso em 2010. Mas, como assim? Ora, acontece, toda rodada, acontece.
Ser torcedor não é, pois, torcer pelo seu time e secar o rival? Pelo menos é assim com a maioria. Nada de querer ver o rival bem para poderem disputar no mais alto patamar. ‘Isso não existe’, diriam 90% dos torcedores.
Há exceções, claro. Tem torcedor do Ceará que gostaria de ver o Clássico Rei na Série A, assim como há tricolores que não querem o rebaixamento do Vovô, somente que seu clube reergua-se, voltando à Série A.
É assim que, torcendo e secando, tricolores e alvinegros disputam, ou disputaram, a primeira e a terceira divisão esse ano. A cada rodada, tricolores torcem pelo adversário alvinegro. Da mesma forma, alvinegros vibraram a cada gol do Águia, do Paysandu...
A diferença é que, nesses casos, a invés de torcer a favor de um time, a regra é torcer contra um time, independentemente do adversário.
Errado? Talvez. “Devemos valorizar os times da nossa terra”, dirão alguns. Mas futebol e razão raramente caminham lado a lado. O ato de torcer ultrapassa qualquer razão. Torcer é ser apaixonado, é não saber nem explicar porque, mas sentir. É choro, de tristeza ou alegria.
E quem não torce, não sabe, não entende. Quem torce, ama, sofre, vibra. Esquece os problemas do dia-a-dia, pelo menos por 90 minutos. É esse fator, somado ao fato do futebol adorar derrubar favoritos, o grande atrativo. Amar, vibrar. Torcer.