Castlevania 2: Lord's of Shadow
~ Cena inicial do jogo
Ato I : O Príncipe das Trevas
As paredes frias e cinzas compunham a “sala do trono”, poeira e teias de aranha cobriam os cantos e quinas dos objetos, o local era iluminado com candelabros presos as colunas que compunham uma espécie de corredor até a grande porta no fim do salão, a cor das chamas era azulada e uma espécie de névoa transbordava de seus “recipientes” interminavelmente assim como o fogo que não tinha fim. Um tapete vermelho sujo, velho e surrado estava posicionado no corredor que as colunas faziam, guiando da porta até os degraus que levavam ao trono. Haviam dois degraus que elevavam a plataforma acima do nível do chão do salão, sobre ela e rente a parede traseira do local estava um trono feito do que parecia ser ouro, porém a poeira e ferrugem causaram a ele um aspecto mais parecido com bronze, o metal era esculpido com belas formas e feras, tendo seus braços como cabeças de serpente e na parte dos ombros dois dragões opostos, um estofamento avermelhado cobria a parte interna da grande cadeira e dois candelabros portando as mesmas chamas azuis cintilantes estavam posicionados em cada lado do trono.
Sentado no trono estava uma criatura pálida, longos cabelos negros vinham do topo de sua cabeça até se derramarem sobre seus ombros, uma barba rala cobria seu maxilar marcado e quadrado, seu ossos eram marcados causando sombras definidas sobre seu rosto, suas bochechas meio murchas e olheiras profundas e escuras, seus olhos estavam fechados com as grossas sobrancelhas negras franzidas fazendo um semi “V” que direcionava até seu nariz pontudo e esguio. Cansaço emanava daquele ler, isso era notável pela sua maneira desleixada e largada de se sentar, estando com as costas arqueadas e com sua bunda praticamente na ponta do assento, seus ombros estavam caídos e seus braços largados sobre o trono, suas pernas abertas com uma esticada e a outra dobrada indicando seu descaso. O tronco da criatura era coberto por um longo robe de couro vermelho sangue com detalhes em preto e dourado, este que estava aberto, dando assim a vista para o peito pálido e nu do ser, exibindo mais ainda seu aspecto cadavérico, sobre suas pernas estava uma calça de couro em tons de vinho, com um cinto simples a segurando no lugar e botas de couro regular sobre seus pés. Este era o ser mais perigoso do mundo, o aclamado príncipe das trevas e inimigo da humanidade, em seu total cansaço e decadência, em sua mão direita estava um cálice ornamentado feito de bronze, apesar de ele aparentemente estar dormindo o recipiente vazio não caiu de sua mão, mas isso durou pouco tempo pois logo um forte e alto estrondo ecoou pelo salão, o ranger de madeira sendo forçada era distinguível no ar e até mesmo algumas poucas vozes masculinas podiam ser ouvidas gritando algo como “Hauuuuh!!”, esses sons acordaram a fera, que agora desperta olhou diretamente para a fonte do barulho, a porta, seus olhos vermelhos sangue brilharam perante o aspecto mórbido e pálido do local, o príncipe engoliu seco e lentamente começou a se preparar para levantar. Outro estrondo ecoou, já estava claro que alguém usava um aríete para tentar ultrapassar até o salão do trono.
O príncipe agora estava de pé, seu robe alcançava exatamente a altura de seus calcanhares sem encostar no chão, sem soltar seu cálice ele começou a caminhar a passos lentos em direção a grande porta do salão, seus passos deixavam marcas na poeira que cobria o local como se estivesse pisando na neve ou areia.
Será que é este um ato dos servos de Deus? Novamente tentando me atacar e expurgar deste mundo? - Disse o príncipe em voz alta enquanto gesticulava com sua mão esquerda, um sorriso malicioso e convencido estava em seus lábios, o tom de seus olhos diminuíram lentamente do vermelho vibrante para um rubro escuro.
Quando estava a alguns metros da porta ela foi arrebentada, sendo destruídas e arrancadas do local onde estavam, ambas caíram no chão com força e peso pela grossura da madeira, o vento produzido levantou a poeira antes acumulada de todo o salão, deixando o próprio ar meio sujo. No local onde deviam estar as portas jazia um grande ariette, se comparado aos parâmetros modernos seria como um caminhão, a ponta dele era a cabeça dourada de uma cabra. Da escuridão que a passagem exibia surgiram 8 guerreiros, suas armaduras completas incluindo elmo e botas reluziam perante as chamas azuis, suas espadas estavam desembainhadas em punho, todos rapidamente correram e se posicionaram ao redor do príncipe que estava estático, exibindo seu usual sorriso debochado a todos. Suas espadas estavam apontadas para seu inimigo no centro de sua formação, estranhamente não haviam cruzes ou prata em suas armas e armaduras, eles só eram buchas de canhão sem nenhuma chance de ao menos arranhar o príncipe das trevas. O salão estava em silêncio, ninguém se atreveu a fazer um movimento de ataque, talvez os pobres soldados só tivessem sido treinados em técnicas de defesa, mas não era esse o caso, o que os impedia de atacar era o medo, medo da criatura com a qual deviam lidar sozinhos, suas espadas tremiam, era possível ouvir eles engolindo seco e o suor pingando em partes internas da armadura, alguns sussurravam coisas como “N-nós vamos conseguir, eu tenho que conseguir pela Liz..”, outros “Eu irei matar esse monstro, eu irei, eu irei..”, mas mesmo assim todos exalavam o fedor do medo, esse cheiro enchia o salão e era um deleite para os sentidos do príncipe.
Que conhecidencia oportuna, não acham? - Proclamou o Monstro, levantando a mão que carregava o cálice o mostrando a todos e fazendo questão de olhar diretamente para os olhos de cada um dos soldados pelas aberturas do elmo, e logo sua mão pendeu para frente, virando o cálice de cabeça para baixo, demonstrando que ele estava completamente vazio - Eu estou sedento por uma gota de sangue - Um sorriso sádico banhou sua face ao pronunciar tais palavras, seus caninos pontudos como da mais feroz e mortal pantera estavam a vista de todos, mostrando qual seria o destino dos pobres soldados ali .
Seu movimento seguinte não foi um avanço rápido ou um ataque mortal, a passos leves e lentos ele começou a traçar seu caminho ao soldado que parecia ser o mais corajoso, seus olhos em tom rubro focaram diretamente nos dele, transmitindo todas suas intenções assassinas tal como uma aura de morte. Em meio a desespero pelo medo extremo o corajoso soldado lançou um ataque contra o príncipe, manejando sua espada com todas as suas habilidades ganhas no treinamento, um corte na horizontal da direita para esquerda foi feito em direção ao pescoço do príncipe, a velocidade do ataque era impressionante pensando no peso da armadura e espada, porém o único som ouvido foi um “Blank”, algo como metal batendo em metal, e não era para menos pois o príncipe havia levantado sua mão, pondo o cálice em frente ao golpe e assim parando a espada de seu adversário enquanto exibia seu sorriso. Aproveitando a confusão do guerreiro, ele se moveu em uma velocidade sobrenatural para trás do guerreiro, rasgando sua garganta mesmo com a proteção da armadura no processo, o príncipe agarrou seu adversário pelo elmo, fazendo questão de deixá-lo de pé enquanto seu sangue começava a jorrar pelo rasgo em sua garganta e armadura, os olhos dele reviraram enquanto a vida fugia de seu corpo e sua espada caiu de sua mão assim que seus braços baixaram, tremendo com seus últimos espasmos enquanto seu sangue tingia as gélidas pedras e o tapete do salão. O sádico monstro fez questão de encarar seus outros sete adversários enquanto exibia seu feito de crueldade e monstruosidade, em um último ato destinado a causar ainda mais pânico ele pôs seu cálice abaixo do rasgo na armadura, lentamente enchendo o recipiente dourado com o sangue que escorria de sua vítima, ele esperou o cálice transbordar e então largou a cabeça do cadáver, deixando seu corpo cair no chão de uma maneira brusca e metálica graças a armadura, o príncipe então olhou todo aquele sangue sobre o recipiente em suas mãos, passou sua seca língua sobre os lábios e começou a virar de uma vez todo o líquido em sua garganta, engolindo rapidamente como um andarilho perdido no deserto beberia água fresca. Linhas vermelhas escorreram pelo seu queixo e então pelo seu pescoço e peito, à medida que ia bebendo seu corpo lentamente foi tomando um tom mais vivo, seu aspecto cadavérico havia desaparecido completamente em alguns poucos segundos, se tornando um homem sadio e até mesmo belo. Ele afastou o cálice de seu rosto após terminar, o arremessando bruscamente para trás, seus lábios e queixo estavam manchados de vermelho mas isso não o incomodava, então com um sorriso genuinamente alegre porém com tons de sadismo ele abriu seus braços se dirigindo aos outros soldados restantes.
E então? - Disse respirando pesadamente mesmo que seus pulmões não realmente precisem de oxigênio - Quem é o próximo?













