I brought flowers for my lover || Sam & Marge
Desde que beijou Margaery Vader, Samuel tinha arrumado um novo passa tempo Waverly Hills. Passatempo este que ele apelidou carinhosamente de “fuja da Marge custe o que custar”. Ele não estava evitando a garota simplesmente porque encostara seus lábios nos dela, e sim porque no momento ele deixou escapar uma informação comprometedora que era de interesse da menina. E se ele bem sabia, ela não daria sossego enquanto não conseguisse a resposta. E por isto ele estava fugindo, não queria ter que se explicar e… certo, o fato de terem se beijado também contribuía bastante para a fuga.
Carmichael estava se sentindo como um criminoso fugindo do FBI, ou qualquer coisa do tipo. Aquela adrenalina que ele buscou por quase um século? Finalmente tinha encontrado. Aliás, experimentou uma dose enorme de adrenalina quando viu Marge entrar no refeitório há alguns dias e teve que pular o balcão para poder fugir pela cozinha. Evitava, até mesmo, ficar em seu quarto já que Marge e Jules eram super amigos e ela podia estar no quarto a qualquer momento. Sim, uma hora ele não poderia fugir mais, porque como ela mesma disse estavam presos ali… para todo o sempre. Mas Samuel Carmichael prometera a si mesmo que fugiria enquanto pudesse.
Todavia, o garoto já estava ficando sem lugares para esconder, porque era fato que aquele lugar ali era pequeno demais para ele e Margaery. Na verdade, sempre foi, mas agora parecia menor ainda. Parecia até brincadeira, mas agora que não queria se encontrar com ela, ele a via em todo lugar. Sua única sorte era que conseguia correr rápido, e suas técnicas de camuflagem eram ótimas - pelo menos, ele pensava de tal forma.
Para diminuir as chances de esbarrar com Marge nos corredores, naquela manhã Samuel resolveu que passaria o dia fora do prédio, o espaço lá fora era grande e a possibilidade de trombar com a outra era mínima, tão mínima que estava até desconsiderando-a. Besteira, antes se tivesse ficado quietinho em seu quarto. Pois enquanto caminhava pelos jardins, o primeiro rosto que viu foi o de Marge. Sim, aquela que ele não queria ver nem pintada de ouro ou vestida de coelhinha da playboy. Simplesmente não queria vê-la, em circunstância alguma.
Então, como se tivesse um apito dentro de sua cabeça avisando que ela poderia vê-lo ali, Samuel se joga no chão em um gesto não mais que teatral. O que fez mais barulho que ele esperava quando caiu logo em cima de uma roseira e deixou alguns palavrões escaparem ao ser espetado. Antes que Margaery fizesse qualquer movimento, Carmichael apanhou algumas rosas de modo que formassem um buquê, e era assim que ele sairia dali.
Colocando o buquê que criou no desespero na frente do seu rosto, ele caminhou como se nada tivesse acontecido. Mais especificamente na direção oposta a Marge, enquanto isso, rezava para que ela apenas o ignorasse. Ou melhor, nem tivesse notado sua presença ali.
Desde que beijou Samuel Carmichael naquele desafio inesperado que ele tinha feito a ela, a vida de Margaery transformou-se em uma bagunça. A garota oscilava entre pensamentos diversos tipo: "o que foi que eu fiz, meu Deuzinho?" ou "ai, aqueles lábios desajeitados e lindos do Sam - insira suspiros aqui...". De toda forma, só pensava nele: Samuel.
A cabecinha estranha de Marge ficou ainda mais cheia depois que teve uma conversa incomum com seu pai, na qual revelou - para chamar a atenção de seu progenitor, obviamente - que tinha beijado um rapaz e Benedict, em uma ação incomum, acabou colocando-a de castigo. A princípio, a morena ficou extremamente feliz por ver aquela reação do pai, porém, ao se dar conta de que a coisa poderia ficar bem feia para o lado de Samuel, Marge ficou com medo de que seu pai o transformasse em purê de fantasma com suas torturas macabras.
Desde que percebeu isso, veio procurando se aproximar do diretor, agradando-o com doces e desenhos esquisitos que ela própria fez, mas Benedict nunca estava disponível. O que restou, então? Ir atrás de Samuel para poder avisá-lo da possível fúria do temível Vader.
Bom, mas a verdade é que Samuel Carmichael não se encontrava em lugar nenhum. Além de avisá-lo sobre seu pai, Marge precisava arrancar dele a mais poderosa informação de todas: "por que você andou espalhando por aí que eu era sua namorada?". Era essa a questão que emergiu depois do beijo sem jeito e Margaery queria a resposta para ela, mesmo estando preocupada com Sam e seu bem-estar. Até porque, dependendo da resposta que ele der, a pequena Vader pode simplesmente deixar seu pai fazer o trabalho dele e, assim, punir Carmichael. Hmm.
Ah, mas Samuel não se encontrava em lugar nenhum.
Marge até pensou que, em determinado dia, tinha avistado o garoto pulando o balcão do refeitório quando ela flutuou lá para dentro um dia desses, mas logo dispensou a ideia. Samuel não seria capaz de tamanho papel de bobo, certo? Margaery tentou, também, acampar no quarto do rapaz, aproveitando que Jules é seu melhor amigo, mas nem lá Carmichael aparecia. Era estranho.
Quando estava começando a pensar que o exorcista tinha desencarnado Samuel, foi que Marge finalmente o viu. Samuel, não o exorcista. Ela estava fotografando suas flores - a única coisa realmente bela que tinha para fotografar naquele raio de sanatório - na hora em que o rapaz apareceu. Samuel comportou-se de um jeito estranho - não que ele seja uma pessoa normal, mas foi ainda mais estranho que o habitual - e levantou-se detrás de um arbusto que era, nada mais nada menos, que uma roseira. O que ele estava fazendo atrás de uma roseira?
Marge ergueu as sobrancelhas, achando um tanto quanto incoerente aquela cena - será que tinham dado a ela algum remédio e ela estava delirando? -, e logo viu Sam endireitar-se e, por incrível que pareça, caminhar na direção oposta a dela.
-- Ei, ei! SAMUEL CARMICHAEL!! Onde é que você pensa que está indo com esse buquê na cara igual um idiota? Neste momento, ao se dar conta de suas palavras, Vader deixou seu queixo cair, bem como largou a máquina fotográfica para que pendesse em seu pescoço de fantasma. -- V-você... Ah! Você está levando flores para outra garota, Samuel? É isso?
Era uma boa explicação, Marge achou, apesar de extremamente desagradável. Sam tinha uma namorada e por isso andava fugindo dela nos últimos dias. Só de cogitar essa ideia, o estômago da fantasma se dobrou igual a um origami complexo.














