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“Ele é o cara que estava nos espionando”, deixou claro. Afinal, disse que iria falar com ele. “Mas como ele disse, três cabeças pensam melhor do que uma.” Kid deu meia volta e começou a andar por aquele corredor, dando o primeiro passo. Uma sensação estranha percorreu sua pele. Afinal, ele era o ele de ligação entre Marko e Valentina. Mas acho que pensava por todos quando dizia que não queria ser um líder ou algo do tipo. Kid já não sentia-se confortável com mais de uma pessoa ao seu lado, imagine ainda estar na frente. E ele suspeitava que aquela aversão a pessoas estranhas e juntas não eram fruto da revelação de Ella. “Eu só sei uma”, disse. “Mas de qualquer forma, eu não sei se precisamos realmente saber. Não é como se houvesse muitos objetos por aqui… Podemos apenas pegar tudo o que virmos pela frente. E depois decidir quais são o que a… mulher quer.” Não sabia se referia-se a aquilo como uma mulher. Chegou a um determinado momento em que havia uma abertura no corredor, muito embora esse continuasse. Kid olhou para seus companheiros, em dúvida, e então deu uma espiada na abertura, que os levaria para uma câmara com outras três portas. “Seja lá o que formos fazer… Só não podemos nos perder. Afinal vamos ter que voltar depois.”
“Seu nome é… inusitado.” Comentou cumprimentando-o. Escutou o comentário de Kid e, olhou para o conhecido, desconfiada. Não falou nada, não tinha certeza das intenções que o levaram a espiona-los, entretanto, algo dizia que as intenções não eram más – pelo menos, até o momento – já que Marko estava disposto a ajuda-los. “Sim, definitivamente.” Concordou com a afirmação de ambos, enquanto passava pela cabeça as charadas. Tinha uma memória boa, quer dizer, pelo menos se lembrava das palavras ditas pela “mulher” anteriormente. “Eu ainda não entendi o objetivo desses objetos, porque nenhum deles faz sentido juntos.” Comentou pensando. “Mas quem sou eu para procurar sentido nesse lugar.” Olhou para a abertura e viu que eles teriam que escolher uma das três portas. “Deveríamos ir pela morta do meio.” Palpitou e olhou para os companheiros esperando suas reações. “E, assim não nos perderíamos. É meio que sempre reto ou sempre à direita, sempre que possível.” Explicou o seu pensamento dando um passo a frente, mais por impulsividade e curiosidade, do que por outra razão.
Arqueei minhas sobrancelhas ao ouvir o que Kid falara. Aparentemente, eu seria pra sempre lembrado como o cara que espionava as pessoas da cidade. Porém, isso não me interessava. Não me interessava o que as pessoas pensavam de mim mais, só me interessava saber o que aquele lugar significava para todos nós. E onde eu conseguiria finalmente encontrar alguma arma. Não havia sido ameaçado em momento algum, mas algo me dizia que aquilo poderia acontecer a qualquer momento.
“Acredito que com esses objetos teremos acesso ao arsenal. Também não faz sentido pra mim o que eles têm em comum, porém eu acho que eles juntos nos levaram às armas que possivelmente vamos poder pegar.” Franzi o cenho ao sentir minhas mãos arderem e ao fitá-las, pude ver aquelas tatuagens estranhas novamente. Cerrei os punhos e suspirei, levantando meu olhar novamente.
Dei um passo à frente e fitei as portas. O pensamento de Valentina fazia sentido, logo olhei para ela e concordei com um movimento da cabeça, apenas levando meu olhar a Kid. “Acho que você está certa. Não devemos correr o risco de nos perdermos nesse lugar.” Logo voltei minha atenção às portas e me aproximei da central. Apenas toquei sua maçaneta e suspirei, olhando para ambos atrás de mim novamente. “Todos de acordo?”
Maria pouco entendeu quando acordou em frente a uma cidade abandonada. Tomou ar com gosto como se algum dia respirar tivesse sido o seu maior desejo, de fato em suas lembranças confusas algo indicava que sim. Tentava ligar os pontos sem sucesso e piscava com força, balançava a cabeça e pensava se seguir reto seria a melhor opção. Passava a mão pelo pescoço lembrando que algum dia ele esteve segurado por plástico fechava os olhos e quase não conseguia respirar novamente. Colocava com delicadeza a sequência dos fatos que lembrava e dizia a si mesma que seu nome era Maria Lis de Andrade e que tinha morrido. Sua mão queimava com um desenho no qual nem prestou atenção, seus pés a levavam para o local que precisava ser explorado. Com certo receio parava pessoas e fazia perguntas, era atendida de maneira rude, só lhe informavam da morte que lhe abateu. Com medo ela esfregava o rosto, beliscava o braço e voltava a bater os saltos no caminho que a levava em direção a lugar nenhum.
Morta. Como poderia? Se andava, se sentia, cada passo vinha com uma pergunta. Para onde ia? O que faria? Deveria seguir? O que a esperava era pior? A resposta não surgia para nenhuma de suas perguntas, as dúvidas inundavam sua mente confusa e ela precisava saber, precisava saber algo além de que seu nome era Maria e que sentia falta da luz solar. Procurava por todos os lados uma mensagem ou alguma dica, para onde deveria ir? Ao observar alguém que passava por ali resolveu tentar mais uma vez e tocou o ombro dx desconhecidx. “Por favor, pode me dizer para onde devo seguir? Existe alguma chance de encontrar algum lugar que torne as coisas mais calmas? Alguma ajuda? Resposta?”
Após meu encontro com Sieme, meu foco era encontrar o arsenal. Porém, antes de voltar ao meu caminho, parei um pouco mais à frente do portão para tentar me lembrar de todos os lugares que já havia passado, e se seria seguro eu continuar pela estrada ou se deveria me esconder por entre os escombros da cidade.
Desci meu olhar aos meus pés pensativo e antes que pudesse pensar em tudo aquilo, senti algo em meu ombro. Em um ímpeto, virei-me à pessoa que me tocara, colocando uma das mãos no peito, assustado. Suspirei fundo ao perceber ser apenas uma garota. “Você quase me matou do coração!” Logo subi as mãos aos meus cabelos e passei-as pelo topo da minha cabeça, respirando fundo. ‘Quase me matou’... Ri ao perceber o que havia dito mas logo me recompuz.
“Desculpe. Você tem muitas perguntas... Acabou de chegar?” Desci meu olhar pela garota, analisando-a a fim de reconhecer qualquer ameaça. Logo, meus olhos foram de encontro às suas mãos e pude reconhecer os sinais nelas. “Meu Deus... Você tem os mesmo sinais que eu nas suas mãos!” Sorri levemente, mas ao mesmo tempo parecia confuso e cautelosamente me aproximei da garota, levando minha mão de encontro à dela.
“Você... Bem, você sabe que está morta certo?” Não tinha mais tempo para ficar enrolando essa notícia. Fui o porta-voz de Raven City até agora e já estava acostumado com aquela situação. Quase já poderia ser pago por recepcionar as pessoas. “Você sabe como morreu?” Questionei a garota, tocando levemente sua mão e observando-a.”
ALWAYS.
Ao ouvir o elogio, a princípio, a soldado estreitou os olhos. Em seguida relaxou, deixando escapar, um tanto relutante, um leve sorriso no rosto. Absorveu as informações que Marko fornecera e olhou em volta. Talvez se encontrasse mais alguém, poderia saber de mais algo. Reunir informações, quem sabe. Se o arsenal daria a si alguma arma, Sieme não hesitaria em ir para lá. Se estavam nos dando armas, certamente precisaríamos delas…
Este raciocínio fez Sieme pensar: Quais seriam os perigos - isto se houvessem perigos - que este lugar guardava? Se quisesse respostas, aquele arsenal poderia dar a ela. E ela iria atrás das respostas que queria a todo custo, afinal era uma Tulee, mesmo que não soubesse. E era isso que eles faziam. Não havia absolutamente nada que pudesse detê-los.
- Bem, eu agradeço sua ajuda. - A Seal fez então uma leve reverência com a cabeça, em sinal de respeito - Vou andar pela cidade. Ver o que posso encontrar. Talvez eu busque esse tal arsenal também. - Sieme deu um passo para trás, em um olhar de despedida - Nos vemos por aí, Sr. Marko.
Ao perceber o sorriso de Sieme, retribuí com outro em meus lábios. Assenti com a cabeça em seguida. “Eu que agradeço sua companhia. Tem sido meio difícil encontrar alguém amigável por aqui.” Observei a moça se afastar de mim, suspirando e voltando meu olhar ao caminho que retomaria. “Nos vemos por aí...” Respondi automaticamente ao que ela me dissera, observando meu caminho. Não demorei a voltar a caminhar na direção que estava anteriormente, voltando a me focar apenas em encontrar o arsenal.
Sieme começou a refletir, comprimindo os lábios. Saber que Marko possuía dúvidas fez com que, de forma inconsciente, abaixasse a guarda.
- Uma overdose? - Ela arqueou uma das sobrancelhas e fitou a tatuagem de furacão - Não vejo o que um furacão tem a ver com uma overdose. Bem… - Sieme assumiu uma expressão pensativa - Senti a tatuagem arder quando cheguei. E senti agora também. Talvez esteja relacionada com as mortes, eu não sei. Acho que talvez nunca vamos descobrir tudo sobre esse lugar, não importa o tempo que fiquemos aqui.
E então ela virou de costas, observando o lugar. Tentou pensar em quanto tempo demoraria para passar por toda a cidade. Talvez ela escondesse algo que a fizesse se lembrar de tudo… Foi nesta hora que se lembrou do que Marko havia dito. Virou-se novamente para ele.
- Mencionou um arsenal. O que sabe sobre ele?
Observei minhas tatuagens novamente, porém não pretendia voltar a uma reflexão profunda sobre o que elas significavam, já que em todos aqueles dias eu não havia descoberto nada a respeito delas. “Não vejo relação nenhuma. Ouvi dizer que essas tatuagens nos dão algum tipo de poder. Pode ser apenas um boato, mas seria bom você saber disso.”
Arqueei minhas sobrancelhas ao ouvir o questionamento de Sieme. Me lembrei do rapaz com quem conversei, que me disse convicto que todas as informações que conseguíamos eram preciosas demais para ser compartilhadas com estranhos. Porém, algo me fazia querer compartilhá-las e procurar talvez, ajuda para entender melhor tudo que estava acontecendo.
“A única coisa que eu sei a respeito desse tal arsenal, é que preciso chegar lá. Acredito que conseguiremos algum tipo de arma lá, e acredito que isso significa que teremos algo do que nos protegermos.” Sorri levemente, puxando as mangas da minha jaqueta para tampar minhas tatuagens como possível. “Gostaria de poder te ajudar mais, mas infelizmente eu só tenho essas informações. E também, que as pessoas com quem encontrei não são muito amigáveis. Pelo menos não comigo. Mas acredito que uma moça tão bela como você não terá problemas em se enturmar.”
Sieme fitou o solo, forçando a memória. Algo sobre a própria morte… Massageou as têmporas quando pensou ter visto, em sua mente, um flash do momento em que morreu. Mas ela não tinha certeza. Seria aquele um resquício de seus últimos momentos com os vivos?
- Lembro-me do que parece ser uma queda… - A mulher, em seguida, deslizou o polegar sob a tatuagem de vulcão, que, agora, queimava - …e em seguida, talvez fogo. Não sei ao certo.
Aquilo era surreal. Não saber nada sobre si mesmo era um tanto… desesperador. Mas será que ela deveria mesmo tentar descobrir sobre como foi em vida? Talvez devesse esquecer isso. Talvez ela não devesse se lembrar. Mas, teimosa como era, decidiu naquele instante que faria o possível para descobrir sua origem e tudo sobre sua vida. E nada a impediria.
- E então… - Sieme ergueu a cabeça, retomando a expressão austera que tivera em vida e que teria mesmo após a morte. Sua característica marcante - Como morreu?
Observei Sieme enquanto ela falava e percebi que olhou para sua tatuagem ao se referir à sua morte. Então talvez de fato, aquelas tatuagens teriam a ver com as nossas mortes.
“Você acha que essas tatuagens têm relação com a nossa morte?” Levei meu olhar às minhas mãos ao perguntar aquilo. Ainda não havia encontrado respostas sobre aquilo. Voltei o olhar a Sieme novamente, relutante em falar sobre o assunto. “Eu... Bem, eu não sei muito bem. Mas a única imagem que me veio à cabeça sobre antes de chegar aqui, é de eu mesmo me drogando muito e aparentemente, sofrendo uma overdose. Quando cheguei aqui, achei que tivesse sobrevivido...” Desviei meu olhar ao falar aquilo. Não sabia como seria a reação de Sieme àquilo, porém não deveria ter importância. Logo olhei para ela novamente, mostrando os furacões em minha mãos. “O que isso teria a ver com uma overdose?”
markomanninen:
Então, parecia que os instintos de Sieme estavam certos. Ela estava morta, mas aquilo não parecia nada com um céu. Talvez não merecesse ir para lá, e talvez por isso estivesse ali. A soldado trincou o maxilar, desviando os olhos para o chão. Em seguida, assentiu lentamente. - Morta? Certo… - As perguntas, que já eram muitas em sua mente, duplicaram. Tentou pensar na forma que teria morrido, e sentiu sua tatuagem arder levemente. Deslizou o dedo por ela e fitou o homem novamente, sem se importar com as análises de Marko. Arinal, não tinha por quê temer - O que sabe sobre esse lugar? Sabe como posso descobrir mais sobre o que aconteceu comigo? Abriu a boca para fazer mais uma pergunta, mas se conteve. Respirou fundo e pôs as mãos no bolso traseiro da calça.
Originalmente publicado por mrcheyl
Suspirei fundo ao perceber a aceitação de Sieme. Aparentemente ela não tinha conhecimento da sua situação, mas reagiu bem ao que disse.
“Encontrei uma mulher há um tempo atrás. Não tive tempo de perguntar seu nome, mas ela me disse que estamos no inferno.” Descruzei meus braços e logo ajeitei minha jaqueta no corpo, descendo meu olhar aos meus pés. “Eu não acredito nisso. Me parece mais como um purgatório.”
Voltei meu olhar ao rosto de Sieme. Não sei se eu estava ajudando, porém eu não tinha muitas respostas nem para mim mesmo, quanto mais para os outros.
“Sei também que o objetivo das almas que encontrei até agora era chegar a um arsenal, mas também não sei muito sobre isso.” Suspirei fundo e desci o olhar pelo corpo da mulher, logo voltando ao seu rosto. “Você se lembra de alguma coisa sobre a sua morte? Isso eu me lembro sobre mim.”
Arqueei minhas sobrancelhas ao reparar na relutância da desconhecida a fazer qualquer contato comigo. Não me admirava, já que todas as pessoas que encontrei naquele lugar haviam me tratado da mesma forma anteriormente. Não demorei a estender minha mão para cumprimentá-la, ao perceber que se aproximara mais.
“Meu nome é Marko.” Esperei que apertasse minha mão, enquanto fitava seu rosto. “Infelizmente, isso é tudo que eu sei.” Sabia também, que estava morto e como isso teria acontecido. Porém, esperei algum outro questionamento da bela moça antes de falar tal fato, já que ela poderia ainda não saber estar morta.
Sieme fitou a mão do homem, que apresentara-se como Marko. Porém, permaneceu de braços cruzados. Ergueu o olhar novamente para ele e comprimiu os lábios, um tanto receosa. E então, retomou a postura e apertou sua mão de forma firme.
- Me chamo Sieme. Eu acho. Quer dizer, não sei se este é realmente o meu nome, mas é o único que tenho na mente. - A soldado então soltou a mão dele em seguida e olhou para os portões - Que tipo de lugar é esse? Está aqui há muito tempo?
Sua mente estava repleta de perguntas. Porém, não era uma boa hora para encher o homem de perguntas, e ela sabia disso. Até por que, insistentemente, Sieme continuava a analisá-lo.
Sorri levemente ao que a mulher me cumprimentou mas logo fiquei desapontado com sua resposta. Ela de fato era uma novata, então não poderia me ajudar de alguma forma. Porém, senti que seria uma coisa boa ajudá-la a pelo menos entender o que estava fazendo ali.
“Bem... Estou aqui há alguns dias. Caminhei bastante por esse lugar mas respostas são realmente difíceis de serem encontradas.” Cruzei meus braços ao que percebi a forma como Sieme me observava e logo passei a analisá-la da mesma forma. Parecia ser alguém confiante e forte, talvez não fosse tão ruim a novidade para ela. “O que eu posso te afirmar sobre esse lugar é que... Bem... Não sei se você percebeu, a essa altura, mas estamos mortos. Eu, você e pelo menos todas as pessoas que encontrei até agora.”
Finalmente parecia que iria encontrar aquele tal arsenal. Depois de andar por tanto tempo, sentia que estava no caminho certo desta vez. Apesar de não ter conseguido muita ajuda de praticamente ninguém, havia resolvido caminhar sozinho para o lugar.
Resolvi voltar em direção ao portão inicial da cidade. Algo me dizia que poderia ter alguma pista por lá de onde se localizava o arsenal, ou de qualquer outra questão que me assombrava naquele lugar.
Foi quando me aproximei da entrada dos portões que vi uma bela mulher adentrando a cidade. Ela parecia sozinha, porém parecia muito confiante para que fosse uma novata. Aproximei-me com calma para cumprimentá-la, acho que eu não tinha mais nada a perder.
“Olá.” Proferi minhas palavras num tom alto apenas o suficiente para que ela pudesse me ouvir sem precisar me aproximar mais. “Você… Acabou de chegar?”
Seus passos, outrora firmes, foram imediatamente cessados quando Sieme ouviu a voz de outra pessoa. Virou-se rapidamente, fitando a origem desta. Viu ali parado, um homem que, aparentemente, falava com ela. Ora, parecia que não estava sozinha neste fúnebre lugar, afinal. Isso era, de certa forma, animador. Poderia assim ter as respostas que tanto procurava, certo?
Olhara de esguelha para o lado, procurando outra pessoa. Alguém que estivesse com aquele homem, afinal. Porém, nada encontrou. Mas deveria mesmo tentar receber algum tipo de ajuda dele? “Em um lugar como este, creio que poucas pessoas - ou até mesmo nenhuma - seja digna de confiança”, pensou consigo mesma. “Talvez eu precise ter cuidado”. E então, Sieme cruzou os braços. Assumiu a postura ereta e fitou o homem nos olhos, fazendo questão de deixar claro que estava desconfiada.
- Talvez… - A Soldado então tombou a cabeça levemente para o lado, estreitando os olhos enquanto analisava cada minúsculo movimento que o homem poderia fazer. Deu um passo a frente em seguida, ainda com os olhos levemente estreitos como os de um felino - E você? Quem é?
Arqueei minhas sobrancelhas ao reparar na relutância da desconhecida a fazer qualquer contato comigo. Não me admirava, já que todas as pessoas que encontrei naquele lugar haviam me tratado da mesma forma anteriormente. Não demorei a estender minha mão para cumprimentá-la, ao perceber que se aproximara mais.
“Meu nome é Marko.” Esperei que apertasse minha mão, enquanto fitava seu rosto. “Infelizmente, isso é tudo que eu sei.” Sabia também, que estava morto e como isso teria acontecido. Porém, esperei algum outro questionamento da bela moça antes de falar tal fato, já que ela poderia ainda não saber estar morta.
NÃO ACHA ENGRAÇADO COMO CADA UM TEM SUA PRÓPRIA MANEIRA DE LIDAR COM A MORTE?
Alguns a abraçam. Outros, a temem. Porém, os Tulee possuíam sua própria maneira de lidar com a morte: Eles a enfrentavam. Este, com toda a certeza, era o caso de Sieme.
Sieme dedicara sua vida ao que achava correto. Alguns diziam que era apenas por causa de sua família, mas não era isso. Não não, de forma alguma! A sensação de pisar em um campo de batalha, para muitos, era assustadora. Para Sieme, era uma aventura. Gostava de viver no limite. Gostava de aventuras. Carregara consigo, durante toda a sua vida, a expressão austera digna de quem nada temia. Momentos antes de sua morte, quando lançara seu caça violentamente contra aquela maldita base do Estado Islâmico, lembrara de quando voltara do assassinato do chamado Bin Laden. Perguntaram a ela se não possuía medo de trabalhar nos Seal. Sieme apenas dirigiu ao jovem que fizera a pergunta um leve sorriso lateral nos lábios. Sua resposta foi a mesma que dizia para todos que perguntavam se ela tinha medo de morrer em combate: “Não. Minha hora ainda não chegou. E enquanto ela não chegar, eu não vou parar de lutar.”.
E então, quando adentrou no caça, ela sabia. De alguma forma ela sabia que era a última vez que viu seus filhos. O mar de lágrimas que inundou seus olhos quando soube que era ali que morreria, demonstravam uma mãe orgulhosa dos filhos que tinha. Klaus era tão corajoso quanto bondoso, bondade esta que Blythe possuía de sobra. Ela sabia que Klaus seria um soldado exemplar, e sabia também que Blythe seria uma médica renomada. Era tudo o que precisava. Havia cumprido sua missão como mãe, e agora cumpriria como soldado.
Aquela era a hora. A hora que todo Tulee foi preparado para enfrentar, a hora de sua morte. É claro que ninguém realmente se prepara para morrer, mas para Sieme estava tudo bem. Não porque ela se sentiria humilhada quando voltasse para a América com uma missão fracassada, mas ela sabia que seu sacrifício valeria a pena. Morreria cumprindo os valores de seu clã: Servir & Proteger. Para sempre. E o seria até mesmo na hora da morte. Foi neste exato momento em que seu caça voou em alta velocidade à base terrorista e atingiu em cheio a sala de armamentos. E, de repente, uma explosão dantesca. As chamas a abraçaram, e foi isso. A morte então a envolvera em sua dança macabra.
Abriu então os olhos, ofegante. Ergueu-se um tanto cambaleante e olhou em volta. Era tudo tão estranho… Tão cinzento… O cenário fúnebre fez com que a guerreira se perguntasse que porcaria de lugar era aquele. Ergueu então o olhar e leu “Raven City” na placa dos portões. Sentira uma pequena queimação onde havia uma tatuagem, o que obrigou seus olhos a fitarem sua tatuagem. Confusa, perguntou-se o que era aquela tatuagem. Tentara se lembrar de algo, e então, viu que não se lembrava de absolutamente nada. Um pânico momentâneo a abraçara, mas tratou de manter a calma rapidamente. Ajeitou a jaqueta por sob os ombros e abriu os portões, adentrando na cidade e a analisando enquanto pensava “Será que sou a única aqui?”.
Finalmente parecia que iria encontrar aquele tal arsenal. Depois de andar por tanto tempo, sentia que estava no caminho certo desta vez. Apesar de não ter conseguido muita ajuda de praticamente ninguém, havia resolvido caminhar sozinho para o lugar.
Resolvi voltar em direção ao portão inicial da cidade. Algo me dizia que poderia ter alguma pista por lá de onde se localizava o arsenal, ou de qualquer outra questão que me assombrava naquele lugar.
Foi quando me aproximei da entrada dos portões que vi uma bela mulher adentrando a cidade. Ela parecia sozinha, porém parecia muito confiante para que fosse uma novata. Aproximei-me com calma para cumprimentá-la, acho que eu não tinha mais nada a perder.
“Olá.” Proferi minhas palavras num tom alto apenas o suficiente para que ela pudesse me ouvir sem precisar me aproximar mais. “Você... Acabou de chegar?”
POV #3
Kid cruzou os braços e levantou o queixou, exalando confiança. Por mais que ele estivesse certo – ele era sim, muito estranho – não era por isso que Kid o desgostava. Era porque ninguém gosta de ser espionado, seguido. O rapaz certamente não era muitas amizades, por algum motivo, sentia-se mais confortável sozinho ou com poucas pessoas ao seu redor, mas para que não gostasse de alguém, esse alguém teria de fazer algo contra ele – o que sentiu que o outro havia feito. “Nunca conheci nada como você.”, disse simplesmente. Até o analisou um pouco mais antes de dizer, pois se Kid o lembrava de alguém, não deveria ser por nada. Talvez o conhecesse? Mas sua imagem não trazia nenhuma outra a mente. Aquela cidade ficava cada vez mais bizarra. Seria um mistério ou ele apenas parecia com alguém que outro conhecera? Não sabia nem se queria saber. “Eu apenas não gosto de alguém me espionando, ou a minha amiga.” Será que podia chamar Valentina de amiga? Bom, era o que pouco importava no momento. Não era sua inimiga. De certo, no mínimo, era uma aliada.
Kid não deixou a conversa progredir muito mais. Não queria saber quem ele era, como morreu, ou se havia mais algum motivo estranho para ele observar os outros. A mensagem de McGrew era clara: “Você não me conhece, nem a ninguém aqui, mas tenho certeza que logo irá descobrir que não é uma boa ideia ter inimigos por aqui. Se quer seguir e escutar as escondidas os outros, bem, não é problema meu, mas eu não gosto de ser incomodado, nem a minha amiga. Então não repita isso, que também nunca mais precisará me ver. Apenas queremos paz.” Apesar da expressão endurecida, Kid demonstrava tranquilo. Não era exatamente uma ameaça, mas era bom esclarecer que ele não era do tipo que se deixava ser prejudicado por outros. “Agora com licença. Espero que descubra o que deseja com as outras pessoas.” Virou-se e saiu para se encontrar com Valentina.
Franzi o cenho ao ouvir as palavras do rapaz. Provavelmente ele tinha algum trauma quanto a pessoas que não fazem nada de mal pra ele, e apenas tentam se encontrar, como ele. Não entendia, mas também não fiz questão de entender já que ele não parecia querer mais papo.
“Certo...” Limitei-me a isso e cruzei meus braços, observando-o seguir em frente. Porém, não demorei a caminhar com calma atrás dele, não tinha mais nenhum caminho alternativo para seguir já que aparentemente eu já conhecia aquela cidade inteira do lado oposto.
Assim que escutou aquela voz familiar, que pensou ter expulsado de sua companhia anteriormente, parou e olhou para trás. Sua expressão era arisca e dura, não gostava daquele homem. Sentia-se ameaçado e espionado. Mas deixou ele falar, não interrompeu ou continuou seu caminho, embora estivesse ansioso para isso. “Apenas” tirar informações suas, repetiu mentalmente, rolando tão levemente os olhos que esperava ser imperceptível. Será que era assim que Ella D’Oreal se sentia em relação às pessoas? Provavelmente sim. O observou de cima a baixo, pensando… E então chegou à conclusão óbvia. Se queria descobrir o que realmente estava acontecendo, não poderia o fazer sozinho, pois mais anti-natural que soasse para ele trabalhar em grupo. Relaxou visivelmente o rosto e o corpo. “Acho que podemos nos ajudar. Estamos procurando a mesma coisa, afinal.” E então apertou a mão do outro com firmeza. Terceiro toque, terceira sensação: sociedade. Respeito. Mutualidade. “Kid McGrew”, respondeu simplesmente, e então o soltou. Olhou por trás dele, e pode ver Valentina se aproximar. Já que eles haviam chegado até ali juntos… Ficou no lugar, com Marko, esperando ela. “Já sabe algum objeto?” perguntou a ele.
Valentina recuperou-se do choque de visto sua própria morte e, enquanto ainda pensava nas frases ditas pela mulher, seguiu Kid pela porta. Não tinha certeza de aquela era à porta certa, mas definitivamente não iria procurar por nada sozinha. Após as revelações de monstros, a ideia de ficar sozinha não estava sendo bem aceita pela garota, pelo menos, até conseguir uma arma – no qual ela esperava encontrar o quanto antes. Assim que avistou Kid, percebeu outra presença. Não o conhecia, embora sua presença fosse familiar. “Olá de novo.” Falou com a voz firme, havia se recuperado quase totalmente da imagem de sua morte e agora estava determinada a encontrar os tais objetos. Valentina indagava-se qual seria o prêmio final para os objetos e esperava com fervor que fosse alguma arma, afinal, aquilo era um arsenal – embora parecesse mais um labirinto do terror. “Eu consegui desvendar algumas das charadas, entretanto, não sei por qual devemos começar. Quer dizer, temos que pegar todas? Porque eu estou bem a fim de ganhar o prêmio máximo.” Respondeu séria e depois se virou para o “desconhecido”. “Sou Valentina Cavalcanti, creio que ainda não nos conhecemos.” Apresentou-se estendendo sua mão.
Fitei o rapaz por um momento ao cumprimentá-lo, não conseguia me lembrar de seu nome. Acabei deixando de lado o que sentia ao estar na presença dele, afinal havia coisas mais importantes a serem entendidas e descobertas.
Antes que pudesse respondê-lo, ouvi uma garota se aproximando. Pela forma como cumprimentou Kid, pude deduzir que era alguém com quem ele já tivera contato. Quando me virei em sua direção, pude ver quem era. A garota com quem ele conversava quando tentei abordá-los pela primeira vez. Ela pareceu muito mais amigável do que ele.
“Marko Manninen.” Observei a garota por um momento e estendi minha mão para cumprimentá-la, sorrindo levemente. “Não nos conhecemos ainda, mas é uma prazer conhecê-la, Valentina.”
Após o cumprimento, cruzei meus braços e observei o corredor em que nos encontrávamos. “Ainda não tive tempo de pensar nas charadas com calma, mas acho que não teremos problemas em soluciná-las. Três cabeças pensam melhor do que uma.” Voltei meu olhar aos dois à minha frente, antes de continuar a falar. “Devemos seguir em frente e tentar encontrar alguma pista, não?”
Ele nunca poderia imaginar que existia um local onde iria depois de sua morte, muito menos, que o local pudesse ter um céu. Pois, ali estava ele encarando o céu cinza do local sem nome, que poderia ter um nome, mas não era do conhecimento do rapaz. Apertava sua mão que ainda estava com resquício de alguma dor passada, sua respiração ia se acalmando devagar até abrir os olhos novamente que se fecharam sem o rapaz perceber. Encarou, dessa vez não havia se assustado ao sentir a presença e logo em seguida o aparecimento de um rosto no local que deveria ter a continuidade do céu. “Eu acho que sim, não sei quanto tempo estava aqui deitado.”
Aparentemente o rapaz era inofensivo e não sabia onde estava, pois se soubesse teria reagido um pouco diferente à minha presença. Descruzei meus braços aos poucos e suspirei, observando-o.
“Você não faz ideia de onde esteja, certo?” Inclinei-me levemente e estendi minha mão em sua direção, a fim de ajudá-lo a se levantar. “Qual o seu nome?”
@guri-mcgrew
Encostado na parede, pude avistar o rapaz com quem havia encontrado em outras ocasiões. Ainda não sabia seu nome, mas algo nele fazia com que eu me sentisse extremamente triste e ao mesmo tempo, extremamente feliz.
Continuei observando suas ações até que me desencostei da parede ao que o rapaz passou a andar à direita daquele suposto labirinto. Fui atrás dele lentamente, porém dessa vez, resolvi abordá-lo ao invés de apenas observá-lo.
“Ei, você!” Falei alto o suficiente para que ele pudesse me ouvir, e fui me aproximando ao que tive sua atenção. “Não tivemos a oportunidade de nos conhecermos direito, será que poderíamos agora? Não quero apenas ficar tentando tirar informações suas. Principalmente porque você ainda pode morrer do coração em me ver pelos cantos te observando.” Sorri levemente e estendi minha mão na sua direção. “Acho que podemos nos ajudar. Meu nome é Marko.” Disse, esperando o cumprimento do rapaz, ainda receoso.
POV #4 - Arsenal
Passei dias caminhando por Raven City. Quase podia dizer que conhecia a cidade e parecia que eu já morava lá há anos. Principalmente, pelo fato de andar por tanto tempo sozinho.
Minhas preocupações se voltaram exclusivamente ao tal arsenal que a mulher da destruição tinha me dito. Não tive tempo de saber o seu nome, mas pensando bem, não consegui saber o nome de ninguém além daquela bela garota, Emalline (que, também, me abandonara). Nem mesmo o rapaz dos olhos azuis me dissera seu nome. Eu estava, e sempre estive, sozinho. Mas não era uma sensação estranha. Na realidade, parecia mais com uma sensação de que minha vida sempre fora assim, antes de eu ir parar naquele lugar. Porém, aparentemente eu não teria nenhuma pista sobre como fora a minha vida.
Já estava prestes a desistir de encontrar o arsenal, quando ao longe pude ver uma construção gigantesca. Coloquei toda a força que ainda tinha em minha pernas e corri em direção a ela, esperando que fosse o lugar.
Quando consegui alcançar o lugar, fiquei surpreso com o tamanho e a aparência do local. Apesar de sentir uma certa tensão em me aproximar mais, não pude deixar de entrar naquilo. Eu não tinha mais para onde ir, e por algum motivo cada vez mais eu ficava certo de que era o arsenal.
Assim que pisei dentro da construção, fiquei estupefato com a aparência interna. Parecia como algo feito por alienígenas, em parceria com homens medievais. Pude notar várias pinturas esquisitas e comecei a prestar atenção nas mesmas, até ouvir uma voz aterrorizante falar comigo. Comigo, e com todas as outras almas que aos poucos foram entrando no recinto, e eu apenas me coloquei afastado o máximo possível delas.
“Bem Vindos”, ela disse. Bem vindos? Será? Comecei a olhar em volta à procura da mulher que falava comigo, quando vi uma figura extremamente perturbadora. Porém, logo a minha atenção se voltou a uma imagem ao meu lado.
Pude me ver naquela imagem. Minhas roupas estavam cobertas de sangue, e eu estava em um sofá usando várias drogas. Ao fundo, atrás do sofá, pude notar uma silhueta jogada ao chão, porém nada mais além de um rastro de sangue próximo aos meus pés. Lágrimas desciam pelo meu rosto constantemente, e se misturavam ao sangue manchado abaixo do meu nariz. Uma imagem extremamente triste, mas que não me trazia nenhuma lembrança do por que aquilo havia acontecido comigo.
Voltei minha atenção à mulher que falava comigo, afinal queria saber o que eu deveria fazer naquele lugar. Não conseguia entender o que ela era. Provavelmente era coisa de outro planeta, pois eu não me lembrava de ter visto nada parecido antes, muito menos aquela imagem. Com certeza era alguma bruxaria daquela mulher novamente.
Me encostei na parede ao meu lado e fiquei observando as outras almas e suas reações ao que estava acontecendo, pensando em qual corredor eu começaria minha jornada lá dentro.