Caos. Nenhuma palavra poderia exemplificar melhor a situação de Imperial City, do que caos. O moreno apenas chegou após o pior ter acontecido, não esteve no meio do furacão, como todas aquelas pessoas, mas podia sentir a dor de cada uma delas, desde as que saíram ilesas do ocorrido, até àquelas que ficaram completamente queimadas, sem suas casas, ou, simplesmente, morreram. Um onde de tristeza, medo e desconfiança rondava todo o distrito, nada sentido antes, pelo homem. Não podia imaginar o que todos aqueles que estavam lá, sofreram, mas não poderia fazer nada menos do que ajudar todos que podia.
Crianças chorando a perda dos pais, pais chorando pela perda dos filhos, era o que mais se via. Todos ali eram pessoas fortes, se não eram antes, tornaram-se, apenas assim, estariam juntando suas últimas forças, para tentar salvar o que lhes restava, pouco, mas teria que ser o suficiente, seria.
No horizonte, em umas das partes mais afetadas pelo fogo da fera divina, alguém conhecido. Ao mesmo tempo, um sentimento de receio e o de calmaria, entrou no corpo do homem, era a primeira figura familiar que ele reconhecera, de longa data, por acaso. Em passos não muito largos, aproximou-se da garota. A jovem analisava as plantes com as mãos, infelizmente, a visão já não estava em seus olhos. Em movimentos calmos, ajoelhou-se perto da mulher, tentando não assustá-la.
Ashia? — indagou, levando uma das mãos ao ombro direito da menor.
@ashiasees
Afastava-se da grande construção em chamas onde há pouco o inferno havia sido projetado em terra. Caminhava para longe com pressa e sem pensar muito, ainda sentia calor. Sua testa gotejava com o suor, seus pés não conheciam o chão e a respiração se fazia ofegante. Sentia uma absurda dor em alguns pontos da pele, quando o vento a golpeava a ardência se fazia presente e não conseguia seguir. Era necessária força para continuar, a sorte é que sempre a encontrou mesmo nos momentos mais difíceis. Sua dor estava em ainda ser muito cedo para procurar por sua rainha, com a pressa de todos na rua, as informações não tinham sido obtidas por ninguém que pudesse encontrar. Não gostava de admitir, estava sozinha. Procurava por um campo ou um início de floresta, plantação sobrevivente, precisava de algo com o que pudesse fazer remédios. Tinha de ajudar aos feridos e ajudar a si mesma.
Com algumas boas infirmações pode aproximar-se de um lugar onde existia algum resto de plantação. Tirou os saltos quebrados para pisar em terra e ajoelhou-se no chão começando a analisar as folhas. Poderia reconhecer de longe se ainda tivesse o dom da visão, agora precisava usar de outros recursos como o tato, em momentos mais calmos era interessante, naquele desespero nem um pouco. Tocou a primeira, nervuras paralelas, textura mais áspera com diversas pontas. Trouxe o cheiro adocicado, não era a correta. Não estava nem perto.
Uma folha e depois outra. Sentiu cheiro de lavanda, poderia servir como calmante. Era alguma coisa, finalmente achou o que procurava desde o início. Uma folha lisa e mais gordinha com diversas pontas, quando a apertava espirrava um gel. Só existia um modo de ter certeza quando a certeza do que tinha ali, passou o gel em uma queimadura e com leve ardência sentiu algo que aliviava a ardência. Babosa era uma receita antiga, seria de grande utilidade. Ia analisando e colhendo mais otimista quando foi chamada.
Não acreditou ao ouvir a voz. Tinha se separado do antigo amigo e acreditava que jamais o encontraria em Tamriel. Sua mão tocou a dele que estava em seu ombro e a segurou, analisando cuidadosamente como se ali contivesse algum segredo. “Estou a ter alucinações? Isto é coisa que jamais imaginei.” Falou talvez um pouco mais para si mesma. “Já me perguntava a tempo se o encontraria. Fico aliviada com sua presença, Nahagliiv.”
















