POV #4 - Arsenal
Passei dias caminhando por Raven City. Quase podia dizer que conhecia a cidade e parecia que eu já morava lá há anos. Principalmente, pelo fato de andar por tanto tempo sozinho.
Minhas preocupações se voltaram exclusivamente ao tal arsenal que a mulher da destruição tinha me dito. Não tive tempo de saber o seu nome, mas pensando bem, não consegui saber o nome de ninguém além daquela bela garota, Emalline (que, também, me abandonara). Nem mesmo o rapaz dos olhos azuis me dissera seu nome. Eu estava, e sempre estive, sozinho. Mas não era uma sensação estranha. Na realidade, parecia mais com uma sensação de que minha vida sempre fora assim, antes de eu ir parar naquele lugar. Porém, aparentemente eu não teria nenhuma pista sobre como fora a minha vida.
Já estava prestes a desistir de encontrar o arsenal, quando ao longe pude ver uma construção gigantesca. Coloquei toda a força que ainda tinha em minha pernas e corri em direção a ela, esperando que fosse o lugar.
Quando consegui alcançar o lugar, fiquei surpreso com o tamanho e a aparência do local. Apesar de sentir uma certa tensão em me aproximar mais, não pude deixar de entrar naquilo. Eu não tinha mais para onde ir, e por algum motivo cada vez mais eu ficava certo de que era o arsenal.
Assim que pisei dentro da construção, fiquei estupefato com a aparência interna. Parecia como algo feito por alienígenas, em parceria com homens medievais. Pude notar várias pinturas esquisitas e comecei a prestar atenção nas mesmas, até ouvir uma voz aterrorizante falar comigo. Comigo, e com todas as outras almas que aos poucos foram entrando no recinto, e eu apenas me coloquei afastado o máximo possível delas.
“Bem Vindos”, ela disse. Bem vindos? Será? Comecei a olhar em volta à procura da mulher que falava comigo, quando vi uma figura extremamente perturbadora. Porém, logo a minha atenção se voltou a uma imagem ao meu lado.
Pude me ver naquela imagem. Minhas roupas estavam cobertas de sangue, e eu estava em um sofá usando várias drogas. Ao fundo, atrás do sofá, pude notar uma silhueta jogada ao chão, porém nada mais além de um rastro de sangue próximo aos meus pés. Lágrimas desciam pelo meu rosto constantemente, e se misturavam ao sangue manchado abaixo do meu nariz. Uma imagem extremamente triste, mas que não me trazia nenhuma lembrança do por que aquilo havia acontecido comigo.
Voltei minha atenção à mulher que falava comigo, afinal queria saber o que eu deveria fazer naquele lugar. Não conseguia entender o que ela era. Provavelmente era coisa de outro planeta, pois eu não me lembrava de ter visto nada parecido antes, muito menos aquela imagem. Com certeza era alguma bruxaria daquela mulher novamente.
Me encostei na parede ao meu lado e fiquei observando as outras almas e suas reações ao que estava acontecendo, pensando em qual corredor eu começaria minha jornada lá dentro.














