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Sim, Meredith e Regina, duas gatas que adotei assim que cheguei em Salt Lake City.
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@mczartt
15: have any pets?
Sim, Meredith e Regina, duas gatas que adotei assim que cheguei em Salt Lake City.
entre connie e serena qual você levaria para uma viagem romântica?
Pra que escolher se posso levar as duas?
📱
📱 Show your phone lock screen and/or home screen
lock screen: uma foto da dina (minha futura filha) em um dos nossos primeiros passeios.
home screen: a regina tomando sol :)
the world: do you like waking up early?
Depende do dia. Geralmente funciono melhor nas primeiras horas da manhã, mas fico extremamente irritada se for para acordar cedo depois de um plantão daqueles.
06: How do you want to die?
Essa não é uma pergunta que me faço com certa frequência. Acho que com tantas variedades de morte, talvez morrer como uma personagem de uma tragédia grega faria meu estilo.
38: Is this year the best year of your life?
Acho que sim. Não posso afirmar com 100% de certeza, mas conseguir virar chefe da pediatria e principalmente quase realizar meu sonho de adotar uma criança estão colaborando para isso.
#big mood
@andvarma·
Os olhos de Andrew continuavam semicerrados, é claro que Mozart não facilitaria as coisas para ele. A palavra dita em outro idioma bagunçou a mente do neurologista, o que era muito irônico, e isso fora suficiente para tirar seu foco da missão de vencê-la.━ Vamos ver então… beau gosse.━ repetiu o que ela disse, esperando que a pronuciação fosse correta. Sem dar muita satisfação, começou a percorrer a pista, dando um tchauzinho para ela, correndo em ritmo apressado observando se a outra conseguia acompanhá-lo.
Sorriu com o sotaque francês do outro, virando logo em seguida para tentar alcançá-lo. “Ei, queimar a largada não vale!” Reclamou quando finalmente chegou ao lado dele. Conseguiu manter o ritmo por um tempo considerável, mas na metade da segunda volta uma dor aguda na panturrilha esquerda a fez parar. Mais alguns minutos de alongamento teria sido o suficiente para aquilo não ter acontecido. Ou talvez Mozart tivesse subestimado demais o Varma. “Tá legal, você ganhou. Preciso de uma pausa.” Falou ainda ofegante, ao sentar no meio fio da calçada fechou os olhos, já mentalmente se preparando para o discurso de Andrew.
@screnag·
Serena não imaginara que faria amizade com os médicos de cima, afinal, a legista tinha seu próprio canto e era raro ver um dos famosos atendentes descerem até seu setor para bater um papo ou algo parecido. Porém, a personalidade incansável da colombiana jamais se daria por derrotada, e era por isso que sempre que possível, subia até os andares de clínica e cirurgia para conversar com quem aparecia na frente. Mas, a amizade mais inesperada de Serena fora com Mozart, já que haviam se aproximado pelos filhos, o que a deixava muito feliz, é claro, saber que os pequenos estavam sendo sociais e que isso trazia benefícios a ela. Naquele dia, após o leilão, haviam combinado de levar os filhos até o zoológico. Não demorou para que Serena e os gêmeos estivessem estacionando no local e caminhando juntos até a entrada. Sua visão funcionava como um scan e ao não encontrar ela por ali, caminhou mais um pouco, encontrando-a na lojinha, perdendo os filhos de visão no segundo seguinte. Ao vê-la levantar o bichinho, ela sorriu. “Eu não sei, pois eu vou comprar um também.”, comentou pegando o bichinho. “E acho que Gael e Héctor já vão me dar prejuízo.”, apontou para os filhos que pareciam em dúvida do que escolher. “Mas e aí, como você e Dina estão?”
“Acho que vou me tornar aquilo que mais critiquei a minha vida toda. Uma mãe que faz todos os gostos dos filhos.” Brincou, mostrando a cesta de compras quase lotada. Quando teve seu primeiro contato com Serena não imaginava que criariam uma conexão tão inesperada, a alegria e personalidade forte da latina eram contagiantes e faziam Mozart se sentir muito bem quando estavam juntas. Ao ver os gêmeos se aproximando, sorriu. “Oi meninos.”Agachou-se para ficar da altura das crianças, bagunçou levemente o cabelo de um deles e logo depois voltou o olhar para Serena. “Bem na medida do possível. Não vejo a hora de poder levá-la pra casa.” Comentou com um suspiro, tudo estava sendo mais demorado que o planejado, mas tentava pensar positivo mesmo com todos os obstáculos que vinham aparecendo. A felicidade de Dina olhando os brinquedos desviou sua atenção, Mozart voltou o olhar para ela. “Dina...” Chamou a atenção da menina e fez um gesto coma cabeça em direção a Serena, indicando que ela deveria cumprimentar García. Assentindo,a garotinha deu um grande sorriso. “Olá senhorita Serena! Minha tia disse que aqui tem girafas... Girafas!” Apertou a pelúcia que tinha em mãos, voltando-se rapidamente para seu debate com os gêmeos sobre qual outro brinquedo escolher. “Os meninos também estão nessa fase do bichinho de estimação ser uma girafa, um urso panda ou algum animal dos contos de fada?”
@zalesmd
Comprar pessoas para encontros não era bem o jogo de Connie, porém, quando o objetivo era ajudar o hospital, ela não poupava esforços. Podia não se parecer, mas se importava com tudo e todos que estavam relacionados a aquele enorme prédio de concreto. No tal leilão, após ter sido comprada por Tiernan, sorriu ao ver que tinha a oportunidade de levar @mczartt· a algum lugar, não conhecia bem a pediatra, mas ser bonita e inteligente era o suficiente para despertar o interesse de Connie. Ao ver que o local designado para elas era um tour de vinhos, a mexicana animou-se ainda mais. No dia do encontro, encontrava-se parada na frente da casa de Mozart, esperando-a. Trajava-se um pouco mais chique do que o usual, mas se fosse para virar enóloga por um dia, precisava entrar na vibe. Rindo de seus próprios pensamentos, mandou uma mensagem para a pediatra avisando que já estava ali na frente. Teriam de dirigir até o local do início do tour e de lá iriam partir com um carro específico para as vinícolas. Connie estava animada, jamais fizera uma programação como aquela, e a companhia que teria certamente ajudaria a tornar tudo melhor.
No momento em viu que fora comprada no leilão por Connie, Mozart não pode disfarçar a surpresa e tentou não parecer uma maluca rindo sozinha em frente ao comunicado do hospital. Quando o dia finalmente chegou, a loira demorou mais que o normal para se arrumar ajustando o vestido ao corpo ficou encarando o próprio reflexo no espelho, perguntando a si mesma se não estava arrumada demais. Já havia participado de dezenas de tour de vinhos, mas por algum motivo o nervosismo repentino ao receber a mensagem da mexicana foi algo minimamente estranho. Não tinham muito contato durante o trabalho, apenas quando a pediatra fazia visitas no setor de traumatologia durante os plantões, nada demais para ela ficar naquele estado. Rapidamente retocou o batom e desceu as escadas. Cruzou o jardim florido cuidadosamente para não tropeçar nos materiais usados na obra da casa, os saltos dificultavam um pouco a locomoção, ela não queria levar um tombo de graça. Ao entrar no carro ficou alguns segundos encarando Connie, uma risada suave escapando dos lábios quando se virou para um abraço. “Então, preparada para experimentar o melhor vinho do país?” Repetiu a frase contida no flyer do local, o sorriso ainda no rosto enquanto colocava o sinto de segurança.
Ao chegar à casa de show, Mozart se puniu mentalmente por não ter prestado atenção na programação do local, queria pelo menos ir vestida a cárter. Seria obvio que ela só ia ver o classic night e ignorar completamente o country no inicio da frase, era uma sexta-feira à noite, deveria ter lembrado que aquele dia era sagrado para a música tradicional americana, que já tocava em um volume consideravelmente alto no local. Começou a procurar @irishblxxd, o avistando logo em seguida perto do bar. Seu lance nele no leilão tinha sido um verdadeiro tiro no escuro, não mantinham muito contato fora do ambiente de trabalho, mas pelo o pouco que conhecia do irlandês o achava uma pessoa interessante, então sabia que sua noite não seria chata. Esgueirou-se entre um grupo que fazia uma coreografia, sendo instantaneamente puxada por uma moça para participar da dança. Em um primeiro momento ficou confusa, tentou voltar para seu caminho original, no entanto a aglomeração ao seu redor já havia se multiplicado. Entre sapateados e rodopios conseguiu fazer contato visual com Tiernan, e apesar de estar se divertindo com a situação, acenou em um pequeno pedido de socorro.
Poucas pessoas do hospital sabiam que Mozart passava por um momento complicado na sua vida pessoal. Estava no meio de um processo judicial para conseguir adotar Dina, uma menina de cinco anos que morava em um dos orfanatos da cidade. Como parte da ação, faziam passeios periódicos que aconteciam na maior parte do tempo nos finais semana, e o próximo seria justamente no dia do seu encontro com @screnag. A pediatra ficou muito feliz quando viu que finalmente poderia encontrar a colega em um ambiente mais descontraído, as duas mantinham uma boa relação no trabalho e ficaram mais próximas depois que Dina ficou amiga dos filhos da García, quando Mozart a levou para a casa da colombiana para poder atender um chamado de última hora. Decidiram então juntar o útil ao agradável e levar as crianças para o passeio. Tinham combinado de que o ponto de encontro seria em frente ao zoológico, mas a inquietude da menina fizera Mozart se afastar mais e mais do local, parando em uma lojinha. Quando de longe avistou a figura inconfundível de Serena se aproximando, sorriu. “Como eu faço para dizer não?” Perguntou, levantando um alce de pelúcia.
@drxxparks
sendo oncologista, erick havia aprendido a lidar com a dor que se formava em seu peito quando perdia um de seus pacientes, eram casos e casos, mas nem todos eram sortudos quando se tratava do famoso câncer. naquele dia, quando a notícia de que amélia jones não resistira chegara a seu ouvido, um suspiro longo saíra da boca do médico. agradecendo a enfermeira que havia lhe atualizado, caminhou até a ala pediátrica da oncologia e não se surpreendeu ao encontrar mozart ali. a médica havia sido pediatra de amélia desde a primeira vez que erick a conhecera, não devia estar sendo nada fácil para ela. colocando uma mão sobre um dos ombros dela e dando um leve aperto, ele sussurou. —— não precisa se preocupar com nada hoje, mozart. você merece um momento de luto. —— continuou com a mão ali enquanto pensava em alternativas para que pudesse ajudá-la. —— podemos ficar aqui mais alguns minutos ou podemos ir tomar um chá para que você possa se acalmar um pouco. o que acha? —— fez a pergunta ainda em tom baixo, manter a calma naquelas situações ela a melhor escolha para que ela não ‘quebra-se’.
Em geral, Mozart não era do tipo de pessoa que chorava em público, conseguia controlar bem suas emoções, principalmente no trabalho. Mas a pressão que vinha colocando em si mesma depois de ser promovida para chefiar a pediatria crescia a cada dia e juntamente com o turbilhão de coisas que estavam acontecendo na sua vida fora do hospital, a fazia questionar se estava tendo inteligência emocional para levar tudo aquilo sozinha. Quando perdia um paciente esse sentimento de não estar sendo o suficiente a consumia pouco a pouco, e ver mais uma pessoa que gostava indo embora sem que ela pudesse fazer nada era dolorido demais. “Como não vou me preocupar tendo um setor inteiro para cuidar? Só hoje recebi dois casos positivos para meningite e uma infecção por CMV, fora as consultas e o agendamento das cirurgias eletivas.” Receber o apoio do amigo lhe fizera perceber que ficar naquele estado só ia piorara as coisas, então balançou a cabeça e respirou fundo. “Tá bom, eu aceito um chá. Menos o de hortelã, o da daqui é horrível.” Forçou um sorriso, passando as mãos pelo rosto úmido.
@stvhrwtz
Steven, por dentro da enorme cabeça de coelho que usava, fechou sua expressão. Sabia que com Mozart a palavra “ninguém pode saber disso” não existia, ainda mais quando se tratava do enfermeiro. Haviam desenvolvido a amizade deles daquela forma, ambos se zoavam sempre que possível e quanto juntos, era impossível não se divertirem e jogarem conversa fora por horas. Apesar de bravo, assim que ela puxou o celular para tirar a foto, juntou as “patas” contra o peito na famosa pose de coelho que todos conheciam. Ao ouvir a proposta dela, riu e falou abafado por dentro da máscara. “O dia de folga me parece uma ótima ideia.”, apesar de que os tais “dias de folga” serviam apenas para que pudesse trabalhar mais tempo na cervejaria. Caminhou com ela então até a ala de vacinação pediátrica, entrou dando pequenos pulos como um coelho faria e acenou para as crianças ali. “Você vai ter que me guiar, coelhos não falam…”, sussurrou para a pediatra, segurando o riso.
"Olha, até que não ficou tão ruim. Te mando a foto depois." Mozart sabia que não estava sendo a experiência mais agradável do mundo para Steven, mas não se importou muito com aquilo, afinal, aquela não era a primeira nem a última vez que a médica o colocava em situações como aquela. Ao chegarem à sala, a maioria das crianças ficaram focadas no coelho, algumas enfermeiras que tentavam amenizar a situação entraram na brincadeira e começaram a fazer uma verdadeira festa. É verdade, coelhos não falam. Pensou logo após a fala do outro, tinha que arranjar outra forma de distração para que o choro generalizado não voltasse, mas não demorou muito para uma ideia surgir em sua mente. “Você ainda sabe a coreografia de Baby Shark? Dois pra lá, dois pra cá...” Imitou brevemente os passos enquanto procurava o vídeo na internet, depois de alguns segundos, a música começou a tocar. “Lembra que você é o coelhinho da páscoa, não o Frank de Donnie Darko. Tenta não traumatizar minhas crianças.” Segurou o riso, pegando um dos bebês no colo esperando a enfermeira aplicar a vacina.
kahcle
Ao ter o aceno de Mozart, Kylie trocou o instrumento e com o pequeno aparelho de laser, terminou o procedimento, fechando os possíveis capilares ali presentes com a junção da pele pelo calor emanado pelo laser. Depois de devolver o instrumento e tirar as luvas, sorriu de canto ao ouvir o elogio da médica, Kylie era uma pessoa modesta na maioria das vezes, mas ouvir elogios de profissionais acima na carreira a fazia muito bem. “Muito obrigada…”, agradeceu, levemente nervosa, não queria parecer confiante demais na frente da médica e causar uma impressão ruim, era uma interna, tinha de saber seu lugar. Porém, acreditava que Mozart não era uma daquelas pessoas que a elogiavam em vão e que a médica realmente acreditava que ela tinha potencial. Observou-a lidar com o bebê em seguida, ela era muito boa naquilo. Assentiu à fala dela e começou a caminhar ao lado da médica. Rapidamente encontraram a mãe da criança que parecia aliviada e extremamente agradecida às médicas. Kylie sentiu no peito o coração se aquecer ao presenciar a cena. Deuses, já estava em dúvida entre cirurgia geral e oncológica, se começasse a pensar em pediatrica ela jamais se decidiria. Quando afastaram-se da mãe, começaram a caminhar em direção à enfermaria. “Não vai nem me dar uma dica do que vai me mostrar? Devo me assustar?”, brincou, mas estava mesmo curiosa e não costumava ter chamados como aquele vindo dos médicos atendentes.
Após entregar a criança de volta para mãe, a médica ficou mais um tempo explicando para a mulher a melhor forma de administrar os antibióticos receitados e confirmando a data de retorno da próxima consulta. Quando finalmente voltou-se para Kylie, sorriu com a pergunta. “Se assustar? Só um pouco.” Riu fraco, normalmente tudo relacionado a cirurgia assustava a médica mais velha, por isso sempre que seus pacientes necessitavam passar por algum tipo de procedimento ela fazia de tudo para reunir a melhor equipe e com a proximidade da prova de residência, oferecer a oportunidades para os internos era sua prioridade. “Na maioria das vezes não participo das cirurgias, minha especialidade fica mais para a parte de diagnostico, mas em determinados casos tenho que fazer parte da equipe de intervenção, podendo assim, escolher quem vai participar comigo.” Conforme andavam pelo andar a decoração colorida e o nome de cada sala mudava, quando chegaram em frente a desenho de submarino, Mozart abriu a porta com um sorriso e fez um gesto para que a interna a acompanhasse. Enquanto andava em direção ao último leito, onde um menino dormia, brincou com algumas crianças, que se mostravam bastante interessadas nas duas médicas. “Você já participou de neurocirurgias?”
@pevarma
Deu uma última olhada no espelho antes de pegar suas coisas e sair do apartamento. O celular vibrava no bolso do jeans, o que fez o Varma apanhá-lo para verificar a mensagem recebida. As duas simples palavras de Mozart o fizeram rir sozinho, brevemente. Checando o horário na tela, percebeu que havia demorado alguns minutos verificando a programação do drive in onde iriam, então a médica deveria lhe dar um desconto. “Elevador.” Respondeu rapidamente, antes de sair do mesmo e descer para a portaria. Ao reconhecer o carro dela, deu meia volta para adentrá-lo, sorrindo-lhe ao encarar a falsa expressão irritada que ela trazia no rosto bonito, lhe dando um beijo na bochecha. “Desculpe. Como posso me redimir?” A risada baixa soou dentro do veículo ao passar o cinto de segurança pelo peito. A acusação fizera o Varma encará-la rapidamente, divertidamente insinuando que ela estava sendo injusta. “E você por acaso algum dia me convidou pra sair?” Devolveu ao entrar na brincadeira, como se a culpa fosse dela. Ficara surpreso ao saber que Mozart havia o comprado no leilão e, na realidade, nem mesmo entendera como rendera tanto naquela ação do hospital. De fato, estava bastante feliz por ter sido a Avgeropoulos a pescá-lo, mesmo que estivesse esperando alguns lances específicos. Além de inteligente e divertida, Mozart provavelmente era uma das mulheres mais bonitas e interessantes do hospital. Não era nem mesmo novidade para alguém, apenas a presença dela já fazia com que as pessoas soubessem disso. Encarou o aparelho de som e logo depois a mais velha, arqueando a sobrancelha com ela. Jamais imaginara que ela gostava desse tipo de música. “Você já até colocou a trilha sonora e provavelmente marcou de comparecer num racha sem me avisar, como eu poderia pedir o contrário?” Riu. Desde que não se matassem no trânsito, Peter estava ali pra ela. “Tá de minha dona hoje, me surpreenda.”
“Dessa vez vou deixar passar.” Parando para pensar na segunda pergunta de Varma, Mozart balançou a cabeça em negação e soltou um riso nasalado. Ela tinha se dado conta que desde sua chegada em Utah não tinha aproveitado a vida de solteira, sua dedicação nos últimos anos estava apenas no hospital. “Quem sabe um dia eu te dou a honra de ser a primeira pessoa de Salt Lake que convido para um encontro.” Comentou, dando de ombros. O patologista era uma das pessoas que a loira mais admirava no Nightingale, não apenas por ser um ótimo profissional, mas também pelo fato dele conseguir extrair o melhor humor da médica quando estavam juntos. Talvez ela levasse isso em consideração. “Peter Varma, cuidado com o que você fala.” Deu uma gargalhada enquanto manobrava o carro para o sentido oposto, o som do motor ecoando alto na rua. “E todo mundo sabe que as corridas só acontecem nas quartas-feiras no Marmalade District, na rua que tem aquele bar tematizado de super-heróis.”
O vento que entrava pela pequena abertura da janela soprava os cabelos dourados de Mozart, que ainda cantarolando junto com a música, levou a mão ao aparelho de som abaixando um pouco o volume. “Podemos entrar no clima de Bonnie e Clyde como dois fora da lei, ou sentir um pouco de emoção para não dormir ainda no começo de The Night of the Living Dead.” Sorriu fazendo sua primeira ultrapassagem, e apesar de estar indo mais rápido que a estrada permitia, sabia que naquele local não tinha movimentação de pedestres ou animais, pesquisou tudo antes de sair de casa. Era uma irresponsabilidade responsável. “Também temos o filme que está começando agora, mas tenho certeza que você não vai querer passar a noite inteira me ouvindo cantar a trilha sonora de Irmão Urso.” Estava se esforçando para falar só o essencial, pois quando se tratava de música ou filme, Mozart se animava mais que o necessário. Saber que iria com Peter para um drive in reativou memorias da época de adolescente. Quanto tempo fazia que não ia em um lugar daqueles? No mínimo uns vinte anos, pensou. West Valley não ficava muito longe, em menos de cinco minutos a grande placa do RedWood Movie Teather era visível de uma certa distância.
@olivsch
Olivia estava acostumada com aquelas situações, já tinha lidado com diversas mães que perdiam a noção devido à preocupação com seus filhos, porém, a mãe em questão havia passado dos limites mais de uma vez e nem Olivia, nem Mozart conseguiam aguentar mais a situação. Acompanhando a pediatra nas escadas, a médica mais velha fez uma careta. — Daqui a pouco vamos ter que colocá-la no quarto branco da pediatria. — brincou, rindo fraco, mas com um fundinho de verdade. — Fora esse escândalo da mãe, a criança continua estável, não? E hey, está tudo bem, era só uma soneca, vou descansar mesmo quando estiver em casa. — sorriu de canto, abrindo a porta da escadaria que dava na ala pediátrica, conseguia ouvir longe os gritos da mulher. Se aproximou com cuidado da mesma, as mãos levantadas na altura do peito pedindo calam. — Com licença, senhora, será que poderá imos conversar? — fez um sinal de trás das costas para que Mozart se aproximasse com cuidado.
“Você acha que eu já não pensei nisso?” Riu junto com a outra médica, em geral maninha uma boa relação com os pais dos seus pacientes, desde que não atrapalhassem o tratamento. Indicou a ficha do bebê que carregava consigo, suspirando ao responder o questionamento. “Felizmente sim, não houve rejeição aos novos antibióticos e a listeriose foi parcialmente contida, agora temos que tomar o máximo de cuidado para ela não evoluir em uma sepse mais grave. E na loucura que é um plantão, qualquer cochilo já é lucro.” Comentou, ela mesma não via a hora de passar alguns minutos em um lugar tranquilo. Quando chegaram na porta da UTI, outros médicos tentavam tirar a mulher dali, mas apenas a aproximação de Olivia fora aceita, afinal, Kaylin sabia que ela era a responsável daquele setor. Não falou nada, apenas fazendo relutantemente um sinal positivo para a pergunta feita. Dando alguns passos em direção as duas, Mozart falou em um tom mais ameno. “Não precisa se preocupar, só queremos ajudar. Tá bem?”