
★

Kiana Khansmith
Three Goblin Art
2025 on Tumblr: Trends That Defined the Year

ellievsbear
🪼
Sweet Seals For You, Always
Claire Keane
Game of Thrones Daily
$LAYYYTER

No title available

❣ Chile in a Photography ❣
I'd rather be in outer space 🛸
dirt enthusiast
we're not kids anymore.

pixel skylines
almost home
No title available

shark vs the universe

No title available

seen from Türkiye
seen from United States

seen from United States

seen from Malaysia
seen from United States

seen from United Kingdom

seen from United States

seen from United Kingdom
seen from United States

seen from T1
seen from Japan

seen from Brazil

seen from Kosovo
seen from United States
seen from Sweden
seen from United States
seen from New Zealand

seen from Kosovo
seen from Germany

seen from United States
@meanwhileoutsidethecave
Pierre Soulages
Peinture (1963)
Oil on canvas
LÀ-BAS, JE NE SAIS OÙ...
Véspera de viagem, campainha...
Não me sobreavisem estridentemente!
Quero gozar o repouso da gare da alma que tenho
Antes de ver avançar para mim a chegada de ferro
Do comboio definitivo,
Antes de sentir a partida verdadeira nas goelas do estômago,
Antes de pôr no estribo um pé
Que nunca aprendeu a não ter emoção sempre que teve que partir.
Quero, neste momento, fumando no apeadeiro de hoje,
Estar ainda um bocado agarrado à velha vida.
Vida inútil, que era melhor deixar, que é uma cela?
Que importa? Todo o universo é uma cela, e o estar preso não tem que ver com o tamanho da cela.
Sabe-me a náusea próxima o cigarro. O comboio já partiu da outra estação...
Adeus, adeus, adeus, toda a gente que não veio despedir-se de mim,
Minha família abstracta e impossível...
Adeus dia de hoje, adeus apeadeiro de hoje, adeus vida, adeus vida!
Ficar como um volume rotulado esquecido,
Ao canto do resguardo de passageiros do outro lado da linha.
Ser encontrado pelo guarda casual depois da partida —
«E esta? Então não houve um tipo que deixou isto aqui?»
Ficar só a pensar em partir,
Ficar e ter razão,
Ficar e morrer menos...
Vou para o futuro como para um exame difícil.
Se o comboio nunca chegasse e Deus tivesse pena de mim?
Já me vejo na estação até aqui simples metáfora.
Sou uma pessoa perfeitamente apresentável.
Vê-se — dizem — que tenho vivido no estrangeiro.
Os meus modos são de homem educado, evidentemente.
Pego na mala, rejeitando o moço, como a um vício vil.
E a mão com que pego na mala treme-me e a ela.
Partir!
Nunca voltarei.
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia.
Partir! Meus Deus, partir! Tenho medo de partir!...
- Álvaro de Campos
Chuva
(Rain)
1960
Rolando Sá Nogueira
Louis Icart
Carl Gustav Carus - "Moonlight over pine trees"
Deux nus et un chat, Pablo Picasso, 1903
Watercolor on paper
"Yo no necesito tiempo para saber cómo eres: conocerse es el relámpago".
Pedro Salinas
Lilya Corneli
We Have Not Long to Love
We have not long to love.
Light does not stay.
The tender things are those
we fold away.
Coarse fabrics are the ones
for common wear.
In silence I have watched you
comb your hair.
Intimate the silence,
dim and warm.
I could but did not, reach
to touch your arm.
I could, but do not, break
that which is still.
(Almost the faintest whisper
would be shrill.)
So moments pass as though
they wished to stay.
We have not long to love.
A night. A day....
-Tennessee Williams
O Poema ensina a cair
O poema ensina a cair
sobre os vários solos
desde perder o chão repentino sob os pés
como se perde os sentidos numa
queda de amor, ao encontro
do cabo onde a terra abate e
a fecunda ausência excede
até à queda vinda
da lenta volúpia de cair,
quando a face atinge o solo
numa curva delgada e subtil
uma vénia a ninguém de especial
ou especialmente a nós numa homenagem
póstuma.
- Luiza Neto Jorge
Anjos mulheres – VI
As mulheres voam como os anjos: Com as suas asas feitas de cristal de rocha da memória
Disponíveis para voar
soltas...
Primeiro lentamente: uma por uma
Depois, iguais aos passaros
fundas...
Nadando, juntas
Secreta: a rasar o chão
a rasar a fenda da lua
no menstruo: por entre a fenda das pernas
Às vezes é o aço que se prende na luz
A dobrarmos o espaço?
Bruxas: pomos asas em vassouras de vento
E voamos
Como as asas lhe cresciam nas coxas
diziam dela: que era um anjo do mar
Rondo alto, postas em nudez de ombros e pernas
perseguindo,
pelos espaços, lunares da menstruação
e corpo desavindo
Não somos violencia mas o voo
quando nadamos de costas pelo vento
até à foz do tempo no oceano denso da nossa própria voz
Sabemos distinguir a dormir os anjos das rosas voadoras
pelo tacto?
Somos os anjos do destino
com a alma pelo avesso do útero
Voamos a lua menstruadas
Os homens gritam: – são as bruxas
As mulheres pensam: – são os anjos
As crianças dizem: – são as fadas
Fadas?
filigrama cintilante de asas volteando no fundo da vagina
Nadamos?
De costas, no espaço deste século
Mudar o rumo e as pernas mais ao fundo
portas por trás dobradas pelos rins
Abrindo o ar com o corpo num só golpe
Soltas, viando até chegar ao fim
Dizem-nos: que nos limitemos ao espaço
Mas nós voamos também debaixo de água
Nós somos os anjos deste tempo
Astronautas, voando na memória nas galáxias do vento...
Temos um pacto com aquilo que voa
– as aves da poesia
– os anjos do sexo
– o orgasmo dos sonhos
Não há nada que a nossa voz não abra
Nós somos as bruxas da palavra
-Maria Teresa Horta
CARTAS
Como cierras los ojos,
cierras también los sobres de tus cartas.
La misma voluntad de retener un sueño,
de retener el mundo palabra por palabra
para poder contármelo,
porque la luz, las fechas y el nombre de las calles
y la cafetería de las comidas rápidas
o la penumbra del estar desnudos,
son ahora la huella de tu mano,
imágenes que saben devolverme
los primeros encuentros,
igual que un sueño salva parte de nuestra vida
y nos cuenta su historia
al dejarnos dormidos.
No sé cómo decirte
que soy más tuyo cuando soy del mundo,
porque tu letra tiene
ese color del cielo ya metido en septiembre,
y la tinta es un día con voluntad de lluvia,
el recuerdo cayendo como en una ventana,
horas en tu ciudad, paseos y lugares,
agua que justifica mi mesa de trabajo,
al caer sobre ella en un sobre tranquilo,
en un sobre cerrado
como cierras los ojos al quedarte dormida.
Y soy del mundo cuando soy más tuyo,
por la misma razón que los días de lluvia
nos devuelven palabras de familia
y el olor de la tierra.
- Luís García Montero
O Porto é só uma certa maneira de me refugiar na tarde, forrar-me de silêncio e procurar trazer à tona algumas palavras, sem outro fito que não seja o de opor ao corpo espesso destes muros a insurreição do olhar.
O Porto é só esta atenção empenhada em escutar os passos dos velhos, que a certas horas atravessam a rua para passarem os dias no café em frente, os olhos vazios, as lágrimas todas das crianças de S. Victor correndo nos sulcos da sua melancolia.
O Porto é só a pequena praça onde há tantos anos aprendo metodicamente a ser árvore, procurando assim parecer-me cada vez mais com a terra obscura do meu próprio rosto.
Desentendido da cidade, olho na palma da mão os resíduos da juventude, e dessa paixão sem regra deixarei que uma pétala poise aqui, por ser tão branca.
- Eugénio de Andrade