One Nice Bug Per Day
occasionally subtle

No title available
Show & Tell
$LAYYYTER
Misplaced Lens Cap
Cosimo Galluzzi

❣ Chile in a Photography ❣

Product Placement

if i look back, i am lost
Noah Kahan

@theartofmadeline
KIROKAZE
NASA
The Bowery Presents
Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ
🩵 avery cochrane 🩵
Monterey Bay Aquarium
todays bird
Interview Vampire Daily
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@meanwhileoutsidethecave
Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la. Em cofre não
se guarda coisa alguma. Em cofre perde-se a coisa à vista.
Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por admirá-la, isto
é, iluminá-la ou ser por ela iluminado.
Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por ela, isto é,
velar por ela, isto é, estar acordado por ela, isto é, estar por ela
ou ser por ela.
Por isso melhor se guarda o vôo de um pássaro
Do que pássaros sem vôos.
Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se publica, por isso se
declara e declama um poema:
Para guardá-lo:
Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:
Guarde o que quer que guarda um poema:
Por isso o lance do poema:
Por guardar-se o que se quer guardar.
- Antônio Cícero
Piero Roi
Nude with Demon, William Mortensen, 1926
"From the Ship of Ishtar" by Virgil Finlay.
BLUE
Veré nuevos rostros Veré nuevos días Seré olvidado Tendré recuerdos Veré salir el sol cuando sale el sol Veré caer la lluvia cuando llueve Me pasearé sin asunto De un lado a otro Aburriré a medio mundo Contando la misma historia Me sentaré a escribir una carta Que no me interesa enviar O a mirar los niños En los parques de juego. Siempre llegaré al mismo puente A mirar el mismo rio Iré a ver películas tontas Abriré los brazos para abrazar el vacío Tomaré vino si me ofrecen vino Tomaré agua si me ofrecen agua Y me engañaré diciendo: “vendrán nuevos rostros vendrán nuevos días”.
Jorge Teillier
Al cabo, son muy pocas las palabras
que de verdad nos duelen, y muy pocas
las que consiguen alegrar el alma.
Y son también muy pocas las personas
que mueven nuestro corazón, y menos
aún las que lo mueven mucho tiempo.
Al cabo, son poquísimas las cosas
que de verdad importan en la vida:
poder querer a alguien, que nos quieran
y no morir después que nuestros hijos.
- Amalia Bautista
Pierre Soulages
Peinture (1963)
Oil on canvas
LÀ-BAS, JE NE SAIS OÙ...
Véspera de viagem, campainha...
Não me sobreavisem estridentemente!
Quero gozar o repouso da gare da alma que tenho
Antes de ver avançar para mim a chegada de ferro
Do comboio definitivo,
Antes de sentir a partida verdadeira nas goelas do estômago,
Antes de pôr no estribo um pé
Que nunca aprendeu a não ter emoção sempre que teve que partir.
Quero, neste momento, fumando no apeadeiro de hoje,
Estar ainda um bocado agarrado à velha vida.
Vida inútil, que era melhor deixar, que é uma cela?
Que importa? Todo o universo é uma cela, e o estar preso não tem que ver com o tamanho da cela.
Sabe-me a náusea próxima o cigarro. O comboio já partiu da outra estação...
Adeus, adeus, adeus, toda a gente que não veio despedir-se de mim,
Minha família abstracta e impossível...
Adeus dia de hoje, adeus apeadeiro de hoje, adeus vida, adeus vida!
Ficar como um volume rotulado esquecido,
Ao canto do resguardo de passageiros do outro lado da linha.
Ser encontrado pelo guarda casual depois da partida —
«E esta? Então não houve um tipo que deixou isto aqui?»
Ficar só a pensar em partir,
Ficar e ter razão,
Ficar e morrer menos...
Vou para o futuro como para um exame difícil.
Se o comboio nunca chegasse e Deus tivesse pena de mim?
Já me vejo na estação até aqui simples metáfora.
Sou uma pessoa perfeitamente apresentável.
Vê-se — dizem — que tenho vivido no estrangeiro.
Os meus modos são de homem educado, evidentemente.
Pego na mala, rejeitando o moço, como a um vício vil.
E a mão com que pego na mala treme-me e a ela.
Partir!
Nunca voltarei.
Nunca voltarei porque nunca se volta.
O lugar a que se volta é sempre outro,
A gare a que se volta é outra.
Já não está a mesma gente, nem a mesma luz, nem a mesma filosofia.
Partir! Meus Deus, partir! Tenho medo de partir!...
- Álvaro de Campos
Chuva
(Rain)
1960
Rolando Sá Nogueira
Louis Icart
Carl Gustav Carus - "Moonlight over pine trees"
Deux nus et un chat, Pablo Picasso, 1903
Watercolor on paper
"Yo no necesito tiempo para saber cómo eres: conocerse es el relámpago".
Pedro Salinas