Andrea Kimi’s history.
Toda história começa antes do primeiro choro. A de Kimi começou nove meses antes, quando um coração ainda invisível passou a bater dentro de outro. Ninguém imaginava que aquela pequena vida carregaria consigo alegrias, perdas e escolhas capazes de transformar o destino de tantas pessoas. O pequeno italiano, com traços distintos da mãe, trouxe com seu nascimento, a alegria para a família Schwarzova-Ackermann. Quando criança, sonhava em ser como seu avô, correr como ele, ser o orgulho da sua mãe. Claro, para preservar sua saúde mental, optaram por colocá-lo em uma escola de futebol, mas Andrea não sonhava com isso. Sonhava em ser o herói do seu país, mas no automobilismo. Cresceu em meio à conversas de carros, ouvia o ronco dos motores, sentia o cheiro dos pneus. Tudo o agradava, e então, a decisão conjunta foi tomada. Aos oito anos, Antonelli entrou para o kart.
Houve tentativas, vitórias, perdas. Mas ele brilhava, se destacava com o cabelo loiro e os olhos castanhos dóceis em meio ao caos. Ganhou o campeonato de kart, e então, buscou as equipes principais. Sua primeira escolha foi a Scuderia Ferrari para o abraçar em meio às vitórias. A resposta veio como uma facada: não. Não o aceitaram no programa de jovens pilotos. Kimi viu o sonho passar diante dos seus olhos, chorou no colo de sua mãe dizendo que não era bom o suficiente. Mas lá estava uma surpresa: Toto Wolff entrou em contato dias depois, dizendo que estava interessado em Antonelli para o programa de pilotos da Mercedes. Os olhos do pequeno brilharam quando esteve lá pela primeira vez, conhecendo pilotos que já havia se deparado no kart e agora estava vendo na F4. Todos brilhantes, inspiradores para a nova geração. Paralisou quando viu Hamilton e Rosberg, pensando se um dia seria como eles, se chegaria a ser o piloto principal, não apenas um reserva. E como sempre, Sabrina estava lá, apoiando o filho, dizendo que tinha orgulho de suas conquistas.
Campeonatos vieram, vitórias e amizades, mas para Kimi, a família era mais importante. Era grudado em Madelyn, sua tia. Se via nela, confiava para contar todos os seus segredos, assim como confiava em sua mãe. Amava ter a família reunida, porque sabia que riria e lembraria desses momentos para sempre. E quando lhe foi informado que precisaria pular a F3, Antonelli sentiu a Terra girar mais rápido. Estava tudo passando rápido demais, ele entraria na Fórmula 1 aos dezoito, a idade certa, mas duvidava de si mesmo, pensava se realmente estava pronto para encarar isso.
A Fórmula 2 veio como um raio. Tinha dezessete, deveria estar aproveitando o seu último ano como adolescente, saindo com os amigos e ficando com a família, mas não. Vivia na sala de simulador, dormia três horas à noite, viajava toda semana, mesmo quando não era necessário. Era cansativo, e Kimi aprendeu a lidar com isso, aprendeu a não ver sua família com a frequência anterior. Sua primeira vitória foi um alívio, nunca esqueceria do dia em que ergueu aquele troféu, se sentindo vitorioso. Em seguida, o aniversário de dezoito anos. Uma semana depois, estava lá, preparado para entrar em um carro de Fórmula 1, e foi um desastre. Andrea viu o carro bater, e naquele momento, pensou que era o fim. De prodígio saiu para fracasso. Deixou o carro sem olhar para trás, sequer falou com sua família, que estava ali, acompanhando de perto. Entrou no quarto improvisado e chorou. Chorou por horas, até ir para o hotel, onde chorou novamente com sua mãe e sua tia. Dias depois foi anunciado como piloto que substituiria Lewis Hamilton, o melhor piloto da atualidade.
E quando dois mil e vinte e cinco chegou, Antonelli estava lá, fazendo sua estreia. Se classificou em décimo sexto lugar, e na sua primeira corrida, terminou em quarto. Era uma corrida de recuperação que o deixou sem fôlego, e por um momento, o peso saiu de seus ombros. Era merecedor daquele assento, merecia estar naquela equipe. Chorou como da primeira vez, mas dessa vez, era pura felicidade. Ao longo do ano houve pódios, abandonos, ameaças que o fizeram querer desistir, mas como sempre tinha o apoio necessário para se manter, e foi o que fez; permaneceu no lugar, com a cabeça erguida e as respostas curtas e positivas. Merecia aquilo, e nada tiraria isso de sua cabeça.
Junto com os dezenove anos veio as decepções amorosas e a descoberta de sexualidade. Pensava que poderia gostar de meninas, mas depois de longos anos, notou que, na verdade, sempre se imaginou casando com um homem. Sua maior paixão foi quem mais o magoou, e quando aconteceu, Kimi se permitiu chorar, sair de Mônaco por um mês para sofrer em paz. A dor do amor era aguda, rasgava o peito como se seu coração estivesse sido arrancado. Era amargo na garganta e deixava os olhos inchados de tanto chorar. Mas com isso, veio o aprendizado. Terminou relacionamentos por saber que não era o que merecia, porque junto das infelicidades, seus dezenove anos trouxeram Hazel, sua filha. Seu maior orgulho no mundo. Antonelli se esforça para ser o pai que nunca teve ao lado, se esforça para dar orgulho para sua pequena, tal qual sente de sua mãe, uma mulher brilhante e talentosa que o enche de orgulho a cada dia.
Para Sabrina, 2006 foi um grande ano, mas para Kimi, foi apenas o começo da história do próximo ídolo italiano; ele mesmo.















