Spoiler, primeiro capítulo.
O problema sou eu, sempre é. Para mim tudo ao meu redor parece certo, mas o que está em mim, errado. É como se eu estivesse deitado em um travesseiro de problemas, sendo meu próprio inimigo, e infelizmente, nos contos de fadas são as mocinhas as salva, não os cavaleiros. Não posso deitar e esperar uma princesa montada em uma égua branca, porque não irá acontecer, eu tenho que fazer acontecer. Por que parece que tudo no mundo tem que ser feito por mim.
Andei sobre a ponte, pronto para saltar. Se eu estava quebrado, que pudesse esconder os vestígios da causa, ser traído nunca é algo bom para a nossa imagem. Acho que a bebida em meu organismo estava me deixando sentimental. Estou entendendo agora qual é a sensação das pessoas que se jogam daqui antes de pular. Todos temos agonias, olha que a minha só é de um dia, e a deles? Podem ser semanas, meses, anos. Nunca sabemos por que não chegamos a perguntar; se preocupamos somente quando vemos a pessoa com os pés saindo fora e depois, nada.
Elas são forte, as vejo assim. Porque eu no meu primeiro dia de dor estou desistindo.
Observo tudo ao meu redor e estou com consciência de que não teria ninguém para me impedir de cometer essa loucura, por que afinal, meus amigos se foram, meu namoro acabou e minha família esta longe demais para poder fazer algo. Meu carro havia ficado para trás assim como meu celular, eu sequer me lembro de como cheguei até aqui. Minha memória está embaçada.
Sou um idiota, bêbado.
Nova York nunca dorme, luzes podem ser apagadas, porém, outras se acendem no lugar. E aqui estou eu, sozinho na ponte do Brookylin. Quando criança você se importa com qual doce irá comer primeiro, ai você cresce e tudo muda. Complicando metade dos trilhos do seu destino, e eu me pergunto, porque não podemos continuar a nos preocupar com os doces? Seria tão mais fácil.
- EU ODEIO A VIDA.












