«Pode perguntar-se [...] para quê. A resposta da ciência é obvia: para saber. Em tempos como os nossos, pergunta-se muitas vezes o mesmo que perguntou o Califa Omar diante dos 500 000 rolos de papiro da Biblioteca de Alexandria que guardavam todo o conhecimento da Antiguidade Clássica: para quê? E frequentemente, hoje como há 14 séculos, uma tal pergunta é prenúncio de incêndio. A resposta “para saber” não chega. E suscita frequentemente nova pergunta: saber para quê? Por isso as universidades portuguesas, ou grande parte delas, deixaram hoje de ser lugares de saber para se tornarem em lugares do “saber útil”, e a mais das vezes apenas do “saber imediatamente útil”. Se dependesse de boa parte da Universidade Portuguesa actual, o Sol giraria ainda à volta da Terra, pois não se vislumbraria que “utilidade” imediata teria saber que é a Terra que afinal gira à volta do Sol.»
— Manuel António Pina, Crónica, Saudade da Literatura.

















