Estamos no mês mariano, recordo as noites dedicadas a Maria, tinha as novenas em nossa Igreja Matriz, cujo padroeiro local é Nossa Senhora do Patrocínio, e as comunidades rezavam os novenários e no fim do mês, e ou ínicio de Junho aconteciam as Queimações de Flores, bom lembrar que nossa mãe sempre nos levava nesses eventos, a mesma era devota de Nossa Senhora da Conceição.
Em nosso bairro, recebíamos a Imagem da Mãe Peregrina, cada familia recepcionava as pessoas da comunidade e rezava o Santo Terço em suas casas, durante um dia do mês, eu me recordo que fazia as leituras do Santo Evangelho, e até arriscava a cantar alguns Cânticos, apesar da timidez.
No Dia das Mães , eu acordava cedo e corria para ligar o Rádio no "Paradão Sertanejo", cujo locutor era meu padrinho de Primeira Eucaristia "Doda", na esperança de ganhar algum prêmio, que os patrocinadores sempre doavam, e eu, pretendia ser um dos sortudos, para poder presentar nossa mãe, neste dia tão especial.
E não é, que na maioria das vezes, dava certo.
Eu fui contemplado com alguns prêmios: um Kit formado por 2 cosméticos e uma torta bem recheada, oferecida por determinada Panificadora.
Lembro-me que tinha uma vizinha nossa que também participava dos sorteios matinais, da famosa Rádio Jardim, ela sempre ligava de um Orelhão, localizado na rua de cima.
Naquele domingo em especial, os parentes mais próximos sempre visitavam nosso lar, e em suas mãos era possível visualizar algum embrulho, em cores diversas e formatos diferentes.
Visto por um olhar de uma criança, o brilho nos olhos e em seu semblante, podia-se notar uma certa ansiedade, por querer saber quais presentes ela teria ganho: "fazia uma listagem mental, imaginando o que poderia ser: uma caixa de copos transparentes, floridos e ou não, um conjunto de toalhas felpudas , ou até mesmo um dos perfumes preferidos."
As músicas tão conhecidas do REI, eram tocadas e repetidas mais de uma vez, ainda me pergunto como Mamãe não registrara um dos diversos filhos de Roberto Carlos , uma vez que era tão fã.
Na programação daquela manhã, tão tradicional do Dia Das Mães, com aquelas canções, era normal encontrá-la, encostada no fogão, preparando o almoço e choramingando, lembrando de nossa Vó, Dona Ziziu.
Os seus filhos que moravam em " São Paulo"- em cidades diversas, sempre lembravam de ligar para parabenizá-la, o corre-corre para atender os telefonemas, era disputado pelos irmãos mais novos , nesse tempo já tínhamos o Telefone Fixo, iniciado em 83 3364 xxxx .
Já em anos anteriores, ainda existia a famosa " TELPA", lugar este, onde era agendado um horário para receber ligações, em uma cabine fechada, com vidros transparentes e poltronas não tão macias, onde mal cabia duas pessoas.
Recordam:
Voting ended onMay 18, 2024
Se localizava ao lado, onde hoje funciona a Panificadora Imperial em Remígio PB, lembro que muitas vezes, as ligações eram sempre nas tardes de sábado, não sei se as ligações nesses dias, eram mais baratas ou seria por ser nessa hora que mãe, saía do trabalho nos fins de semana.
Já que toquei nesse assunto,trabalho era seu norte : artesã de mão cheia, dominava o tricô,o ponto cruz, fazia pequenos reparos em roupas de vizinhos( e ganhava alguns trocados com essa atividade), e sem falar que ainda tinha alguns caloteiros, que ela deixava passar, mostrando ter um grande coração.
"Como não se lembrar daquela máquina de costura da marca SINGER?!!"
Quando nossa mãe saía de casa, a imaginação dos meninos aflorava e passava a ver aquela máquina, como uma direção de carro, e assim pequenos minutos de diversão era vivenciada.
Nos meses que antecediam Junho, ela trabalhava ainda mais do que o normal, com o SISAL, que servia para confeccionar chapéus de palha, para as quadrilhas juninas da região, e também para a produção de vassouras, que seria vendida por encomenda, para complementar a renda familiar.
Aos domingos sempre a acompanhava até a feira livre, localizada ao lado do Colégio Estadual JBS, ela sempre vendera chapéu a Seu Antônio, e muitas das vezes, nem recebia o dinheiro no mesmo Domingo.
Éramos responsáveis por fazer as compras de frutas, verduras e legumes, então, visítavamos o banco de TIA Dalva e Francisco, e eu acabava comprando alguns pastéis e coxinhas, com as moedas que meu irmãos Valdo e Docarmo me davam, em uma barraquinha de salgados, que se fiacava ao lado.
Lavava e passava roupas para algumas famílias, uma das cenas marcantes: "antes de começar a lavagem das peças, ela sempre inspecionava os bolsos, pois poderiam ter esquecido algum papel e ou documento importante, porém, as vezes encontrava uma cédula e ou algumas moedas, que mamãe sempre devolvera, assim nos mostrando e ensinando o valor da Honestidade."
Não saberia calcular ao certo, quantas "trouxas" de roupas, foram entregues naquelas casas, e ou até mesmo, quantos Km's aquele carrinho de mão percorrera, no decorrer de todos aqueles anos.
Porém, ao recolher as diversas peças de roupas naquele varal, localizado no pequeno quintal, passá-las e dobra-las com todo o carinho e estima, ao anoitecer, um dos filhos era escolhido, para fazer a entrega e recolher o pagamento.
Nossa genitora chegou a frequentar até a Sexta Série, no auge da sua Terceira Idade, ou como falamos hoje, Melhor Idade, ela decidiu retornar os estudos na Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Eu , a acompanhava em suas aulas, na mesma escola, onde estudava à tarde, ou seja no Dr. Cunha Lima.
Do seu portão lateral, era possível avistar nosso abençoado Lar, com sua ladeira de paralelepípedos íngremes, e por isso , sempre pegava em seus braços e dava o devido apoio na descida para casa.
Durante um certo ano letivo, uma das professoras era sua comadre, e nos intervalos das aulas colocavam os papos em dia, e noticiava sobre o afilhado e como andava o restante da "grande família".
Em certas matérias do Quinto Ano, eu me sentia um Aprendiz de Professor, tirando dúvidas dos colegas de sala e os auxiliando em alguns deveres.
Algumas pessoas daquela época, atualmente, ao andar pelas ruas da cidade as encontro, relembro os olhares e faces tão ávidos por conhecimento, alguns, até dos nomes eu recordo.
Nesse ano de Dois Mil e Vinte Quatro faz dez anos de sua partida para a morada Celestial, porém, tem momentos que parece que foi ontem, por exemplo, em algumas datas específicas a lembrança é ainda MAIOR: Dia Das Mães, 29 de Maio, 15 de Agosto , 8 de Dezembro, enfim, a SAUDADE é ENORME.
Mas, o que nos conforta é saber que ela está BEM, intercedendo por NÓS, foi uma GUERREIRA aqui na Terra, criou uma grande FAMÍLIA, com simplicidade e deixou como herança seus valores e ensinamentos, que lembramos até hoje.
Passando para parabenizar as Mamães da nossa Família, e do público em geral, desejar tudo de bom.
#diadasmaes #carta #2024 #família #meuprimeirodeabril #colodemae