às vezes ainda sonho com você não faz sentido, é como os sonhos em que preciso voltar à escola, para ter aulas de matemática, é estranho mas vou e me atraso e nunca lembro como resolver a equação, acho injusto dedicar meu tempo a problemas que não me servem hoje, fico aflita e percebo: é um sonho. é você embora eu não queira te encontrar e há um estranhamento, não nos falamos nem em sonho pois o corpo guarda a memória do cansaço das últimas conversas, a repetição interminável, não sobrou o que dizer. acordo me perguntando como sonhar o silêncio? quero crer que esses sonhos esquisitos signifiquem que é possível viver sem dominar álgebra e abandonar ilusões do que não era amor, esquecer o medo de não saber as fórmulas: uma hora a gente acorda
— "presságio", de Stephanie Borges.










