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i just want to sit in front of the ocean for a little while
Ă© possĂvel ensinar amor com adeus. mas antes vocĂȘ precisa fazer entender que algumas partidas sĂł dizem respeito a quem partiu. antes vocĂȘ precisa repetir que nada tem a obrigação de ficar e que ir nĂŁo precisa significar falta de amor - assim como permanecer nĂŁo Ă© excesso. vocĂȘ precisa se fazer entender que tĂĄ tudo bem, que Ă© tudo trĂĄfego, que vai ser incrĂvel de novo. e entĂŁo vocĂȘ vai. vocĂȘ olha pra trĂĄs sabendo que nĂŁo feriu ninguĂ©m e apesar disso vocĂȘ dĂłi porque ir tambĂ©m é tĂŁo difĂcil. Ă© possĂvel ensinar autoapreciação com adeus. Ă© sĂł vocĂȘ dizer, exaustivamente, que aquela outra pessoa jĂĄ era imensa sem vocĂȘ e que ela vai continuar e que vocĂȘ Ă© absurdamente grato por tudo que ela tambĂ©m te ensinou, por todos os bons momentos e manias que com ela vocĂȘ absorveu. porque o fim, esse sobre o qual a gente se desdobra, nĂŁo precisa ser sempre tĂŁo doĂdo e, caso seja, nĂŁo precisa ser a Ășnica verdade que a gente conhece. porque Ă© possĂvel ensinar eternidade com adeus. a memĂłria cuida disso. o universo vai te perdoar por vocĂȘ ter sido honesto ao desistir.
lifeâs too short to be sad over people who donât care about you
a gente tenta disfarçar que não dói sair, assim, da vida de alguém. instantaneamente. como se ela nunca tivesse pisado os pés na nossa Lua. como se tal pessoa nunca tivesse entrado em nós em todos os aspectos. como se ela não tivesse nos visto sangrar. doer pelas asperezas do mundo. chorar descompassadamente em dias completamente ruins, onde os postes da cidade cedem à chuva e os casais terminam seus relacionamentos de anos bem no meio da rua.
a gente muda o percurso para não lembrar. evitamos os lugares como as praças, as ruas próximas à faculdade, as livrarias badaladas por onde mãos conversavam e olhares atestavam que existia amor.
o seu medo Ă© ir a esses lugares e perceber que o amor ainda existe.
a gente tenta disfarçar que não dói aquela pessoa indo embora de nós tão råpido quanto cometa que ameaça se chocar com a terra. vamos à padaria ouvindo outra playlist que não a criada para ser ouvida por ambos; muda-se os planos: não mais rio de janeiro, bahia talvez seja melhor. exclui-se do facebook, instagram e todas as outras redes sociais. apaga-se da memória como se fosse um cordão umbilical, corta-se os laços afetivos com os amigos, familiares, tudo que lembre-o. a gente disfarça indo a festas, a lugares desconhecidos, a salas de terapia. tå tudo bem, dizemos.
por dentro, ruas devastadas e palpitação toda vez em que ouve-se o nome dele. é ele ali do outro lado da rua?
tanto medo de encontrar com ele e ele estar com outro. como vou sobreviver a esse choque que Ă© encontrĂĄ-lo seguindo a vida?
as pessoas saem da nossa vida na mesma medida em que entram, atĂ© mesmo antes. algumas delas, vĂŁo mais rĂĄpido do que queremos ou esperamos. quando jĂĄ se vĂȘ, elas estĂŁo em outros lugares, com outras pessoas, fazendo outros planos.
as pessoas tendem a fugir da solidĂŁo do tĂ©rmino. quando nos encontramos sozinhos, ficamos desesperados pela ideia de autoconhecimento. nosso cĂ©rebro busca qualquer mĂnima distração que nos dĂȘ a impressĂŁo de que estamos seguindo, mesmo que minimamente. o ponto: aquela pessoa que foi embora da sua vida estĂĄ, provavelmente, na mesma situação inerte que vocĂȘ. pessoas que estendem a bandeira do descompromisso, da felicidade instantĂąnea, do estar com todos e com ninguĂ©m, provavelmente amargam, todos os dias, a consciĂȘncia de perceberem que estĂŁo sozinhas.
nĂŁo Ă© porque ele seguiu por um caminho aparentemente feliz que ele estĂĄ feliz. mas vocĂȘ nĂŁo precisa pensar nisso. jĂĄ foi, acabou.
inevitavelmente, caçamos momentos para lembrar que foi bom. em algum ponto foi bom. não sabe-se quando deixou de ser, nem quando o relacionamento esfriou, muito menos se houveram reais motivos. algumas pessoas só vão. para:
alastrarem irresponsabilidade
espalharem desamor
ferirem outras pessoas
talvez vocĂȘ tenha sido escolhida para estar naquele espaço-tempo porque necessitava aprender um pouco. ou talvez porque precisasse ensinar.
entĂŁo nĂŁo se sinta culpada porque ânĂŁo deu certoâ. ou porque âele estĂĄ feliz agoraâ
ou porque seu percurso precisa ser mudado pois vocĂȘ nĂŁo suporta lembrar que ele existe ali, naqueles centĂmetros entre a casa e a faculdade. entre o bar e a livraria.
nĂŁo se sinta menor porque ele entrou na sua vida e saiu dela apressadamente. vocĂȘ Ă© um quadro grande e bonito. tem uns gizes ao lado. estĂĄ na hora de aprender.
esse texto sempre vai ser uma mĂŁo quente na cicatriz crua que a vida depositou em mim.
te olhei e disse que era a primeira vez em que nos tocĂĄvamos sem ter de repetir que nĂŁo era tĂŁo errado assim se existia amor
vocĂȘ alisou minhas coxas e confessou que eu fui o amor da sua vida por um tempo eu sempre soube, gustavo apesar do seu medo em ser qualquer coisa pra alguĂ©m
quando decidi sair da sua vida e vocĂȘ me disse que nunca mais serĂamos parte da mesma coisa, pensei se nos verĂamos de novo te perguntei se naquela cama cabiam duas dores e vocĂȘ disse que cabia a minha a sua resolveu viajar assim que eu cruzei sua sala vocĂȘ me falou do amor que sente pela minha capacidade de resiliĂȘncia e foi por isso que eu abri o zĂper daquela sua calça jeans de mil anos
vocĂȘ me pediu pra nĂŁo me jogar nas vontades atravessadas por medo de ser uma dessas mulheres que nĂŁo vivem e eu te perguntei se vocĂȘ me amava
vocĂȘ me olhou nos olhos e disse que sentia saudade
e eu quis transar com vocĂȘ, ali, por esse motivo e por outros porque vocĂȘ foi sincero comigo depois de tanto tempo
e porque seus olhos me excitam depois de tantas marcas e mĂĄgoas era sobre perdĂŁo esse nosso encontro era sobre nĂłs dois naquela cama de novo sem nenhuma culpa
eu me lembrei que nunca a senti antes mas nĂŁo era uma espĂ©cie de liberdade ser sua agora Ă© e eu sĂł estive com vocĂȘ
não mais pertenço
Eu sei que vocĂȘ tambĂ©m tem medo das partidas, petite. Porque o cĂ©u nĂŁo serĂĄ mais o mesmo e as flores nĂŁo serĂŁo mais as mesmas e os discos nĂŁo tocarĂŁo mais as mĂșsicas da mesma maneira. Eu estou cansada e Ă© por isso que preciso da partida: porque estar presa em um ponto nĂŁo satisfaz a minha humanidade e o meu coração Ă© muito precioso para ser submetido a cordas e sufoco. Os meus olhos Ă s vezes pesam tanto que sequer hĂĄ lĂĄgrima - a vida jĂĄ me cobrou demais e ontem mesmo li sobre 61 poentes e despertares. HĂĄ algo que vocĂȘ precisa entender, jĂĄ dizia Nina: âVocĂȘ precisa aprender a se levantar da mesa quando o amor nĂŁo estĂĄ mais sendo servidoâ. Ăs vezes a gente precisa colocar os pĂ©s descalços no mundo.
C.
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