Kate estava cansada, não cansada como na maioria das vezes fica logo depois de ajudar nos campos de morango, mas cansada de tudo, do acampamento, das pessoas, dela própria, Kate simplesmente não sabia o que estava ainda estava fazendo no acampamento, a menina decidiu se livrar daquele pensamento antes que começasse a se perguntar qual era o sentido da vida. Mas tinha que admitir que estava um pouco nervosa com a missão, não que nunca tenha feito isso, mas dessa vez eles tinham que salvar alguém (vivo, de preferência). Kate colocou seu grande casaco de frio e as coisas que precisaria na mochilas, ou seja, armas, néctar e uma leva de roupa, saiu do chalé com seus fones de ouvido e foi direto ao portal, a menina nunca tinha falado com aquelas pessoas, com exeção de Dianna, que sabia a… mania de Kate pegar a bebida dos irmãos. Quando chegou no lugar ja estavam todos reunidos, Mathieu estava falando alguma coisa, Kate não estava o ouvindo por causa dos fones , mas sabia o que tinha que fazer, ajudar e dar seu melhor, só isso, sem questionar ou nada, bem, ela tinha que ajudar e não ser morta.
Quando Kate finalmente atravessou o portal a garota observou o lugar, não era um hotel cinco estrelas mas Kate já havia visto piores, aquele lugar era agradável em comparação ao chalé de Hermes. A garota seguiu seus companheiros mesmo sem saber para onde iam, a menina comprou uma passagem com o resto de dinheiro que tinha e fez uma cara triste por seu dinheiro e por não terem tempo de ir a praia, eles estavam em uma ilha, as praias de lá eram lindas, e eles nem tinham tempo para dar uma passadinha, mas a menina achou um salgadinho dentro da mochila então se contentou e seguiu para dentro do ônibus. Por um tempo a garota ficou cantando e performando "pocket of sunshine" era inevitável não rir da garota, mas ela não ligava pra isso, não mais. As músicas foram ficando mais chatas, o salgadinho havia acabado e seu livro tambem, decidida que iria ficar acordada a viajem inteira Kate foi falar com Mathieu. Aquilo devia ser horrível, ser afastado da pessoa que mais ama, ela nunca se imaginaria em seu lugar, namorando, afinal, ela era Kate. Mesmo nunca ter falado com o menino e sendo horrível nessas coisas sentimentais e conselhos resolveu abrir a boca mesmo assim - Eu não posso falar que eu te entendo, por que eu não, nunca passei por isso mas eu tenho um palpite que deve ser uma merda, mas vamos resgata-la e tudo vai “ficar bem”- Kate fez uma aspas com os dedos, por que nada nunca iria ficar bem, deuses, Kate parecia uma gótica melancólica. - Eu quero dizer que vai ficar tudo bem- Kate falou enrolada, não queria ser pessimista - Não tudo bem bem, por que nós somos semideuses e nada nunca vai ficar bem… eu, não, que não quis dizer isso, hm… quer saber, e-eu acho melhor eu voltar para o meu lugar- dito e feito, a garota voltou para o lugar vermelha, deuses, ela era realmente horrível nisso.
Ao chegarem até a rodoviária, Mathieu olhou em volta, parecia que agora tinha 14 anos de novo. Fora em uma rodoviária tão suja quanto àquela que ele pegou um ônibus até o aeroporto internacional Provence Marseille, em Marselha, a cidade onde ele nasceu, mas ao contrário do que fazia agora, ele olhou para trás, para cidade que estava deixando. Ele amava aquela cidade, pois se lembrava muito bem de quando chovia e pisava em poças d’água. Ele amava quando nevava também e como fazia anjos de neve no chão, mas também estava feliz em partir. Seria um recomeço para uma história triste, seria um recomeço para uma história que acabou com Mathieu sozinho e sem ninguém. E foi um recomeço, mas agora ele teria de salvar seu recomeço.
O garoto se sentou no ônibus ao lado da janela, olhando para a paisagem do lado de fora. Era final de julho, inicio de agosto. Ainda era verão, por isso o clima estava quente e um pouco abafado. As chuvas de verão caiam com frequência e naquela viagem não foi diferente. A chuva começou minutos depois de entrarem no ônibus, e minutos depois Kate se sentou no lugar vazio ao lado de Mathieu e começou a falar. Uma parte dele queria pedir para garota calar a boca e voltar para seu lugar, mas ele preferiu deixá-la falar e ignorar boa parte do que ela disse. No final – quando ela voltou para seu lugar – ele não sabia nem o que ela tinha falado e só deu de ombro e resolveu voltar a olhar para fora novamente, ignorando todos à sua volta.
Somente quando Dianna se moveu, ele olhou. Ela era o Oráculo de Delfos, o que significava que a garota seria útil, poderia guiar o caminho certo. Ela parecia inquieta. — O que foi? — Perguntou ele estreitando os olhos. Se ela estava sentindo algo, poderia ser um perigo se aproximando. Sem pensar, ele desenrolou sua corrente, deixando-as a mostra, porque era a melhor opção. Não sabia o que os mortais iriam ver, mas sabia que não poderia se importar com isso agora. — Você está vendo algo? — Perguntou um pouco mais apreensivo. Ele era o líder. Era sua responsabilidade.
A viagem de ônibus foi chata, como qualquer viagem de ônibus. Estava sentada. Depois de um tempo, Micaela veio sentar ao seu lado. Nunca tinha visto a garota antes, mas não sabia o que pensar dela, parecia que seus dons (como Apolo insistia em chamar) não estavam funcionando na direção de sensações. Ela sentia algo sempre que via uma pessoa, se ela era confiável, chata, irritante e outras coisas. Dianna achou que era por causa que falou sua primeira profecia. Aquilo era algo grande, ainda mais sete.Olhava pela janela e divagando. Pensou em seu pai, e de como eles viviam antes, lembrou de sua morte e o que significou para ela. Se abraçou quando uma imagem de seu pai sorrindo lhe passou pela mente.
Estava quase dormindo quando viu a placa que avisava mudança de estado. A hospedeira do oraculo se afirmou no banco e ficou atenta. No chão havia um rastro de luz. Na mesma hora soube o que era. Levantou correndo, tropeçando nas pernas de Micaela quando foi para o corredor. Seguia a linha com os olhos e corria até o começo do onibus onde o motorista estava. Mathieu falava com ela, mas ela o ignorou. Chegou na cabine onde um homem estava sentado no banco de frente para o volante. Olhou pelo para-brisa e viu a linha. “O moça, você não pode ficar aqui não” Dianna ignorou o motorista. Conseguiu ver mais para frente que a linha fazia um curva. “ Você vai seguir reto? Você vai seguir reto com o ônibus?” falava com voz de autoridade. O homem ficou atrapalhado por um minuto mas respondeu: “Claro, isso é uma rodovia, mas você não pode ficar aqui mo…”. Dianna o interrompeu. “Pare agora” o motorista a olhava confuso e sem acrediar. Ela se irritou. Olhou a plaquinha em seu uniforme que dizia Dave. Deu o seu melhor sorriso de psicopata:”Dave, não é?” não esperou pela resposta "Vamos fazer o seguinte: você para agora essa merda de ônibus ou eu te mato, você entendeu ou quer que eu desenhe? Já sei, que tal te mostrar a minha arma? Aí que sabe você para de me olhar com a essa de burro e estaciona essa merda!" pegou a arma na cintura e encostou na cabeça do homem "Já pode parar" como ele demorava muito, ela aumentou a pressão da arma na cabeça. Dave encostou no acostamento. "Abra a porta" falou para ele, virou para o resto do ônibus. Estavam todos assustados, a olhando como se fosse louca. Seus companheiros também. Estavam em pé assistindo o show. "Vamos" para eles. A porta abriu e eles desceram. Sabia que iriam ter problemas com a policia, de novo, mas esperava que eles estivessem na segurança do acampamento. Com os pneus cantando, Dianna assistiu o ônibus indo embora. Virou para as três pessoas que a olhavam como se ela precisasse ser internada em um hospício, de novo. "Por aqui" começou a andar para perto da linha "Estou vendo uma linha e é o caminho até Alice, tenho certeza". Sabia que era uma explicação pobre para o que aconteceu, mas não se importava. Simplesmente andou