Sabia que não era certo estar despejando toda a confusão que vinha alimentando mentalmente em cima do rapaz mais jovem, mesmo que ele fosse o principal fruto de todo aquele pandemônio que estava fazendo uma grande bagunça com tudo o que Jaeyoung tinha estabelecido e que acreditava até aquele ponto da sua vida — ou se forçava a acreditar. Assistir um Seungjin confuso provavelmente só fez piorar toda a situação, o mais velho liberando um suspiro profundo antes de tomar todas as forças e se levantar, agindo por impulso. – Vem aqui. – pediu quando puxou o seu braço, esperando que ele lhe acompanhasse com a porta do terraço aberta, mas não demorou para estar pulando todos os degraus da escada até alcançar o apartamento que eles dividiam alguns andares abaixo. Jae nem ao menos se deu conta de encostar a porta quando passou por ali, ou esperar o melhor amigo como faria em circunstâncias normais e empurrou a porta do próprio quarto aberta que, claramente estava mais desorganizado do que o normal, tanta coisa enchendo a sua cabeça. A pasta de desenhos que ele só pegava de semanas em semanas para guardar um rascunho ou outra estava abarrotava de papéis, esses que ele fez questão de espalhar pela cama, dando a chande do outro os observar. – Sua causa. – o murmúrio veio tão mudo que se o quarto não estivesse tão silencioso ele provavelmente não seria ouvido. – Eu não consigo parar de pensar em você desde aquele dia, Jin-ah. E não do jeito usual.
Esperava por algum tipo de resposta vinda do mais velho, mas definitivamente não esperava pela maneira com que ele se levantou e lhe puxou, as sobrancelhas erguidas em pura surpresa quando passou a seguir Jaeyoung, mesmo não fazendo a menor ideia do que estava acontecendo. -- Mas, o cometa... -- tentou falar, como se avisasse que o perderiam, mas mesmo assim continuou andando escada abaixo até finalmente chegarem em seu apartamento, Seungjin ainda extremamente confuso com tudo o que estava acontecendo. Poderia dar um palpite do que Jae estava fazendo, mas sua cabeça estava totalmente vazia. Seguiu o menino até seu quarto, observando, parado, enquanto ele pegava a pasta de desenhos que Jin conhecia vagamente. No entanto, tudo começou a ficar mais claro em sua mente conforme Jae espalhava os desenhos em sua cama, o corpo de Seungjin congelando assim que percebeu o que exatamente aqueles papéis exibiam. Imóvel, escutou cada mínima palavra de Jaeyoung, os olhos fixos na cama enquanto se aproximava devagar da mesma, erguendo um dos desenhos para analisá-lo de perto, e ver os traços de seu próprio rosto rabiscados ali era uma sensação que Jin não saberia descrever, principalmente pelo ato ter vindo de Jaeyoung. A testa levemente vincada com a nova descoberta fez parte da expressão de Seungjin quando o mesmo se virou para fitar o mais velho, engolindo em seco. -- Hyung... -- a palavra lhe escapou antes que pensasse no que falaria; era como se tivesse se esquecido de como formar frases coerentes. Se abrisse a boca novamente, era provável que o som das fortes batidas de seu coração saísse e fosse uma explicação melhor do que qualquer outra coisa que Seungjin pudesse falar. Ainda tinha o papel em mãos, e ao fitá-lo por mais alguns segundos, decidiu que não conseguiria se expressar de qualquer outra maneira. Portanto, num impulso, decidiu jogar todas as suas chances ao ar e deixou o papel cair de suas mãos até a cama novamente, logo se virando para Jaeyoung e aproximando-se até não haver espaço algum entre os dois; até que ambas as mãos pudessem encontrar seu lugar nas laterais do rosto do mais velho e até que pudesse puxá-lo mais para si, capturando os lábios de Jae em um beijo que, por mais que a intenção fosse ser calmo, o calor do momento fez com que ele o aprofundasse minimamente já de início, nem pensando no que estava fazendo ou nas consequências de seu ato.