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Hakkai is clearly transfem. I’m not going to elaborate.
Tente até acertar
Não é o fim do mundo, mas podia ser. Se confessar para ele, poderia o matar.
Talvez Mitsuya estivesse equivocado e Hakkai não sentia o mesmo. O fato dele sempre o elogiar, fazer comentários sobre ele que o deixam envergonhado, aparecer em seu clube todo dia mesmo não sendo da sua escola e ter sua foto como papel de parede do celular não comprovam que Hakkai gosta dele. É o que o pessimismo do pobre rapaz diz. E se o Shiba ficasse com nojo e não quisesse mais ser amigo dele, ou talvez, Hakkai já goste de outra pessoa. Outra hipótese era do azulado só o ver como um irmão.
Mitsuya nem sabia qual foi o momento exato em que se apaixonou por seu amigo. Tipo, caralho, eu estou gostando do cara que era para ser só meu amigo, que porra! Isso estava o consumindo, não gostava de ver outras pessoas dando em cima dele — com “outras pessoas” ele quer dizer Ran Haitani — queria sair de mãos dadas com ele, usar alianças, ser brega e usar umas blusas combinando, levar ele para sair e poder dizer para quem perguntasse que eram namorados. Essas boiolagens todas, é pedir demais?
Ele queria se declarar, dizendo melhor, ele quer se declarar. Só precisa ser no momento certo e da maneira certa.
1° tentativa: Clube de Economia Doméstica
Agora seria o momento ideal. Apenas ele e o Hakkai na sala, todas as outras integrantes já haviam ido para casa e a mãe de Mitsuya buscou as meninas na escola, sem ninguém para atrapalhar. Sua parte favorita do dia, o mais novo aparecia e ficava de companhia até ele dar o trabalho por encerrado. Hakkai não falava muito enquanto o amigo focava no serviço, algumas palavras aqui e acolá, pois não queria interromper sua concentração.
Takashi não estava conseguindo focar, sua atenção ficou presa no colega. De uns tempos para cá Hakkai começou a deixar o cabelo crescer e, de algum jeito, isso o fez ficar ainda mais atraente. Na humilde opinião do idiota apaixonado que possui cabelos platinados e brinco — vulgo, Mitsuya Takashi. O cabelo não chegou nos ombros, mas era possível fazer um pequeno rabo de cavalo, e o maior dos rapazes não prendia. O raspado nas laterais continuou junto do desenho feito pelo líder do clube.
— Eu estou tão bonito assim? — O Shiba perguntou, arrancando o menor de seus pensamentos — Se quiser pode tirar uma foto e colocar no papel de parede. — Ele riu com a reação do costureiro, que ficou vermelho de vergonha por ter sido pego em flagrante. Mas Mitsuya não ia deixar barato assim, quem sabe pudesse usar isso de brecha.
— Eu adoraria. Acordar e ver seu rosto iria melhorar meu humor pela manhã. — Foi a vez de Hakkai se envergonhar. Não estava preparado para uma frase como essa. — Se quiser você pode tirar. — respondeu, oferecendo o celular para o amigo. Hakkai pegou o celular de maneira hesitante. Incrédulo pelas palavras antes ditas. Se levantou e andou até a porta, Takashi não entendeu o que ele pretendia fazer.
— A luz aqui não está muito boa, vou tirar uma no banheiro. Se esta foto vai ser a primeira coisa que você vai ver no dia ela tem que ser perfeita. — E saiu pela porta com o celular correndo para encontrar o banheiro mais próximo.
Por um milésimo de segundo, Mitsuya, quase respondeu da seguinte forma: “Tendo você na foto ela já vai ser perfeita”. Mas não falou, por que ele não falou? Teria criado o clima perfeito para ele se declarar, então, por quê? Foi só desviar seus olhos para baixo que compreendeu o motivo, suas mãos estavam tremendo. Ele sentia-se com medo. Que patético, ele lutou contra gangues rivais, pessoas com o dobro de seu tamanho, e ficou com medo de expor seus sentimentos.
Hakkai jamais ficaria com raiva ou nojo dele. Mas, e se ele ficasse? Esse maldito “E se…”, martelando sua cabeça e aniquilando sua coragem, o impediu.
Suspirando com cansaço escutou uma música tocar no telefone do amigo, uma música da banda Bon Jovi que o maior ama, seu toque de chamada. Era Yuzuha ligando. Ele atendeu e falou com ela, que pediu para Hakkai voltar para casa pois precisava de sua ajuda, na hora em que desligou o amigo retornou para sala.
— Você vai adorar, não é querendo me gabar mas como fotógrafo e modelo eu me saio muito bem. — Seria muito estranho se ele dissesse que o sorriso dele era tão bonito e brilhante, sem zueira. Mitsuya estava agindo de uma maneira muito gay para seu gosto, não que ele não fosse. — Terra chamando Taka-chan. Tudo bem?
— Sua irmã ligou, ela quer que você ajude ela com algo lá na sua casa.
— Deve ser para ajudar a mover os móveis, ela insistiu que queria redecorar a casa e mudar as coisas de lugar. — Pegou sua bolsa e devolveu o celular para o platinado — Espero que goste da foto. Tchau Taka-chan.
— Tchau, se cuida. — O viu sair e sentiu-se derrotado. Sua primeira tentativa falhou por sua causa. Voltou ao casaco que bordava quando seu celular vibrou com uma notificação. Ele nem prestou atenção no que era só conseguiu olhar para seu novo papel. Hakkai posando no espelho do banheiro, sorrindo e fazendo um meio coração com sua mão livre. Ele não iria trocar de wallpaper por nada neste mundo, a foto ficou perfeita.
2° tentativa: Casa de Mitsuya.
Ok, agora vai. Eles estavam na casa de Takashi, assistindo Poderoso Chefão a pedido de Hakkai e suas irmãs dormiam tranquilamente no quarto.
Mitsuya o chamou alegando que Luna e Mana queriam muito ver ele, e como o Shiba nunca recusou uma ida até a casa dele aceitou sem questionar. Ele mentiu? Sim. Não julgue um adolescente desesperado, ele mesmo se julga. Luna e Mana ficaram felizes com a visita repentina dele e o convenceram, lê-se obrigaram, a brincar com elas, Hakkai não achou ruim. Ele gosta quando é incluído nas brincadeiras delas, mesmo que na maioria das vezes ele seja um mordomo ou um monstro a ser destruído. Ficou tarde e neste momento as duas irmãs foram deitar, a mando de seu irmão mais velho, e os dois rapazes continuaram na sala assistindo.
— Você já viu esse filme cinco vezes, cê não se cansa? — ambos se encontram sentados no tapete da sala, Takashi encostado no sofá e Hakkai escorado no companheiro.
— Se você continuar reclamando eu vou te obrigar a assistir os outros dois filmes. — rindo um pouco da ameaça Mitsuya teve um pensamento, um pensamento intrusivo, e tentou executá-lo. Hakkai ficou tão focado no filme que o menor colocou sua mão cuidadosamente no cabelo dele e fez um cafuné, ele não foi afastado ou xingado então continuou com o carinho. E o melhor, quando o amigo percebeu o afago em sua cabeça ele mudou sua posição para o abraçar e deixou seu rosto ainda mais perto de seu pescoço, ele correspondeu. Takashi encontrava-se tendo um “gay panic”, borboletas no estômago, mãos suando e ar faltando. Ele e Hakkai assistiam a um filme juntos abraçados, que nem um casal. Se isso fosse um sonho, ele não queria acordar. — Taka-chan, você me ouviu? Eu perguntei se você tem pipoca na cozinha.
— Tem. Eu vou fazer. — levantou-se e foi apressadamente até a cozinha preparar a pipoca.
Faria a pipoca, entregaria para o Shiba, se declararia e rezava para não sofrer o pior. Pegou o pacote na despensa e depositou no microondas.
— Espero que a pipoca seja amanteigada. — Hakkai surgiu na cozinha assustando Takashi.
— É o único tipo que você come, seu mimado do caralho. — falou, rindo da expressão incrédula do mais novo.
— Eu sou mimado? Me dê um motivo para isso ser verdade.
— Yuzuha faz suas vontades, Taiju faz as suas vontades, quando você não consegue o que quer fica de cara emburrada. Quer mais motivos? — Tirou a pipoca do microondas e despejou numa tigela gigante de vidro. Pegou um punhado e comeu algumas.
— Bom, você nunca reclamou e outra, você também faz as minhas vontades. Então não pode falar nada sobre eu ser “mimado”, Taka-chan. — Ele se aproximou, tirou uma da mão dele e comeu.
Antes de se declarar ele precisava ter certeza. Tinha que descobrir se ele gostava de alguém. Lá vamos nós.
— Hakkai, você gosta de alguém? — era tudo ou nada. Era tudo ou se jogar de uma ponte.
— Gosto, e isso é muito estranho. — ele corou e Mitsuya observou atentamente e escutou com cuidado as próximas palavras — Quando eu fico perto dessa pessoa meu coração acelera e eu perco o ar, se eu escuto sua voz ou vejo seu rosto desaprendo a falar e meu cérebro para de funcionar. É esquisito, eu conheço essa pessoa a tanto tempo e mesmo assim ela mexe comigo. — Como Takashi rezava para que isso fosse para ele — E eu nem tenho certeza se é recíproco. E você Taka-chan? Tá apaixonado? — Se ele estava? Ele morria de amor por um cara que estava parado na sua frente e admitia que também era apaixonado por alguém.
— Eu… gosto… — o clima foi interrompido por Aya, mãe de Mitsuya, que chegou mais cedo do serviço. Eles se afastaram e o convidado cumprimentou a mãe do amigo. Mais uma tentativa frustrada. Droga. Voltaram para sala e terminaram de assistir ao filme, sem os carinhos de antes e com muito mais espaço entre eles, e ao final Hakkai se despediu. Takashi se ofereceu para levar ele de volta, mas foi recusado.
3° tentativa: Casa do Hakkai
Falhar de novo e de novo o consumiu. Mitsuya se sentia derrotado. Sentado no sofá ele se xingava mentalmente e pensava: “Como eu pude ser tão estúpido”. Aya percebeu a tristeza de seu filho, e fez o que toda mãe deveria fazer.
— Quer me contar o que aconteceu?
— Eu sou um covarde. Mãe, você já se declarou para alguém?
— Óbvio, foi para seu pai. Meu melhor amigo na época. — Aya sabia bem o porquê da pergunta. Sabia dos sentimentos de seu filho, sabia também que era recíproco da parte de Hakkai. Mas os adolescentes são idiotas e estúpidos, nunca percebem as coisas. Até quando elas estão escancaradas e bem claras, eles têm que fazer muito esforço para entender. — Por que?
— Não teve medo de estragar a sua amizade com ele? Medo de, sei lá, perder anos de amizade por uma paixão. — Aya agachou até ficar cara a cara com o garoto e olhou profundamente em seus olhos.
— Você é idiota ou burro? — o rapaz se sentiu ofendido com a pergunta — O Hakkai gosta de você. Qualquer pessoa com dois neurônios pode ver que vocês se amam. E isso é tão claro quanto o dia, meu filho, ele te ama. Para de escutar essas vozes irritantes na sua cabeça que dizem que é mentira, ou que você está louco, e me escute atentamente. Se você continuar tendo receio vai perder ele, não espere o momento certo para se confessar. “O momento ideal” não existe, é você que tem que criar seu momento, ficar esperando os planetas se alinharem ou coisa do tipo só vai prolongar seu sofrimento e o dele. — Mitsuya ficou com cara de tacho. Esse tapa na cara o desestabilizou e ele nem soube dizer de onde veio, sua mãe tinha razão.
— O que eu faço? — era de noite e, muito provavelmente, Hakkai estaria dormindo.
— Como assim “O que eu faço”? Vai atrás dele seu imbecil! Se der certo, eu comemoro com você, se der errado, eu irei te acolher da melhor maneira que posso. Não perca a chance de ter ele em sua vida. — Mitsuya se levantou, pegou um casaco e saiu pela porta correndo, gritando agradecimentos a sua mãe. Correu pela noite afora e sem parar por nada. — Ele esqueceu que podia ter ido de moto. Lerdo, igual ao pai.
Hakkai não conseguia pregar o olho. Ele quase falou que amava seu melhor amigo, se a mãe dele não tivesse chegado. Mas ele se arrependeria, Takashi não gostaria dele. Quer dizer, ele tinha o pressentimento que Mitsuya fosse gay ou bi, isso era óbvio, o problema era Hakkai não fazer o tipo dele. Mitsuya podia ter preferência em caras mais baixos, ou menos desengonçados, ou ele só não gostasse dele.
Seus fones tocavam uma música qualquer do Bon Jovi enquanto ele mexia no celular, sem vontade para dormir, porém não tinha nada de interessante. Um ciclo vicioso. Taiju viajou a trabalho e Yuzuha foi dormir na casa da Senju, ficou sozinho em casa. Decidiu descer e comer alguma fruta, cairia bem agora, abriu a geladeira e pegou um pote de morangos, sua fruta favorita. Levaria o pote e comeria alguns, ou todos os morangos, em seu quarto e tentaria dormir mais uma vez.
A campainha tocou e o Shiba achou estranho, não esperava visita. Abriu a porta e deu de cara com um Mitsuya suado e ofegante, parecia que tinha corrido uma maratona em tempo recorde.
— Hakkai, eu preciso te falar uma coisa. Eu te amo. — o maior pensou que estivesse sonhando — Eu quero te falar isso há muito tempo. Eu amo seu jeito de agir, amo como você se veste, adoro como você recita todas as falas de seus filmes favoritos, como você se preocupa com as pessoas e eu amo você. Eu fiquei com um puta medo de falar isso, tinha medo de perder sua amizade, mas foda-se. Você não precisa aceitar meu pedido, eu vou entender, eu só queria que você soubesse. Quer namorar comigo?
Não podia ser um sonho, era real. Era uma declaração real, Mitsuya gostava de si. “Caralho! Ele sente o mesmo! Respira Hakkai, respira”.
— QUERO! — Mitsuya deu um passo pra trás com o grito — Digo, sim eu quero namorar com você. Eu aumentei o tom de voz, não foi?
— Um pouco, mas eu estou acostumado. — Hakkai deu espaço e deixou Takashi entrar em sua casa.
A euforia possuiu o corpo de Hakkai e ele fez algo que só aconteceu em seus sonhos. Ele beijou Mitsuya. Segurou as bochechas do menor e encostou seus lábios, era para ser um selinho inocente, contudo Takashi agarrou sua cintura e aprofundou o beijo. Hakkai não sabia como descrever, é bom, é maravilhoso e muito incrível, ele também ficou nervoso, era seu primeiro beijo, ele estava indo bem? Mitsuya estava gostando? Beijar é difícil e muito complicado. Os pensamentos do parceiro não eram tão diferentes, era o primeiro beijo de ambos. Eles estavam perdendo ar mas não queriam quebrar o contato, eles almejavam por isso a tanto tempo, porém, querer não é poder.
Na hora em que se separaram eles riram. Riram do nervosismo, da pressa e do medo que sentiram.
Mitsuya mandou mensagem para a mãe, dizendo que conseguiu um genro para ela e que iria dormir na casa de Hakkai. Ele não podia estar mais feliz do que agora, esse momento estava ocupando o primeiro lugar de melhores dias da vida dele, junto do seu namorado — como ele queria falar isso, ele esperou muito tempo — deitados em uma cama preparando-se para dormir. Eles se abraçaram, conversaram e sussurraram seus pensamentos mais profundos um para o outro. Takashi tinha o dever de agradecer sua mãe no dia seguinte, sem ela o que ele teria feito?
"Você é burro ou se faz?" "Se eu fosse burro não teria tirado uma nota melhor que a sua"
"Cale a merda da boca!" "Segundo lugar, seja mais educado"
"Aquele professor é um filho da puta!" "Pelo menos nisso nós concordamos'
"Que tal uma aposta?" "Acha que se garante?"
"Fala, não é difícil" "Eu...preciso da sua ajuda na tarefa"
"Eu não aceito dividir o primeiro lugar" "Vamos reclamar com a diretora?" "Vamos"
"Eu tirei uma nota maior que a sua, então você vai em um encontro comigo" " O quê?!" "Sexta à noite, eu te busco"
"Eu odeio crepúsculo" "Eu também."
"São aqueles dias do mês?" "Vai se ferrar!"
"Pergunta, se eu te jogar no sol você queima ou brilha?"
"Você pode comer pão de alho?" "Não" " Já tentou?" "Sim"
"Uma duvida, você já pegou pulga?"