[ algo sobre consolar uma carta suicida deixada ao pé da janela ]
“E quando eu dizia que tudo ficaria bem, ah menina, entende menina…não, não me referia quanto ao fato de o olhar dele para com você, voltar a sorrir aquele sorriso sincero que todos os inícios possuem. Não. Não me referia ao abraço de sua mãe se tornar como nos capítulos finais da telenovela…calmo, suave. Que até verdade parece. Nunca pensei em me referir ao fato de que tudo seria assim, pois os cachorros já não morreriam, Nunca mais. Não. Comi as goiabas naquele dia, e entre uma mordida e outra, lembro de ter lhe dito sobre o quanto a dor parece ser bonita quando se entende por finita. E disse a você, apenas por lembrar de algo sobre perder amores para se ganhar compaixão. Perder vidas, para se ganhar poesias. Menina, entende…Que quando eu dizia que tudo ficaria bem, ah menina, entende menina…não referia-me ao momento em que todo seu choro para, exatamente como a chuva para, exatamente como a água um dia vai parar, exatamente e na mesma frequência que por segundos os carros param, e unicamente inexplicavelmente e exatamente como o amor (por mais bonito que ele pareça ser por mais tão bem escrito aqui ou em Paris) para. Eu ‘to é falando sobre aceitar que tudo para, menos tua dor, menina. Eu 'to é falando sobre ainda sim e exatamente assim…não parar por isso.” Para minha menina malinche com todo amor que houver nessa -pois sim, essa vida ainda será longa, ah tão longa, pra você e pra mim- e em todas as demais vidas que ainda estão a vir, MARÍLIA















