Da Vinci to Monet | Élis e Morgana (França)
Não sabia bem desde quando tinha o sonho de visitar a França, mas tinha certeza que foi há muito tempo atrás que surgiu a ideia. A música, os pontos turísticos, as pessoas, a arte em geral e todos os costumes, o que Élis mais se arrependia era não ter aprendido o idioma mais aprofundadamente. Porém, nada mais conveniente do que passar boas férias no país almejado após os meses em que passou afastada de qualquer coisa relacionada ao mundo que estava acostumada. Desceu as escadas do hotel, feliz pelo tempo daquele dia e pela roupa escolhida, até mesmo parou na frente do espelho de um corredor e deu uma pequena checada na camisa. Élis deixou a chave com o recepcionista e saiu para a rua. Muito incerta do que faria no dia, mas com a máquina pronta em mãos e algum dinheiro no bolso da calça, trocara seus reais por euros no dia em que chegara a Paris.
Da frente do hotel conseguia ver o Arco do Triunfo, enorme em seu próprio esplendor. Aulas de história vinham em sua mente, num tempo muito remoto. Céus, há tanto tempo ela fora uma criança, e depois de passar aqueles meses todos em Gael parecia fazer mais tempo ainda. Caminhou na direção do monumento, decidida a tirar fotos dele. No fim, ligou a câmera em meio caminho andado e passou a tirar fotos de árvores, prédios e pessoa - o mais discretamente possível, de fato não foi discreto na hora em que uma loura a encarou com o cenho cerrado. Conversou rapidamente com o dono simpático de um botequim, tropeçando nas palavras e rindo com gosto, o homem parecia ser uma bela exceção das pessoas um tanto desagradáveis de Paris, que ainda assim não tiravam a beleza do lugar.
Finalmente livre dos impedimentos, Élis continuou com a rota para o ponto turístico. Parecia que a aguardava, alto e dourado como em fotos e vídeos que a ruiva já havia visto, talvez até um pouco mais alto ao vivo. Suspirou, encantada, os olhos brilhando em pura felicidade. Eu estou na França, a ficha caía aos poucos, inocência sua achar isso tão magnífico. Ergueu a máquina fotográfica, dando dois cliques seguidos. Satisfeita, quis caminhar um pouco mais em volta do lugar. Até ouviu uma voz e pensou em virar para trás, mas continuou andando. Continuou até que ouvisse o nome “Gael”. Arregalou os olhos azuis, procurou quem lhe falava. Parecia um ímã, só por ter pensado há poucos minutos na cidade ela vinha em seu encontro. Encontrou uma ruiva, lembrando daquelas feições imediatamente. - Oui. - Respondeu, a voz frágil. - Je ne sais pas parler très bien le français. - Riu, sem graça, ao explicar que pouco conseguia falar do francês. Agora não sabia o que era mais encantador: Paris ou encontrar alguém que viveu em Gael. Mudou para o inglês rapidamente, supondo que a ruiva também poderia falar em mesma língua. - I was thinking that is practically impossible to find someone who lived in Gael. Who are you? - Pôs a mão na testa.
Morgana voltou-se imediatamente para a outra garota. Sentia-se num daqueles filmes natalinos, onde apareciam fantasmas do passado, presente e futuro, mas sem a parte da lição de moral. Era quase um alívio encontrar alguém que tivesse estado em Gael também. Como um respirar, ela pensaria mais tarde.
E isso não porque seu tempo em Gael fora uma benção ou uma maldição. Mal tivera tempo, de fato. Passara um mês na cidade, perambulando sem realmente viver. Perdida a ponto de não realmente se deixar influenciar pelos problemas que Gael lhe proporcionara. Quase não falara muito com ninguém, apesar de passar horas andando pelas ruas, gravando cada rosto.
Morgana não se enfiou nas questões dos mistérios a cerca de Gael. Tinha visto o que as pessoas poderiam fazer - aquele grupo grande de pessoas corajosas que se voluntariaram para ajudar - e confiava que elas poderiam se virar sem sua ajuda. De fato, tinham conseguido achar a saída, afinal.
Não fora muito confortável explicar para Henry que tinha ido na berlinda por um mês inteiro, mas ele acreditou. Convivera tempo suficiente com ela a essa altura pra saber que ela tinha suas recaídas, e que se envergonhava disso. Conhecia-a também a ponto de saber que não devia fazer perguntas, e tudo isso simplesmente só a deixou mais leve na hora de se explicar. Não tivera que contar sobre a cidade, e não tivera que fazer outra análise psicológica pra descobrir se, além de bipolar, também era esquizofrênica.
"É, de fato. Não havia muita gente lá. Mas suponho que estamos por aí. Sou Morgana. Morgana Smith." A morena disse, sorridente, e estendeu a mão que não estava ocupada com catálogos de turismo. "E você é...Élis, acertei?"










