Da Vinci to Monet | Élis e Morgana (França)
O sol estava o mesmo. Mesmo tendo viajado pouco mais de onze horas pra chegar em Paris depois das palestras que deu em Florença, e ter passado cinco dias na cidade italiana, o sol permanecera o mesmo. Mesmo na França, parecia que nada havia mudado. O sol no centro do céu, as nuvens bem esparsas - com certeza não teria chuva hoje - e o azul límpido europeu.
Morgana olhou para o céu. Henry tinha escolhido ficar no hotel; Estava extremamente nauseado depois da viajem longa até a cidade das luzes. E depois da experiência daquele dia, quando ela lhe fugira por algumas horas, ele tinha aprendido a confiar mais na morena. Ela estaria perfeitamente segura por si só. E não havia nada que ela quisesse fazer mais do que realmente conhecer Paris. Tinha estado lá antes, mas havia uma lista de lugares que ansiara por conhecer e que tinham lhe faltado da última vez que visitara o país.
Um desses lugares era o Arco do Triunfo. Monumento imenso, difícil de passar despercebido. Perto da obra, os carros pareciam minúsculos. Na arquitetura urbana, ele ficava no centro de quase dez ruas principais de Paris. Tudo movia-se para o Arco, e apesar disso, os carros e as pessoas pareciam passar pela grande obra de arte como se esta não fosse nada. Grande pecado.
Morgana andou lentamente até a pedra esculpida, os olhos claros tentando absorver a magnitude enorme daquele gigante de pedra. Havia tanto nas cidades que visitava que era quase impossível de esquecer tudo que sentia ao andar pelas ruas. Era algo mágico, que só alguém que realmente fosse um turista nato, um verdadeiro viajante, poderia sentir.
Um brilho ruivo familiar lhe passou aos olhos. Não… Não podia ser… Não era alguém que conhecia, mas o rosto e os cabelos lhe eram familiares. Morgana nunca esquecia um rosto, e talvez isto fosse sua sina. A mulher andou, então, pela multidão, procurando não perder de vista a garota. Sua mente moveu-se rapidamente, procurando as palavras certas para chamar a desconhecida. Sabia pouco de francês, mas sabia o suficiente para o que queria dizer.
“Excusez-moi, vous là-bas! Je pense que nous nous sommes rencontrés!" Com licença, você, aí! Acho que nos conhecemos!, gritara. Depois, pensou em algo rápido que pudesse chamar a atenção. "Gael, oui?" Sim, aquilo chamaria atenção o suficiente.
Não sabia bem desde quando tinha o sonho de visitar a França, mas tinha certeza que foi há muito tempo atrás que surgiu a ideia. A música, os pontos turísticos, as pessoas, a arte em geral e todos os costumes, o que Élis mais se arrependia era não ter aprendido o idioma mais aprofundadamente. Porém, nada mais conveniente do que passar boas férias no país almejado após os meses em que passou afastada de qualquer coisa relacionada ao mundo que estava acostumada. Desceu as escadas do hotel, feliz pelo tempo daquele dia e pela roupa escolhida, até mesmo parou na frente do espelho de um corredor e deu uma pequena checada na camisa. Élis deixou a chave com o recepcionista e saiu para a rua. Muito incerta do que faria no dia, mas com a máquina pronta em mãos e algum dinheiro no bolso da calça, trocara seus reais por euros no dia em que chegara a Paris.
Da frente do hotel conseguia ver o Arco do Triunfo, enorme em seu próprio esplendor. Aulas de história vinham em sua mente, num tempo muito remoto. Céus, há tanto tempo ela fora uma criança, e depois de passar aqueles meses todos em Gael parecia fazer mais tempo ainda. Caminhou na direção do monumento, decidida a tirar fotos dele. No fim, ligou a câmera em meio caminho andado e passou a tirar fotos de árvores, prédios e pessoa - o mais discretamente possível, de fato não foi discreto na hora em que uma loura a encarou com o cenho cerrado. Conversou rapidamente com o dono simpático de um botequim, tropeçando nas palavras e rindo com gosto, o homem parecia ser uma bela exceção das pessoas um tanto desagradáveis de Paris, que ainda assim não tiravam a beleza do lugar.
Finalmente livre dos impedimentos, Élis continuou com a rota para o ponto turístico. Parecia que a aguardava, alto e dourado como em fotos e vídeos que a ruiva já havia visto, talvez até um pouco mais alto ao vivo. Suspirou, encantada, os olhos brilhando em pura felicidade. Eu estou na França, a ficha caía aos poucos, inocência sua achar isso tão magnífico. Ergueu a máquina fotográfica, dando dois cliques seguidos. Satisfeita, quis caminhar um pouco mais em volta do lugar. Até ouviu uma voz e pensou em virar para trás, mas continuou andando. Continuou até que ouvisse o nome “Gael”. Arregalou os olhos azuis, procurou quem lhe falava. Parecia um ímã, só por ter pensado há poucos minutos na cidade ela vinha em seu encontro. Encontrou uma ruiva, lembrando daquelas feições imediatamente. - Oui. - Respondeu, a voz frágil. - Je ne sais pas parler très bien le français. - Riu, sem graça, ao explicar que pouco conseguia falar do francês. Agora não sabia o que era mais encantador: Paris ou encontrar alguém que viveu em Gael. Mudou para o inglês rapidamente, supondo que a ruiva também poderia falar em mesma língua. - I was thinking that is practically impossible to find someone who lived in Gael. Who are you? - Pôs a mão na testa.














