Estes dias? Se tivessem em casa, Cornelia poderia dizer que Elphie não tinha passado um dia de sua vida sem ser avoada. Mas enfim, não estavam. Esse era o problema, não era? Por isso ela tinha dificuldades em conversar com Astera. As memórias desse mundo com ela tornavam as coisas… Mais complicadas do que o necessário. Parecia tudo uma grande piada com ela. Uma provocação. Como se o golpe da maldição continuasse a acontecer de novo e de novo.
– Não se preocupe. Tenho certeza de que você tem muito o que se preocupar. – A deixava um pouco triste que nem em um mundo sem magia a outra podia ter paz de sua família. Cruzou as mãos sobre o estômago, tentando escondê-lo novamente, querendo afundar em algum buraco se fosse possível. – É… Pois é. Não estava contando para ninguém até pouco tempo atrás, mas… Uau, eu estou crescendo rápido, sabe? Quero dizer, estou enorme. Não dá para esconder mais apesar do meu talento com roupinhas lindas. – Ela dispensou a ajuda da outra com um movimento da cabeça. Aquela era sim a mesma que conhecia: sempre se dispondo a ajudar os outros. – Ah, não, não, querida, estou bem. O pai me ajuda o suficiente, sim. – Essa era outra parte da situação que ela preferia não pensar, embora ela e Seo Joon estivessem em uma trégua que era muito similar aos anos que trabalharam juntos no passado.
Ela piscou rapidamente quando ouvi a palavra varinha, de repente se sentindo um pouco tonta na cadeira da cafeteria. Seus olhos voaram para a outra, buscando a luz de reconhecimento nos seus olhos. Mas… Não parecia que era alguma dica. Ela só parecia… Confusa. – Astera? – Connie chamou devagar, sem compreender sua próxima frase. Sem se permitir acreditar. – Me achado? – Seu coração estava batendo forte no peito e ela sentiu os olhos arderem. Seria mais uma das piadas daquele mundo. Ah, aqueles malditos hormônios de gravidez! – Do que está falando?
Aster franziu o cenho com o que ela disse. Muito que se preocupar. Era isso que sentia todo dia, e sempre focava na pesquisa e na irmã para suprir tal ansiedade, porém nada daquilo nunca diminuía a perturbação. Assentindo, ela deu um sorriso sem graça. -- As pessoas estão de intrometendo muito? Se precisar que eu assuste alguém, sabe que sou boa nisso. Minha aparência-, quer dizer, eu sou bem séria, posso ser brava -- ela piscou, fazendo uma careta, que besteira iria dizer.
A menção do pai a deixou bastante curiosa e... Enciumada? Aquilo era estranho pra ela.
Quando a loira a perguntou do inevitável reencontro, reencontro este que Aster sentia sempre lhe escapar das mãos, precisou de um momento para decidir como explicaria -- É estranho. Mas eu lembrava que tinha alguém faltando. Eu sabia que não eram meus pais e Nessa esteve sempre comigo. Então de repente eu lembrava! Linda! Quer dizer, Connie. E eu pensava como e quando foi que a gente perdeu contato, sabe? Não parece errado? Nós éramos próximas. Eu sinto que éramos. -- ela sentiu que estava se envergonhando mais -- Minha memória está um lixo, desculpe. -- mas ela não conseguiu expulsar a certeza que tinha e olhou de volta nos olhos da loira -- Eu senti sua falta.