FIVEL STEWART? Não! É apenas DUNCAN ROCKBELL, ela é filha de HERMES do chalé ONZE e tem VINTE E SEIS ANOS. A TV Hefesto informa no guia de programação que ela está no NÍVEL III por estar no Acampamento há DEZOITO ANOS, sabia? E se lá estiver certo, Duncan é bastante LEAL, RESPONSÁVEL e EMPÁTICA, mas também dizem que ela é APREENSIVA, RÍGIDA e EMOTIVA. Mas você sabe como Hefesto é, sempre inventando fake news pra atrair audiência!
TRÍVIA ✯ CONEXÕES ✯ DIÁRIOS ✯ PLAYLIST
𝑜𝑛𝑒. poderes —
Imitação — Duncan é capaz de imitar e copiar características de outras pessoas, desde sua caligrafia e trejeitos até sua voz e estilo de luta. O uso mais constante de seus poderes é em batalha, para compreender a forma como o adversário se move e, assim, poder evitá-lo e atingi-lo em suas fraquezas, mas vez ou outra os utiliza para imitar as vozes de outros campistas para brincar com eles.
Onilinguismo — Um poder digno da prole do deus mensageiro e dos viajantes, Duncan consegue falar, escrever, entender e se comunicar em qualquer língua, incluindo línguas de sinais e idiomas esquecidos pelo tempo. Ela também pode usar essa habilidade para decodificar mensagens escritas em código, por entender como ele funciona uma vez que o vê, ou escritas de trás para a frente. Assim, ela consegue entender e traduzir qualquer fala ou mensagem assim que a ver ou escutar.
𝑡𝑤𝑜. habilidades —
Agilidade sobre-humana e reflexos sobre-humanos.
𝑡𝘩𝑟𝑒𝑒. atividades —
Instrutora de combate corpo-a-corpo, membro da equipe azul de queimada e membro do clube de artesanato.
𝑓𝑜𝑢𝑟. armas —
Canhota e Destra são dois bastões de bronze celestial que Duncan usa, respectivamente, nas mãos esquerda e direita. Seus nomes são para que a semideusa lembre qual lado é qual, já que sempre teve dificuldade com direções. O cabo de Canhota possui o desenho de uma cobra enroscando-se por todo seu comprimento, enquanto o de Destra está adornado com desenhos de penas de pássaro. Além de serem usados separadamente, os bastões podem se conectar em suas extremidades para tornarem-se um bordão, o que oferece a Duncan versatilidade no campo de batalha.
𝑓𝑖𝑣𝑒. história —
Duncan Rockbell nunca teve ambições de grandeza. Talvez por ter crescido em uma mansão cheia de pompa e tranqueiras caras demais, sem nunca entender o que havia de tão importante nos rios de dinheiro que a mãe gastava nelas; talvez por ser a irmã gêmea de Gilbert, sempre magnético e carismático, e a quem jurara proteger antes de sequer aprender o peso verdadeiro de uma promessa; ou talvez até por ser a irmã mais velha de mais dez crianças, o ato de carência e caridade de Elinor Rockbell para suprir a solidão deixada por Hermes ao abandoná-la, ainda que não se sentisse irmã de nenhuma delas.
De qualquer forma, o que importa é que Duncan estava acostumada à ideia de assistir pelas coxias e aproveitar o espetáculo, então, quando Quíron olhou-a no rosto e disse: “Você é uma semideusa, Duncan”, ela se viu mais interessada na perspectiva de ter um lugar para chamar de lar do que na de tornar-se uma heroína lendária.
A maneira como parara no Acampamento Meio-Sangue não é tão emocionante quanto o que fizera depois — aparentemente, manter gêmeos semideuses unidos a toda hora não é muito inteligente caso queira que eles vivam —, e, mesmo assim, a vida em Long Island era tranquila… Quando não estava lutando contra monstros e arriscando a própria vida, claro. O chalé sempre cheio de Hermes era o tipo de bagunça que amava e, com os anos de campista, adotou o manto dos meios-irmãos que a acolheram e tornou-se aquela que acolhia, a irmã mais velha para os que precisavam de uma. Junto a Gil, também assumiu o cargo de instrutora de combate corpo a corpo após a saída dos anteriores — Duncan é quase tão boa na luta desarmada quanto é com seu par de bastões, que não hesitará em usar contra inimigos ou campistas desavisados num jogo de Caça à Bandeira. Pacifista como seja, ela jamais negará uma competição amistosa.
Contudo, apesar da identificação com o chalé de Hermes, o estereótipo que acompanha a prole do deus ladrão não se aplica a Duncan. Pelo contrário: é ela quem vigia os meios-irmãos para que não apareçam com objetos que não os pertençam, incluindo o próprio Gilbert. É, todavia, uma filha de Elinor, e, por mais que não aprove a ostentação da casa em Manhattan, desenvolveu certo gosto por colecionar “lembrancinhas”. Nada mais são do que tralhas rejeitadas ou coisinhas aleatórias que encontra por aí, como um lembrete de um bom momento ou de uma missão que cumprira, e às vezes faz delas acessórios para os irmãos ou decorações para o chalé. Ao fim do dia, Duncan é uma romântica: idealizadora e demasiadamente apegada aos detalhes, o que também reflete em sua lealdade incondicional àqueles que ama.
𝑎𝑔𝑜𝑟𝑎 ... As dezoito contas em seu colar de campista denunciam que a garota é uma veterana calejada. Porém, talvez nada tenha a perturbado tanto quanto presenciar Rachel Elizabeth Dare proferir uma profecia dos deuses. Mesmo que o irmão e ela quase nunca saiam do perímetro do Acampamento Meio-Sangue, a preocupação pelos colegas semideuses causou o aperto no coração que sentira ao assisti-los retornar em pleno inverno, convocados de volta ao lar por Dionísio. Duncan já é madura o bastante para compreender os perigos que um meio-sangue vive por sua descendência divina, e, diante deste novo, será a pessoa a defender o Acampamento e os irmãos custe o que custar — mas, se tiver que ser sincera, lamenta ainda mais que a paz de nenhum deles dura muito tempo, como todo semideus é amaldiçoado a viver.
“Oi…” Disse Duncan, com um sorriso amarelo no rosto, enquanto se aproximava de Muse. Carregava em suas mãos um objeto que não lhe pertencia, e que segurava com o mesmo cuidado e delicadeza com o qual seguraria um tesouro ou uma bomba relógio. “Eu acho que um dos meus irmãos pegou isso de você… Eu encontrei debaixo da cama dele hoje cedo, quando fizemos a inspeção de chalé.” Contou ela, que categoricamente escolhera não usar a palavra roubou, mesmo que fosse a mais apropriada. Desengonçadamente, estendeu o objeto afanado à pessoa a sua frente, na esperança de que a devolução apaziguasse a situação já suficientemente constrangedora. “Aqui. Eu sinto muito, muito mesmo. Ele não fará isso de novo.”
Seu olhar permanecia fixo na mais nova, enquanto lhe fazia aquela pergunta. A expressão tomada por um misto de seriedade e preocupação genuína. "Obrigado, mas acho que consigo me virar sozinho.", respondeu um tanto seco, talvez até um pouco rude, por isso tentou se retratar no momento seguinte, lançando lhe um meio sorriso enquanto jogava a mochila com todo o equipamento pesado sobre um dos ombros. "Desculpe, não quis ser grosseiro, é que estou acostumado.", completou, ainda forçando aquele meio sorriso, apenas para parecer simpático. "No entanto, se puder me ajudar com as portas, já seria alguma coisa.".
Duncan sentiu a resposta como um tapa, rápido e sem cerimônia. Não era sua intenção chateá-lo quando perguntou-lhe se podia ajudar com algo, mas, pelo visto, sua ajuda sem solicitação não era bem-vinda. “Ah… Ok.” Foi só o que respondeu, comprimindo os lábios em um quase sorriso. Estava prestes a dar meia volta e se retirar para contemplar sua vergonha quando Kerim se desculpou, e o sorriso desengonçado transformou-se em um sorriso compreensivo. “Tudo bem. Eu não quis ser inconveniente.” Justificou-se também, mesmo que tivesse recebido o pedido de desculpas. “Ah, claro! Aqui.” Ela apressou-se para passar à frente dele e abrir as portas para ele passar com o equipamento, que, inevitavelmente, lhe despertou curiosidade. “Sem querer ser intrometida… de novo… posso perguntar para o que é isso tudo?”
Respeitou a negação da garota e lhe ofereceu um sorriso para mostrar que estava tudo bem. Parou para pensar no comentário dela. "Como alguém que luta há mais de 400 anos? Considero como uma espécie de dança sim. Há o envolvimento com a outra pessoa, o cuidado em responder os movimentos, a repetição de passos aprendidos anteriormente." Riu com a pergunta sobre a memória. "É coisa minha, mesmo. Sempre tive uma memória muito boa e isso não mudou com o passar dos anos." Às vezes ela queria não ter uma memória tão boa; a privaria de muito sofrimento. Decidiu, porém, não compartilhar isso com a outra semideusa.
Duncan concordou com a cabeça, considerando o que ela estava dizendo. De fato, havia uma semelhança entre a dança e a luta, especialmente quando se falava de artes marciais. Ela, porém, só tinha talento para uma daquelas coisas, e não era a que a corte inglesa praticava em bailes. “Uau. Queria eu ter uma memória boa assim. Mas, agora que você falou, na verdade… Acho que tenho uma coisa legal para mostrar a você.” O sorriso em seu rosto se alargou, envolto por uma aura travessa que raras vezes Duncan emanava. “Pode dançar de novo? Aqueles mesmos passos. Vai fazer sentido depois, prometo.”
Kitty aceitou a ajuda, levantando-se com cuidado para evitar cair novamente. "Tá tudo bem, pelo menos está sendo legal o bastante para me ajudar." Respondeu, assentindo diante da outra questão dela, esticando sua mão. "Sério? É uma irmã muito dedicada." Sempre imaginou como seria ter irmãos mais novos, proteger ao invés de ser a protegida e ter mais alguém para cuidar. "Como é ter tantos irmãos mais novos? Porque eu tenho apenas um, que tem a mesma idade que eu e um mais velho. Nada de crianças mais novas." As vezes se dedicava a instruir os mais novos que chegavam, alguns não reclamados e constantemente se perguntava se algum seria um irmão perdido. Órfã, sem uma mãe ou pai presente, Kitty gostava da ideia de ter uma família grande. "Mas ok, certo. O que fará comigo? É algo fácil de resolver e depois eu vou mexer naquelas pedras. É um risco para os mais novos também." A verdade era que possuía uma intenção vingativa para com aquelas pedras. Deveria enterrá-las de vez para não haver mais acidentes.
Duncan lançou-lhe um sorriso tímido. Ao menos Kitty parecia menos chateada agora, o que devia ser um bom sinal. “Alguém tem que se dedicar. Acho que os Curandeiros não aguentariam se tivessem que cuidar de todo machucado que meus irmãos arranjam.” Respondeu ela, com uma risadinha. Mesmo que a filha de Hades já estivesse de pé, suas mãos permaneciam pairando próximas à garota, na expectativa de segurá-la caso ela se desequilibrasse novamente. “É… caótico. Eu gosto de crianças, e eu fui criada com muitos irmãos mais novos na minha família mortal também, mas não é fácil lidar com tantos deles ao mesmo tempo. E quando eles entram na adolescência, então? Oof, melhor nem pensar.” Duncan negou com a cabeça.
Imaginava que a vivência no Acampamento Meio-Sangue era bem diferente para Kitty, que, como filha de um dos Três Grandes, não tinha muitos irmãos por perto. Não que o chalé de Hermes fosse comum entre os restantes, notoriamente lotado de semideuses mesmo após Percy Jackson estabelecer o acordo que obrigava os deuses a reclamarem seus filhos, mas ela preferia o caos à solidão — mesmo que ele também significasse a morte de sua privacidade.
“Bom, eu posso limpar e fazer um curativo na sua mão. Os cortes não parecem profundos o suficiente para pontos.” Disse ela, analisando a mão alheia enquanto falava. “E aí nós podemos tirar essas pedras do meio para que ninguém mais escorregue. Funciona para você?”
❛ tá sujo bem aqui. ━━━━━ apontou para o canto de sua própria boca, indicando o local onde havia visualizado o líquido estranho na outra pessoa. devido aos óculos escuros e ao clima nublado, tadeu enxergava as cores de maneira limitada. ❛ e aí, você tava numa briga, comendo ou é parte do clube de teatro? por aqui nunca tem como dar certeza de nada, mas estou intrigado com quase todas as opções. ━━━━━ arqueou uma das sobrancelhas, cruzando os braços por um instante. ❛ se for só molho de tomate você pode mentir e contar uma história melhor.
Duncan arregalou os olhos e apressou-se em limpar o canto da boca, passando um paninho no lugar que Tadeu indicara e encontrando nele uma mancha de geleia de morango. Alguns minutos atrás, tinha lanchado torradas com geleia depois de uma aula de combate corpo-a-corpo. “Não é molho de tomate, mas não tá muito longe… Quer que eu minta?” Perguntou ela, com um sorriso. Tadeu bem sabia que ela era uma péssima mentirosa, apesar de ser filha do deus da enganação. “Além do mais, se fosse sangue, seria de algum moleque ter me socado sem querer na aula. Acho que a verdade é menos vergonhosa que essa opção.”
"Se eu ainda me lembro das danças da minha época na corte inglesa?", Calista riu, deleitosa, com a pergunta da pessoa ao seu lado. "Queride, claro que sim. Tenho uma memória muito boa, há muito pouco que eu não me lembre das coisas que vivi. Veja só", parou na frente delu e fez uma reverência graciosa. "Antes de tudo, a reverência, como se estivesse cumprimentando seu parceiro. Depois, você se aproxima", fez o que disse, dando alguns passos na direção delu, oferecendo as mãos para elu, "e começa. Um, dois, três, quatro, afasta, um, dois, três, quatro, aproxima...", e mostrou alguns passos, suaves e certeiros como se ela dançasse todos os dias. Acabou por dar um riso divertido e levemente envergonhado pelo que fazia e parou por fim. "É mais ou menos isso, pelo menos uma delas... o que achou? Quer aprender?"
Duncan não fugiu da vergonha quando Calista se aproximou, mas ainda ofereceu-lhe as mãos e assistiu-lhe atentamente, acompanhando seus movimentos de um século distante. Era como assistir um filme de época desenrolar-se à sua frente, e a caçadora de Ártemis possuía uma graciosidade que parecia até paranormal. “Ah, não, obrigada.” Ela riu, sem graça, gesticulando com as mãos. “É bem bonito, mas eu não tenho muito talento para a dança. A menos que você considere lutar uma dança.” Acrescentou, em tom divertido. Para alguém com tanta precisão nos pés, era péssima quando essa precisão envolvia um ritmo musical. “Como sua memória é tão boa? Faz parte de ser uma caçadora, ou só é algo seu?”
Sendo amiga do Gilbert, Sutton sempre se perguntava se a Duncan era apenas uma versão feminina do seu amigo. As duas nunca tiveram a chance de se aproximar, mas considerando tudo que estava acontecendo e com todos os outros semideuses no acampamento, ela imaginou que talvez fosse a chance de tentar conversar com a filha de Hermes.
Ela estava sentada em uma pedra, perto da cachoeira e Sutton se aproximou da maneira robótica que sempre fazia. "Oi, olá" falou, talvez de uma maneira esquisita demais. Havia passado mais tempo que o normal presa em seu quarto, no Chalé de Hera e pesquisando mil maneiras para ajudar o pessoal no acampamento. Estava cansada, mas também estava inspirada a tentar fazer tudo que podia pelos outros campistas. Entretanto, estava ali, ilhada, pois não teve a chance de ir para uma das missões. "Eu li em algum lugar que esse é o momento em que eu deveria perguntar 'você vem sempre aqui?', mas é meio sem sentido, pois eu já sei que você vem sempre aqui. Você mora aqui. Assim como eu." deu uma risada da sua própria piadinha.
Duncan recorreu a artesanato para acalmar a mente nervosa, como vinha fazendo com bastante frequência nos últimos três meses. Um punhado de semideuses havia saído em missões naquela semana, incluindo alguns de seus amigos, e, já que não podia se fazer útil para eles à distância, precisava de algo para distraí-la daquela preocupação que não ajudaria ninguém. No momento, seu projeto era uma pulseira trançada que estava saindo grotescamente desproporcional, mas pelo menos era alguma coisa.
“Ah. Oi, Sutton!” Ela sorriu ao perceber a presença da filha de Atena, interrompendo o trabalho manual para cumprimentá-la de volta. Como ela, também havia ficado para trás no Acampamento. Duncan deu um pulinho para o lado, para dar espaço a Sutton para sentar-se ao seu lado na pedra, e, vergonhosamente, sentiu as bochechas esquentarem um pouco com as palavras da garota. “Bom, nós podemos considerar que você perguntou isso sobre a cachoeira. E, nesse caso, eu responderia que sim, eu venho aqui bastante.” Riu de volta, um tanto desengonçada. Talvez devesse ler os mesmos livros que Sutton para saber o que falar a seguir. “Então… também tá matando tempo enquanto o pessoal não volta?”
Tinha em sua rotina diária um passeio pelo acampamento. Kitty dormia e acordava cedo, não gostava de ficar parada e adorava explorar cada área do acampamento, mesmo que já conhecesse o lugar o bastante após os vinte anos por ali. Parecia sempre ter algo novo a descobrir, uma árvore que mudou de lugar ou alguma pedra diferente. Eram as pequenas coisas que chamavam a atenção da filha de Hades. Gostava especialmente de conferir se o arco-íris estava por ali ou não. Portanto, naquela manhã, Kitty foi até o riacho, passando com cuidado pelas pedras até se distrair com uma borboleta e escorregar no lodo, um dos pés passando direto pela pedra e indo para a água, molhando todo o sapato. Kitty caiu sob uma das pedras, apoiando-se em uma das mãos para não se molhar completamente. Uma situação terrível, claro, mas tudo piorou ao perceber que alguém presente que poderia ter presenciado a sua queda. "Que tal você ser uma pessoa legal e ajudar a me levantar ao invés de ficar olhando?" Resmungou, meio humilhada por alguém ter visto. "Acho que machuquei a minha mão." Ergueu o braço, observando os arranhões banhados de sangue em sua palma.
💀 — 𝐒𝐓𝐀𝐑𝐓𝐄𝐑 𝟐.
💀— 𝐂𝐀𝐌𝐏𝐎 𝐃𝐄 𝐓𝐈𝐑𝐎 𝐀𝐎 𝐀𝐋𝐕𝐎.
Em todos os anos no acampamento, Kitty sempre foi exímia das com as armas, dominando lanças, espadas e adagas com perfeição, sendo expert com o seu machado. Perfeita. Ou quase. O arco e flecha era um desafio que a jovem detestada, porque não conseguia acertar um alvo sequer. Tinha aprendido sobre o peso e o vento, a importância do ângulo dos braços e a maneira de segurar a flecha, mas tudo parecia falho demais quando em suas mãos. Não dava certo! Mas estava tentando ali de novo, com um arco nas mãos na posição exata para acertar o alvo não muito distante. E então disparou, a flecha indo diretamente para... outra direção, quase acerto muse, que passava por ali sem saber que a vida poderia correr riscos. Kitty soltou o arco e colocou a mão na boca, em choque pelo azar e falta de habilidade. Deu alguns passos rápidos em direção a muse, percebendo que estava bem, a flecha fincada em uma árvore próxima. "Ufa, quase que eu te confundi com um alvo." Brincou com um sorriso, um pouco nervosa, dando uma olhadela para a flecha. "Você está bem? Por favor, não me diga que te machuquei, eu vi que a flecha passou de raspão!"
Duncan mal teve tempo de processar a cena. Isso vai dar errado, foi o que passou pela cabeça enquanto assistia Kitty caminhar pelas pedras, mas o pensamento ainda estava se concluindo no momento em que a garota escorregou. Então, quando ela indignadamente perguntou se Duncan poderia ajudá-la, seu cérebro levou dois segundinhos para mandar a mensagem ao resto do corpo. “Ah, foi mal!” Desculpou-se a filha de Hermes, desconcertada. Rápida, mas cuidadosamente, atravessou as pedras até chegar em Kitty e, com ainda mais delicadeza, ajudou-a a se levantar e se equilibrar para que não caísse de novo. “Posso dar uma olhada?” Ofereceu ela, gesticulando para sua mão ferida. “Eu sempre ando com umas coisinhas de primeiros socorros comigo, sabe, para os mais novos do meu chalé. Eles são muito bons em se machucar.” Riu, sem graça.
Ao primeiro ver, poderiam dizer muito bem que a filha Zeus não havia tato nenhum com crianças e bem... eles estavam totalmente errados. Porém com o tempo, Qiyana aprendeu a gostar dos pestinhas, mas não só isso: ela aprendeu a fazer com que eles gostassem de si. Era por isso que estava sentada tranquila em uma mesa de cimento, com uma menina sentada no banco entre suas pernas enquanto finalizava um penteado. Os dedos enrolavam os últimos cachos antes de finalizar o cabelo, batendo de leve nos ombros da pequena. "Prontinho, está divina! Mas se sair correndo por aí vai estragar tudo então se comporte!" Avisou, só então percebendo que tinha companhia. "Quer um penteado também?" Sorriu de canto, apoiando as mãos na mesa e inclinando o corpo para trás.
Duncan reservava um tipo específico de respeito para pessoas que cuidavam de crianças. Ela mesma estava sempre no pé dos pequenos, ainda mais os de seu próprio chalé, para ter certeza de que eles não estavam se metendo em encrenca nem se machucando (bem, se machucando mais do que deveriam, porque ninguém ficava ileso no Acampamento). Ao assistir Qiyana arrumar os cabelos daquela garotinha, não conseguiu impedir um sorriso admirado de surgir em seu rosto, olhando de longe até ela terminar e a menina, alegremente, sair correndo com seu penteado novo. “Ah, eu não ia pedir, mas já que você ofereceu…” Brincou Duncan, aproximando-se da mesa. “É muito legal ver alguém cuidando dos pequenos assim. Não é fácil para eles lidar com tudo que anda acontecendo… Eles precisam de umas pausas como essa.”
Thomas ainda não havia terminado de arrumar suas coisas na mochila, e nem havia tanta coisa assim para levar para a missão. Héktor era quem estava encarregado da parte mais necessária, no caso. Thomas só teve que juntar alguns dracmas e um pouco de dinheiro mortal, o que não era um problema pra ele. Mas, como toda vez que o filho de Poseidon tinha que sair para suas viagens, a parte mais difícil era se despedir dos amigos. Às vezes, Thomas nem isso fazia, ou nem teria coragem de deixar aquele lugar.
No entanto, uma missão naquele momento era diferente. Ele voltaria logo; e queria voltar logo, com respostas. O Acampamento estava em crise, e ele podia sentir que poderia fazer mais para mudar o estado daquilo. Tinha grandes expectativas para a missão, e estava pronto para uma batalha, sentindo a ansiedade tomar conta de si toda vez que pensava em ir.
Fazia bastante tempo que Thomas não tinha um foco real assim.
Escutou alguém batendo na porta de seu quarto, sem hesitar em ir atender. Acabou rindo com a ameaça de Duncan. "Pra sua sorte, ainda não quero morrer duas vezes... então, sim, eu estava planejando me despedir de você." Thomas falou, voltando a atenção para a sua mochila, deixando que Duncan ficasse à vontade ali. "Estava me perguntando o que mais posso levar. Será que coloco mais néctar e ambrosia extra?"
Ela abriu um sorriso ao ver a figura do amigo na porta, que se alargou ao ouvi-lo falar sobre morrer duas vezes. Passou por Thomas e entrou no quarto, logo reparando na mochila ainda a fazer. “Acho uma boa. Já que você não quer morrer duas vezes.” Brincou com a repetição das palavras dele. “Qual é o itinerário de vocês? Acha que vão demorar muito? Porque, se sim, ter quantidade extra de tudo é importante. Talvez vocês gastem as coisas mais rápido, passem mais tempo lá ou… se machuquem mais do que imaginaram.”
Somente a ideia já a incomodava. Não tinha maturidade alguma para ver os amigos saindo em missões, porque sua cabeça sempre imaginava os piores resultados. Uma consequência do tempo no Acampamento Meio-Sangue e das coisas que presenciara durante ele, certamente, mas ainda assim um fardo cansativo de carregar. Não queria ser a pessoa que amaldiçoava sem querer a missão alheia ou que ficava falando de todas as possibilidades terríveis que podiam acontecer. Nem sabia ainda o que era a missão dele, pelos deuses!
“Mas tem outra coisa que você precisa levar. Não vai ocupar muito espaço na mochila, não se preocupe.” Assegurou-o, com uma risada, antes de colocar a mão no bolso da calça e, dele, tirar um colar. Era o par da pulseira com a qual havia presenteado Thomas poucos meses atrás, após seu retorno das viagens: uma corrente feita à mão, com conchas catadas na praia do Acampamento. Estendeu-a ao amigo. “Eu sei que já te dei algo assim esses tempos, mas… considere como um amuleto da sorte. Só considere mesmo, porque não tive tempo de encomendar um encantamento de um filho de Tiquê.” Duncan riu da própria fala, um tanto tímida. Sentia-se um pouco boba, mas apenas porque sentia vergonha de quase tudo que fazia, não por arrepender-se de dar aquele presente ao amigo.
This is a flashback - with @rockabells [pré quebra de silêncio dos deuses]
Com o terremoto e a abertura da fenda que agora cortava o Acampamento Meio-Sangue, o chalé de Thanatos estava uma bagunça. O mármore de que era feita a maior parte das estruturas estava rachado em vários lugares, fazendo com que Darcy se preocupasse com a integridade de toda a estrutura. A última coisa que queria era conhecer seu pai pessoalmente quando ele viesse ceifar sua vida por conta de um deslizamento de pedras. Isso se ele apareceria. O silêncio dos deuses, quebrado apenas por Hades (e momentaneamente), fazia com que a Heller não tivesse tanta certeza de como o procedimento vinha ocorrendo ultimamente.
Darcy pedira a ajuda de Duncan para tentar dar uma organizada no chalé vinte e dois, antes que o pessoal responsável pelos consertos pudesse realizá-los. Sabia que a filha de Hermes era alguém com quem poderia contar. Quando ela chegou, começou a mostrar o tamanho do estrago.
"Ao menos quando as tochas caíram com o terremoto, o fogo não se espalhou." tentou enxergar o lado positivo da situação, apontando as tochas. Não havia nada positivo ali, mas tinha que tentar. O chalé provavelmente teria ido completamente abaixo se o fogo grego que iluminava o ambiente tivesse se alastrado. "Mas os móveis ficaram bem danificados." apontou para dois beliches em uma situação bem capenga. "Minhas coisas escaparam. Mais ou menos. Perdi um par de sapatos. E algumas das maquiagens em pó acabaram quebrando." revirou os olhos, mexendo nervosamente no bracelete em volta de seu pulso, o mesmo que Duncan havia lhe ajudado a recuperar.
Duncan não era nenhuma construtora refinada, mas era ótima em gambiarras e consertos emergenciais. Mesmo quando terremotos devastadores e fendas misteriosas não eram uma questão, os filhos de Hermes possuíam um talento formidável para quebrar e danificar coisas, e, com o passar dos anos, a garota tornou-se uma quebra-galho eficiente para reparar as bagunças deixadas pelos irmãos.
Sua felicidade quando Darcy lhe pediu ajuda para consertar o chalé de Tânatos veio não só do alívio de sentir-se útil em meio ao caos, mas também do saber que a moça não pediria aquilo para qualquer um. Heller era fechada, e, enquanto a filha de Hermes tentava respeitar seu espaço, não conseguia esconder a animação ao perceber-lhe aberta a seu auxílio e companhia. Confiança era algo que poucos do chalé 11 conseguiam conquistar, mesmo quando não haviam feito nada demais para causar desconfiança — seu pai era o deus dos ladrões, afinal de contas.
“Isso seria… não muito legal.” Respondeu Duncan, quando Darcy mencionou as tochas e a possibilidade do fogo se alastrar. Os chalés do Acampamento eram bem construídos, mas poucos sobreviveriam a um incêndio. “Bom, talvez o chalé de Afrodite tenha um truquezinho para reaproveitá-las, né?” Tentou reconfortá-la, embora nem tivesse certeza do que estava falando. “Ok, não foi tanto estrago assim. Vai dar um trabalhinho, mas daremos um jeito! Tirando os sapatos e a maquiagem, já separou suas coisas? Acho que podemos começar com uma limpeza, ao menos para afastar o entulho, e aí partimos para os móveis. Qual cômodo primeiro?”
❛ bom. ━━━━━ começou, se ajeitando melhor para poder contar a história. deixou um riso escapar aqui e ali, porque costumava se divertir com as peripécias de todos os seus irmãos malucos. ❛ tudo começou com uma briga entre a minha irmã e uma filha de atena. ━━━━━ acabou rindo de verdade, e em seguida, bebeu ela própria um pouco de vinho. ❛ elas começaram a se esmurrar em plena arena, sem armas mesmo. pelo que eu entendi, a pirralha de atena puxou o cabelo dela, e aí minha irmã cutucou os olhos da menina com os próprios dedos. ━━━━━ refez o gesto no ar, utilizando o indicador e o dedo do meio para simular melhor. ❛ e disse que ela não era tão inteligente assim. só sei que no meio da noite, supostamente, o diário da minha irmã sumiu. minha irmã foi tirar satisfações e recebeu um "se eu não sou tão inteligente assim, você consegue resolver isso". e cá estou, tendo que ser mais inteligente que uma filha de atena, o tesouro meio que é esse.
As expressões faciais de Duncan acompanhavam a narração de Evelyn, indo de choque e horror a preocupação e indignação. Os pirralhos do Acampamento eram cruéis, o que ela sabia muito bem, já que uma parcela considerável dos mais trabalhosos dividia chalé com ela. “E não tinha nenhum instrutor pra ver isso acontecendo? Ela cutucou os olhos da menina com os dedos e ninguém viu?” Ela mesma sendo uma instrutora, perguntou-se como não havia escutado sobre aquele incidente antes. “Então… além de roubar o diário dela, essa filha de Atena ainda a colocou numa caça ao tesouro com enigmas e tudo? Frieza.” Ela ergueu as sobrancelhas, espantada e, ao mesmo tempo, impressionada. Tristemente, soava mesmo como algo que um filho de Atena faria. “Ok, deixa eu dar uma olhada nesse papel. Se são enigmas sobre lugares do Acampamento, não devem ser tão difíceis pra nós duas, certo?”
Lucian acompanhou a risada sem graça de Duncan com uma risada amarga. Enigmáticos era um belo eufemismo quando se tratava de seus desenhos. Raramente conseguia extrair algum sentido e na maioria das vezes que o fazia, já era tarde demais. "Fique livre pra explorar." disse gesticulando para a mesa em sua frente. "Qualquer ajuda é bem vinda e uma perspectiva diferente pode ser a solução dos nossos problemas." afirmou, ainda que sem muita esperança.
"Geralmente não." começou a explicar. "A técnica ou mídia dificilmente tem algum significado a respeito dos acontecimentos em si. A conexão que eu consigo enxergar é que, talvez, a mesma técnica esteja se referindo a acontecimentos relacionados?" apontou para as duas ilustrações em lápis de cor. "Talvez a coruja e as espada estejam falando da mesma situação?" ponderou, andando ao redor da mesa, a hiperatividade clássica dos semideuses se fazendo presente naquele momento.
"Mas eu achei interessante essa ideia de que talvez alguém seja o dono dessa espada. Será que os filhos de Hefesto poderiam ajudar?" questionou em voz alta, já adicionando uma parada nas forjas em sua lista mental do que fazer após sair da biblioteca. "Ou pode ser uma espada lendária?" levantou a possibilidade, olhando a espada com mais atenção. "Será que temos um livro sobre espadas usadas por heróis por aqui?"
Com o convite de Lucian, Duncan sentiu-se mais confortável para pegar os desenhos e analisá-los melhor de perto. Embora fosse uma expert em desvendar linguagens e idiomas, aquele era um território completamente inexplorado, seu talento para desenho e pintura resumindo-se às aulas de arte que tinha na escola antes do Acampamento Meio-Sangue tornar-se sua morada permanente. Ainda assim, viu-se intrigada pelas obras do filho de Apolo e, com sua mente inquieta diante dos acontecimentos recentes, queria ao menos tentar ajudar.
“Eu pensei a mesma coisa. Que, talvez, esses dois estejam conectados de alguma forma. Duas pessoas com uma conexão? Ou que vão se conectar de algum jeito…” Ela tinha a espada em mãos e gesticulou na direção da coruja, indicando os dois desenhos. Não era certeza alguma, já que Lucian havia dito que a técnica e mídia não costumavam significar nada específico em relação ao que as previsões simbolizavam, mas havia a pequena chance do rapaz apenas nunca ter reparado nisso. Quem sabe nunca fora um detalhe relevante até o momento. “Acho que sim. Muitas das espadas do Acampamento foram feitas por eles, né? E até as que não foram, acabam nas mãos deles vez ou outra para um reparo ou melhoria. Seria interessante levar o desenho no Bunker 9 e perguntar.”
A própria Duncan tentava recordar-se se já havia visto aquela espada antes, mas o Acampamento estava tão cheio desde o chamado de Dionísio que era impossível contabilizar todos os semideuses nele, além de espadas serem facilmente a arma mais comum entre eles.
“Uh… Deve ter.” Ela olhou ao redor, para as estantes abarrotadas da biblioteca, e a visão era um tanto intimidadora: um amontoado de livros dissecando todos os mínimos detalhes da mitologia grega. Certamente, alguém havia escrito ao menos um livro sobre armas mitológicas, bastava encontrá-lo. “Espera um minutinho.” Duncan levantou-se da mesa e saiu para explorar as seções da biblioteca. O palpite de Lucian era bom — e se eles precisassem de uma espada lendária para resolver o que estava afetando o Acampamento? E, se a coruja e a espada não representassem pessoas diferentes, talvez a mensagem fosse que um filho de Atena deveria empunhá-la. Manteve isso em mente enquanto lia as lombadas dos livros nas estantes, especialmente atenta a menções à deusa.
Depois de procurar um pouco, em uma seção sobre objetos sagrados e lendários, ela encontrou um livro sobre armas usadas por deuses e heróis na mitologia grega. Soprou a poeira nas bordas do livro e levou-o à mesa de Lucian, colocando-o à sua frente.
Victor segurou a faca entre os dedos e arremessou. Como nas últimas trezentas vezes, viu a lâmina traçar um curso diferente do esperado, do previsto, por ele. Tentava sentir sua energia, manipular sua trajetória no ar com seus poderes cinéticos, mas calculou um tanto errado demais. "Droga! Desculpe," ele pediu para a pessoa que passava perto da arena. "Uns centímetros a mais a gente daria uma passadinha na enfermaria..." A faca estava fincada no chão, a centímetros do pé da pessoa. "Acho que eu perdi o jeito..."
Os reflexos de Duncan falaram mais alto e ela deu um pulo para trás no momento perfeito para escapar de uma facada no pé. Espantada, ela ergueu o olhar à procura da pessoa que quase arrancou seu dedão fora, mas a expressão de susto rapidamente passou para uma de compreensão com o pedido de desculpas de Victor. “Tudo bem, ao menos teríamos uma história engraçada para contar aos Curandeiros.” Disse ela, com um sorriso desengonçado, na tentativa de aliviar o clima. “Como assim perdeu o jeito? Aconteceu alguma coisa?”
@rockabells says: "are you thinking what i’m thinking?"
Depois da reunião do conselho, quando viu Duncan expressar a sua desconfiança sobre a presença do filho de Hades, foi o momento que Juno decidiu que precisava ter coragem para fazer alguma investigação também. Sempre que podia, o filho de Deméter caminhava pela região em que Adrian foi visto pela última vez com vida e, também, o último lugar em que Petrus foi visto já desperto e com a reclamação de Hades pairando sobre a sua cabeça, tentou encontrar respostas nas árvores e plantas na região, quando não havia nada que fosse relevante, algumas plantas se recusavam a falar, o que era um péssimo sinal, elas nunca deixavam de lhe dizer nada. E foi com esse pé atrás que foi atrás de Duncan, a ideia inicial era ajuda-la, como estava fazendo com a maioria, sempre dando um jeito de ser mais um braço forte ou pelo menos persistente, para ajudar no que era preciso ali. "Estive pensando... na nossa resenha" Falou baixo, já que estavam apenas os dois no pavilhão, preparando para organizar os menores para virem comer antes de seguirem aos dormitórios improvisados. "Eu não sei se entendi direito o que você quis dizer... sobre o garoto de Hades" Falou um pouco incerto se devia continuar ou não, suspirando enfim no momento em que ouviu a mulher fazer aquele questionamento. "Eu acho que estou pensando o mesmo que você, sim. Nem as plantas querem falar dele... eu tenho por mim, que tem alguma coisa por trás disso"
Duncan não parava de pensar em Petrus desde a festa dos conselheiros. A imagem ainda assombrava sua mente: o grito, a rachadura, o sangue nas mãos dele. Ela odiava julgar as pessoas pelas primeiras impressões, mas tudo naquele garoto fazia um arrepio subir por sua espinha, como se apenas sua existência fosse um mau presságio. Foi por isso que ergueu a voz para opinar na reunião dos conselheiros de chalé, mesmo que ela não fosse um, quando o assunto tornara-se o filho de Hades; porém, foi pela conclusão sombria que sua cabeça havia chegado que não conseguiu completar sua teoria diante de tantas pessoas.
Além do irmão gêmeo, havia poucas pessoas com quem compartilharia aquela tese. Não queria causar alarde ou sair de conspiracionista, especialmente quando a morte de Aidan ainda estava tão fresca na memória dos campistas. Mas ela confiava em Juno, com quem dividia preocupações e responsabilidades, e quem ela sabia que não a julgaria ou transformaria suas palavras em caos sensacionalista. Então, quando ele mencionou a festa na cachoeira e o que ela havia dito na reunião dos conselheiros, Duncan não temeu. “Você tá pensando no que eu tô pensando?”. Ela não sabia se ele tinha as mesmas conclusões, mas seus pensamentos certamente estavam alinhados.
“As plantas não falam nada dele?” Perguntou ela. De certa maneira, aquilo fazia sentido — se até os semideuses conseguiam sentir a aura pesada que emanava de Petrus, imagine a natureza ao seu redor. “Talvez esteja relacionado ao pai dele. Hades é o deus dos mortos, e as plantas são vida, então… Pode ser que não se misturem.” Mas essa não era a resposta que Juno estava procurando, e nem a que ela realmente queria dar. “Na reunião, o que eu quis dizer foi… Bem, cães infernais vêm do Submundo, certo? Então meu primeiro pensamento foi que, talvez, Petrus pudesse controlar o cão infernal. Que ele tivesse atacado por suas ordens. Mas eu fiquei pensando sobre o estado em que ele apareceu na festa, e mais ainda depois das coisas que falaram na reunião… Alguns semideuses são metamorfos, eles têm o poder de se transformar em animais ou criaturas. E se Petrus também for um metamorfo?”
Depois do alívio de Gil e ela não terem sido selecionados para as missões, Duncan encontrou uma nova preocupação para ocupar-lhe a cabeça: seus amigos que de fato foram selecionados. Se missões já a preocupavam normalmente, ela certamente estava assustada após o discurso de Zeus sobre o futuro do mundo e do Acampamento. Como se despediria dos amigos sabendo que eles saíam com aquele peso nos ombros? E, pior ainda, como suportaria os dias de inquietude no Acampamento até eles retornarem?
A resposta para os questionamentos incessantes em sua cabeça foi apenas uma: trabalho manual. Se sua mente não se calava, suas mãos a distrairiam. Foi assim que passou a madrugada produzindo pulseirinhas e colares de boa sorte para entregar aos amigos quando saíssem em missão no dia seguinte; seu placebo feito à mão e cheio de miçangas.
A primeira parada foi o chalé 3, onde, com sorte, ainda encontraria Thomas antes de sua saída. Não tinha muito tempo desde que o presenteou com uma de suas bijuterias caseiras — um presente de bom retorno ao Acampamento, após tanto tempo sem vê-lo —, mas não havia como ter sorte demais, certo? Deu algumas batidinhas na porta e, ainda do lado de fora, exclamou:
“Thomas, é melhor você não ter saído sem se despedir de mim, porque se você morrer eu te mato!”