Francisco Lachowski
Aqua Utopia|海の底で記憶を紡ぐ
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Peter Solarz
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@msd-fredl-blog
Francisco Lachowski
What about meeting your mother?
A vida parecia ter sido virada de cabeça para baixo em apenas alguns dias e toda a estabilidade conhecida estava se afastando a cada novo encontro desagradável.
As razões para querer Jessiann longe eram muitas, talvez estivesse até exagerando em algumas, mas a verdade era que tinha medo de a mulher resolver sumir com Jordan. Não que ele fosse admitir aquilo em voz alta na frente dela, ou de qualquer outra pessoa, mas não era necessário quando já tinha reconhecido aquilo internamente.
Tinha tentado de todas as formas possíveis que conseguiu pensar para a afastar e manter o mais longe possível e mesmo quando ela pareceu ter encontrado uma forma de contornar aquilo, não parou de tentar. Foi colocado contra a parede e não tinha muita escolha a não ser deixar que a ex tivesse contato com o filho.
Teria que conversar com Jordan ainda e não sabia como ia fazer aquilo. Precisava explicar alguma coisa e sabia que não seria tão fácil assim porque ele ainda era pequeno demais para entender tudo de primeira e talvez precisasse ter aquela conversa mais de uma vez.
A mensagem não tinha sido ignorada, só demorou para responder porque não achou que ela fosse querer ver o menino novamente tão rápido. Ingenuidade dele, reconhecia. A resposta foi curta e perguntou onde iriam se encontrar. Ela podia saber onde eles moravam, mas isso não significava que ela iria até lá. Não tão cedo se dependesse dele.
O celular foi deixado no sofá e gastou alguns segundos olhando para o filho, o garotinho completamente alheio ao restante das coisas que aconteciam na casa, ocupado demais brincando com a massinha, os gatos sujos de tinta nas patas novamente (e já havia desistido de tentar manter os animais limpos porque nunca durava muito tempo) deitados na mesa próximo a criança.
Puxou uma das cadeiras e sentou do lado dele, ainda tentando descobrir como falaria com ele sobre aquilo. Suspirou. A atenção voltou para o menino quando o ouviu pedindo pela massa de cor verde; entregou para ele só para receber parte de volta junto a um pedido de que fosse transformado em um quadrado, já que ele não conseguia fazer aquilo.
— Hey, bud. — Conseguiu tirar a atenção dele da massinha por alguns instantes e acabou parando o que fazia. — Lembra que uma vez você me perguntou sobre a sua mãe? — Se antes a atenção do filho era apenas parcial, naquele momento a tinha por inteiro. Quase não falavam sobre aquilo, mas em nenhum momento havia mentido para Jordan, só falava para ele em alguns momentos que explicaria quando ele crescesse. O menino assentiu e sentou de frente para o pai, após ter afastado a massa colorida. Normalmente reclamaria por ele estar sentado na mesa, mas deixaria passar porque aquela não era a questão e estava longe de ser. — Você lembra o que eu te disse sobre ela? — Viu ele concordar com um movimento da cabeça e o estimulou para que respondesse e esperou que o menino falasse “ela mora lá longe porque trabalha e por isso eu fico com você e a vovó.” Foi a vez dele assentir. Tinha medo de como ele poderia reagir mas sabia que não havia mais como evitar, o assunto já tinha sido iniciado. — Ela está aqui agora. Você quer ir conhecer ela? — O silêncio pesou e o que podia ter sido não muito mais que trinta segundos pareceu ser dois minutos. A criança piscou algumas vezes e parecia receoso de responder. — Está tudo bem se você não quiser. A gente pode ir outro dia. — Se adiantou em deixar aquilo claro para o menino não achar que era obrigado a querer sair para ir encontrar uma desconhecida. Jordan pareceu reunir toda a sua coragem que seus quatro anos recém-completados podiam lhe dar antes de responder positivamente.
Pediu que guardasse a massinha e esperou que tivesse terminado antes de o acompanhar escada acima para tomasse banho e trocasse a roupa antes de saírem. A conversa com Jessiann foi aberta mais uma vez, a mensagem informando que iriam sendo digitada enquanto estava parado na porta do banheiro garantindo que Jordan tomaria banho realmente e não o enrolaria.
Depois de pronto o menino se ocupou brincando com os gatos enquanto Fred se arrumava para que pudessem sair finalmente. Alguns minutos depois e a porta da frente era trancada antes que começassem a caminhar. Sabia que a pergunta podia ser feita porque ele não associaria uma coisa com a outra já que tinham surgidos assuntos diferentes desde que o tópico mãe tinha sido tocado. — O que achou da Jessiann? — Viu o menino parecer pensar por alguns segundos antes de o responder simples com um “ela é bonita” e, tão rápido quanto o assunto surgiu, ele desapareceu, Jordan passando a falar sobre outra coisa como se não se lembrasse porque estavam saindo de casa.
@msd-eris
do you see me?
com Jessian Gravel e Frederick Lachowski.
gênero: Drama pós romance. classificação: Livre
Observações: Quando a mulher foge da responsabilidade de um filho e resolve voltar atrás e o homem guarda tanta mágoa que faz de tudo para impedir ela tem de arrumar seus meios. ♦ Público.
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Lostmyhead
(...) Tinha recebido algumas mensagens desde que saíra da casa do namorado sendo lembrado do evento do dia 31 e como não deveria se atrasar. O dia tinha sido completamente normal, com exceção de uma pirraça ou outra de Jordan, e, claro, da cena que Isabella tinha feito quando chegou e percebeu o anel prateado na mão dele. Tinha ficado pronto antes do horário combinado esperando que Steve chegasse para que pudessem sair e, mesmo que estivesse conversando com a irmã, ainda assim estava controlando o horário. Levantou quando a campainha tocou e checou o horário antes de abrir a porta. — Está atrasado. — Comentou assim que abriu a porta, era só um minuto, mas ele tinha falado tanto sobre não se atrasarem que, claro, implicaria com aquilo mesmo por causa de um único minuto.
Lostmyhead
O show do The 1975 havia acabado e já deveria ser meia noite, ou seja, não era mais seu aniversário.
Os fogos foram lindos. Mas era suspeito para falar algo porque mesmo se fossem uma bosta ia gostar, na verdade amou tudo. Desde o começou ao fim e foi divertido. Não se importou de esperar as maioria das pessoas saírem para fazer o mesmo, mas só tentou ficar perto do namorado para não ser arrastado. A pergunta fez com que olhasse para ele no mesmo instante, lá estava sua comprovação de que ele não havia escutado as palavras importantes que havia dito, negou com a cabeça não sabendo se estava aliviado ou não por aquilo. — Nada demais. — Foi tudo o que disse e desviou o olhar, precisa de um pouco de água.
Aquele havia sido um dos melhores aniversários de todos os seus poucos vinte e um anos, foi a primeira vez que pode ouvir certas músicas do The 1975 ao vivo e foi aquele tipo de momento em que você guarda pelo resto da vida. Cliché, porém real. O local não demorou para ganhar espaço então afastou-se do maior e respirou balançando a mão em frente ao seu rosto na tentativa inútil de aliviar o calor. — Eu estou com fome e quero água. — Disse, mas precisou curvar o corpo ao notar que o all star estava desamarrando. Quase ponderou a ideia de sentar no chão e ficar ali até recuperar todas as suas energias, pois quando terminou de amarrar os tênis sentiu o peso de ter ficado quase uma hora e meia em pé.
— Amor, foda-se, eu estou cansado. — Disse antes de começar a caminhar em direção a uma parte fofa e limpa de grama. Ali dava para ver o palco já vazio perfeitamente, mas só por estar começando a ficar vazio em Strawberry Fields. — Deve ser meia noite já, né? — Perguntou com preguiça de pegar seu próprio celular. Tirou alguns fios loiros do rosto e foi impossível não sentir um sorriso crescer no rosto com a lembrança de todos os momentos do show. Havia sido tão incrível! As músicas tocas foram suas prediletas, não houve nenhum momento que Steve poderia se lembrar que o fez considerar a noite mediana e, porra, Fred havia o acompanhado mesmo não conhecendo a banda. Aquilo foi muito legal da parte dele. Estava meio perdido em seus pensamentos, considerando pegar o maço de cigarro para fumar um, quando alguém parou atrás dele.
Virou o corpo assutado com a sombra que se formou além da sua e, caso não fosse alguém com um sorriso enorme e claramente inofensivo já que parecia muito um organizador de baladinhas, pensaria seriamente em se afastar. No início não entendeu que ele estava elogiando sua blusa, uma que fez especialmente para o show baseando-se na música Medicine, mas não demorou muito para agradecer e dizer que foi difícil para fazer. E isso pareceu despertar mais vontade nele de manter uma conversa, olhou para o namorado assim que recebeu um pequeno papel e ia devolver até que ouviu sobre uma festa de Halloween e o convite era tão decoradinho que Steve nem pensou que poderia haver algo errado.
Além de que: o alemão tinha como ponto fraco festas de Halloween.
— Estamos sim — Respondeu assim que foi perguntado se estavam juntos, ele e Fred, não demorando para o namorado ganhar um convite também. As coordenadas para festa eram estranhas, estava pronto para negar, mas ao ouvir a data reconsiderou. Poderia pesquisar sobre… Acabou ficando e dando quase certeza que tentaria ir de qualquer forma. O número do cara sendo salvo em seus contatos e a sugestão para uma fantasia legal o tiro uma risada soprada de si. — Bom, você curte festas de Halloween? Acho que temos uma para ir e não parece ser aquele tipo de convite que a gente recusa. — Brincou um pouco.
@msd-fredl
Não acreditou naquela resposta. Não acreditou em nada naquilo, se fosse realmente nada demais ele poderia ter repetido sem nenhum problema. Sabia que não conseguiria nada dele ali, então talvez tivesse que esperar pra conseguir a resposta que queria. Sabia que estava cheio porque mal tinha espaço para se mover durante o show, mas não sabia que estava tão cheio a ponto de saírem muitas pessoas e ainda assim ter um grande movimento por ali. Tinha ficado parado e ainda assim sentia que poderia beber alguns litros de água que não seria o suficiente, podia imaginar a situação em que o namorado estava, mas aquilo não o impediu de rir baixo quando ouviu o comentário dele. — A gente para em algum lugar pra comer ao invés de ir direto pra sua casa. — Era simples e resolveria o problema sem que tivessem que lavar louça depois. Achou que depois que ele amarrasse o tênis iriam sair, então estava pronto para sair andando quando o ouviu falando novamente e demorou a definir se por aquela fala ele queria ir pra casa ou sentar em algum lugar. — Sabe que se você sentar agora vai ser pior depois, né? — Steve tinha alguns passos a frente, e era como se não tivesse falado nada, mas como o lugar já estava bem mais vazio que antes, não foi complicado o acompanhar ainda que a distância existisse até que tivessem parado. — Acho que sim. Ou então já passou um pouco. — Não fazia idéia de que horas eram e não pegou o celular pra ver também. Não achava que tinham atrasado para entrar no palco e não tinham cantado tantas músicas assim para justificar ter passado tanto de meia noite. Apesar de não conhecer a banda, tinha sido bom o show e preferiu não pensar se achava aquilo por conta das experiências anteriores com bandas desconhecidas terem sido terríveis ou porque tinha sido bom realmente. Tinha visto quando se aproximaram e quase riu da forma que Steve pareceu ficar assustado com a terceira pessoa que se aproximou. Poderia até ter prestado atenção na conversa e tentado participar, mas nem tentou quando ouviu que falavam sobre a blusa que o loiro usava. Acabou pegando o celular naquele tempo em que os outros dois conversavam, a atenção só voltando para eles totalmente quando ouviu, parte, dá pergunta e a resposta do alemão saiu antes que pudesse falar qualquer coisa. Um papel foi esticado para ele e, mesmo que achasse meio esquisito tudo aquilo, pegou. Tinha ficado um pouco mais quando prestou atenção no que estava escrito e prestou atenção no restante da conversa, não sendo difícil reparar que o namorado tinha um daqueles papéis também. Mais algumas palavras foram trocadas e, tão rápido quanto chegou, o cara se afastou deixando os dois sozinhos novamente. — Mesmo que eu fale que não, você vai me encher até eu falar que vou com você, que diferença vai fazer no final? — Claro que não perderia a oportunidade de implicar com ele, ainda que gostasse de festas de Halloween.
— Eu quero BK. Com uma quantidade monstruosa de bacon e hambúrguer! — Disse como se estivesse confessando um desejo que guardava a muito tempo e era um desejo de qualquer forma, mas ainda sim algo que surgiu de repente já que durante o show nem sabia o que era comida.
Fez uma careta ao ouvir o que o namorado disse — Por que não me falou isso antes? Agora já sentei. — Respirou mundo, a língua passando pelos lábios e aquilo só aumentou a vontade de ter água, muita de preferência, logo. Ficou animado com o convite, lia as coisas escritas nele com atenção e sorria imaginando se a festa seria realmente boa.
Ao ouvir a implicância do mais velho tirou o olhar do papelzinho e arqueou uma de suas sobrancelhas, riu soprado e revirou os olhos — A diferença é você poderia aceitar de cara e me poupar de gastar saliva sendo que no final você vai ir de qualquer jeito. — Respondeu dando seu melhor sorriso de inocência. As coordenadas eram estranhas, um bonde e uma catedral, coisa meio louca, mas era óbvio que aquilo só empolgou mais Steve. — É no dia 31. Eu passo na sua casa para buscar você, mas se não estiver arrumado assim que eu chegar te deixo lá e vou sozinho. — Avisou em uma implicância natural de quase todas as conversas dele. Deu um tempo, mas levantou guardando o convite dobrado na carteira e ainda mais morto do que antes foi para a saída do parque. Poderia ter ligado novamente para o uber, mas haviam táxis de sobra na extensão da calçada e tinha alguns fast food mais a frente.
Então virou para Fred — Quer comer por aqui ou perto da minha casa? — Por ele qualquer uma das duas opções estava de bom tamanho, só queria comer algo bom e que acabasse com sua fome. Aproveitou o tempo que toda aquela bagunça de pessoas indo e vindo o deixavam impossibilitados de andar muito para fumar. O filtro era preto, o seu tão amado cigarro de cravo e afastou-se em algumas pessoa do mais velho para a fumaça não chegar nele. Levou até seus lábios e em seguida pegou o isqueiro com a bandeira da Alemanha junto a uma caveira logo atrás, presente de Pietro e presente não se nega, para acender a droga lícita. Tragou duas ou três vezes antes de voltar a olhar para o namorado — E então? Já sabe se vamos comer aqui ou não. E não vale a resposta tanto faz! — Deixou claro com um sorrisinho sacana, pois sabia que aquilo irritaria Fred e no mínimo o maior iria revirar os olhos em sua direção. Faltava umas 48 horas para festa que haviam sido convidados, mas Steve já estava animado.
Chegou a fazer uma nota mental para perguntar aos seus amigos se alguém sabia sobre aquilo. — Compra água para mim? — Pediu assim que viu mais afastado deles, na direção de Fred, uma barraquinha vendendo bebidas.
— Depois quer me convencer que não come muito... — Comentou meio, mas nem tanto assim, baixo, quase como se não fosse para ele ouvir ainda que a implicância fosse clara ali. Não que estivesse sem fome, porque devia estar desde a metade do show mais ou menos, ainda que tivesse simplesmente ignorado na maior parte do tempo e acabaria comendo muito quando comprassem o que quer que fossem comer. Olhou pra ele como se aquilo fosse óbvio e não precisasse ser dito, parecia até que ele não tinha ido a nenhum show antes. — Achei que soubesse disso. — Respondeu achando que, provavelmente, acabaria o ajudando a se levantar quando fossem embora. Gastou algum tempo lendo o que estava escrito no papel que era, na verdade, o convite para a tal festa. Tinham algumas indicações sobre um bonde e uma catedral e o desenho de um mapa e ele já não entendia mais nada direito em relação a aquilo. — E perder você não questionando as coisas que eu falo e fazendo o que eu quero sem reclamar? Não, obrigado. — Comentou como se aquilo fosse uma proposta que fosse realmente irrecusável, ainda que não fosse por aquelas razões que fazia aquilo. Na verdade, não achava que tinha uma razão específica, talvez fosse só pra implicar mesmo. O papel foi guardado em um dos bolsos enquanto o ouvia falar sobre o dia da festa e quase revirou os olhos com a fala dele. — Mais alguma instrução ou é só isso mesmo? — Perguntou aquilo só para devolver a implicância. Não era como se Steve fosse chegar lá e ele não fosse estar pronto, achava que se uma situação como aquela fosse acontecer, seria o inverso. Não chegou a oferecer ajuda para levantar porque ele não parecia precisar e porque estava com as mãos ocupadas. Graças ao fato de o parque já estar praticamente vazio, se comparado com antes, não demoraram muito tempo para chegar do lado de fora novamente. O movimento na calçada ainda era grande e, provavelmente, o mesmo acontecia nas lanchonetes que tinham ali perto. Tanto fazia pra ele se comessem por lá ou perto da casa dele, mas achava que por ali era mais fácil já que não teriam que andar muito mais. Revirou os olhos com o comentário dele, ainda que provavelmente ele já esperasse por aquilo. — Vamos comer por aqui mesmo porque se não vou ficar com preguiça de parar antes de chegar na sua casa. — Checou os bolsos para garantir que as coisas estavam onde deveriam estar e, só pra garantir e evitar perder, dobrou o convite antes de o guardar na carteira. Esperaria até que Steve terminasse o cigarro antes de irem para que fossem comer. Não chegou a responder a pergunta dele, só se afastou para comprar a água. Não demorou para estar de volta, as duas garrafinhas de água na mão enquanto guardava a carteira novamente antes de passar uma das garrafas para Steve. — Só porque eu sou um bom namorado.
Lostmyhead
O show do The 1975 havia acabado e já deveria ser meia noite, ou seja, não era mais seu aniversário.
Os fogos foram lindos. Mas era suspeito para falar algo porque mesmo se fossem uma bosta ia gostar, na verdade amou tudo. Desde o começou ao fim e foi divertido. Não se importou de esperar as maioria das pessoas saírem para fazer o mesmo, mas só tentou ficar perto do namorado para não ser arrastado. A pergunta fez com que olhasse para ele no mesmo instante, lá estava sua comprovação de que ele não havia escutado as palavras importantes que havia dito, negou com a cabeça não sabendo se estava aliviado ou não por aquilo. — Nada demais. — Foi tudo o que disse e desviou o olhar, precisa de um pouco de água.
Aquele havia sido um dos melhores aniversários de todos os seus poucos vinte e um anos, foi a primeira vez que pode ouvir certas músicas do The 1975 ao vivo e foi aquele tipo de momento em que você guarda pelo resto da vida. Cliché, porém real. O local não demorou para ganhar espaço então afastou-se do maior e respirou balançando a mão em frente ao seu rosto na tentativa inútil de aliviar o calor. — Eu estou com fome e quero água. — Disse, mas precisou curvar o corpo ao notar que o all star estava desamarrando. Quase ponderou a ideia de sentar no chão e ficar ali até recuperar todas as suas energias, pois quando terminou de amarrar os tênis sentiu o peso de ter ficado quase uma hora e meia em pé.
— Amor, foda-se, eu estou cansado. — Disse antes de começar a caminhar em direção a uma parte fofa e limpa de grama. Ali dava para ver o palco já vazio perfeitamente, mas só por estar começando a ficar vazio em Strawberry Fields. — Deve ser meia noite já, né? — Perguntou com preguiça de pegar seu próprio celular. Tirou alguns fios loiros do rosto e foi impossível não sentir um sorriso crescer no rosto com a lembrança de todos os momentos do show. Havia sido tão incrível! As músicas tocas foram suas prediletas, não houve nenhum momento que Steve poderia se lembrar que o fez considerar a noite mediana e, porra, Fred havia o acompanhado mesmo não conhecendo a banda. Aquilo foi muito legal da parte dele. Estava meio perdido em seus pensamentos, considerando pegar o maço de cigarro para fumar um, quando alguém parou atrás dele.
Virou o corpo assutado com a sombra que se formou além da sua e, caso não fosse alguém com um sorriso enorme e claramente inofensivo já que parecia muito um organizador de baladinhas, pensaria seriamente em se afastar. No início não entendeu que ele estava elogiando sua blusa, uma que fez especialmente para o show baseando-se na música Medicine, mas não demorou muito para agradecer e dizer que foi difícil para fazer. E isso pareceu despertar mais vontade nele de manter uma conversa, olhou para o namorado assim que recebeu um pequeno papel e ia devolver até que ouviu sobre uma festa de Halloween e o convite era tão decoradinho que Steve nem pensou que poderia haver algo errado.
Além de que: o alemão tinha como ponto fraco festas de Halloween.
— Estamos sim — Respondeu assim que foi perguntado se estavam juntos, ele e Fred, não demorando para o namorado ganhar um convite também. As coordenadas para festa eram estranhas, estava pronto para negar, mas ao ouvir a data reconsiderou. Poderia pesquisar sobre… Acabou ficando e dando quase certeza que tentaria ir de qualquer forma. O número do cara sendo salvo em seus contatos e a sugestão para uma fantasia legal o tiro uma risada soprada de si. — Bom, você curte festas de Halloween? Acho que temos uma para ir e não parece ser aquele tipo de convite que a gente recusa. — Brincou um pouco.
@msd-fredl
Não acreditou naquela resposta. Não acreditou em nada naquilo, se fosse realmente nada demais ele poderia ter repetido sem nenhum problema. Sabia que não conseguiria nada dele ali, então talvez tivesse que esperar pra conseguir a resposta que queria. Sabia que estava cheio porque mal tinha espaço para se mover durante o show, mas não sabia que estava tão cheio a ponto de saírem muitas pessoas e ainda assim ter um grande movimento por ali. Tinha ficado parado e ainda assim sentia que poderia beber alguns litros de água que não seria o suficiente, podia imaginar a situação em que o namorado estava, mas aquilo não o impediu de rir baixo quando ouviu o comentário dele. — A gente para em algum lugar pra comer ao invés de ir direto pra sua casa. — Era simples e resolveria o problema sem que tivessem que lavar louça depois. Achou que depois que ele amarrasse o tênis iriam sair, então estava pronto para sair andando quando o ouviu falando novamente e demorou a definir se por aquela fala ele queria ir pra casa ou sentar em algum lugar. — Sabe que se você sentar agora vai ser pior depois, né? — Steve tinha alguns passos a frente, e era como se não tivesse falado nada, mas como o lugar já estava bem mais vazio que antes, não foi complicado o acompanhar ainda que a distância existisse até que tivessem parado. — Acho que sim. Ou então já passou um pouco. — Não fazia idéia de que horas eram e não pegou o celular pra ver também. Não achava que tinham atrasado para entrar no palco e não tinham cantado tantas músicas assim para justificar ter passado tanto de meia noite. Apesar de não conhecer a banda, tinha sido bom o show e preferiu não pensar se achava aquilo por conta das experiências anteriores com bandas desconhecidas terem sido terríveis ou porque tinha sido bom realmente. Tinha visto quando se aproximaram e quase riu da forma que Steve pareceu ficar assustado com a terceira pessoa que se aproximou. Poderia até ter prestado atenção na conversa e tentado participar, mas nem tentou quando ouviu que falavam sobre a blusa que o loiro usava. Acabou pegando o celular naquele tempo em que os outros dois conversavam, a atenção só voltando para eles totalmente quando ouviu, parte, dá pergunta e a resposta do alemão saiu antes que pudesse falar qualquer coisa. Um papel foi esticado para ele e, mesmo que achasse meio esquisito tudo aquilo, pegou. Tinha ficado um pouco mais quando prestou atenção no que estava escrito e prestou atenção no restante da conversa, não sendo difícil reparar que o namorado tinha um daqueles papéis também. Mais algumas palavras foram trocadas e, tão rápido quanto chegou, o cara se afastou deixando os dois sozinhos novamente. — Mesmo que eu fale que não, você vai me encher até eu falar que vou com você, que diferença vai fazer no final? — Claro que não perderia a oportunidade de implicar com ele, ainda que gostasse de festas de Halloween.
When I don’t get enough sleep during my string of night shifts
Yes, veins do roll.
Me, every shift.
Some nights I forget to bring my lunch and the candy drawer starts to look good...
"Isn't nursing just sitting around and drinking coffee all day while the doctors do the real work?"
Divorce
Era a primeira vez em meses que a casa estava quieta quando todos estavam lá. Não tinham gritos, palavras incompreensíveis, lágrimas e portas batendo. Sendo o mais velho dos três, Fred era o único que entendia um pouco mais que as irmãs o que estava acontecendo. Quase todas as noites, depois do jantar, quando as três crianças já estavam nos quartos, era possível ouvir os pais discutindo, ainda que a maior parte das coisas fosse incompreensível para a mente de seis anos dele. Não sabia quanto tempo aquilo tinha durado, mas tinham sido mais noites do que ele conseguiria contar.
Da janela do quarto dele era possível ver o carro estacionado em frente a casa. O porta malas aberto com duas malas já do lado de dentro, uma terceira do lado de fora e mais algumas poucas caixas no chão próximas do veículo também. O espaço era dividido entre ele e Isabella, os dois tentando entender melhor o que estava acontecendo, Violet rabiscava um papel alheia demais a realidade e ele quis ser como ela. Só sabiam que a mãe estava no andar de baixo porque era possível ouvir um pouco a voz dela falando alguma coisa enquanto algo era tirado da parede, derrubando alguma coisa de vidro que se quebrou.
Robert entrou no campo de visão dos filhos com o que parecia ser um quadro, mas que poderia muito bem ser um porta retratos, deixando no banco de trás do carro antes de bater a porta mais uma vez. Viram a última mala ser guardada, as caixas tendo o mesmo destino, o silêncio do quarto só sendo quebrado pelas falas aleatórias da mais nova das crianças.
Não houve uma conversa, abraços ou qualquer coisa da parte do homem para com os filhos, apenas um aceno rápido para os que estavam na janela antes de a porta do motorista ser fechada e o carro sair de onde estava. A porta da frente foi fechada, os passos na escada pareceram mais altos que o normal e logo a voz da mãe se fez presente no cômodo. — Frederick, querido, fique com as suas irmãs, sim? Eu estou com dor de cabeça e preciso dormir um pouco. — Ele não respondeu e ela não esperou uma resposta quando foi para o quarto e fechou a porta. Ele podia não saber direito o que tinha acontecido, mas sabia que, daquela vez, seu pai não iria voltar para casa.
Need some help?
Não podia negar que a imagem projetada em sua mente pela fala dela era boa. Era realmente boa e esperava que pudesse vir a se concretizar em algum momento no futuro. Não havia pensado sobre a questão das férias, realmente não, mas já que ela tinha falado no assunto, talvez considerasse depois. — Se algum dia eu precisar falar pro guri que só vamos viajar quando ele estiver de férias e ele ficar puto por causa disso, pode ter certeza que direi que a ideia foi sua. — Comentou como se aquilo fosse o livrar da culpa de qualquer coisa que pudesse acontecer. Acabou rindo do que ela disse porque aquilo era impossível de se tornar real. — Desde que você concorde em pagar minhas contas. — Não era como se ele fosse fazer aquilo mesmo, então estava tudo certo.
— Você falando assim parece até que mora aqui desde sempre e não conhece ele mas tem o que? Uma meia hora? — Comentou em um tom mais divertido, olhando para o pulso como se checasse o horário em um relógio que não estava lá. Não sabia há quanto tempo estava ali ajudando e conversando com Nat, mas não era muito. Mas não era como se aquilo importasse no final também.
Acabou rindo porque mesmo depois da explicação dele ela ainda parecia um pouco confusa quanto ao que tinha sido dito e pretendia simplesmente deixar para lá se as coisas ainda estivessem meio embaralhadas na mente dela. — Sim, muito importante. — Respondeu quase no mesmo tom, ainda que mantivesse um sorriso divertido no rosto. — Quer dizer os finais de semana? Eu trabalho por escala, mas normalmente não vou pro hospital nos fins de semana então não deve ser difícil encontramos um dia pra ir.
Chegou a erguer as sobrancelhas e virar a cabeça, o olhando de lado como se tivesse um tom injuriado. “Ei! Eu estava tentando ser um bom exemplo, mas se quiser que seu filho mate a aula pra viajar tem toda liberdade.” tentou manter a expressão séria, mas foi aliviada com uma risada. Entendia o ponto de vista, afinal, se fosse Natalie a viajar para matar aula na sua infância estaria completamente feliz com a decisão e não questionaria. “Só não me coloque como a tia má, culpe a vendedora da padaria, sei lá. Eu serei a legal que deixa ele fazer bagunça agora.” disse lhe dando uma piscadela. A mulher era babona com crianças, com certeza se aquelas ideias fossem uma realidade era mais fácil Nat se unir a elas. “Você pode engana-los com alguma nota falsa, na hora do desespero ninguém repara nessas coisas.” ou daria muito certo, ou daria muito errado. Não era uma ideia para se levar a sério, talvez? Natalie balançou os ombros passando os olhos pela rua calma.
“Só meia hora?” ela riu do comentário, se perguntando se tinham arrumado as coisas tão rápido desse jeito mesmo. Por um momento fingiu olhar o relógio no pulso do mesmo jeito que ele, e projetou uma careta, entrando na brincadeira. “Eu devia ter arranjado mais tarefas pra fazer, só pra enrolar e não morrer de tédio em casa.” o que era uma verdade.
Apenas concordou com a cabeça, ainda que estivesse meio perdida no assunto. Deixou como entendido que ele vive ali desde sempre. “Faz assim, não estou muito longe, é só mandar mensagem quando puder que combinamos na hora.” era mais fácil do que planejar algo que tinha perigo de ser desfeito por imprevistos. E também, era mais para socializar, não era nada tão formal.
— Eu não estava pensando não vou fazer ele perder aula para viajar a menos que seja extremamente necessário. — Até poderia viajar durante a semana com o menino enquanto ele fosse pequeno porque não perderia nada de importante na escola, mas tinha o problema do trabalho e era muito mais fácil deixar que qualquer coisa do tipo acontecesse nas férias. Queria ter mantido a seriedade da expressão que tinha surgido ao primeiro comentário, mas a segunda parte da fala dela o fez rir. — E quem disse que eu ia te colocar como a tia má? E quanto a parte de ser a tia legal, acho que três vai ser um número grande demais para ele. — Até porque, não era como se suas irmãs fizessem alguma coisa diferente das coisas que ele queria então, se alguém era chato e/ou mau, era ele. Olhou para ela como se estivesse com um et em sua frente. — Porque eu sempre soube falsificar notas, não sabia? Quando precisar é só falar comigo. — Estava sendo bem irônico com aquele comentário, mas, aquilo que ela tinha falado era realmente absurdo.
Tinha sido um chute o tempo que tinha passado, principalmente porque tinha a tendência a perder a noção do tempo em situações como aquela, onde tinha que arrumar o rearrumar coisas, mas sabia que ela não falava sério em relação a aquilo também. Ter o que fazer ela até tinha, que no caso seria desencaixotar as coisas e começar a arrumar a casa, mas restava saber se ela teria disposição para aquilo. — Tem umas caixas pra abrir você abrir né...
Não era nada demais, só sairiam pra beber e combinar aquilo por mensagem era bem mais fácil, não tinha o que complicar então assentiu concordando com o que ela tinha dito. — E se você não me responder eu posso deixar o guri ficar tocando a campainha sem parar. — Não, não faria aquilo, mas realmente poderia ir na casa dela qualquer coisa.