A rotina do instituto Robinson Wright é extremamente restrita. Há horários pré-estabelecidos para absolutamente tudo, e isso inclui o recebimento de cargas de suprimento. A ilha é monitorada vinte e quatro horas por dia. Todas as mercadorias chegam através de barcos que só podem atracar no único píer que existe com essa finalidade. Não bastasse isso, a abertura dos portões nos dois níveis de cerca que precedem a entrada principal do intitutro também são programadas, o que significa que, desde sempre, há horários pre-definidos até mesmo para chegada de produtos essenciais.
Diante de tantas restrições, é de esperar que houvesse surpresa quando o alto sinal sonoro anunciou que o portão principal estava sendo aberto. Principalmente áquela hora da noite, quando todos já estavam prestes a encerrar o serviço da última refeição antes do toque de recolher.
Uma comitiva de três carros iguais passou pelas grades, através dos portões e estacionou na entrada do instituto. Uma equipe de agentes de segurança se formou logo na entrada, para recepcionar a equipe tática armada que desceu primeiro. Todos trajados de preto, carregando fuzis a tiracolo, entraram em formação diante dos três veículos. Pareceu haver entre eles, algum tipo de comunicação, antes que um homem de meia idade e cabelos escuros, trajando um terno obviamente caro demais até para olhos destreinados, descesse de um dos veículos e marchasse para dentro do intituto, acompanhado por dois soldados daquela equipe.
O homem não identificado se encaminhou diretamente para a sala de direção, e o que se passou por lá foi breve. Menos de quinze minutos depois, o engravatado já estava deixando a sala para conduzir os agentes de segurança e a enfermeira plantonista do instituto até a traseira do último veículo da comitiva. Surpreendentemente, quando as portas do SUV se abriram, Alisha Hamilton desceu de lá. Em carne, osso, e seus característicos cabelos vermelhos, muito embora, essa fosse sua única característica que parecia ter sido preservada desde a última vez que foi vista. Acompahada da enfermeira e dos agentes de segurança, a detenta foi escoltada para dentro do instituto.
A comitiva de carros tomou seu caminho de volta, por onde havia vindo, e sumiu na escuridão do caminho até o píer. Para trás, além do mistério sobre quem eram, deixaram uma Alícia desorientada e aparentemente catatônica. Ela então, foi reconduzida até o refeitório, onde os demais reeducandos estavam reunidos. Já que estava de volta, Alisha retomaria a rotina de Robinson Wright imediatamente. O barulho no salão era alto, em função das várias conversas que estavam ocorrendo simultaneamente. No entanto, assim que a figura feminina entrou no salão, o silêncio pousou sobre o lugar com o peso de várias toneladas. Todas as conversas paralelas cessaram, e nem mesmo o tilintar dos talheres nos pratos se fazia ouvir. A tensão mantinha a todos num estado de suspensão e expectativa, além dos olhos pregados sobre a garota desaparecida que agora se apresentava diante de todos como um fatasma do que costumava ser.
"Atenção reeducandos de Robinson Wright." a voz do diretor pediu, ainda que já a tivesse mesmo antes disso. "Alisha Hamilton está sendo reintegrada ao convívio do instituto a partir desse momento, e retomará suas atividades normalmente a partir da manhã." as palavras breves e superficiais em nada esclareciam as milhões de perguntas que tinham surgido desde so sumiço de Alisha após a tempestade. De certo modo, pareciam até que serviam mais para seguir o protocolo, do que qualquer outra coisa. "Aqueles que faziam parte das mesmas equipes que Hamilton anteriormente, procurem seus instrutores para devida redistribuição de suas atividades. Os demais, permaneçam como estão." adicionou por fim, de modo até reduntante. E então encerrou e se despediu de todos, antes de retornar a própria sala.
















