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@mussemussemusse
Sonho
Conheci-te no meio de um sonho único
Sem mostrar tua face, te revelaste para mim
Contaste-me sobre o futuro que teríamos no fim
Sol na cara, frescura nas costas, borboletas na barriga
Uma amostra da leveza desse amor que viria
Plantaste o desejo de vivê-lo no meu coração
Sonhava com o nosso reencontro com tanta emoção
Ansiedade não me deixava descansar
Batimentos sempre acelerados, várias vezes tropeçava nas palavras
Tentava me expressar e pedia a fala
E eu vivi anos a procura do teu olhar
Nas casas erradas tentava me abrigar
Vaguear, dar voltas pela terra
Contei sóis e luas, estrelas e coloquei-me nua
Vulnerável, sensível às mentiras dos amores tipo comida
que esfria e perde a graça
Nem que se aqueça, fast food
Não era esse o mood que eu queria
Tristezas depois, eu finalmente desisti
Decidi que ia aproveitar o momento
O que existe, o que está disponível
Deixei de sentir e andava por aí
Confundiam-me com um zumbi, um mártir
Alimentava a alma só a curtir!
Apareceste e eras mais um no meu diário
Nas estórias que coleccionava para contar às minhas futuras crianças
Tua volta nunca foi anunciada, eu não estava preparada
Muita informação para uma só pessoa
Muita pressão para uma só canoa
E como eu navegava!
Em pouco tempo me vi presa a ti
Atracada, meses passavam em horas de ponta
Quando te revelaste para mim
Contaste-me sobre o futuro que teríamos no fim
Reacendeste o desejo de amor verdadeiro
E me deste tudo que me prometeste lá atrás
Flores no meu jardim
Matabichos na cama, amor cor de jasmin
Deste-me tudo que precisava
Fim de uma jornada, início da nossa encantada caminhada
Musse
Namaacha
Por cima das pedras caminhamos de pés descalços, mãos dadas e dedos entrelaçados
Por cima das pedras caminhamos, num caminho seco, com alguns lugares molhados
A temperatura era quente, as pedras queimavam os pés então sentámos
Dois sumos, duas sandes, duas bolachas, dois adultos como crianças encantadas
Pela beleza, frescura e leveza daquele lugar
Pela franqueza, liberdade e aventuras daquela Nova amizade
Falamos pouco, ouvimos muito
O som da água que enchia, os pássaros que não se mexiam
Enfeitiçados também estavam e parecia uma fantasia
Tudo muito perfeito, uma estranha harmonia
Conversamos
Rimos muito, discutimos um pouco e subimos
Subimos devagar, Escalamos as pedras, escalamos a montanha,
Escalamos degraus de conhecimento, de entrega
Degraus de cumplicidade sem regras
E a água enchia
Não víamos o tempo passar, nem o sol se despedir
Somente nos apercebemos que tinhamos de voltar
Quando a camera já não captava as cores
Quando a luz fugia de nossos olhos
E a temperatura mudou de humor
A água encheu, o céu escureceu
Vimos alguns locais e pequenos caranguejos
ele pegou num lírio roxo e me ofereceu
Um gesto pequeno cheio de ternura
Do seu significado mal sabia eu
Tivemos que saltar as pedras que restavam
Eu tive que confiar nele, confiar na sua intuição, confiar que aquela mão não me deixaria escorregar
Confiar que aquela mão não me deixaria pela corrente levar
pela cascata abaixo gritar
Confiar naquele homem que há horas atrás
Era um desconhecido, bonito
De cabelo crespo e uma barba clara
E agora era um amigo de longa data
Como um truque de magia
Magia como aquela que faz parte da história daquele lugar
Que leva almas pela beleza, enterra corpos pela avareza
Magia que une pessoas assim Tão naturalmente
Coisas que mexem com a mente
encontrar alguém que me entendesse tanto assim de repente
A água já estava cheia, eram quase seis e meia
Uma hora tinha de terminar
Uma hora tínhamos de voltar a realidade
Era triste não poder levar aquilo para casa
Mas emocionante ter vivido tanto numa tarde
Víamos o por do sol mais bonito Quando nos despedíamos
A cantar coisas com o coração
Planos de voltar fazíamos
Musse
Hoje estive no teu quarto. Entrei sem permissão, sorrateiramente, e espero que não tenham me visto.
A primeira coisa para onde foi desviado o meu olhar foram paredes. Elas tinham ainda o teu cheiro, e conseguia ver-te, como se estivesses ali naquele canto a olhar para mim.
Caminhei com passos demorados. Passei a mão pelas tuas camisas, pela tua mochila, pelos teus cintos e pelos teus perfumes. Peguei no teu preferido, borrifei no ar para te sentir mais presente e sorri.
Sentei-me na tua cama, primeiro bem comportada porque não a queria desarrumar, depois lembrei-me das coisas todas que fazíamos quando estávamos sozinhos ou quando tinha alguém do outro lado da porta e não nos importávamos, e deixei-me cair para trás. Como eu tinha saudade daquelas almofadas!
As minhas mãos faziam círculos no lençol como os círculos que fiz muitas vezes em teu peito desenhando as alianças que teríamos em nossos dedos.
Lembrei-me da vez que te encontrei aqui a dormir, vi uma roupa interior vermelha que não era minha no chão, e simplesmente me fui.
Naquele dia eu não deveria ter vindo sem avisar, hoje percebo o porquê, e me apercebendo que estava a cometer o mesmo erro, levantei-me rapidamente, mirei-me naquele espelho que muitas vezes foi meu confidente antes de me fazer a rua, limpei as lágrimas e fechei a porta do quarto atrás de mim.
Musse
Amor
Pensava que por estas alturas o amor seria mais fácil, mais simples, mais de “nós” e menos de ”eu”. Nestas alturas, o amor maduro era mais adulto, menos crítico e mais compreensivo. Pensava que era mais doce, mais estável, mais amigo.
Pensava que o amor nestas alturas seria uma rocha, pronta para suportar tudo. Que em pouquíssimos momentos seria mais um motivo da ansiedade e desequilíbrio destes maduros no assunto.
Pensava que o amor podia ser fantasia on repeat, uma cama confortável e um bom beat. Pensava que o amor seria respeito, consideração e compaixão. Pensava que o amor seria vida, não uma partícula que te faz pensar em desistir da vida.
Pensava que o amor eras tu, envolvido em vontade de te doares e a mim te juntares. Pensava que seríamos nós, a andar de mãos dadas e contar estradas. Pensava que era uma casa, filhos e viagens. Nunca imaginei que o amor seria a causa de tanto trauma, e razão para sempre usar maquiagem.
Pensava que amor era tudo, hoje sei que não é nada.
Musse
Tu não mudaste de planos, tu mudaste de companhia
Tu não mudaste de planos, não ficaste mais caseiro... tu, mudaste de companhia.
Pensava que já não saías para tomar um café ou um vinho, apanhar ar naquela varanda enquanto comias uma pizza ou uma tosta, mas na verdade eu é que já não vou contigo. Ainda sais de noite, tomas sorvetes e sumos de cana, ainda vais aos shows de música moçambicana.
Tu não mudaste de planos, tu mudaste de companhia!
Descobrir isso foi meio que um choque para mim, pois, eu sabia sim que iria acontecer. Eventualmente íamos nos cansar um do outro ou iríamos nos apaixonar, e as coisas ficariam complicadas. Enfim, não esperava que acontecesse tão cedo e que fosse me esbarrar contigo, todo perfumado, a caminho do nosso sítio preferido e sem mim.
Como é que és capaz de recriar as coisas que nós tínhamos? Fazer os mesmos planos que fazíamos? Sentar na nossa mesa, nosso cantinho?
Substituíste-me, mas não substituíste aquilo que te fazia sentir. Tenho a certeza de que ninguém te fará rir como eu e que um dia destes vais te lembrar de como era genuíno. Já agora, espero que engasgues no próximo café que fores a pedir.
Musse
Nunca daria certo
Não enquanto tu fosses directo ao pote buscar as tuas bolachas preferidas
E eu continuasse às voltas até me decidir se como uma bolacha ou duas
Nunca daria certo
Somos humanos com expectativas diferentes ao conhecer pessoas novas
Eu quero ver a pessoa e tu olhas os dentes
Eu me interesso por auras e tu simplesmente ignoras os sinais óbvios que as pessoas transmitem e carregam consigo nesta caminhada infindável de relações
Eu adoro ler cartas e tu pensas que astrologia é mais uma ciência falhada, coisa de malucos, conto de fadas
Nunca daria certo
Porque eu gosto de estrada, de viajar, provar comidas e dançar coisas esquisitas
Enquanto tu, tu gostas de rotina, ficar em casa todo dia, usas as mesmas cores e não gostas de novos sabores
Nunca daria certo
Porque adoro conversas vazias, cheias de sentimentos que são apanhados à medida que o ser humano se vai esvaziando
Enquanto tu só queres saber de quem, onde, como e quando
Te limitas no teu certeiro
Enquanto eu tenho coração de viageiro
Nunca daria certo
Mas por teres sido o primeiro, aprendi como limpar uma casa, e como trancar uma porta
Aprendi como dizer não e desligar a emoção
Aprendi que é possível ser um pouco egoísta, um pouco simplista, um pouco diferente e ser crente
Aprendi que foste apenas uma lição de vida, desequilibrada como eu, aborrecida como tu, forçada como nós, mas foste e é por isso que eu agradeço-te.
Musse
Artista
Artista Há bom tempo que quero escrever um texto sobre ti, mas as palavras me fogem a cada vez que tento descrever o que me fazes sentir. Porque na verdade, tu tens esse efeito em mim... fazes-me esquecer das palavras, perder o raciocínio, ficar aérea e ficar sem saber o que te dizer. Tantas vezes, tu, com a tua dicção perfeita, palavras certas e uma melodia encantadora me falaste e eu me perdi. Dei-te uma resposta qualquer, uma resposta rapida e banal que nao tem nada a ver comigo, uma resposta comum porque simplesmente a minha essência ficou perdida no ar juntamente com as notas sonoras das palavras que proferias. Deixas-me sem palavras, deixas-me sem ar, deixas-me a flutuar num espaço entre o teu olhar e o som da tua guitarra. Artista No primeiro dia que te vi a actuar, confesso que fiquei apaixonada. A tua cara e a tua expressão fisica enquanto mergulhavas no universo da tua criação, fizeram o meu coração palpitar. Fazes coisas tão bonitas, crias melodias e sons e letras que me envolvem de uma maneira que nunca achei possível. Consegues transmitir sentimentos que eu nunca tive, e me fazer sentir dores que nunca vivi. Eu sempre gostei de artistas. Durante toda a vida, sempre estive fascinada por um ou dois, mas tu tens algo de especial. Pensei em ser tua amiga, porque as minhas histórias amorosas sempre tem início na amizade, e achei que talvez assim fosse ser fácil conhecer-te e sei-lá. Não fiz um plano, mas procurei-te, segui-te, stalkeei-te e um dia cumprimentei-te e agi naturalmente como se fossemos amigos de longa data. Na minha timidez acelerada, agi como se não estivesse interessada. Esse é um traço meu de ariana, fingir não me importar para não cair nos pés do crush e fazer com que ele caia. Não sei se funciona, mas eu faço isso e contigo não foi diferente. Artista Eu me pergunto se tu te apercebeste do meu interesse porque durante um tempo estive sempre ali a mandar mensagens e áudios, a querer saber de ti e ver-te porque em minha fantasia nós podíamos ser tantas coisas...até que um dia parei. A paranóia me fez pensar que estivesse a ser chata, e não queria ser aquela pessoa que está sempre a incomodar. Será que sentiste falta? Artista Se por acaso ouvires este áudio ou leres esta mensagem que não te vou enviar, diz-me se alguma chance haveria? Ou apenas eu estava a delirar com a minha imaginação fértil e não soube distinguir entre amizade, boa vontade e simpatia?
Musse
Eu queria que tu me ligasses
De manhã, de tarde e de noite
Queria que me ligasses
Sempre que tivesses vontade
Ou que sentisses saudades
Queria que tu me ligasses
Para saber como estou
Se comi, ou como vai o trabalho
Queria que me ligasses
E te importasses um bocado
Mesmo se fosses um pouco chato
Queria que tu me ligasses
Assim de repente, do nada
Que as tuas chamadas fossem inesperadas
E não só quando estivesse atrasada
Queria que tu me ligasses
Queria que mensagens me mandasses
Queria para ti ser importante
Queria que tu me amasses
Musse
acredito
Acredito nas voltas que a vida dá
No destino, que está escrito
Acredito em metade da laranja, alma gémea
E todo esse blá blá blá
Acredito em signos, em energias
Em espíritos, almas e más companhias
Em feitiços, e amores à primeira vista
Acredito nas premonições dos Maias
Na física quântica e na astronomia
Acredito em nós, acredito em magia
Acredito naquela lenda japonesa
Akai ito, fio vermelho do destino
Acredito que vamos dar voltas ao mundo
E no final sentar juntos à mesa
Acredito em tudo que me leve a ti
Paixões, existirão tantas por aí
Mas acredita, porque eu não tenho dúvidas
Que tu foste feita para mim
Musse
hoje estou a pé
Hoje eu estou a pé
Passo pelos mesmos prédios de sempre
Ando pelas mesmas ruas de sempre
Sinto o cheiro do asfalto molhado a minha frente
Hoje eu estou a pé
Arrasto-me devagar dentre os corredores
Provocados pelos espaços que estes humanos vão deixando
Trilhando meu dia de horrores
Hoje estou a pé, mas ontem eu estava ao volante
Não percebia nada do que se passava lá fora
Olhava as cores, mas não as via
Olhava os carros, mas não os temia
Estava numa montanha russa
À velocidade bem alta, travões em falta
A adrenalina da nossa aventura me estimulava
A tua presença e amor me atiçava
Dentro do carro tantos gritos de júbilo
Momentos intensos de prazer
Todo o resto parecia parar
Só a nossa vida continuava a correr
E nós íamos a sessenta, oitenta, cento e vinte
Estávamos numa pressa de nos fazermos felizes
Esperávamos por este encontro há tanto tempo
Quanto as células que há em mim
Naquela precipitação de amor
Não calculei os riscos obviamente adjacentes
Pensava que ao ir depressa contigo
Viveríamos eternamente
Não liguei para o chão encharcado
Que a precipitação da natureza havia criado
Continuei a correr para o paraíso
Que eram os teus braços
Sóbrio descortinei estes pensamentos
Quando embriagado matei a nossa corrente
Feri a tua pele num acidente
Dizimei a vidinha que tínhamos planeado
Nestes dias que se acabam
Mal consigo tocar num veículo
Qualquer que seja a estação do ano
Inverno ou verão, a pé me verão
Porque eu não posso mais andar naquilo
Não posso mais me perder nas memórias
Cada vez que passo dos sessenta
E me lembro da nossa história
A última vez, eu te juro que o mundo ficou estático
O teu aroma natural esteve ressuscitado
Por um instante perdi noção de onde estava
E fui embater numa casa de mecânico
Hoje eu estou a pé
Chamam-me louco, pensam que sofri pouco
Que a minha vida terminou, que passei sufoco
Não sabem sequer que estou num esgoto
Hoje eu estou a pé, não fico de pé
Porque já não tenho mais nada a perder
Pode ir a sola, pode ir a minha alma
Pode ir a sanidade... eu não tenho porque viver
Musse
tu
De todos os amores que eu experimentei
Nenhum deles foi tão complicado como este
Tive que aprender a te entender
Perceber quando estas triste
Te acalmar quando estavas num declive
Te elevar quando as manhãs não tinham sol
E te mimar quando estavas tu só
Senti-te muitas vezes distante
Falava contigo mas não respondias
Ia dormir para ver se te encontrava mas só te escondias
Até que ouvi que o melhor de ti
Só se encontra quando não se procura
És tão teimosa que tive de me sentar
Colocar uma toalha no chão
Ficar no silencio e meditar
Esvaziar a mente, deixar de sentir até os meus dentes
Entrar em tranze, entrar na luz
E finalmente te achar
És tão linda e inteligente que simplesmente me apaixonei
Mulher cheia de garra, que não desiste por nada
Corre com o vento, nada com as aves
Alcança as nuvens, beija o céu
E no final se torna na melhor
Tu és a melhor
Eu sou melhor porque eu sou tu Musse
Eu sou melhor porque eu te conheço
Eu sou melhor porque tenho te a ti
Dentro de mim
Musse