2017, o ano em que sobrevivemos
Faz um tempo que eu não escrevo por aqui. Talvez porque eu tenha cada dia menos certezas ou porque esteja mais ocupada fazendo do que pensando. Mas resolvi parar um pouco pra pensar sobre esse ano em que o mundo deu tantos passos pra trás.
No mundo, Trump virou as costas dos EUA pro Acordo de Paris, o que sinaliza sua indiferença em relação aos impactos ambientais daquele país enorme e super poluidor. No Brasil, o governo Temer vai dando tiro atrás de tiro nos mecanismos de proteção do trabalhador e de regulação da indústria. Se antes da reforma trabalhista, bolivianos já eram vendidos em via pública para trabalhar em confecções, imagina agora que a justiça trabalhista se tornou mais onerosa e a flexibilização das regras só favorece o empregador? Nesse momento, o Brasil recebe refugiados em busca de um novo começo, mas que condições eles encontrarão para recomeçar? A mão de obra vulnerável é sempre mais barata e menos exigente em relação a seus direitos (que atualmente se tornam cada vez mais escassos). Áreas indígenas vão sendo desprotegidas como favor para a bancada do agronegócio, liberdades civis são esquecidas por pressão da bancada evangélica, tudo para realizar um projeto de país no qual ninguém votou.
Foi difícil, né?
Originalmente publicado por purpleistheperfectcolour
Mas mesmo depois desse ano que tinha tudo pra destruir qualquer esperança, eu continuo otimista. Eu preciso continuar. Todo mundo precisa.
Esse ano também trouxe momentos altamente inspiradores de união e resistência. A palavra do ano foi feminismo e eu vi conceitos como sororidade e empoderamento ganharem forma dentro e fora de mim, nas ruas, nas redes. Eu vi surgirem do meu lado marcas de moda preocupadas com o meio ambiente e com a cadeia de produção. Conheci gente incrível que empodera economicamente jovens em condição de vulnerabilidade, usando o empreendedorismo social para gerar renda dentro de comunidades e não para multinacionais. A tecnologia avançou criando geringonças maravilhosas pra reciclar e limpar o que a gente continua sujando, voluntários se doaram pra as mais diversas causas (inclusive pra a minha).
Pude falar em palestras, universidades, empresas e ser ouvida por gente com o mesmo propósito: fazer escolhas que tornam o mundo melhor diariamente. Se alguém largou os copos descartáveis ou passou a trocar roupas no lugar de comprar, se eu ajudei alguém a parar pra pensar nas suas escolhas, esse ano valeu a pena.
2018 tem eleição, a gente vai renovar o executivo federal e estadual, o legislativo estadual, todos os deputados federais e 2/3 dos senadores. Mas não é só em outubro que temos a chance de fazer a diferença, 2018 vai trazer 365 chances de começar de novo. Meio clichê, mas cada um tem o poder de se transformar em uma força para o bem todos os dias e eu me recuso a acreditar que estamos desperdiçando essa oportunidade.
Originalmente publicado por movie-scenesx










