Caminhos complexos entalham o significado de lar. Não só o tato de lugar mas, do que o habita. Em Alt, apesar da confusão, havia o sentimento de estar em casa. E esse sentimento se ampliava em uma pacificidade etérea nos momentos em que sentava junto a Hayden e debatiam qualquer coisa. Como se o vinculo estranho, meio imediato que sentia desde que se conheceram fosse estreitado. As vezes conversavam, em outras eram pequenos gestos mas, muitas vezes Alt tinha a sensação que havia algo familiar mesmo na consciência. Hipnos, o pai sono, era constante, porém distante, um rei de poder absoluto mas, sem opressão. Alt havia crescido no topo de um reino hierárquico e tinha em seu esforço uma visão educada, gentil e até bem considerada do mundo real. Morfeu, o filho sonho, assume tarefas que exigem sutileza, interpretação e empatia, qualidades que seu pai não expressava diretamente mas, estavam lá. Hayden era consciente, via e entendia os problemas do mundo real, parecia se inserir lá mas, precisava talvez, assim como Alt, de… lar. Que talvez existisse na complementariedade divinamente paternal, que leva ao repouso não apenas necessidade mas, sentido. Talvez, em algum momento, encontrassem um sentido. — Eu penso nisso. — Respondeu após ouvir tudo, e, como usual do sono, uma pequena pausa de silêncio. — Existe uma parte de mim tentando convencer o apego ao sentimento bom. Faz sentido? Bem… Histeria não deixaria de fazer sentido. Passamos por situações diversas de estresse, os exames laboratoriais e médicos não tem alterações, ou seja… ausência de causas orgânicas, é um grupo segregado… doze horas é um começo e fim rápido… Mas, não conseguimos isolar um caso índice ainda, hm? E, quanto as drogas… Bem, pelo que eu soube, um painel extenso de psicoativos foi testada e nada. Então… Não, não devíamos estar tão confortáveis aqui. — O olhar havia se perdido por alguns segundos no fluxograma mental que montava como médico tentando lidar com a situação mas, voltou a Hayden saindo do transe, e a pupila se moldando a preocupação paternal. — Você realmente se sente bem?