Encasulou-me na ansiedade.
Caminhava pela longa floresta cinzenta antes de você chegar. Cinzenta porque é a cor que dá o preto com branco.
A ausência e a luz.
Você acobertou a floresta com a cor dos seus olhos castanhos. Achei finalmente um salvador para o devasto deserto incolor.
Cobriu-a tanto de você que desaprendi a viver só com a minha luz e passei a depender da sua cor. Mas esqueci-me de que ela era sua e não pertencia a minha natureza.
Continuei caminhando pela floresta, encantada com os tons amarronzados novos. Contentava-me com essa única cor para as minhas folhas porque era a primeira vez que enxergava um tom diferente do meu, a primeira vez que elas tocavam algo diferente.
Mas era tão escuro que beirava ao meu cinza sem luz. Tentei entrelaçar-te com a iluminação que criava o meu cinza. Misturei meu branco ao seu castanho para criar outros tons.
Mas era sempre a mesma cor com diferentes reflexos. Mas a mesma. Meu tom não foi o suficiente para fazer o meu cinza e iluminar o seu tom.
Entreguei-o então todo para você e ausentei-me própria para te ter.
Você com novos tons contentou-se em buscar outras cores já que em meu eu não havia delas.
Cercada por resquícios amarronzados, abracei eles para me contentar com os restos que você deixou.
A cada resto que envolvia o meu corpo, criei um casulo com eles. Foram tantos que a dureza era como a de uma muralha, que sufoquei-me dentro do meu eu por estar preso ao resto teu. Que morri. Que ansiei. Ansiei tão pesadamente que anseio até hoje, mesmo depois da sua partida, pelo momento que te tirarei de mim e virarei uma borboleta. Livre. Com todas as cores em minha asas, que jamais serão suas.













