Mudando a paisagem;
FLASHBACK with @namgixn
O calor do verão parecia fritar a pele da garota, ainda que estivesse molhada pelo banho no mar. O vestido azul não a incomodava, na verdade até ajudava a deixar tudo mais suportável no meio da estação. Os olhinhos observavam as ondas se acabando na areia lá meio longe, mas não demoraram muito para descansarem em Namgi, o seu primeiro amor, e por enquanto, o único e último. Até deu um suspiro, porque ele era uma gracinha. Nayeon corava quando pensava em Lum, e como ele parecia um príncipe encantado dos filmes que via. Ele era perfeito, e ela já havia lhe falado isso, mesmo que às vezes fosse bem chato e irritante.
Passarinhos cantavam no topo da árvore próxima, e a menina balançava os pés sentada no chão, os pés descalços se sujavam na terra, e as mãos pequenas brincavam com os cadarços dos tênis imundos. Não sabia o que o namoradinho tramava ali, e a curiosidade lhe atiçava cada vez mais — O quê tá fazendo, garoto? — finalmente questionou, levantando num pulo e lhe agarrando a camiseta, como sempre fazia — Vovó vai me colocar de castigo se não voltarmos antes do almoço. E sabe que se eu ficar de castigo, eu não vou poder te ver — aquilo era tudo uma grande mentira, porque Nayeon não respeitava nenhum pouco o castigo. Sempre que a velhinha adormecia, a garota fugia. Fazia de um tudo pra ficar o maior tempo possível com Lum Namgi.
só havia três vozes femininas que sua cabeça fazia questão de gravar. só havia três presenças femininas que fazia sua cabeça alarmar, principalmente se o tom fosse aquele meio brabo ou mandão. e namgi nunca que pensaria em desobedecer essas três mulheres - ou duas e meio. nayeon ainda era uma garotinha, uma criança assim como ele. ainda não dava para ser vista como mulher, e namgi não tinha cabeça alguma para pensar nisso. duas mulheres e meio eram as que importavam na vida de lum namgi.
e ele queria que fosse para sempre. que as tivesse para sempre. como qualquer criança, não costumava pensar no futuro - mas raramente, acontecia. coisa boba, boba mesmo, tipo: eu e nayeon até quando ficarmos velhos como meus avós. é, ele pensava assim; queria assim. e foi esse querer que o o levou àquele momento: unhas sujas, mas o coração bonito riscado no tronco da árvore. desenhava muito bem para alguém de sua idade e aí estava algo para sentir orgulho de si. “ você sempre vê.” é o que responde, olhando aquela que nomeava namorada por sobre o ombro. acrescentando só mais um sorriso meio presunçoso, namgi volta a riscar a árvore. dessa vez, com hangul. quando termina, ele estende a ferramenta que havia pego seu avô por um acaso para nayeon.
“ eu e você... em um coração só. para sempre.” ele diz. “ escreve seu nome.”










