A proposta da hospedagem na Hanoil não era de ser permanente, por isso não haviam quartos extras além do da própria Holly - que ela cedia de muito bom grado a quem precisasse do espaço - e da área da sala fechada por cortinas. Mas se tinha uma coisa que Holly agradecia era por alguns hóspedes se demorarem mais em sua casa. A família Pyo também já tinha ganhado um lugar especial no coração dela, tão cheio de amor pra dar, tanto que ela não sabia o que faria quando não tivesse mais os gêmeos correndo pela sala ou Yongnam e Eunmi se implicando pelos cômodos, pra sempre acabar em risada.
Eram coisas pequenas que deixavam o peito e os dias de Holly mais leve e trazia pro rosto dela, já marcado com algumas rugas, um sorriso como o que aquela pergunta também trouxe. Ela olhou pra Yongnam de um jeito engraçadinho e toda boba, como se fosse ela quem tivesse com vergonha, mas era só uma brincadeirinha pra poder sorrir com mais alma e mais dentes, enquanto ela ainda separava seus ramos de alecrim.
“Como a gente sabe?! A gente não sabe, a gente sente." Ela disse, com toda a sua experiência traduzida num sorriso doce. "Você pensa nesse alguém a toda hora e sente o corpo todo esquentar e arrepiar quando pensa em vocês juntos, fica ansioso se sabe que vai ver esse alguém e treme por dentro de felicidade quando recebe uma mensagem ou um sorriso dessa pessoa. Não tem muito segredo, você simplesmente sabe.”
Holly sorriu pra si mesma quando virou pras suas ervas de novo, depois de colocar o cabelos soltos pra trás das orelhas com as mãos sujas de terra. “Com meu marido eu sabia até quando ele estava pra chegar em casa. Ele ainda estava lá na esquina, longe do portão eu já sentia aqui, no meu plexo solar, uma energia muito forte, uma felicidade.”
—— · ❝ ❥「 Ouvindo as palavras dela com atenção, Yongnam ficou bem pensativo; pensou nas vezes que talvez pudesse ter sentido algo como aquilo, e até identificou uma ou outra ocasião que poderia ter chegado perto, mas nada que realmente se encaixasse na descrição de Holly. Respirou fundo, um bico se formando nos próprios lábios. “Eu acho que nunca senti nada assim, mesmo. Uma vez conheci uma pessoa que me deixava nervoso quando a gente conversava, e até tremia quando recebia mensagens também, mas acho que os arrepios eram só pelo meu estômago revirando de ansiedade, mesmo.” Tagarelou, com uma caretinha, até se permitindo um riso ao final, embora suas bochechas estivessem meio coradas; pouquíssimas vezes tinha falado em voz alta sobre essa experiência, porque ela tinha sido com outro homem. Então sua tendência, por algum motivo, era fingir que nunca tinha acontecido.
Não que não soubesse o motivo pra esconder isso de todos; claro que sabia. Só... Não sabia o que fazer com tudo isso. Mas a fala seguinte de Holly foi o suficiente para lhe distrair, e ele abriu a boca em admiração, sem palavras por um momento. “Uau, noona! Isso é incrível. Você tem mesmo um monte de poderes, né?” Brincou, com um sorrisão crescendo no rosto; com aquele pouco tempo na ilha, já tinha ouvido as coisas que falavam da mulher; e não discordava muito, não. Alguém de alma tão pura e capaz de ajudar as pessoas com gestos tão simples só podia ter magia correndo nas veias, mesmo. O tipo real de magia. “Eu quero sentir isso um dia, sabe? Acho esquisito pensar que nunca gostei de alguém, porque eu já sou meio velho pra não ter acontecido ainda, né?” Confessou, com um suspiro; mas logo voltou a sorrir, um pouquinho sonhador. “Será que também vou sentir no meu plexo solar quando ele tiver chegando perto? Quer dizer, eu acho que nem sei o que é plexo solar, mas você disse que a gente só sente, então...” Riu mais uma vez, nem percebendo que tinha deixado escapar uma palavra no masculino ali. 」