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@naminhyuk-blog
the visual
&&. Boys can play serious games ;
“Harley!” Nam não tinha problema algum ao pronunciar o nome estrangeiro graças aos anos passados no Canadá. Mesmo na infância, empenhava-se a estudar o idioma local e absorvera o inglês com maestria, tanto que, ao falar, não tinha o menor resquício do sotaque tão comum aos coreanos falantes da língua. “Iriwa. Eoseo.” Um gesto simples da mão direita convidou o rapaz a entrar em seu carro. Nenhuma formalidade era dispensada ao outro embora fosse um ano mais velho pois sabia que, na pirâmide social na qual se encontravam, a idade de ambos era irrelevante pois sabiam quem estava acima de quem. Minhyuk foi primeiro enquanto o motorista segurava a porta, e sabia que o amigo o seguiria. Amigo... o termo era um pouco forte demais mas Kwon era um dos poucos que recebiam tal rótulo. Não que fosse digno de sua confiança, ainda estava decidindo a respeito, mas depositava em Harley crédito o bastante para que este espiasse além da máscara sorridente que carregava todos os dias.
Mal passava das seis mas seu fiel escudeiro já estava de saída para a escola, assim como ele. Harley tinha poder, dificilmente o bastante para chamar a atenção de Minhyuk, mas outras qualidades dele supriam tal lacuna: ele era obediente, diligente e não fazia muitas perguntas. Além disso... eram... parecidos. De certa forma. “Temos alguns assuntos pendentes para resolver com urgência.” Sentado muito ereto do lado oposto, o pálido estudante fitava o lado de fora. O tempo estava nublado, muito conivente com seus pensamentos. Se aproximavam do fim do ano letivo, logo se graduaria e ultimamente, com todos os acontecimentos, alguns assuntos escaparam de seu controle e ameaçavam seus planos de graduar-se com honras. Precisava delas se quisesse entrar na UNS e assim voltar a ameaçar o cargo de seu irmão. “E vou precisar de sua ajuda.”
@frankxnstxxn
&&. “Live by the rules, miss all the fun” must be the stupidest thing I’ve ever heard ;
Era chegada a hora de visitar a universidade, conhecer o campus e as pessoas com quem conviveria a partir do próximo semestre. Não podia sequer enganar a si mesmo sobre ter os nervos em frangalhos. O colegial tinha sido muito fácil, adolescentes eram facilmente manipuláveis e logo o puseram em um pedestal, glorificando-o por sua beleza, riqueza e habilidades. Mas ali... sabia bem como os jovens adultos gostavam de levar suas vidas acadêmicas nada a sério entre festas e bebedeiras, fazendo coisas que até Deus duvida... mas não ele. Tinha plena ciência disto quando saiu do carro em suas vestes nada casuais já que, apesar das dicas insistentes e convincentes da prima para vestir-se de maneira mais descontraída, ele precisava sentir-se confortável com o que estava acostumado pelo menos naquele quesito já que todo o resto lhe era estranho - era a própria imagem de um almofadinha nas roupas sociais e o suéter abraçando-o, com as mangas enroscadas ao redor dos ombros.
Nam não estava nada otimista. Os eventos de campus para os calouros antes do início do semestre eram infames e os trotes eram regra. Já podia ver ao longe os pobres recém-formados sendo surpreendidos, agarrados e arrastados para os prédios adjacentes no que ele pensava ser um ritual de recrutamento para os clubes. Por sua preferência, não entraria em nenhum. Se dependesse dele, na verdade, sequer estaria ali agora, mas sabia que o destino era muito mais cruel para com os acovardados e, portanto, que fosse dos males o menor. Inspirou profundamente, o corpo tenso cuidando de manter a postura ereta e o queixo erguido, mas os olhos frios recusavam-se a conectar com quaisquer outros, mantendo-se fixos no horizonte. Esperava apenas cruzar aquele corredor insano sem ser abordado por algum entusiasta mas, é claro, estava forçando sua sorte por sequer pensar em tal possibilidade pois, quando se encontrava há poucos passos da última pessoa em seu campo de visão periférica, alguém pareceu materializar-se diante dele, um rosto que lhe sorria e não era particularmente desconhecido. Minhyuk titubeou, ligeiramente enrubescido pelo sobressalto óbvio, e buscou retornar a expressão à altura enquanto vasculhava sua memória. Não era o rapaz asmático que ajudara certa vez? E não pôde deixar de sentir certo alívio uma vez que a aparência frágil negava o padrão “selvagem” dos sunbaes da faculdade. “Ah... annyeonghaseyo.”
@hyeoksays
AAAAATCHIM. Nam apertou o lenço de seda contra as narinas avermelhadas, os olhos lacrimejando. Nunca prestou muita atenção à sua alergia à pólen fora da primavera mas ali estava ele, tendo uma reação por causa de um mísero e maldito buquê. “Tem certeza de que são para mim?” Apertou os olhos para o rapaz que o segurava muito perto de si e sua vontade era gritar: VOCÊ É DENSO OU O QUÊ?! - mas manteve a compostura e o sorriso tímido tão bem ensaiado quando não podia manter a distância necessária. “Acho que você está enganado.”
@flowersontae
Junhyung soube que aquele não era um sintoma de narcolepsia quando suas pálpebras pesaram e ele percebeu que não tinha sensação nenhuma de sono. Abriu os olhos o máximo que pôde; tudo o que não estava girando estava pontinhado de pontos pretos. O garoto só queria chegar em casa, já tinha feito mais da metade do percurso, seu corpo insistiria em traí-lo ali, no meio do condomínio? Aparentemente sim. Apoiou-se na parede mais próxima, encarando o chão, tentando manter a calma segundo as recomendações médicas, embora essa fosse uma tarefa difícil considerando que ele não estava conseguindo respirar apropriadamente. Odiava aquilo, odiava ataques de asma, odiava sua própria condição física, estava tão nervoso que suas mãos frias sequer conseguiam encontrar a maldita bombinha de asma na mochila. Ofegante, Junhyung estendeu a mão para a primeira pessoa que surgiu em seu campo abalado de visão. – Por favor… – Pediu, quase sem voz, procurando ser breve em suas palavras, visto que sentia como se mãos estivessem esmagando suas vias respiratórias. – Minha mochila… Bombinha…
Desde o incidente com a prima, o clima na mansão dos Nam havia pesado bastante, exclusivamente para ele. O avô desfilava com seu meio irmão para todo canto, cacarejando sobre os planos de sucessão e ninguém moveu um dedo para ajudar o jovem a limpar a bagunça que havia causado. Os níveis de stress de Minhyuk andavam tão altos agora que enfrentava as provas finais cujas notas eram tão decisivas nas aplicações universitárias que já não conseguia ficar em casa mesmo que precisasse estudar. A noite estava fresca e fornecia a ele todo o oxigênio que não conseguia respirar dentro de casa, a escuridão convidativa fazendo-o passear a passos lentos pela calçada, as pálpebras se fechando enquanto trilhava o caminho tão conhecido, o silêncio sendo seu guia. Não era fã de exercícios e estava sempre muito ocupado para perder tempo com coisas tão triviais mas não podia negar que caminhar à meia luz, concentrando-se em nada além do ar que lhe preenchia os pulmões conferia uma sensação plena de liberdade e satisfação.
Estava apenas começando a acalmar os nervos quando sentiu algo em sua perna - um toque lânguido, sem forças, que atingiu apenas o tecido frouxo ao redor de seu joelho esquerdo por sorte, retirando-o daquela bolha solitária na qual desejava permanecer pelo resto da noite. Abriu os olhos e absorveu a cena em poucos segundos, sem precisar de dicas extras para saber do que se tratava já que a prima tinha a mesma doença e, apesar de não ter motivo algum para ajudar o estranho, era uma questão grave que tinha ali e as câmeras nos postes certamente testemunhariam contra ele caso o garoto morresse ali após lhe dar as costas. Agachou-se, então, sem dizer palavra e vasculhou a mochila do rapaz até encontrar o que buscava, tirando a tampa e pousando a bombinha na palma do outro, proferindo um frio e calmo: “Aqui está.” Enquanto o rapaz se medicava, ele espiou os arredores, aliviado por ainda não haver ninguém por perto. Contudo, o garoto diante de si era um completo estranho e Nam sabia que devia ser cauteloso com estes até que soubesse exatamente onde pisar. Com um suspiro silencioso, vestiu a fachada de bom moço e fingiu preocupar-se, embora, como sempre, suas palavras destoassem da expressão angelical. “Você vai ficar bem, não vai? Se for necessário, posso levá-lo até o Pronto-Socorro.”
&&. If you want something done right... ;
Go Miho. Quinze anos. Pequena e adorável, havia se mudado para uma das mansões vizinhas à sua e aquilo era o bastante para aguçar sua curiosidade. Nam encontrava-se em uma situação delicada e agora precisava de todos os aliados que pudesse obter mas o relatório que havia requerido aos colegas do conselho não tinha sido muito útil. A desculpa era de que ela havia acabado de se transferir e, como não era de sua turma, o acesso deles era muito mais restrito. Aparentemente, apenas Minhyuk poderia conseguir as informações se as solicitasse pessoalmente mas, por falta de um bom motivo para justificar tal ação, aquela alternativa sequer poderia ser considerada: a última coisa que precisava eram mais suspeitas sobre si. Teria mandado Harley aproximar-se dela mas tomou conhecimento do quanto ele parecia intimidante aos demais - que o chamavam de “cão de guarda do Presidente do Conselho” aos sussurros pelos cantos enquanto temiam ser mordidos por ele.
Talvez houvesse outro meio de conseguir o que queria mas nenhum seria tão rápido e efetivo quanto aquele e tempo era o que lhe era mais precioso agora. O burburinho quando o rapaz entrou no salão foi imediato. Não seria um desafio aproximar-se dela visto que estava isolada em uma das mesas no refeitório, o destino de todo aluno novo que falhava em cativas os demais com dinheiro, poder, carisma ou os três. Lançando um olhar de desprezo às opções para o almoço, entregou sua bandeja ao membro do conselho que o seguia como um cão sem dono e pediu dois milkshakes de banana com maçã verde - tudo natural, livre dos perigos de atacarem suas alergias - então encaminhou-se soberano até a mesa na qual a garota estava, esboçando um sorriso quase tímido ao direcionar-se à garota. “Com licença. Se incomoda se nos sentarmos aqui?”
@jupiterswhalien
No matter the situation, never let your emotions overpower your intelligence.
Jean Houston (via quotemadness)
. dry ice and flashing lights — Sulli & MinHyuk
Sulli só conseguira gravar pequenos pedaços do que havia acontecido até que chegasse ao hospital e alguém colocasse uma máscara em seu rosto. Durante sua infância, chegara a proclamar seu ódio contra a máquina de aerosol porque ela a impedia de brincar, mas, naquele momento, ela estava amando aquele ar úmido que estava sendo levado para o seu sistema respiratório já que fazia seu peito parar, gradativamente, de doer e sua respiração normalizar.
Fora somente depois de algum tempo ali, que ela começou a entender a situação que havia acontecido com ela, e o fato de haver sons em outra parte do hospital que chegavam abafados até ali. “Appa, o que está acontecendo?”, perguntou para o seu progenitor por trás da máscara de aerosol, enquanto ele se ocupava de por uma intravenosa em seu braço. Contudo, ela não precisara de uma resposta. Logo seu raciocínio se encaixou e ela procurou a mão do primo mesmo que não pudesse de mexer muito. “Isso vai causar algum problema para você?”, MinHyuk era o mais perto de irmão substituto que ela ousara pensar em ter, então não queria causar problemas para ele. Sua cabeça doeu por causa de todas as possibilidades que estava montando, mas ela tentou permanecer calma. “Eu posso… ficar sozinha com ele?”, pediu depois que soube que toda a medicação lhe fora dada e ela não precisava mais de cuidados médicos. Sua ‘síndrome’ de invisibilidade fazia com que aquele fosse a primeira vez que algo assim acontecesse em sua vida, então não sabia o que pensar direito. “Eles não vão… não precisa mentir para mim, o que isso pode causar a você?”, o primo havia a salvado, tudo que ela pensava em fazer era ajudá-lo a sair de qualquer confusão que esse salvamento poderia acarretar, mesmo que seu peito ainda doesse e ela tivesse que se esforçar para pensar direito. .
Havia se equivocado ao pensar que estava a salvo ao cruzar as portas do Hospital que pertencia ao avô. Sua prima estava, sem dúvidas. Foi imediatamente levada ao quarto VVIP onde receberia todos os cuidados e atenção necessários, ainda que precisassem tirar médicos de cirurgias em andamento para atendê-la. Contudo, ele não era um Yang para ninguém além da própria Sulli. O tio não parecia o reconhecer, o avô sempre o empurrava de volta para os Nam e ninguém mais sabia daquela conexão... mas esse segredo estava ameaçado agora. Os representantes da mídia logo invadiram o salão principal onde Minhyuk havia parado para tomar ar enquanto assistia a garota ser levada pela equipe médica e quase o atropelaram, cercando-o, enchendo seus olhos e ouvidos e tocando-o em meio aquele empurra-empurra frenético. O rapaz foi cegado pelos flashes, ensurdecido pelas questões sobrepostas e sentia-se tão vulnerável que ele mesmo começou a sentir os sintomas da asma que não tinha: simplesmente parecia ter se esquecido de como respirar e foi tomado pelo desespero.
Ninguém viria, ele concluiu. Ninguém iria resgatá-lo ali. Estava sozinho. Tal conclusão o fez tossir, o corpo alto e esguio curvando-se para frente. Calma, Minhyuk. Se recomponha. Reaja! Mais tosse seca e nenhum oxigênio. Precisava sair dali imediatamente. Não era hora de deixar o peso das consequências que estavam por vir afogá-lo. A cautela estava entalada em sua garganta, bloqueando suas vias respiratórias enquanto ele se encolhia no espaço que não tinha em meio há tantas pessoas. Qualquer movimento o fazia esbarrar em alguém e era como se todos o cercassem com lanças, cada contato desferindo um golpe impiedoso e rasgando-lhe a carne. Controle-se, Minhyuk! Vamos! Ordenou sua razão e o corpo obedeceu, jogando-se contra a parede de corpos diante dele e abrindo caminho. O cheiro de suor misturado há tantos outros lhe queimava as narinas enquanto ele se espremia entre os estranhos, sem forças para empurrá-los para longe como desejava. Tropeçou no fim, caindo como um saco de batatas no chão de mármore, o rosto mudando de cor: de azulado, tornou-se pálido novamente quando ele finalmente conseguiu inspirar e o estudante pôs-se de pé com dificuldade cambaleante, o esforço dando um murro em seu estômago e trazendo à tona o ímpeto de correr antes que o cercassem novamente.
Ele explodiu para dentro do banheiro e foi direto à uma das privadas livres, vomitando ali tudo que havia ingerido nas últimas horas. A ansiedade sempre impulsionava a limpeza gástrica imediata junto com tantos outros sintomas desagradáveis como os tremores que sacudiam o corpo magro, a taquicardia e o suor frio que lhe cobria a pele branca salvo pelo rosto que agora assumia um tom rosado tão profundo que se assemelhava ao rubro - percebeu agora que inclinava-se sobre a pia e fitava-se no espelho. Estava uma bagunça. Tinha sido uma cena e tanto... um riso de escárnio escapou os lábios ressecados e Nam lavou o rosto, a boca, livrou-se do terno e afrouxou a gravata, também dobrando as mangas compridas até a altura dos cotovelos. Estava enojado de si, uma repulsa tão forte que parecia fazer seus poros borbulharem e arderem, incendiados. Ele cheirava aos outros e só queria se lavar, esfregar-se até que o sangue começasse a brotar - precisava limpar-se imediatamente... o quarto! Poderia fazer isso na suíte onde sua prima estava... o pensamento lhe ocorreu de súbito e forneceu algum conforto.
Quando entrou no quarto, já não tinha aparência digna da festa mas havia minimizado boa parte do dano antes de se encaminhar para lá. As pontas do cabelo estavam úmidas e a franja caía sobre sua testa sem os efeitos do fixador que antes a mantinha para trás. “Samchon!” Exclamou com irritação mal contida uma vez que teve de passar pelos repórteres novamente no caminho até ali. “Não pode fazer algo a respeito daqueles urubus? Cadê o vovô? O Hospital é dele, não é? Por que não chama a segurança para arrastá-los daqui?!” Mas o homem parecia não ouvi-lo e Minhyuk exalou a frustração, indo sentar-se ao lado da prima após pendurar o blazer atrás da porta. Ao vê-la tatear por ele, segurou sua mão entre as suas - uma iniciativa raríssima que só vinha com facilidade quando se tratava dela - e tentou sorrir encorajadoramente em resposta mas falhou e baixou os olhos. Observou o tio deixar o quarto a pedido de Sulli e suspirou mais uma vez, pensando em como poderia responder aquilo. “Não tenho certeza. Se descobrirem minha relação com a família Yang... isso pode me arruinar. Os Nam vão me descartar à minha própria sorte e...” Bem, pensou, já estou sozinho de todo modo. Tornou a vestir o sorriso. “Não se preocupe, noona. A decisão foi minha e vou lidar com as consequências quando vierem. Tenho certeza de que encontraremos um jeito de justificar tudo isso. Apenas descanse e confie em mim - eu cuido disso.”
O olhar de julgamento fingindo pesar sobre os ombros e o sorriso de canto em resposta. Mesmo o não se importar era rotineiro. Gostava de tê-los confusos em sua mão, enquanto na outra tinha o cigarro; gostava de fazê-los se confundir na própria crise de identidade e de fazê-los questionar o que fora ensinado pela maldita sociedade. Gostava… Mas não era o caso; ali era mais embaixo, porque no vazio dos olhos alheio, JaeBum conseguia ver o que podia chamar de chama de alguém que pode segui-lo tão bem quanto gostaria, alguém cuja beleza faz parte daquelas que despertaria qualquer vanguardista do túmulo apenas para que pudessem falar e clamá-la ainda por tempo necessária. A beleza de pureza tempestuosa, capaz de confundir mais do que suas palavras desmedidas e ácidas. “Muitas perguntas”, suspirou e não desconversou; apenas deixou a preguiça falar mais do que o normal. Será que ele sabia do que estava falando? Será que ele fazia ideia de como combinava ao ideal dinâmico de beleza futurista? Mesmo ao ideal caótico do dadaísta? Provavelmente não; o que era uma pena, mas apreciá-lo de perto, em todo o seu melhor lado, já seria o suficiente. “Mas o porque é óbvio: porque eu quero e porque você vai adorar”, concluiu colocando o ponto final inegável ali.
Talvez devesse ceder ao comportamento usual e fazer como faziam; como as pessoas agiam falsamente, mas ser falso não era bem parte do seu ser, porque era rápido e qualquer um que fosse tinha a resposta no mesmo instante em que a questão (mesmo que não seja necessário que seja uma pergunta) é lançada. Fugiria do seu ser; então como dar a volta na cabecinha moldada (e muito bem, pois teimava em não ceder) e fazê-lo ver que aceitar o que dizia seria bem melhor para a sua sanidade mental (embora isso pudesse significar enlouquecer de vez)? A mexida na nuca, o balançar dos fios rebeldes, o mexer na cruz significativa pendurada em seu pescoço, refletindo-se em meio ao peitoral branco; ações que o demonstravam irritadiço com algo, mas não estava realmente. Talvez ansioso, talvez nervoso no mesmo significado, mas irritado? Difícil. Como se para garantir a inocência que pouco existia ali, sorriu, um sorriu um tanto quanto mais verdadeiro que os outros, um sorriso por completo, onde os dois cantos se erguiam em conjunto. Seria tão ruim assim dizer que estava se divertindo com um adolescente? E o que tinha a idade de metida na história? Não era grande coisa para si, embora estivesse ciente dos problemas que a não maioridade do garoto poderia acabar por complicar sua vida. Então a pergunta soaria mais como um… Seria tão ruim assim dizer que estava se divertindo que alguém que se aprisionava por inteiro? Ergueu o olhar novamente, ainda no sorriso que fazia os olhos ainda menores nas meias luas que os abrigavam; dessa vez, olhos nos olhos, porque gostava de desafiar as pessoas ao fazer aquilo, gostava de ver que poucos ainda tinham a coragem de retribuir a encarada. Seria ele um dos que fugiam? Se fosse, perdoaria por conta da luz, afinal estava realmente atraído pela beleza quase pura do outro. Quase.
O acusar pela igreja, o acusar das palavras certas. Não julgava interesse, contrário a isso. E também achava ridículo que ainda achasse que era um dos lunáticos religiosos que serviam a causa de salvar pessoas no mundo. Não era possível que sua aparência tivesse fugido do olhar atencioso do garoto. Riu, riu alto e malicioso, negando. De qualquer maneira, aquilo não o ofendera, apesar do leve tom de indignação que surgiu em sua expressão. Fora impossível não reagir de imediato, mas o controle veio logo em seguida. “Você realmente acha que sou algum religioso lunático e que você é uma causa?”, perguntou em tom de divertimento. “Sei que carrego uma cruz, mas nem por isso sou religioso, muito menos lunático; me abstenho da religião, uma das formas de aprisionamento mais comuns no nosso agora”, completou um tanto quanto mais sério. Sempre que falava sobre seu relacionamento com a religião, deixava alguém confuso ali e outro duvidando da própria existência acolá, então que passasse. Mas já que JaeBum era vidrado por rasgar a pele de cordeiro das pessoas, não seria o primeiro a ter que frequentar a igreja? Certamente responderia me mostre uma igreja com uma beleza tão caótica quanto essa, então começarei a frequentá-las. Se houvesse alguém na igreja tão bonito quanto MinHyuk que se resguardasse quanto JaeBum julga que ele se guarda, then iria imediatamente ao encontro dessa. O assunto, os pensamentos, arrancavam o melhor dos risos descarados do maior. “Quer beber? Seja água, chá, refrigerante, ou álcool. Quer? Ou pretende continuar nesse joguinho de tentar me entender?”
Frustrante. Se fosse resumir toda aquela conversa, esta seria a palavra que escolheria. Os tons de cinza tão usados por Nam não eram igualmente apreciados quando retornavam a ele ainda mais em intensidade muito maior. Ou talvez fosse a curiosidade que o deixava ansioso para chegar ao fundo daquele mistério de uma vez por todas embora a sensação de estar completamente fora de sua zona de conforto fosse... prazerosamente sufocante. Ele só perceberia isso, contudo, muitas horas mais tarde, deitado em sua cama, incapaz de dormir enquanto repassava tudo aquilo em sua mente, de uma ponta à outra. "Você diz coisas muito singulares." Admitiu em meio ao riso leve porém não menos desafiador. "Ao ouvir tais palavras, alguém poderia concluir que me conhece muito bem. Não sei o que lhe faz achar que seus motivos são óbvios e me diverte sua certeza cega de que vou gostar do que quer que seja que tenha a oferecer. Se me conhecesse tão bem quanto pensa, saberia que sou demasiado seletivo para ser agradado tão facilmente." Afiou as palavras como flechas antes de lançá-las ao outro e seu olhar aguçado sustentava o alheio sem o menor receio agora, as pupilas dilatadas para tentar ver além. O que guardava ali? Já havia perdido as esperanças de que JaeBum fosse ser objetivo sobre suas intenções e teve a impressão inquietante de estar diante de sua própria versão da Caixa de Pandora. Não obstante, sua curiosidade venceria aquela batalha por mais que o receio o puxasse para trás. Queria saber, precisava trazer à luz os pensamentos alheios mas temia que o encanto fosse desfeito em contrapartida - o dilema era cansativo porém excitante.
As órbitas escuras seguiram os movimentos do mais velho, descendo uma vez mais até a cruz com a qual o outro brincava agora mas retornaram a tempo de registrar aquele sorriso em seu despontar. E que sorriso! Era tão... soberano de um modo que lhe escapava a compreensão que o seu próprio esmoreceu até desaparecer por completo. Dando um passo atrás ao sentir a inversão do poder - que na verdade nunca passara para suas mãos -, observou a imagem completa de JaeBum: a malícia no sorriso moldado pelo rosto iluminado apenas o suficiente pelo luar, a pele tão alva quanto a dele contrastando com as vestes negras... sequer parecia real. Uma sensação de desamparo tomou conta do menor enquanto a figura do mais alto pareceu crescer diante de si quando este o encarou. Também estava completamente assombrado pela beleza etérea daquele olhar felino que o afrontava... mas resistiu. Parte por orgulho. Parte por temor. Mas principalmente por teimosia.
Aquela não era uma tarefa fácil, no entanto. Sentia falta de sua máscara, sentia-se nu sem ela, indefeso, completamente exposto. E por que ele não dizia nada? Aquele silêncio prolongado pareceu durar uma eternidade e a inquietação crescia dentro de si tal qual algo físico, aumentando seu desconforto já muito elevado. Nam cerrou os punhos e apertou a mandíbula, forçando-se a não engolir a tornar ainda mais óbvio seu estado de espírito fragilizado naquele momento diante do riso debochado. Ainda que a pergunta feita anteriormente não passasse de zombaria, a reação alheia o fez sentir-se como um tolo sem qualquer valor. "Ainda precisa perguntar?" Retorquiu entredentes, tentando recuperar sua dignidade. A deixa, todavia, fora dada, e ele não a deixaria escapar. "Interessante escolha para um pingente. Vamos brincar com o simbolismo “intocável” do Catolicismo, por que não? Devia tê-lo virado de cabeça para baixo, então. Clichê, talvez, mas creio - e temo que as freiras concordariam comigo - que combinaria perfeitamente com você." Sua altivez havia retornado conforme falava mas a tensão ainda se fazia presente. Além disso, a total extensão daquelas palavras não o alcançariam até bem mais tarde também.
"Beber?" A sugestão repentina lhe pareceu pouco apropriada para o momento, pelo menos de seu ponto de vista. Era como se estivessem duelando e agora o vitorioso oferecia a ele um convite para prolongar o martírio que não lhe era conveniente, ainda mais após a pergunta ofensiva para a qual ele não tinha meios de responder à altura sem aquela maldita pausa para pensar. Sim, pensar. Tinha de bolar uma resposta já que nunca antes precisou fingir desinteresse. Encontrava-se tão contrafeito e irritado com a própria incapacidade que sentia as bochechas arderem e não era à toa que estava de costas para a lua.
"Entender você?" Quase sussurrava. "Para que eu iria querer entender você?" Estava mentindo. Pois queria, ansiava por aquilo e a cada frase torta do outro mais perguntas surgiam em sua mente intrigada mas não iria admitir. Não podia admitir. "Só me interessa saber suas intenções. Mas... se diz que é minha companhia que deseja... tudo bem. Vou aceitar sua oferta e dar a você o que quer." E suspirou, recolocando a máscara para manter oculta as rachaduras em sua confiança antes de adiantar-se em direção ao salão.
A pretty face doesn’t mean a pretty heart.
Teen (via menpale)
I never delete text messages just in case someone wanna start acting different… like you werent saying that March 21, 2014 at 3:57pm.
. dry ice and flashing lights — Sulli & MinHyuk
Sulli balançava as mãos tentando alcançar um ar que ia aos poucos para os seus pulmões. Maldita fumaça artificial, e maldita hora que ela decidira deixar a bombinha em casa porque seu pai havia a dito que ela não precisaria do remédio naquela noite. Seu peito movia-se rápido demais, como se ela estivesse correndo uma maratona sem estar saindo do lugar e sem nenhum recurso; ela poderia desmaiar a qualquer momento que o primo não tivesse vindo ao seu socorro e tentando lhe acalmar.
“M-MinH-Hy-uuk-ah”, sua pronuncia saia de forma errônea já que tinha que se esforçar muito para conseguir fazer qualquer coisa. “T-Tem certe…” não tivera tempo para completar a frase – ele poderia ter problemas com a sua outra família por causa daquilo e ela sabia disso – e logo estava nos braços do primo, sendo carregada para o lado de fora do ambiente aonde estavam. Sulli segurou no pescoço do primo como um abraço desajeitado já que queria poder ser capaz de agradecer o ato do mais novo, mas estava lutando contra aquela fumaça tóxica para conseguir colocar algum ar em seus pulmões.
Todavia, acima de tudo, ela não conseguia reprimir o medo que estava sentindo. A situação em si era apavorante e parecia que nada poderia salvá-la daquele buraco sem ar em que aquela fumaça havia a posto. Ela balançava as mãos algumas vezes e seu peito de movia furiosamente tentando fazer com que o ar entrasse em seu corpo, mas nunca parecia ser o suficiente. Ela tentou obedecer ao pedido do mais novo, mas estava chegando perto do desespero. Seu pai apareceu e segurou sua mão tentando fazer com que a atenção da garota continuasse na realidade e e que ela não desmaiasse.
Ela percebeu o barulho da sirene da ambulância momento depois, e olhou para os lados vendo toda a comoção que estava acontecendo por sua causa. Maldita asma que a havia a feito virar o centro das atenções em um momento como aquele. Sentiu braços a levantando e depois o colchão fino de uma maca. Luzes fortes invadiram a sua visão a fazendo estreitar os olhos por reflexo. Logo quando estava sentindo o seu corpo pedir por um descanso imediato, um aparelho fora preso ao seu rosto e a ambulância começou a se movimentar. “D-Desculpa”, falou entre o som do aparelho de aerosol e o motor do veículo, “E-Eu não queria…”
Por mais de uma vez Minhyuk questionou sua capacidade de sentir empatia pelas pessoas. Sendo tão acostumado a ser o centro das atenções desde que ainda era criança, cresceu com a perspectiva equivocada de que era ele o protagonista e, portanto, ninguém mais importava. Todas as outras pessoas eram, em sua visão distorcida, figurantes de sua realidade e aqueles com uma representatividade maior tornavam-se ferramentas postas à disposição de sua vontade em manuseá-las. A arte da manipulação era para ele um brinquedo que pensava dominar com maestria impecável até descobrir que algumas pessoas não podiam ser ludibriadas tão facilmente. O motivo disto era a semelhança de uns - no caso do estudante transferido que vinha causando problemas na escola - ou a alta capacidade de observação - JaeBum, aquele maldito ponto de interrogação indecifrável que parecia ver através dele com a facilidade de quem lê um manual. Sulli, apesar de muito sagaz, não conseguia enxergar por trás do véu do primo mas pensava conhecê-lo integralmente pelo fato de terem certa proximidade que não compartilhava com ninguém mais. O fato de que ela lhe conhecia um pouco melhor que todos os outros era inegável mas estava muito longe de chegar perto de sua essência - e nem queria que ela o fizesse. Percebia com certo espanto que, se não se importava com ninguém no mundo, preocupava-se com o bem-estar da garota que, apesar de mais velha, deixava-o à vontade para expressar a sensação contrária que tinha - dada sua fragilidade, era ela que parecia ser sua dongsaeng. Quando seu tio apareceu, Nam afastou-se. Não tinha recebido sinal algum por parte dele e apenas um olhar significativo do avô materno que lhe dizia para consertar aquela bagunça então ergueu-se muito ereto, curvando-se para os mais velhos como se fossem desconhecidos. Quando os socorristas chegaram, porém, não hesitou em seguí-los pois sentia a urgência de garantir o bem estar de Sulli mas, quando cruzaram a porta de saída, dezenas de flashes cegaram-no temporariamente e o adolescente titubeou, erguendo os braços para proteger-se das fortes luzes. Tarde demais, pensou, por um segundo hesitando ante a dúvida de continuar ou recuar. Mas de que adiantaria? O leite já havia sido derramado e, já que era assim, entrou na ambulância. "Não fale. Está tudo bem." Assegurou à garota, lançando um olhar furtivo ao tio. Sentia-o tenso ao seu lado mas ele não dizia nada, nem mesmo parecia reconhecer sua presença ali. Ao chegar no Hospital, mais repórteres. Flashes, câmeras, microfones sendo empurrados em sua direção, perguntas chocando-se, corpos esbarrando no dele - um verdadeiro pandemônio até que cruzassem as portas da emergência. Tinha certeza de seu seu rosto estaria estampado em todos os jornais no dia seguinte e era melhor que começasse a pensar numa saída logo ou estaria entregando de bandeja sua cabeça para o avô paterno. Sem a ajuda do pai, que estava acamado, aquele jogo estava se tornando um desafio e tanto.
&&. Two worlds collide ;
Quanto mais conhecido entre os riquinhos da cidade, melhor. Quanto mais incluído entre aqueles que se consideravam tão superiores, mais chances de conhecê-los e analisar as fraquezas que estavam sempre presas em todos daquela laia. ByungHun, apesar de querer fazer parte, tinha nojo. Nojo daqueles que se achavam tanto enquanto não passavam do mínimo, por isso não mereciam o que tinham e ele faria de tudo para entregar a quem realmente tinha o direito - ou seja, ele mesmo. Por esse motivo estava enfiado em uma pool party da filha de um de seus clientes. Era até engraçado pensar como havia parado naquela situação: o velho fora descuidado e a filha acabara em casa mais cedo, notando sua presença - e apenas presença -, então tiveram de inventar uma história em que ele era tão rico quanto ela além de ser filho de um dos empresários amigos do velhote e que estavam ali apenas para negócios. Viraram amigos. ByungHun passou a cobrar mais do velho porque ele o havia colocado em situação de risco. A garota o havia chamado para o aniversário dela. Lá estava ele.
Concordava com qualquer um que achava tudo aquilo ridículo. Estampavam yolo à toa. E era fácil ter yolo em mente quando tinham tudo aquilo de dinheiro nas contas dos papais, os mesmos que não se importavam com o bem estar dos filhos e acabavam querendo pagar isso com o dinheiro. De qualquer maneira, não podia mostrar desgosto desde que sua intenção era zerar a conta de pelo menos três daqueles filhos de papai algum dia. A piscina estava cheia de corpos se roçando, garotas com biquínis mínimos e garotos esbanjando corpos maravilhosos da idade abençoada deles. Parecia ser o único ali que não fazia o mesmo, com uma blusa cobrindo a parte de cima de seu tronco já marcado demais pelo trabalho e pela vida que levava. Estava cansado de explorar a sua luxúria, queria uma pausa daquilo tudo e a teria naquele instante.
Estava ali para estudar o comportamento daqueles riquinhos, conseguir contatos e, se a oportunidade chegasse, alguém com quem pudesse trocar algum contato íntimo - embora nada demais - apenas por atração e não porque dependia do dinheiro que receberia. Afastando-se de um grupinho onde havia se inserido - com números de filhos de gente importante no celular -, ele admitiu que talvez o dinheiro que ganharia não valesse à pena, desmentindo-se em seguida. Próximo a mesa de petiscos, ele permaneceu encarando a todos, só para notar um outro vindo em sua direção - direção da mesa -, vestido com certo juízo e sorriu divertido. Não sabia ler expressões tão bem quanto gostaria, mas apostaria qualquer coisa com a certeza de que ele não estava nada alegre de permanecer ali. Riu baixinho, concluindo que o garoto era tão bonito quanto aparentava de longe. “Ei, bonitinho…”, chamou antes que percebesse o que fazia. “Quer?”, perguntou estendendo uma das balinhas de energético e eram realmente doces, nada como o que usava em suas noites.
Nam avaliou com cautela a variedade de petiscos disponíveis para degustação. A mesa era longa, bem adornada e bastante colorida se consideradas as fartas opções que permaneciam quase intactas visto que os presentes preferiam aventurar-se próximos ao bar. Não demorou a perceber que seu esforço tinha sido em vão - apesar da fome, quaisquer um daqueles vistosos aperitivos representavam uma potencial ameaça para um garoto alérgico como ele. Suspirou em resposta ao estômago que protestava e ergueu a xícara até os lábios em um gesto automático, uma microexpressão de descontentamento cruzando a face ao notar que o líquido já estava gelado.
Minhyuk tentou manter a postura, os olhos perdendo-se no horizonte ao tempo que descartava a louça sobre a mesa, querendo apenas um bom motivo para se retirar mais cedo. "Como?" Uma resposta involuntária gerada pela surpresa - não tinha notado a pessoa ao seu lado. Falou comigo?, ele se impediu de proferir após uma breve análise da figura à sua esquerda, a face já livre que quaisquer resquícios de emoções. O rosto do rapaz era bonito - com efeito lembrara-o de uma raposa - e o cabelo dourado muito bem cuidado podia gerar alguma dúvida mas a postura relaxada, o malícia no olhar, aquele tom impregnado no termo... como foi que o chamara? Bonitinho.
"Não, obrigado." De certo não pertenciam à mesma classe e o jovem poupou-se da cortesia sem demonstrar arrogância, embora, virando-se simplesmente para encarar a piscina novamente. Enquanto observava a baderna, considerava o quão mais fáceis e agradáveis eram os eventos mais formais - apesar de ser adolescente, não tinha a menor paciência para eles - e ponderava o quão mais complicado seria manter sua fachada serena de estômago vazio. "Já nos conhecemos?" Deixou escapar com um suspiro, buscando na interação superficial e sem propósito alguma distração.
“Você era importante. Agora, aqui, comigo, deixou de ser”, respondeu com certeza invejável, arqueando uma sobrancelha. E não esperava que ele entendesse o que fazia ali. A verdade era que se ele escolhesse permanecer ao seu lado - e podia vê-lo analisar a situação, pensando a negativa e a afirmativa -, deixaria de ser importante. Seria como Jaebum, como qualquer outro. Poderia errar e falar o que bem entendesse. Poderia expressar sentimentos. “Não se preocupe, farei de tudo para apagar essa imagem errada que tem de você mesmo”, garantiu e falava sério. Se estivesse com MinHyuk, não era para que ele ainda continuasse com a ideia de que era importante e foda-se se realmente o fosse. Sua intenção com o garoto, alem de estar perto da beleza peculiar que continuava ganhando olhares demais de sua parte, era arrancar a pior parte que ele tinha, guardado por baixo daquela maquiagem que esbanjava falsidade. Queria os sentimentos presentes em toda e qualquer obra vanguardista e os queria em conjunto com aquele que julgava ser um dos mais representantes da beleza mundial. Quando o vira, podia jurar que Tzara estava errado quando dissera que a beleza estava morta, fosse qual fosse o momento histórico social em que estava inserido. Foram segundos em que permaneceu sério, complementando o tom usado para respondê-lo, então tornou a erguer o canto dos lábios. Alguns podia considerar uma ação irônica e ele não discordava de quem achava isso. “Vai ser fácil”, concluiu e os lábios se juntaram em uma especie de bico que estava longe de ser considerado manhoso como aqueles adolescentes tinham a mania de fazer. Estava mais para pensativo, como se planejasse como o faria, qual o primeiro passo que daria.
“Moro”, assentiu para intensificar a resposta. “Bloco B, apartamento 502”, e deu ainda mais do que a resposta que ele esperava. “Já o vi algumas vezes para lá e pra cá, mas acho que deixei passar”, comentou pensativo. Soava como verdade porque era verdade. Foi tempo o suficiente para que mexesse nos fios de cabelo, distraindo-se facilmente com aquele passatempo. Jogou os próprios fios, já bem compridos, para o lado contrario e para trás, mas eles sempre acabavam voltando para o local de onde haviam sido tirados; a pergunta o sobressaltando apos esse breve instante de distração. As sobrancelhas se arquearam enquanto um sorriso completo se abria perfeitamente nos lábios carnudos. “O que eu quero de você? Hm, poderia dizer… Sua companhia?”, tentou dizer algo que deveria soar como uma piada, mas ele nunca fora o melhor piadista de todos os tempos. Sabia prever tudo de ruim que poderia acontecer em um certo momentos, mas piadas não eram o seu forte. “Você já olhou para uma pessoa e pensou que a beleza dela não se encaixa em como ela estava agindo?”, perguntou retoricamente e apontou com o queixo para o mais baixo. A pessoa em questão era ele. “Quero trazer a tona o seu… “, uma pausa para um riso suave, soprado, malicioso. “Melhor lado”, explicou delicadamente. “Você não combina com todo esse agir correto… Você não é isso. Você agir dessa maneira… Simplesmente não desce”, pontuou sem medo. Não tinha medo nem mesmo da morte, havia feito um pacto com ela e mostraria a ela quem é que mandava, então por que deveria temer o que dizia para qualquer pessoa ao seu redor? “Bom, isso ou você pode simplesmente me chamar de baderneiro”, a risada soara verdadeira e o era. “As freiras diziam que são sinônimos.”
Os lábios de Nam se entreabiram enquanto permanecia estático, uma espécie de reação nova com a qual viria a se familiarizar ao longo do convívio com Jaebum - o ato de encontrar-se sem palavras. O moreno sempre dizia as coisas mais inesperadas e... complexas, apesar da escolha simples de palavras, não dando a ele quaisquer chances de retorquidas rápidas e inteligentes como era de costume. Com efeito, a afirmação seguinte e soberba do mais alto provocou nele um efeito rasteiro, de queda, que tirava de seus pulmões todo o ar na forma de um riso singular e ofegante que ele próprio estranhou com fluida obviedade descrita no modo como sua expressão se anuviou logo em seguida ao tempo que parecia questionar-se de onde teria saído aquilo. Entretanto, não havia muito espaço para autoavaliação na presença de quem estava. "Então eu tenho uma impressão errada de mim mesmo." Repetir as palavras era uma estratégia batida para recuperar o fio da meada mas ele não se encontrava em condições de pensar duas vezes a respeito. "Interessante." E de fato o era. Pois apesar de saber que a amplitude do julgamento alheio era muito mais estreito e superficial, Minhyuk deparou-se com a comparação da imagem errada que todos tinham dele em contrapartida com a imagem vaga que tinha de si - quem era ele? Sequer tinha identidade? "E como planeja fazer isso? Ani..." Adicionou no mesmo fôlego antes que o outro tivesse chance de dizer qualquer coisa. "Por que faria isso?" A desconfiança iniciada na pergunta anterior prolongou-se diante da declaração dada. Não que fosse algo inadmissível que morassem no mesmo complexo - todo tipo de pessoa residia nos apartamentos, afinal - mas era a particularidade e improbabilidade de seus encontros que o fazia suspeitar. Devia confiar nele? Não. Não devia confiar em ninguém. Não podia confiar em ninguém. Já havia cedido demais ao estranho sem sequer se dar conta... "Minha... companhia?" A desconfiança foi substituída pela descrença e aquela frequente repetição das palavras alheias já começava a deixá-lo irritado consigo. Muitas pessoas desejavam estar em sua presença e Nam sabia ser um bom anfitrião quando queria mas Jaebum não era remotamente parecido com o tipo de pessoa que usufruiria de sua companhia e, naquele momento ele não esperava um complemento, uma justificativa ou quaisquer outras palavras que elucidassem as intenções do mais velho então, mais uma vez, foi surpreendido quando ele prosseguiu. O que ele estava dizendo? Beleza? Comportamento? Incompatíveis? Ele teria negado se não estivesse tão chocado. Pensava de modo muito inverso - sua aparência não podia servir melhor à pele de cordeiro que usava... opa. Era isso então? “Quero trazer a tona o seu… Melhor lado.” Os dedos gelados tocaram a pele nua do pescoço e Minhyuk engoliu em seco. Aquilo não podia estar acontecendo. Se o que o outro dizia era verdade, então já devia saber que era um estudante e Jaebum parecia ser grandinho demais para preencher os momentos de tédio brincando com adolescentes. Baderneiro... ele tomou o cuidado de repetir apenas mentalmente desta vez. Sim... o termo combinava como nenhum outro com aquele visual e atitude. Agora que analisava as coisas sob essa perspectiva, percebeu que não podiam ser mais opostos: enquanto um estava aprisionado em si, o outro era a imagem da liberdade. "As freiras..." Ele realmente estava abusando desta técnica cognitiva. Os olhos que haviam sido desviados para a grama voltaram-se para a cruz de madeira que aguçava sua curiosidade. "Por acaso... você é um desses religiosos lunáticos que cismam com uma causa?" Percebeu que faltava a seriedade de sempre em seu tom de voz. "E se este é o caso... então eu sou a sua causa? Você quer me salvar, é isso?"
. dry ice and flashing lights — Sulli & MinHyuk
Sulli já era conhecida entre a “alta sociedade” de GwangJu por ser a herdeira que nunca comparecia aos eventos sociais. Era raro que a garota de cabelos coloridos aparecesse sorridente a esse eventos, já que seu avô, não a obrigava a fazê-lo, e ela o agradecia por isso. Contudo, sua decisão em participar mais das coisas a fizera sentir a obrigação de comparecer à pelo menos os que aparentavam ser mais divertidos, e seu primo estaria ali, mesmo que os dois tivessem que fingir que não era mais do que amigos.
O vestido branco apertava um pouco seu tronco quando ela se sentava, mas já que não estava usando salto, poderia dizer que era um mínimo detalhe. As pessoas ao seu redor conversavam sobre assuntos que ela desconhecia, mas poderia dizer que a festa em si era um ambiente que lhe deixava um pouco feliz. As cores eram fortes, mas de uma forma que não incomodava, e a decoração também caminhava nessa linha. Então Sulli se pegou observando o lugar durante vários minutos, respondendo com poucas palavras quando seu pai e seu avô falavam com ela. A criação depende de três vertentes: observação, imaginação e uso da memória. E, naquele momento, ela queria usar a primeira pelo máximo se tempo que conseguia.
Acabou afastando-se das mesas e sentando em um dos bancos mais afastados dos convidados, já que de lá conseguia ter um bom ângulo para observar o lugar. Como sempre, tirou o pequeno caderninho de sua bolsa e o colocou sobre o colo para que pudesse escrever as frases que vinham a sua mente. Seu pai a olhou por um tempo e lhe deu um pequeno sorriso, já que estava apoiando o sonho da filha.
Teria continuado a escrever até o final da festa, se não tivesse sido atingida por um nuvem densa que fazia seu nariz e sua garganta ficarem secas em segundos. Fora quando percebeu que estava do lado do palco onde uma banda começaria a se apresentar e a máquina de fumaça estava virada para si. Ela correu par ao outro lado cobrindo a boca e o nariz já que sabia o que aquela máquina conseguiria fazer com o seu sistema respiratório, mas não conseguira evitar o efeito negativo dela. Encostara-se na primeira parede em seu caminho completamente ofegante. Seu pulmão estava buscando por ar, mas nada o alcançava. Logo suas pernas fraquejaram e ela tentou procurar a bombinha em sua bolsa, até lembrar-se que não estava com ela.
Eventos como aquele eram uma constante na agenda social de MinHyuk. Ele fora muito bem treinado para portar-se como o futuro herdeiro do grupo Nam ainda que soubesse que sua sucessão fosse agora muito improvável dependendo apenas da decisão de JaeHyuk em assumir os negócios ou não. Com seu pai acamado, o avô tinha o caminho livre para descartá-lo como um parasita para forçar o neto legítimo a assumir o lugar de direito. Nada mais justo, ele havia concluído. O único problema com essa virada de eventos era a dimensão crescente da lacuna entre ele e seus planos de vingança. Nunca foi fã do pai mas se o destino tiraria dele a chance de arruiná-lo com as próprias mãos, a ideia de ver o velho avô Nam rastejar só havia se tornado mais doce. Com efeito, ele andava muito mais ocupado ultimamente, marcando presença sob os holofotes, mantendo-se à vista para propagar entre os acionistas sua boa imagem e promessas de boas novas, comprando-os um a um daquela maneira dissimulada de menino inocente. Claro, não podia abusar de artifícios sujos como subornos ou ameaças - que se provavam muito mais eficazes que a simpatia e a lealdade naquele meio - por saber que um passo em falso poderia destruir toda a fachada que ele construiu tão arduamente durante os últimos anos e isso era tudo que ele tinha agora. Os olhos desviaram-se um momento da esposa do Senador que ria-se dos elogios dispensados pelo rapaz ao captar a movimentação repentina à esquerda. A moça de cabelos coloridos não parecia nada bem. Teria comido algo estragado? Talvez ele devesse evitar o buffet. Um pequeno vinco surgiu entre as sobrancelhas finas de Nam. Espera... cabelos coloridos? Suas órbitas tornaram-se ainda mais escuras quando as pupilas dilataram ao notar o tio e o avô do outro lado do salão. Então aquela é...! Sem hesitar mais um segundo, o garoto-manequim disparou naquela direção, levando todos os olhos consigo, ele mesmo engasgando ao atravessar a nuvem de fumaça e só a tocou porque tinha certeza de que se tratava de sua prima. "Noona... está tudo bem. Eu estou aqui." E vasculhou a bolsa da mais velha tentando reprimir a própria tosse. Ao perceberem do que se tratava a comoção, as pessoas responsáveis pelo evento ordenaram a imediata suspensão da fumaça de gelo-seco enquanto o jovem, lendo o desespero nos olhos de Sulli, soube que teria de agir. "Vamos." Amparando-a nos braços, encaminhou-se até uma das grandes portas de vidro que haviam sido fechadas por conta do clima e os mordomos não precisaram de ordens para entender que precisavam abri-la. A forte corrente de vento invadiu o local para horror das mulheres presentes, fazendo cabelos, vestidos, toalhas e cortinas dançarem no ar enquanto o casal saía para a varanda. MinHyuk sentou a garota no banco, tirou seu paletó e colocou-o sobre seus ombros, inclinou o tronco da moça para frente e afagou suas costas com cuidado ao sentar-se do seu lado, afastando o cabelo dela do rosto da mesma. "Respire devagar. Você vai ficar bem. Tenho certeza de que o vovô já chamou a ambulância. Tente se acalmar." Ele dizia em tom brando sem ousar afastar os olhos de Yang enquanto seu próprio coração martelava como nunca.