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Near
Pousada das Dunas Médias, Gentes. Um dia antes da convocação de reunião de Hashirama Senju.
Adormecera em paz em cima do sofá da sala, com a calça do pijama de moletom em suas pernas formando uma sauna úmida em toda a região pélvica e coxas. Os pés também estavam calçados com meias, mas estava nu da cintura para cima.
Lançou um olhar bêbado para o relógio e percebeu que era quase hora de Noytrocka chegar, ela não gostaria de encontra-lo nesse estado. Near não lembrava de ter bebido, mas realmente se sentia bêbado.
- Não estou tão mal assim. – isso era verdade, mas ele não teria dito isso se não quisesse se convencer acima de tudo. Olhou pro espelho para dar uma boa olhada no próprio reflexo, que ele julgava tão patético. Teve a impressão até de que vira Vida no lugar dele no espelho. – Na verdade, eu tô bêbado pra caralho!
Dizendo isso, gargalhou. Riu até ter que se envergar e encostar no canto da parede do banheiro enquanto refletia o quão patético era e tudo isso só tornava a reação dele ainda mais hilária.
A histeria estaria nele se ele realmente fosse aquela mulher, pois o detetive tinha pequenas convulsões no corpo e sua cabeça doía com as risadas, e logo ele soube que acabaria chorando enquanto ria, então tornaria ainda mais patético e por tanto mais engraçado.
Uma confusão de sentimentos englobados.
Ele fingiu apertar um botão no relógio telecomunicador que não vestia, e fazer a chamada coletiva.
- Galera, eu não to nada bem…
Depois de alguns soluços, ele se levantou e já não sentia a embriaguez. Noytrocka já devia ter chegado. Tanto o relógio quanto sua necessidade em vê-la lhe diziam isso como aqueles ventos frios que passavam pelas aberturas da porta no fim da tarde de Geonisis.
- Cadê minha salvadora? Aquela que o Hashi-Hashi contratou para salvar a minha vida e portanto a de todos em Geonisis! De Gentes! De Kanaban!
Ele bateu a porta do banheiro ao sair e cambaleou (mesmo que não precisasse) até o balcão da cozinha.
- Alice, me dá vinho. Aquele lá. – Near encarou o vazio das prateleiras em sua frente. Não estava bêbado, mas nossa, ele queria estar. Não pelo álcool, mas pela anestesia mental. Não pelo esquecimento, mas passar por todas as experiencias que lhe sufocavam sem dar o valor e o peso que elas tinham.
“Meu Deus, eu sinto sua falta. ”
- Jenova… você é nojenta.
Do céu… Uma explosão. E isso não foi mentira ou invenção de Near.
A imensidão estava avermelhada e tomava a forma de como se sangue fosse escorrer das nuvens e por vários segundos, o ex-detetive podia jurar que era verdade.
A sirene; As pessoas e alienígenas começaram a correr e se esconder.
Alguém socou a porta de Near e um homem gritou em japonês: - Prepare-se, Pronteriano! Estamos sob ataque!
“Hora do show! Hora da vingança sua vadiazinha mimada”
Estava disposto, estava pronto para explodir os miolos e lutar contra o que quer que estivesse a caminho. Em breve estaria com sua verdadeira família. Precisaria chegar lá vivo para falar tudo que precisava ser dito, para deixar-se sentir. Para abraçar aqueles que ele sente falta durante a manhã, a tarde e principalmente a noite.
Pegou sua varinha em cima da cômoda, tirou o pijama, vestiu a roupa dos assassinos especiais ANBU para se camuflar entre os soldados, entre os peões, como lhe fora ordenado.
- Noytrocka, esteja bem. Esteja escondida. Eu vou destruir eles dessa vez.
A súbita vontade foi tão rápida quanto a próxima surpresa. Quando Near encostou na maçaneta, pronto para partir, aquela voz alcançou seus ouvidos, aquela voz que lhe dizia todas as noites:
“Você não vai sobreviver na sua próxima batalha, detetive”
Ele congelou enquanto segurava a porta. Alguém passou pelo corretor gritando seu nome. Soltou a maçaneta. Não. Não podia morrer.
- Que se foda esse caralho. – Ele escancarou a porta, e correu em direção a sua libertação. Em direção a batalha. Aquele era o seu momento.
“Pelo menos meu obituário vai estar foda”, riu Near quando alcançou a avenida principal.
Ele parou deslizando, olhando para o céu. A lua vermelha engolia mais de um-terço do céu.
- E aí desgraçada? Já faz bastante tempo…
O.O KRALHO
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keith probs cant breathe
Lembrança Portátil
Um dia você deixou escapar que sentia vergonha por nunca ter lido um clássico. Eu fiquei vermelho, confesso!, mas admiti que não dava importância aos livros importantes. Aliás, não me lembro de ter lido nada de muito grandioso nos clássicos.
Cá entre nós, eles só servem para dizer que foram lidos ou para você se sentir um cara mais culto em um papo com os mais velhos. Heresia literária: eu li os clássicos para poder dizer com a mais absoluta incerteza que são chatos! Por falar nisso, achávamos chato qualquer livro com mais de 256 páginas e 12 personagens, lembra? Guerra e Paz ainda espera nossos olhos. Se depender da nossa vontade, Moscou morrerá de frio. E, com todo respeito, que se foda Napoleão. Dom Quixote ainda tenta chamar a nossa atenção com aqueles moinhos gigantes. Sancho tem um nome fofo. Meu cachorro teria esse nome. Se fosse um bulldog, claro!. E, pra mim, Cervantes será sempre um restaurante em Copacabana não um livro de bacana! E você ri. E eu também! E a gente se beija. Ah, e eu não me esqueço daquele silêncio homérico quando confessei que não li Ilíada e não entendi porra nenhuma da Odisseia. Prefiro mil vezes o Stanley mandando gregos e troianos fantasiados de macaco pro espaço. Desculpa os palavrões. Se eu me envergonho? Um pouco, confesso. Mas eu li o poema que você escreveu pra mim quando nem sonhávamos em sonhar em estar juntos um dia – se é que já estivemos juntos um dia. E aqueles versos bobos talvez sejam a coisa mais linda que li até hoje. Neruda que me perdoe. Quintana que me desculpe. Drummond que não me julgue. Aquele seu poema é o único clássico que tem espaço cativo e afetivo na minha estante: entre a Liberdade, de Franzen, e o Eu Hei-de Amar uma Pedra, de Lobo Antunes. E é lido todos os dias desde o dia que não nos vimos mais. Quando leio: “Amado, Antônio, o mundo é tão estúpido que as pessoas precisam amar.” Eu tremo. Quando releio “Antônio, amado, o mundo é tão estúpido que eu não posso te amar“. Eu choro. E essa fala ainda reverbera nitidamente feito berro silencioso nos meus tímpanos de menino. Eu ouço a sua voz declamar cada verso, como se fosse rasgar minha memória. E rasga.
Um dia você deixou escapar que sentia vergonha por nunca ter lido um clássico. Eu tenho vergonha dos que nunca leram um poema seu.
Eu Me Chamo Antonio
Etiel e Caezar
Quarenta e cinco minutos depois, o trem parou em Penn Station e Caezar e Etiel saíram do banheiro e se misturaram com a multidão de passageiros que saía do trem. Um brilho fluorescente os recebeu quando eles saíram da escadaria subterrânea. Etiel encheu o peito de ironia e soltou: - Bem-vindo à Pennsylvania Station. Ou, como eu gosto de chamar, Lixão, porque é feia pra caralho e fede pra cacete. Caezar riu. Não era uma descrição imprecisa embora Etiel tivesse usado palavras que Caezar jamais usaria. - Você devia ter umas fotos de como isso aqui era originalmente, antes de derrubarem nos anos 1960 e construírem essa merda de concreto - lamentou Etiel. - Eu queria que, em vez de chegar no Lixão, o trem de NJ chegasse em G-C. - G-C? - Grand Central. É a estação trem no lado leste da cidade. Nova York tem duas estações de trem. G-C é exatamente como se espera que seja uma estação de trem de Nova York, com colunas, decoração dourada. E no teto, recriaram o céu noturno, estrela a estrela, constelação a constelação. Podemos ir ver na próxima vez que viermos à cidade". “Vamos primeiro sobreviver a essa primeira viagem”, pensou Caezar “antes de combinarmos outra”. Mas ele não queria que Etiel percebesse que estava com medo, então disse: - Você vem muito à cidade? - ele se esforçou para a voz parecer casual. - Venho o tempo todo. Coruscant e Kanaban me entediam um pouco. Eu gosto mais das luzes da Terra. Os artistas daqui são bem mais alternativos. Etiel apertou o passo e seguiu em meio à multidão como se estivesse de skate. Caezar precisou praticamente correr para acompanhar. Alguns minutos depois, Caezar seguia Etiel por escadas e rampas até uma entrada de metrô. Etiel se aproximou de uma máquina do MetrôCard, que Caezar achou que só faltava um daqueles controles que pareciam mais freios de mão de carros para ficar idêntica a uma máquina de videogame antigo. Os arcades, com suas cores primárias acentuadas pelo exterior de metal. - Não seria mais fácil ir até a bilheteria? - perguntou Caezar - Isso é tão turista - respondeu Etiel. - Agora me dê uma das suas notas de cinco. Caezar revirou os olhos para o teto. Turista. Era isso que ele era. Ficaria naquele planeta por mais alguns anos e depois voltaria para a sua vida em Coruscant. O mais engraçado era que Etiel também estava na mesma condição, mas diferente de Caezar, ele parecia não querer voltar. Caezar entregou uma das preciosas notas a Etiel, que também pegou uma nota de cinco do bolso, e colocou as duas na máquina. Em seguida, navegou com destreza pelas telas até sair um cartão amarelo. - Eu não vou ter um? - perguntou Caezar. Etiel o olhou de cima a baixo. - De onde vem essa paranoia, cara? Caezar afastou o olhar, constrangido. - Eu só achei… - Confie em mim, tá? Eu trouxe você até aqui e vou cuidar de você, capisce? - Capisce - respondeu Caezar. - Muito bem, então vou passar o cartão e você vai passar a catraca. Entendeu? - Caezar assentiu. - Espere meu aviso. Quando um grupo de pessoas passou, Etiel fez um sinal para Caezar e eles entraram na fila. Caezar esperou que Etiel passasse o cartão e seguiu pelo portal. Antes que a barra girasse para frente, ele sentiu Etiel logo atrás, com a frente do corpo encostada nas suas costas. Por trás, Etiel ainda passou com a mão pela frente da cintura de Etiel para pressionar ainda mais seus corpos. - Não pare - cochichou Etiel, e os dois saíram do outro lado, com a barra girando atrás. - É meu especial dois por um no metrô. Uma das muitas dicas de economia de dinheiro que você pode aprender comigo hoje, jovem padawan. Caezar assentiu com apreciação, ainda sentindo a sensação do corpo de Etiel contra o seu. Caezar olhou para os dois lados da plataforma e absorveu a cena colorida. Um chinês idoso tocava um instrumento que parecia um esqueleto de violoncelo com apenas uma corda e que emitia um som como o de um fantasma triste tentando se comunicar com os vivos. Três garotas afrodescendentes por volta da idade de Caezar discutiam animadas sobre garotos da escola. - Menina, sua atrevida, se você pensar em tocar no Richard, eu te dou três tapas, um em cada face, sua três caras. - Querida, eu sei que o Richard é seu. Além do mais, eu não tocaria nele com nenhum desses dedos - a segunda garota exibiu as unhas pintadas de roxo. - Ele é um cachorro sem vergonha. Os protestos da primeira garota não incomodaram um jovem árabe sentado em um banco, lendo um livro sobre história dos jogos de tabuleiro. Alguns alienígenas pescoçudos de Kamino, falavam gesticulando suavemente. Muitos homens e mulheres com roupas parecidas com as que sua mãe usava no trabalho, como as pessoas que estavam no trem que saiu de South Windsor, esperavam entre casais de idoso e de jovens além de famílias com bebês. Caezar sentiu evaporar a vergonha que sempre o acompanhava. Quem prestaria atenção nele, com tantas outras coisas para olhar? - Você vê coisas aqui que não veria em nenhum outro lugar. Talvez no Porto Real de Prontera. - Disse Etiel com orgulho, como se ele tivesse montado a cena. O som do metrô se aproximando trovejou na estação. Caezar amava aquele som. Os dois embarcaram. O vagão estava tão cheio que precisaram ficar de pé lado a lado. Quando o trem parou abruptamente, Caezar perdeu o equilíbrio e quase caiu em cima de Etiel. - Desculpe, me desculpe. - disse Caezar tentando evitar contato visual. - Não se preocupe, eu não me importo - disse Etiel. Caezar sentiu o rosto queimar. Tentou encontrar espaço para onde ir e sair um pouco daquela situação mas o metrô estava completamente lotado. Caezar conseguia sentir as roupas de Etiel roçando em seu corpo. - Você sabe para onde estamos indo? - perguntou Caezar nervoso. - Claro que sei. - Etiel parecia ignorar a irritação de seu amigo. - Pode me mostrar no mapa? - Claro que não. - Por quê? - Nunca verifique um mapa de metrô na frente dos outros. É como de levantar e gritar “Tirem vantagem de mim! Eu não moro em Nova York!” - sussurrou Etiel - Mas nós não moramos em Nova York - sussurrou Caezar - Ninguém precisa saber. Sabe qual é o maior elogio do mundo? Quando alguém pede ajuda sobre como chegar a algum lugar. Quer dizer que você parece saber para onde está indo. Caezar imaginou se ele estivesse tão confiante como Etiel, ele estaria com uma postura confortável, como se estivesse indo trabalhar em plena segunda feira mas tivesse recebido um “eu te amo” de quem ele mais ama. Imaginou uma senhora encurvada mancando até ele e dizendo “Meu jovem, você por acaso poderia me informar como chegar até a estação X?”. Caezar com sorriso no rosto responderia com bastante confiança “eu não tenho a mínima ideia. Por favor me mate.”
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pilgrimage.
Eat love. Love love.
Zella Day // High
We are high I’m in love We are high Small town American light
New openning VIDA
It's coming soon! @8chaves @marc-crespin DO YOUR BEST!
Nhaaa
Mais uma edição de Photoshop pra vocês. Fiz inspirado em American Horror Story. Me fala o que acharam! Please ~<3 @
Edgar Allan Poe
Marija Majerle