É noix

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É noix
SEM LUAR SEM CORAÇÃO
A lua ela queria ver,
Seus olhos fechavam e abriam,
Seu peito ardia e soluçava,
Era a febre que contraía!
Sua mão suava:
É a pressão baixa- ela dizia- eu sei quando estou com a pressão baixa.
E fingia que acreditava.
Mas, de volta à lua!
Ela esta coberta por nuvens.
Nuvens que, se dependesse dela, sangrariam como a lua de sangue que perde-se em seus meios!
Ah! É um holocausto lunático, literalmente, tal sensação.
Por quê faz isso São Pedro? Você não tem coração?!
Cata-te
Dorme-te, imbecil Dorme-te que amanhã será sua fossa Dorme-te, retardado Dorme-te que hoje tu teve sua loucura
Acorda-te, imbecil Acorda-te que tens que trabalhar Acorda-te, retardado Acorda-te que queres uma nova [esperança
Deita-te, imbecil Deita-te que seus joelhos não aguentam Deita-te, retardado Deita-te que suas costas já pastam
Levanta-te, imbecil Levanta-te que queres ir ao banheiro Levanta-te, retardado Levanta-te que hoje serás o primeiro!
Morram-te, imbecís Morram-te que já lhes esperam Morram-te, retardados Morram-te que seus lábios padeceram
Estou escrevendo pra esquecer!
Oi, como seria um mundo onde não houvesse memória em seus indivíduos? Simples, seria um mundo com descobertas simples e sinceras todos os dias!
Obrigado Carlinhos!
Sabe que eu amo Carlos drumond de Andrade. Pensa comigo: puta cara foda, previa nossos sentimentos e é atualíssimo! Em especial seus poemas rotineiros sobre o amor. Obrigado por abrir meus olhos!
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»----———-———¡tenho problemas tão grandes e pequenos , que só uma sonda dentro de meu peito conseguiria acha-los!------------------------—«
CAETANEANDO NOS SEUS PEITOS
Tenho uma enorme vontade
Vontade esta que embala meus pensamentos
Vontade esta que está presente no meu corpo
Não é qualquer vontade
Não é qualquer sonho
Não é qualquer voz de um cantador
É uma vontade de Caetanear
É uma vontade de Caetanear seu coração
É uma vontade de Caetanear seus peitos
É uma vontade de Caetanear ao seu lado
Pois caetaneio só há muito tempo.
Embriagada mente sem lembranças.
Embriagada mente sem lembranças.
Minha cachorra é linda, linda, linda, linda, linda, linda, linda.... Muito linda. Mas olha esta rua: preta, preta; um buraco, fino, fino; olha um grande, fundo, branco, preto, marrom, azul? Ué, o que este material azul? Esticar braço, tatear o solo, pegar o objeto, analisar. É um caco de vidro. Reverter movimentos, dor. – AI! – Nossa, que voz estranha que tenho! Parece uma buzina de caminhão em uníssono com um pato. Enxugar o sangue da ponta do dedo com a parte de dentro de minha camiseta preta, cavada, que já se encontra suada e colada a meu corpo. Arde, arde, arde. Onde estou? É uma praça. Mas, porque estou aqui? Estou dando uma volta com a Lulu. Minha cachorra, linda, linda, linda, linda. Coitada, está com sede, olha a cara dela. - Lulu, Água. – Puxar, ajeitar, puxar, ajeitar. – Vem.- Ela é forte, forte. Lulu está bebendo água da torneira que acabei de abrir. Estava difícil de abrir aquela torneira.... Tem um menino com um cigarro, ali, no banco, fumando. Que feio, minha mãe diz que isto mata. Olhar, olhar, fixar, desespero, desespero, desespero, desespero, meu coração está acelerado. Minha respiração também.... O que está acontecendo? Soltar grunhido. Puxar, conter Lulu, está avançando. Ah! Ela quer brincar com o menino. Mas ele se assustou. – ham... ela só quer brincar! – Minha voz é horrível, vou andan... Mato, rua, rua, rua, rua, preta, preta, preta, asfalto, petróleo, óleo, óleo, comida, fome. Estou com fome. Olhar para trás. “Cadê” o menino do cigarro? “Cadê” a praça? Confusão, confusão, confusão, confusão, confusão, tristeza, rua. Está anoitecendo. Lulu precisa dormir. Vou levar Lulu para casa. Andar, andar, andar, rua, preta, árvore, meio fio, branco, azul, verde. Minha casa, aqui é minha casa. Chave, chave, chave, chave? Campainha, apertar, som, som alto. Minha mãe, esta é minha mãe. Ela é velha. Eu também. Lulu está comigo desde que nasci. Te amo, Lulu. Lulu não envelhece...
Sol, sol, sol. Acordar, abrir os olhos, andar com Lulu. E voltar daqui a pouquinho....
Esta de noite. Lulu precisa dormir.
Pedro Convento, 28/11/2015.
AMANTE
Alguma coisa acontece dentro de seu peito, mas só quando ele passa por ela. Porque? Não sei. Quem sabe é algo sobrenatural ou até uma simples pegadinha do acaso que cerca suas têmporas e angustia sua morada carnal. É, realmente, algo para se preocupar. Dizem que o nome para tal desconforto, ou alegria, é amor. Mas este amor machuca! Por que amamos? Só pode ser sacanagem de nosso senhor cósmico. Se pudesse escolher, não amaria. Deixo para os amantes este trabalho árduo. Mas não consigo, então continuo a exercer este trabalho. E agora, sei, sou, eu, um, amante!
Não há saída
Não há saída para o amor que está dentro de mim. Sinto que logo logo explodirei. E será uma catástrofe , tão grande quanto chernobil! Ah! Chernobil e toda sua radiação não chega aos pés do imenso amor que habita meu coração! Sinto como se eu fosse um capacho dele, o amor. Que pisa no meu peito e desintegra meus colares. É sim culpa dele!
Me disseram que sou jovem, poeta. Não sei! Será? Sou mesmo!
Pretendo ser, na verdade ja sou, um grande nada! Mas nada não posso ser... Porque nada não sente e eu... Eu sinto.
O porquê de ser assim. Ó, LP!
É o fato de você ser quem és, é a vida que emana de pulso, improvisado, que permeia todas suas competições! Sua alegria em coisas pequenas, seu exagero em coisas que DEVEM ser exageradas! Sua luta constante com o conhecimento. Sem ser trivial, seu tato. Seu cheiro de rosas negras. Sua fada que canta, roda e balança aos meus olhos. Sem mais nem menos… Você é o porquê! Ó porquê, que relaciona fatos e abraços, Relaciona à mim alguém tão inteligente? O porquê é apenas o começo. Mas quando se acha a resposta, nada impedirá uma grande catarse coletiva de duas pessoas!
Célia
Por meio destas escrituras conto para vocês uma história, uma história que não possui um final feliz. Sem requintes ou floreios, nem grandes explicações. Ela aconteceu há algum tempo. - Maria, traga para mim – E veio Maria correndo ao seu encontro. – Ótimo, Maria, Ótimo! – Falou Célia, com os olhos serrados e um sorriso maldoso. Célia nunca tinha percebido o quão importante era seu trabalho no vilarejo em que morava. O fato é que seu trabalho não era bem visto pela alta sociedade de sua época, para eles, ela, era apenas um trapo imundo a qual recorriam quando suas esperanças estavam sob o fio da navalha. Daí, ou talvez, o caso de Célia ser tão mal humorada. Bom, nunca saberemos a verdade. Ela sabia que era a recorrida, a maltrapilha. Apesar de se vestir bem, na verdade Célia nunca entendera tal nomenclatura. E isso só fazia com que a raiva e o ódio por seu dom crescessem. Mal se lembrava de quando amava seu dom, mas sabia que era muito mais feliz, muito mais ansiosa para o próximo cliente, muito mais esperançosa para as coisas boas que sabia que veria. É obvio que via coisas ruins, contanto que não falasse ao cliente, assim tudo ficaria bem. Nasceu em um vilarejo, pequeno porém próspero e cheio de vida, cresceu ali, estudou ali, mas foi na floresta que algum ser supremo, no qual ela acredita ser o próprio Lúcifer, a amaldiçoou com seu maravilhoso dom. E na floresta das redondezas vagou, andou, pelejou por anos aprendendo e desenvolvendo seus amigos mentais, assim o chamavam. Eles sopravam a ela todo o futuro, eram vozes e formatos que cobriam seus sentidos de prazeres, dores e todo o conhecimento divino. Conhecimento sobre outras pessoas, sobre a língua que pronunciava, sobre os céus, sobre a matemática, sobre tudo, menos sobre ela. Era escrava do pensamento de outros, só via o futuro de terceiros. O seu era incerto, apesar do dom. Acomodada, pela capacidade de ler o futuro de pessoas que jamais conheceu, se mudou para uma cidade grande. Suas profecias se tornaram realidade, não se preocupou em fazer propaganda, é claro, o boca a boca estava mais que suficiente. E aos poucos sua clientela era enorme, variada: de gordos a magricelas, de senhoras a jovens. Todos queriam saber o futuro a qual pertencia. Os pagamentos eram feitos com o que tinham no bolso, mesmo assim, Célia, virou a mulher mais rica da cidade. Venerada, precisava de escolta ao andar nas ruas. Sua fama era sem fronteiras, pessoas de todos os cantos do mundo iam àquela cidade para saber. Saber o que ela nunca saberia, saber o que ela desejava todo dia ao ir se perder nos lençóis de sua cama. Casou-se, ainda antes de seus trinta anos, com um jovem belo, poderia se dizer um príncipe se não fosse seu antigo empregado. Conheceu o homem em uma consulta, assim chamara seus encontros com os clientes, apaixonou-se pelo rapaz assim que o viu. Durante o procedimento viu que o rapaz se casaria com ela. E teve a brilhante ideia de contratá-lo. Com medo de que a profecia não se realizasse, mas se realizou. Casaram no campo, embaixo de uma macieira. Apenas Célia, o padre, seu noivo e duas testemunhas estavam lá. Um casamento simples. Sua vida era quase perfeita, uma angústia ainda a sufocava. Senhor, saber do meu futuro, é o que quero. Se existe alguma possibilidade, por favor, me mande um sinal, saberei me controlar, sei que existem perguntas que não posso fazer. Talvez fossem as perguntas que quisesse saber que não deixavam as vozes sussurrarem, talvez. Mas sabia que muito estava por vir. Sabendo disso, se enfiava nos lençóis e dormia: esperando o próximo dia... E o próximo... E o próximo. Mais alguns anos se passaram, a vida já não era a mesma. Seu homem estava a traindo, tudo pelo que lutara estava se esvaecendo. A sociedade começava a lhe chamar: Bruxa! Ao mesmo tempo em que suas dúvidas cresciam seu ouro diminuía. Os poucos que iam às consultas iam encapuzados e pagavam pouco. A veneração do povo morreu, em seu lugar medo. E as dúvidas sobre o seu futuro aumentavam, regava com palavras bonitas suas preces ao ser que dera o seu dom, mas de nada adiantava. O ouro cada vez mais escasso a forçou a voltar ao vilarejo, lá todos iriam recebê-la de braços abertos, afinal ela era uma filha ilustre. Foi o que aconteceu, pelo menos nos primeiros meses, logo, para eles, ela se transformara numa bruxa. Célia, cansada do fracasso que viera tão de repente, orou uma última vez, orou com tanta vontade, com tanta força: - Ó grande Célia, por tanto tempo te acompanhamos por tanto tempo te louvamos, por tanto tempo te mostramos, por tanto tempo te fizemos. Agora vens, com os olhos enlameados, pedir socorro por algo que não somos culpados. - Não são culpados? Que insolência. Peço-lhes respostas há décadas. Respostas sobre mim. E o que me dão? Eis a resposta: nada. - Desafia-nos? Quanta ingratidão. – As vozes fizeram uma longa pausa. E por algum tempo Célia pensou tê-las perdido. – Não! – Voltaram. – Não aceitamos sua atitude. É certo que estás fadada a viver conosco pelo resto de seus tempos, mas isso não nos obriga a viver com você. - Como assim? A pergunta era inocente demais, mais uma vez ficou sem resposta. E por mais alguns anos viveu descontente. Com o pouco rendimento que lhe provia das consultas pagava sua empregada e suas necessidades humanas. Uma outra maldição agora a perseguia: o medo de morrer. Não aparentava uma face velha, longe disso. Era, ainda, a mulher mais bela de todo o vilarejo. Mas a fama de bruxa lhe rendera, ou melhor, lhe retirara seus maiores bens. - Maria, traga para mim – Maria era mais velha que Célia. – Ótimo, Maria, Ótimo! – Falou Célia, como se fosse matar alguém. Maria lhe trouxera um espelho, um grande espelho, com uma moldura de madeira negra. - Tome. E nunca mais volte. - Mas patroa... - Ouro nenhum é pouco, Maria. Anda. Saia daqui. Antes de sair, Maria, virou-se e viu Célia em transe com as palmas das mãos em seu próprio reflexo. Junto do reflexo dois pares de braços, cinzentos com veias negras que saltavam e mãos alongadas com unhas gigantescas. Foi quando o maior pesadelo e o maior sonho de Célia viraram realidade.
15/05/2015 ~Pedro Convento~